VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Um aparte, vereadora Estela.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Seu aparte, vereador Bueno.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Vereadora Tati, eu quero lhe parabenizar. Porque a senhora estava no salto alto, de rainha da Festa da Uva, e conseguiu ser vereadora, andar pelos bairros e tem feito um trabalho fantástico nos bairros. Então é exemplo para muitos políticos aí. Consegue fazer isso. Mas eu também sinto uma inveja. Confesso que eu sinto uma inveja. Que bom que os moradores foram beneficiados ali. Mas a água que vem do Sagrada Família desce tudo no Vila Ipiranga, atrás do Panela Velha, vem ali do presídio e desce. E ali a gente não consegue nem de salto alto, nem de bota, porque ali é de barco. As pessoas estão alagando. O Soletti esteve lá; o Ivanor; o prefeito, quando foi secretário de Obras do Alceu. E a gente sente uma inveja boa, vereador Bressan, mas a gente precisa urgentemente que uma obra seja feita ali. Porque a água está alagando tudo, o pessoal que mora ali na BR, atrás do Panela Velha e desemboca no Vila Ipiranga. Sei que o pessoal está com as máquinas fazendo uma limpeza paliativa neste momento no Vila Ipiranga, mas nós precisamos de mais. Queremos também que a senhora venha aqui dizer assim: “o pessoal foi contemplado lá no Vila Ipiranga”. Obrigado, vereadora.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Muito obrigada, vereador. Então, bom dia a todas e a todos. Hoje, devido à audiência pública que nós teremos amanhã, na quarta-feira, a primeira audiência pública que tratará sobre um dos assuntos mais importantes dos últimos tempos, que é a Maesa, também a última mudança que nós temos no governo Adiló, em relação ao secretário das Parcerias Público-Privadas, eu vou tratar desse tema, que é a questão da Maesa. Eu quero iniciar falando de uma das questões que, para mim, deve ser o início desse tema, que é o espírito que essa lei de doação teve quando isso foi doado, quando esse patrimônio foi doado para Caxias do Sul. No governo Tarso, quando a Maesa foi doada para Caxias, havia um espírito para essa lei de doação acontecer. Esse espírito era o espírito de uma lei de doação para que aquele espaço fosse ocupado de maneira coletiva, de maneira plural, de maneira social, de maneira cultural. O plano de ocupação original carregava esse mesmo espírito. E eu sinto, e tenho pesar ao sentir isso, que isso está se perdendo com esse projeto que a gente vê se colocando agora. E eu acho isso grave. Porque, se a gente recebeu um patrimônio que tinha dado algo, que tinha determinada ação, que tinha determinado aquilo, a gente tinha que valorizar isso. Eu acho que isso deveria ser valorizado. A gente deve valorizar esse histórico, e não só pensar isso como algo do tipo: “Nossa! Há quanto tempo nós debatemos. Faz 10 anos que passa, que a gente debate esse assunto, que a gente reclama e que a gente demora.”. Mas pensar também que faz 10 anos que esse mesmo espírito está sendo deixado de lado agora nesse projeto, esse espírito de ocupação. Outro ponto importante que nunca pode ser deixado de lado quando a gente trata desse assunto é a questão histórica, o patrimônio histórico, a quantidade de trabalhadores e trabalhadoras que fizeram as suas vidas dentro daquele patrimônio, que sustentaram as suas famílias, que fizeram suas carreiras, que fizeram as suas vidas dentro da nossa cidade através do patrimônio da Maesa. Isso não pode ser deixado de lado, isso não pode ser descaracterizado, a gente não pode perder essa essência histórica que a Maesa tem, do trabalho, da construção e de algo que também faz parte da nossa cidade. Eu acho que essa é uma característica bonita, uma característica batalhadora, uma característica de esperança que a nossa cidade tem, e que a Maesa não pode perder. Portanto, eu acredito que entregar o complexo da Maesa para o mercado especulativo seja um erro, um erro gravíssimo que nós não podemos cometer. E por mais que eu ache...
VEREADORA ROSELAINE FRIGERI (PT): Um aparte, vereadora.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Já lhe concedo. Por mais que eu ache que a gente vem aqui e faça esse discurso, e muitas vezes sinta que a gente pode estar, sim, perdendo o discurso, eu não posso deixar de deixar registrado nos Anais desta Casa que eu acho que está sendo cometido um erro. Porque eu acho que a Maesa cultural, por todo esse histórico, por toda a sua importância social, ela deve ser para todos e todas, ela deve ser inclusiva e não excludente. E isso passa outro fator importante que é o formato de concessão. Eu já trouxe isso em outro momento, já me falaram que isso não está em discussão, mas eu vou insistir, sou insistente mesmo e vou dizer que eu acho que a gente tem que discutir isso, sim. Eu acho que a gente não pode abrir mão da gestão da Maesa. Outra coisa que me falaram é que a gente não tem competência, o governo não tem competência de gerir as mudas, de gerir a saúde, de gerir a educação, como é que vai gerir a Maesa? Pois é, eu acho que a gente não pode pautar a gestão da Maesa pela incompetência de um governo. Eu acho que a gente tem que pautar a gestão da Maesa por pensar que vão ter governos mais competentes. Se a gente acha que esse governo de agora, como já foi citado não por mim, por outros vereadores, não consegue gerir podas, portanto não conseguirá gerir a Maesa, outros governos conseguirão. Eu acredito que conseguirá. E, portanto, a concessão da Maesa, que é um projeto de 30 anos, passará pela mão de muitos outros governos. E governos, no meu ver, se a gente construir, poderão ser mais competentes e poderão gerir a Maesa, que poderá continuar sendo nossa, que poderá sendo de uma gestão pública, de uma gestão inclusiva, com participação das pessoas, com participação cultural, com o mercado público, com inclusão social. E eu bato nessa tecla da inclusão, porque o lazer é uma parte tão importante do desenvolvimento social de uma cidade, e Caxias do Sul não tem um espaço de lazer. E a gente não pode entender que o shopping é um lugar que toda a população consegue ir. Ela até pode estar lá, mas ela não vai conseguir aproveitar aquele espaço...
VEREADOR ADRIANO BRESSAN (PTB): Um aparte, vereadora.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Já lhe concedo. Ela não vai conseguir usufruir daquele espaço. Então a gente precisa tornar aquele lugar um lugar que a população vai, sim, conseguir usufruir. Vão poder continuar acontecendo as feiras, com a Plácido de Castro coberta, vai ter o mercado público, vão ter as secretarias. São esses os nossos sonhos. E o nosso sonho, ele tem que ser com essa gestão pública, porque a gente sabe que, tendo a gestão pública, a gente vai ter essa preocupação com o social. Eu quero trazer aqui um exemplo, eu acho que é importante a gente trazer exemplos de coisas parecidas que deram certo, e trago o exemplo da Usina do Gasômetro, que é próximo aqui, duas horas de Caxias do Sul. É um local muito parecido, onde a Prefeitura fez parcerias com o setor privado, mas a gestão continuou sendo da Secretaria de Cultura, e é um lugar que, por exemplo, agora vai ser reformado. Ele já está acontecendo, ele já está funcionando com as parcerias com o setor privado, mas com a gestão da Prefeitura. Então eu quero dizer que eu vejo que há um esforço do prefeito de dizer que não tem como fazer de outra forma, mas eu não vi o prefeito ir atrás desses exemplos. O exemplo, como essa cidade aqui do nosso lado, há duas horas daqui. A Usina do Gasômetro foi visitada? Eu peço isso ao vereador Lucas Diel. A gente visitou A Usina do Gasômetro para ver se poderia funcionar aqui para a Maesa? Se essa forma que foi implementada lá poderia funcionar aqui? Talvez não tenha sido feita, mas o que a gente vê que aconteceu? Foi o Maurício, o antigo secretário da pasta das PPPs saiu e entrou o representante da Multiplan. E eu vou botar no Google o que é Multiplan. Uma das maiores empresas que administra shopping center no Brasil. E eu quero aqui citar uma frase do Brizola e eu vou parafrasear essa frase do Brizola: Tem pele de jacaré, tem boca de jacaré, tem braço de jacaré, tem olho de jacaré, mas não é jacaré. É isso que o prefeito Adiló está falando para nós. Parece muito um jacaré, mas não é. Parece muito que ele quer que seja um shopping center, mas não é isso que ele quer que seja. Está difícil a gente acreditar que não é... Declaração de líder à bancada do PT. Está difícil a gente acreditar que a Maesa não vai ser o shopping da Maesa. Está difícil a gente acreditar que aquele não vai ter um espaço para uma parcela da população e está difícil a gente acreditar que está sendo de fato dialogado com a população. Eu não consigo afirmar, com todas as letras, que eu acredito que esse processo foi um processo democrático. Eu não consigo dizer aqui que eu quero estar certa. Eu quero muito estar errada, eu quero muito que este espaço seja um espaço inclusivo, que seja um espaço que caiba todas as culturas, que caiba todos os povos e que seja um espaço de lazer para a nossa cidade. Vou ceder os apartes começando pela vereadora Rose.
PRESIDENTE ZÉ DAMBRÓS (PSB): Segue em Declaração de Líder.
VEREADORA ROSELAINE FRIGERI (PT): Parabéns, vereadora Estela, por trazer esse tema num momento bem importante porque nós começamos essas audiências públicas, essas audiências que a prefeitura está se propondo a fazer com a comunidade, com outras entidades. É muito importante que realmente a comunidade, as pessoas entendam o que está acontecendo e sejam ouvidas, que não sejam... e eu não acredito que o objetivo seja esse, de tu dizer que vai fazer para ouvir a comunidade, mas chegar com uma coisa pronta. Acho que uma coisa assim tem que ser bem nítida entre nós e a gente discutiu isso em vários momentos. Ninguém, eu não acredito que nenhum desses vereadores ou vereadoras defenda que não tenha iniciativa privada, como foi muito bem colocado aí. Nós acreditamos que só o poder público não é possível fazer um projeto como se pensa, com a verba, como valor necessário sem a contribuição dos setores privados. Mas se nós formos pensar a forma, as formas de parceira público-privada, existem várias. Foi citado uma aqui, o prefeito apresentou uma já em reunião, está trabalhando com essa. Foi citada essa do gasômetro. Existem várias formas de trabalhar isso. Isso é um dos pontos que se discute quando se coloca a questão da Maesa. Ela tem que ser administrada pela prefeitura, pelo poder público. Isso acho que não dá para a comunidade caxiense abrir mão. A segunda questão é do projeto em si. Foi feito um novo projeto do que aquele original, que é uma luta antiga, vamos relembrar que foi ali no apagar das luzes de 2014, por muita movimentação do governo do estado da época, que era o Tarso Genro, mas da prefeitura aqui, de pessoas ligadas a cultura, a história, vereadores desta Casa também, conseguiu-se ter aquele prédio para o município, que estava pronto para todo ele ser trocado e ir para a iniciativa privada. Só que quando eu entrei lá, na primeira visita no ano passado, a emoção foi muito grande, eu tenho toda... muita gente aqui tem pai, avô, tios que trabalharam lá dentro e essa sensação parece que falava naquele espaço ali. E a gente precisa manter esse espaço como realmente um espaço histórico, cultural como prioridade. Isso ano significa que não vai ter a iniciativa privada trabalhando lá dentro. Mas a grande âncora, se a gente pode fazer uma discussão como dos shoppings, tem que ser a cultura, a história, relembrar aquele espaço como o trabalho dos... questão, como dizia Valentim Lazzarotto, “os pobres construtores de riquezas”, no livro histórico que ele fez sobre a história da Metalúrgica Eberle. Quem construiu aquela riqueza foram os trabalhadores e as trabalhadoras. É isso que tem que ter, é isso que nós... Não podemos entrar lá e imaginar: Não, tem o mercado público... Ninguém aqui discorda que o mercado público é a coisa mais importante de lá, mas tem que ter muito mais coisa. Essa questão da inclusão é fundamental. Então mais uma vez lhe parabenizo e convoco a sociedade caxiense para fazer essa discussão de forma mais democrática e mais ampla possível. Muito obrigada.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Muito obrigada, vereadora Rose.
VEREADOR LUCAS DIEL (PDT): Um aparte, vereadora.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Eu acho que é justamente isso, é importante a gente frisar que a iniciativa privada ela é bem-vinda. Eu acho que a gente tem que ter essa parceria mesmo, tem que fazer em conjunto. A questão é a gestão, é a forma com que essa parceria vai se dar. A parceria, a concessão comum, a gestão continua sendo da prefeitura e a parceria continua acontecendo. Então por que a gente não pode fazer desse formato? Talvez por que a obra demore um pouco mais para se viabilizar? Pois é! Mas talvez o tempo, fazer a qualquer custo para terminar mais rápido não seja o ideal, não é?
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Uma Declaração de Líder, senhor presidente.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Seu aparte, vereador Scalco.
VEREADOR MAURÍCIO SCALCO (NOVO): Obrigado, vereadora Estela. Eu vou ter que botar a minha posição aqui. O projeto que me apresentaram, que eu fui a várias reuniões, não é um shopping! Com todo respeito, não é um shopping! É um projeto inclusivo sim. Precisamos da iniciativa privada para poder viabilizar esse projeto. Nós temos que focar na cidade, nas prioridades. A gente está com um problema de saúde aqui, foi muito debatido aqui. A gente não tem dinheiro para a saúde, não tem dinheiro para a educação. A gente sabe que a zeladoria está a desejar na cidade aqui. A Maesa é um marco, é a menina dos olhos da cidade de Caxias do Sul para o desenvolvimento de turismo, é um espaço de lazer. Vai ser gratuito. Eu não sei, se vocês olharem no Estado do Rio Grande do Sul, não tem nenhum espaço que nem esse para tornar um atrativo para a cidade de Caxias do Sul, não existe nenhuma cidade que tem um espaço tão grande e disponível para se tornar um atrativo para a cidade, para a história da cidade, para o turismo da cidade e é tudo gratuito; não é shopping. Essa narrativa de shopping chega a me deixar nervoso. É um lugar que vai precisar ter lojas privadas sim, porque alguém tem que pagar o aluguel dos espaços para poder manter o local. O poder público não tem dinheiro para manter o local como esse, é muito grande, a estrutura é gigante. E ao mesmo tempo esse local vai ser mantido, vai ter Secretaria de Saúde, vai ser inclusivo, vai ter praças de eventos, vai ter lugar para levar o pessoal para mostrar a sua cultura, a sua arte, o seu artesanato. Está bem dito no projeto, vereadora. Então nós temos que dar força para ele. E outra coisa, meu ponto aqui, eu sou contra o tombamento federal. Nós vamos trancar esse projeto mais 20, 30 anos. O governo federal não consegue manter os museus que tem no Brasil. Vão querer que eles construam a Maesa aqui? É um sonho. Caxias não vai mais esperar 40, 50 aos. Vai cair as paredes daquilo lá e vai virar um lugar que vai ser invadido, que vai virar um monte de dormitório de pessoal que está na rua. Nós temos que usar esse espaço e entregar o quanto antes para a comunidade. Muito obrigado, vereadora.
VEREADOR OLMIR CADORE (PSDB): Um aparte.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Já lhe concedo. Então eu concordo, vereador, que tem que ser entregue para a população, que essa é a nossa menina dos olhos, que é muito importante para o turismo de Caxias. Shopping Iguatemi, Shopping Villagio, Shopping São Pelegrino, eles também têm entrada gratuita. Eu não acho que eles são inclusivos. Também me deixa muito nervosa quando o encarregado que tratará sobre a Maesa é o representante de uma das maiores empresas responsáveis pelos shoppings centers do Brasil. Então eu posso estar errada, mas me parece que tem conflito de interesse. E vocês podem me dizer que não, mas me parece que tem. E poderia ter sido colocada outra pessoa no cargo, mas se escolheu uma pessoa que tratará do projeto da Maesa, e que é representante de uma das empresas que representa os shoppings centers do Brasil... Então isso é muito contraditório, não é, vereador?
VEREADORA TATIANE FRIZZO (PSDB): Um aparte.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Seu aparte, vereador Bressan.
VEREADOR ADRIANO BRESSAN (PTB): Obrigado, vereadora Estela. Vereador Estela, eu prestei muita atenção no que a senhora colocou até agora e anotei alguns pontos. Então já está acontecendo uma consulta pública, vereadora, onde a comunidade já está inserida no processo. E vai ter mercado público, vai ter esporte, vai ter lazer, vai ter inclusão e vai ter que ter administração privada. Olha, vereadora Estela, eu vou dizer uma coisa para a senhora, hoje é o Governo Adiló que está aqui administrando a cidade. Se um dia vocês estiverem no governo, nem eu quero que essa carga fique para vocês. Nem eu não quero! Isso é um erro, puxar para o poder público hoje fazer toda essa administração, com todos esses problemas que foram mencionados pelo vereador Scalco, é um erro. Infelizmente, vereadora, Estela.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Um aparte?
VEREADOR ADRIANO BRESSAN (PTB): Vou dizer a verdade, a senhora é bem mais nova do eu, mas olha se nós esperarmos mais 40 anos mais ou menos, eu não vou mais ver essa Maesa como a gente gostaria e nem, talvez, a senhora vai usufruir desse espaço tão importante. Obrigado, vereadora Estela. (Esgotado o tempo regimental.)
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Muito obrigada, vereadores. Desculpa eu não poder dar aparte para quem pediu.