Voltar para a tela anterior.
A importância de preparar educadores e a sociedade para os desafios relacionados às neurodivergências foi abordada pelo professor Matheus Silveira, integrante da Mediação Formação Pedagógica, durante o acordo de lideranças da Câmara Municipal. O educador divulgou a segunda edição do seminário “Quando o Olhar Acolhe – Neurodivergências e Acolhimento na Escola”, que será realizada em 12 de setembro, no Teatro Murialdo, em Caxias do Sul. Segundo Silveira, a iniciativa surgiu da percepção de que as transformações vividas pelas escolas exigem atualização permanente dos profissionais. “A escola mudou, as crianças mudaram, as famílias mudaram e os desafios que chegam diariamente para dentro da escola também mudaram. Muitas vezes nós, educadores, nos encontramos diante de situações para as quais a nossa formação inicial simplesmente não nos preparou”, explicou.
A programação reunirá diferentes perspectivas sobre inclusão, com a participação de mãe atípica, pedagoga, psiquiatras infantis, doutores em Educação, psicólogos, assistente social e um neurocientista de Belo Horizonte. Para Silveira, o tema ultrapassa o ambiente escolar e precisa envolver famílias, poder público e comunidade. “Quando uma criança não consegue permanecer em uma sala de aula, quando uma família não sabe a quem recorrer, quando um professor se sente sem ferramentas para lidar com determinada situação, isso ultrapassa os muros da escola. Isso é uma questão da sociedade”, ressaltou. O professor também defendeu que o acolhimento não significa ausência de regras ou limites, mas a disposição de compreender cada situação antes de julgá-la.
Ao final, Silveira convidou o Legislativo e a comunidade a ampliarem o diálogo sobre educação, inclusão, infância e formação continuada. Na avaliação do professor, uma escola mais inclusiva passa pela capacidade de enxergar a pessoa antes do diagnóstico ou da dificuldade apresentada. “Que a gente pare de perguntar somente como fazer essa criança se comportar e comece também a perguntar o que ela está tentando nos dizer. Porque talvez seja justamente aí que comece uma escola mais inclusiva: uma escola que não olha primeiro para o diagnóstico, para a dificuldade ou para aquilo que incomoda. Olha primeiro para a pessoa”, inferiu.