terça-feira, 07/04/2026 - 156 Ordinária

Moção nº 11/2026

VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Então, senhoras e senhores, eu venho aqui com perfeita tranquilidade colocar a minha opinião, é uma opinião que não é só minha, é uma opinião de grande parte da sociedade que, neste momento, em conjunto, entende que essa lei ela precisa ser melhor analisada, ela precisa ser melhor estudada, ela precisa ser melhor produzida do que ela se encontra neste momento. E isso nos preocupa muito, muito. Eu vou começar a minha fala, senhoras e senhores, com a entrevista da ex-colega e deputada Denise Pêssoa hoje na Rádio Espaço. E que se a intenção fosse realmente o que a deputada colocou, acredito que ninguém seria contra essa lei. Porque ela colocou que essa lei ela foi criada como aprendizado para que os homens parem de cometer crimes contra as mulheres. Bom, eu vou mais longe. Se a lei realmente é para aprendizado, para que o crime contra a mulher diminua, então, nesse primeiro momento, que se faça uma multa. A pessoa cometeu? Toca uma multa. Agora, crime, por simplesmente discordar de alguém? Isso é um absurdo. É um absurdo total. Se olhar é assédio, se encostar é abuso, se conversar é misoginia, se ignorar é violência doméstica, se interromper a fala é violência racista. Olhe bem! E até aqui vou fazer, acho que a gente, apesar da diferença política, a gente tem uma boa relação aqui dentro. Eu fico contente de ver a vereadora Estela de volta à Casa, está melhor. Mas, vereadora, eu vou aproveitar a ocasião para lhe dizer, a senhora sabe que nós, o meu jurídico, estudamos bastante a lei e a gente encontrou o problema da subjetividade. Por exemplo, se a vereadora Estela agora me pedisse um aparte, vamos fazer de conta que a lei foi aprovada, está valendo como lei, a lei da misoginia. A vereadora Estela me pede um aparte e eu nego, é crime de misoginia. Isso está bem esclarecido que pode ser enquadrado como crime de misoginia. Por quê? Porque eu interrompi a liberdade dela de se pronunciar. Olha onde nós estamos chegando, não haverá mais debates nesta Casa e em nenhuma outra. É um absurdo, gente. Eu não sou contra, eu já disse, tudo o que for para ajudar as mulheres a se defenderem contra o crime tem que ajudar, criminoso tem que ir para a cadeia. Mas isso passou de todos... Isso é para separar homens de mulheres. Gente, o emprego. De sexta-feira para cá, eu acompanhei uma grande parte dos sites tanto de esquerda, direita, centro, no Brasil inteiro. Qual era o maior comentário em cima dessa lei? Várias e várias pessoas, tanto mulheres como homens, empresárias e empresários, dizendo que se for aprovada, os currículos femininos que estão no RH simplesmente serão jogados fora. “Nós não contrataremos mais mulheres.” Por quê? Porque o chefe é um homem, a dona da empresa é uma mulher, mas o chefe é um homem. Se ele chamar a atenção daquela mulher, se enquadra no crime de misoginia. Então, gente, esse é o grande problema. Aqui ninguém é contra uma lei que proteja as mulheres, muito pelo contrário. Mas a questão é a subjetividade, é a forma que cada um vai interpretar. Isso é muito prejudicial para todo... Inclusive, se esses empresários ou empresárias que colocaram nas redes sociais que não vão mais contratar mulheres por medo dessa situação, vocês imaginem quantas mulheres Brasil afora que perderão a oportunidade de ter um trabalho? Então, eu peço em nome dessas mulheres. É preocupado com essas mulheres, que estão indo buscar o primeiro emprego, que estão tentando procurar uma forma de arrumar um bom trabalho, que fizeram o concurso, que querem ganhar, fazer a sua vida, crescer na vida, vencer na vida e eu apoio, serão prejudicadas. Essa é a minha grande preocupação. Aparte os outros debates que a gente tem aqui a respeito dessas coisas, mas aqui nesse específico caso, o problema é a subjetividade, nada mais que isso. E eu encerro a minha fala dizendo o seguinte, o que mais está rodando na internet nesse momento sobre a misoginia: No mundo ideal para as feministas, o homem não deveria existir. Obrigado, senhor presidente.
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VEREADOR HIAGO MORANDI (NOVO): Aqui, eu nem preparei o discurso, Fantinel. Cheguei, achei que tinha mais, vereador Fantinel. Cheguei e achei que tinha mais pessoas na minha frente para dar tempo de preparar, não é? Mas de novo, volto aqui para dizer que é mais uma tentativa tosca da esquerda. Primeiro, tentaram encaixar a escala 6x1, não foi para frente, não deu em nada. É ano eleitoral, projetos populistas vem aí, e a gente sabe que o negócio é fingir que se importam com as pessoas. Se se importassem com as mulheres, vereador Fantinel, eu não canso de dizer que votariam a favor para o aumento de penas, não é? E quando a gente tem essa oportunidade, a esquerda vai lá e vota contra, não é? Então a gente sabe que o crime hediondo, aumentar as penas, deixar o cara encarcerado vai dar sim, não é? Jogar ele numa jaula, quanto pior na questão de dar medo no cara que comete um crime, melhor, e a gente vai ter números bons. Tem lei da misoginia, vereador Fantinel, lá em El Salvador, onde começou com o Nayib Bukele como prefeito de San Salvador, se destacou, não é? Um publicitário, um jovem publicitário, mas teve culhão de botar em prática leis de verdade, rígidas, contra criminosos de verdade, não é? Então o criminoso de verdade não é quem interrompe a fala de uma mulher. Isso vai servir para eles jogar opositor na cadeia, como eles já vem fazendo dia 8 de janeiro, mas como teve muito desgaste e dor de cabeça, é melhor a gente criar uma lei e aí a gente se apropriar e usado uma minoria barulhenta, para até persuadir pessoas da direita que vão ter medo, não é? Medinho de votar contra ou se impor ou falar a verdade. Mas aqui no parlamento, uma das coisas que a gente tem por enquanto, vereador Fantinel, e demais, não é? Que está na 2ª, está na 5ª emenda americana, e todas as emendas mais importantes é a liberdade de expressão. E aqui, através da liberdade de expressão, eu trago.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Peço um pequeno aparte.
VEREADOR HIAGO MORANDI (NOVO): Já na sequência. E aqui eu trago exemplo de El Salvador, porque lá em El Salvador, um ano e meio, Fantinel, um ano e meio sem um homicídio, uma morte violenta, mas o que tem? É porque aprovaram a lei de misoginia? Não, é porque lá eles têm uma cadeia que é o maior presídio das Américas e eles colocam lá, enjaulado, com uma luz ligada 24 horas, onde eles comem só arroz integral e trabalham, o dia inteiro, os presos fabricando mochila e classe escolar. Lá se tem esse tipo de lei. Então, e para quem diz, vereador Fantinel, para quem diz que lá o país é muito pequeno, que lá a realidade é diferente, o Nayib Bukele no encontro da ONU falou: "Me dá um país grande para ver o que que eu faço.” Então, não é desculpa, a gente sabe que o que vai fazer a mulher morrer menos é cadeia para quem não presta. Primeira coisa, uma cultura, uma educação de qualidade, isso eu tenho certeza, coisa que nos últimos anos a gente não viu. Eu tenho visto vídeos, do senhor também, de professor apanhando dentro de sala de aula. Então, eu acredito que vamos se espelhar em quem deu certo. Vamos pegar os números do Paraná, talvez, vamos ver que lá tem a melhor educação do IDEB. Talvez é porque o Ratinho Júnior abriu 142 escolas cívico-militares, vereador Fantinel. Talvez é por isso. A sua palavra.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Obrigado, vereador Hiago. E uma parte que eu acabei esquecendo na apresentação, que é muito importante, não é? O extremo absurdo de encaixar essa lei ali no racismo. Porque, por exemplo, o marido alemão, a mulher alemoa, discute. Tu entendeu? E ele discute com ela, e ela denuncia. É crime de racismo. O senhor entende o absurdo aonde que ele chegou? O país que a esquerda chama de o monstro, o monstro do capitalismo, que é os Estados Unidos.
VEREADOR HIAGO MORANDI (NOVO): É isso aí.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): É o monstro do capitalismo. Não tem cotas raciais nos Estados Unidos. Porém, o piloto da astronave mais importante da história da humanidade, que está agora no espaço, é um afrodescendente. Parabéns a ele. Isso mostra que nós somos todos iguais. Todos temos as oportunidades, é só aproveitar. O piloto da Artemis 2 que todo mundo está acompanhando, que está no espaço mais distante da história da humanidade, é um afrodescendente que foi lá sem cotas. Obrigado, vereador.
VEREADOR HIAGO MORANDI (NOVO): Obrigado pela colaboração, Fantinel. Lembrando que aqui a gente vem sempre tentando expressar o que a sociedade pensa de um lado ou de outro. O que vale aqui é a gente tentar chegar a um consenso. E eu acho que o consenso é que está todo mundo cansado dessas leis injustas, que não dão em nada e que, infelizmente, vereador Calebe, o vagabundo acaba saindo antes do policial. É isso que já está mais do que batido, esse discurso. Então, acho que é aí que a gente tem que mudar. Se sair na rua e pedir o clamor da sociedade, ninguém vai falar de Lei de Misoginia, mas, sim, de querer quem cometeu o crime na cadeia. Então, crimes de verdade. Então, vamos cumprir o que já tem de lei. E, ao mesmo tempo, Fantinel, me espanta, porque a esquerda é desencarceradora. Eles falam que não tem mais lugar para o pessoal ir preso. Eles são contra lotar os presídios; mas, ao mesmo tempo, eles criam mais uma lei para levar o homem para a cadeia. Então, não tem como entender essa parte. A gente vai seguir defendendo, eu sempre digo, por mais que dê dor de cabeça ou seja difícil. A gente vai fazendo o difícil e não o que é fácil. Porque, às vezes, o que é fácil não é certo, né? Muito obrigado. Obrigado, presidente. Valeu. Estamos juntos.
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VEREADORA ROSELAINE FRIGERI (PT): Bom dia novamente. Às vezes eu tenho vontade de rir, mas vamos falar sério, né? Primeiro que eu acho, mais uma vez, eu gostaria que esta Casa tivesse o mínimo de compromisso com a verdade. As pessoas não sabem o que é misoginia e falam bobagem. As pessoas não sabem o que é feminismo, confundem com femismo e falam bobagem. Vão pesquisar o que é femismo. Eu não sou femista, eu sou feminista. Então, antes de falar, poxa, nós temos que ter compromisso com a verdade. Eu sei que a direita não tem, muitas vezes, compromisso com a verdade, especialmente quando falam das mulheres. Mas vamos tentar ter um pingo de responsabilidade, então. Primeiro, eu queria deixar claro isso. A segunda coisa que eu queria colocar é que eu fico um pouco também espantada, porque as expressões aqui são “aumento de pena, vamos prender vagabundo”. Vagabundo é o que mais se ouve de alguns aqui. “Os vagabundos têm que apodrecer na prisão. Não tem que dar trabalho para os vagabundos, porque os vagabundos que fazem isso têm que estarem presos.” Quem são os vagabundos? Quer dizer, os vagabundos que ofendem, que maltratam as mulheres, esses beleza. Não precisa nem ser crime o que eles fazem, quem dirá ser preso, quem dirá ter punição. Porque a misoginia... E não me espanta, também, que quem encabeça essa moção foi uma pessoa que veio aqui justificar o racismo, justificar o trabalho escravo. Não me espanta isso. Acho que não espanta ninguém, né? Porque, quando a gente publicou isso aí, o que eu mais ouvia nas redes era assim: "Surpresa zero." Quem assinou? Surpresa zero. Então, é surpresa zero. Mas eu quero dizer que colocar a misoginia como crime é fazer uma escolha de sociedade. Que sociedade que nós queremos construir? Eu não sou daquelas — embora eu seja do Direito e gosto muito de Direito Penal — que acham que punindo, que prendendo, que deixando 20 anos socado em um sistema prisional falido do nosso país vai resolver as coisas. Eu acho que, muito mais que isso, é o ataque da educação, da cultura, daqueles valores intrínsecos às pessoas. Mas esse crime ou qualquer outro crime tem outro sentido, que é o sentido punitivo e o sentido de fazer com que as pessoas não se sintam tão à vontade para criarem crimes. Também não me espanta quem veio aqui fazer essa moção, porque teve essa mesma discussão quando se colocou o racismo. Essas pessoas não gostariam que o racismo fosse crime. Queriam chamar as pessoas de macaco, imitar macaco na boa, porque essa é a vontade que as pessoas têm. Elas só não fazem por quê? Porque é crime. Então, é por isso que essa lei de ofensa, de violência contra as mulheres precisa ser crime. É só um artigo para colocar em uma lei maior. E, gente, não precisa ter medo de ser criminalizado. É só não agredir, é só não cometer violência, é só não fazer discurso de ódio contra as mulheres que vai ficar beleza, não vai ser punido. Mas não, essas pessoas querem vir aqui e em qualquer outro lugar e ofender as mulheres, chamar as mulheres do que quiserem e ficar de boa, não serem responsáveis por isso. “Vamos fazer uma multa.” Coisa mais sem sentido, isso sim é subjetivo. E outra, a misoginia, eu não vou entrar nesse detalhe porque é pouco tempo e eu sei que tem mais... Espero que mais gente vá falar, eu sei que tem gente com capacidade aqui que vai explicar o que é a misoginia, mas eu quero dizer que a misoginia é um discurso de ódio e isso não é permitido na Constituição. Na Constituição, as leis não podem tolerar esse tipo de coisa. E mais que isso, criminalizar o discurso de ódio contra as mulheres não vai ser bom só para as mulheres, vai ser bom para toda a sociedade, vai ser bom para as crianças, vai ser bom para a família, vai ser bom até para os homens que são solidários e que querem uma sociedade de paz e sem ódio, sem violência. Então, eu fico espantada com essa moção. Caxias talvez, de novo, vá para os noticiários. Espero que não porque ultimamente a gente não tem sido muito bem visto nos noticiários nacionais. Mas eu peço colaboração, vamos entender a lei, vamos entender o crime, vamos entender do que está se tratando para depois votar. Obrigada.
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VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Bom dia a todos e todas, colegas vereadoras, colegas vereadores, Mesa Diretora. Vereador Sandro Fantinel, muito obrigada pelo agradecimento ao meu retorno. Fico muito feliz de estar nesta Casa, mas entristecida de nós estarmos debatendo um assunto tão sério com tanta desinformação e com tanta fala que demonstra a importância e a necessidade dessa lei. Eu quero pegar o gancho da vereadora Rose e começar explicando o que é o significado dessa palavra. Essa palavra ela vem do grego. O misos, que é o ódio; e gyné que é mulher. Então, é o ódio às mulheres. É um ódio sistemático. É um ódio que tem diversas ações e crenças relacionadas ao fato de entender e acreditar que nós mulheres somos o segundo sexo. Que nós mulheres, de alguma forma, somos inferiores aos homens biologicamente. E eu acho que aqui dentro desta Casa, todos nós temos condições de entender que uma mulher e um homem são iguais, não só perante a lei, mas são iguais perante as suas capacidades. E eu acho que isso é um ponto importantíssimo sobre a misoginia, que é fazer nós mulheres termos esse entendimento de que nós somos o segundo sexo, sendo que a gente precisa combater isso fortemente na nossa sociedade. Esse sistema, o sistema chamado de patriarcado, que é essa dominação dos homens na nossa sociedade, ele tem 2.500 anos. Ou seja, ele não é natural. A gente não existiu enquanto sociedade e, automaticamente, o patriarcado existiu. A gente construiu isso socialmente. Então, significa que através das nossas crenças e daquilo que a gente aprende, ensina e replica, a gente consegue sim mudar as nossas estruturas sociais. Então, a partir do momento que a gente tem uma estrutura social que condiciona nós mulheres a sermos o sexo inferior, a gente pode inverter a lógica, pode inverter esse discurso de ódio e pode pensar que nós mulheres e os homens são iguais e construir essa sociedade. Uma sociedade igualitária, defendida pelo feminismo e muito bem trazida pela vereadora Rose, quando trata da diferença do feminismo, que é as mulheres se sentirem superiores aos homens, como muitos homens já se sentem acerca das mulheres, e o feminismo, que é sobre igualdade de gênero. A misoginia, ela traz consigo coisas reais. A gente tem cerca de três assassinatos de mulheres por dia no nosso país. Sessenta e quatro por cento da violência contra toda mulher acontece dentro de casa. Então, não é um local seguro para nós nem os nossos lares; porque, ali dentro, a gente sofre mais da metade das violências que são acometidas sobre os nossos corpos. É inseguro para nós pegarmos o transporte público. É inseguro para nós estarmos nos espaços públicos, mas é mais inseguro ainda estarmos dentro de casa. E eu acho que quando a gente faz esse debate a gente consegue ver, através desses dados, que o ódio às mulheres, que essa aversão às mulheres tem um resultado prático. E esse resultado está nos matando, está tirando as nossas vidas todos os dias. A gente tem que olhar a misoginia também como uma questão de fator econômico. Porque quem trabalha de graça dentro de casa? O problema não é ser dona de casa, trabalhar em casa. O problema é esse trabalho não ser remunerado. O trabalho do cuidado não é remunerado na nossa sociedade. E quem cumpre esse papel? Historicamente, tendo a mesma escolaridade, a mesma formação, ocupando o mesmo cargo de trabalho, quem ganha menos? Ainda somos nós, mulheres. Então são coisas importantes de a gente ver para fazer esse debate, para não fazer um debate baseado na desinformação, porque somos, aqui, agentes públicos, e temos que ter a certeza daquilo que nós estamos falando e sempre contar com a verdade nas nossas falas, para que a gente auxilie a população e não desinforme e cause ainda mais confusão, ainda mais ódio. Então, isso criminaliza o ódio, não criminaliza opinião, não criminaliza expressão, não criminaliza elogio, não criminaliza conversa. Criminaliza o ódio contra as mulheres. Muito obrigada.
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VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Bom dia, nobres colegas. Bom dia, senhor presidente. Vereadora Rose Frigeri, a senhora veio aqui, fez um discurso bem intrigante. Eu tentei entender, eu juro para a senhora que eu fiquei os cinco minutos atento ao seu discurso. A senhora começa o seguinte, falando: "Eu não sou daquelas que acha que punindo vai resolver." E, dois minutos depois, a senhora fala: "Mas a lei da misoginia vai punir quem falar contra as mulheres." Então a senhora tem que se decidir se a senhora prefere punir ou não punir. Vamos pensar para ter coerência, porque senão fica incoerente. Vereadora Rose, a única oportunidade de o seu partido votar a favor das mulheres, vocês votaram contra, lá no Congresso Nacional, vereadora. O PT e o PSOL votaram contra a caracterização do crime de estupro como crime hediondo. Vocês votaram contra prender estupradores, vocês votaram contrários. Então vocês têm que ser a favor sempre, não só na hora do discurso. Não adianta eu vir aqui, a este palanque, dizer que eu sou a favor das mulheres e, na oportunidade de eu realmente proteger as mulheres, eu ser contra elas e não votar favorável a punir. Quem maltrata as mulheres tem que ser punido. E a gente protege isso sempre, não só no discurso. A realidade é que tem que ser preso. Se não for preso, não resolve, vereador. Esse final de semana, mais uma mulher foi assassinada. E a senhora sabe qual foi o equipamento utilizado para assassiná-la? Uma faca. A senhora sabe, vereadora Rose, o que iguala uma pessoa de menor força a uma pessoa com maior força? O que iguala os dois? Uma arma de fogo. E o meu partido, o Partido Liberal, protege isso, garante isso para as mulheres indefesas, utilizarem uma arma de fogo para se proteger contra um agressor. Sabe por que, vereadora Rose? Porque a gente realmente é a favor das mulheres. A gente quer o bem das mulheres. Se eu for uma mulher e chegar com um papel na frente do meu agressor e disser o seguinte: "A partir de agora, você não pode me agredir." A senhora acha que ele vai respeitar? Se ele não respeita nem uma placa de trânsito de deficiente físico. Ele não respeita, não respeita o papel. Mas a senhora acha que se ela tiver uma arma de fogo ele vai se aproximar? Não vai se aproximar. Então, a gente tem que ser favorável às mulheres na hora que a gente consegue ser concretamente favorável às mulheres, que é na hora de botar criminosos na cadeia. É lá que eles aprendem. E sabe agora a lei que foi aprovada? Eu não sei como aprovou, mas vamos levantar as mãos para o céu. Agora vagabundo vai cumprir 80% em regime fechado. Porque o que dificulta o cidadão de cometer um crime é saber que ele vai ser punido. Se ele não souber que vai ser punido, está tranquilo. Eu vou lá, eu mato alguém, eu roubo um celular, eu faço o que eu quiser e não é punido. A gente tem que punir. Olha em El Salvador o que aconteceu. Eles prenderam 1% da população. É bastante? Mas é criminoso, é bandido. Criminoso tem que estar preso. E aí você faz o seguinte, você prende 1%, e 99% da população vive em paz. Hoje, no Brasil, a senhora tem este dado: 50 milhões de pessoas estão sob o domínio de facções criminosas. Então nós precisamos proteger a população de fato e de direito, porque 1% a oprime. Seja qualquer facção, está oprimindo essas pessoas. Então, nós temos que ser favoráveis às mulheres o tempo todo. E por que eu falo das facções? Porque lá na comunidade, vereadora Rose, lá as mulheres também são agredidas. Só que lá a lei não chega. Lá o que impera é a lei do crime. Nos bailes de comunidade, lá o que impera é a lei do crime. Então nós temos que proteger as mulheres em todo o território nacional, que é onde nos cabe. Por isso que o Partido Liberal é favorável a deixar armas de fogo com mulheres indefesas, porque é isso que as iguala e dá pelo menos uma chance de chegarem vivas, de não serem morta, serem executada pelo seu agressor. Então, não adianta eu vir aqui... Para concluir, senhor presidente. Então, vereadora, não adianta eu vir aqui falar uma coisa e, minutos depois, eu falar totalmente o contrário. Obrigado.
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VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Muito obrigado. Bom dia a todos. Queria cumprimentar em especial o meu amigo Alexandre Bortoluz, que não havia cumprimentado anteriormente. Presidente, eu acho que este é um debate que está sendo feito quase que integralmente por homens, fora a bancada do PT, por enquanto. E isso me acende uma preocupação, né? Sei que a vereadora Andressa vai falar. Mas é muito fácil para nós, que nunca sofremos nenhum tipo de discriminação por sermos mulheres virmos aqui fazer grandes discursos como se nós fôssemos as vítimas das Fiuza, um caso concreto. Se alguém falasse o seguinte: "Tem mulher que é competente, tem mulher que não é. Eu não vou generalizar, mas a mulher tem que ganhar menos, porque engravida." Vereador Sandro Fantinel, isso é misoginia ou não é? Claro objeto de misoginia. E o autor, vereador Lucas, é o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Quando nós tivemos uma votação unânime no Senado Federal, nós tivemos um recado específico, vereador José de Abreu. Independente de ser de direita, de ser de esquerda, de ser punitivista, de não ser punitivista, o principal recado é o seguinte: ninguém quer ficar do lado de uma história, vereador Juliano, que seja condenado por todos os livros e professores. E aqui, vereador Lucas, o senhor, que é doutor e historiador, sabe muito melhor que eu a história do Barão de Cotegipe. Na hora de votar a Lei Áurea, fez uma emenda, vereador Elisandro Fiuza, para que os donos de escravos fossem indenizados. Ficou marcado na história do Brasil como um dos maiores escravagistas, traidor. E ninguém tem por objetivo ser o novo Barão de Cotegipe. Por isso, uma votação unânime no Senado Federal. Para nós fazermos o discurso numa moção que, exclusivamente, mostra nossa posição à sociedade, não muda nada, porque nós não vamos ficar marcados na sociedade com o nosso voto aqui. Agora, o Senado Federal ficará. Queria tratar da diferença entre a cultura que é positivada e a lei que impõe uma cultura. Normalmente a lei, vereadora Rose Frigeri, vem de uma cultura da sociedade. Mas, muitas vezes, nós, legisladores, vereador Elisandro Fiuza, o senhor que foi secretário de trânsito, nós precisamos impor uma lei para que essa lei reduza uma cultura que não é bem vista na sociedade. E a lei da misoginia tem esse objetivo. Mas como para alguns aqui é muito complexo compreender essa situação de vulnerabilidade para mulher, gostaria de tratar da Lei da Balada Segura. Nós fizemos uma lei que proíbe beber e dirigir. Nós mudamos uma cultura de sociedade ou não mudamos? Mudamos, significativamente, uma cultura de sociedade. Então, quando a cultura não é capaz de transpor algo que faz mal à sociedade, a legislação, através de todos nós aqui que somos legisladores, precisamos adotar uma lei que vise mudar a cultura. E é isso que se faz. Tipificação penal, muitas vezes, não muda a cultura. Infelizmente, o racismo, embora tenha a lei desde 89, inafiançável, é predominante ainda na nossa sociedade e precisa de lei para promover essa alteração na cultura. Mas, mais do que isso, nós precisamos tratar com números reais, não com as vozes das cabeças de alguns aqui, vereadora Andressa. Nós precisamos tratar de um Brasil que tem, efetivamente, um número significativo de feminicídios e mais do que isso que tem, vereador Elisandro Fiuza, se nós tratarmos em números econômicos, uma tragédia para as mulheres. As mulheres ganham menos, tem sub-representatividade aqui, tem sub-representatividade nas gerências das empresas e não é por falta de competência, sabe por quê? Porque quando tem uma prova, vereadora Andressa, entre homens e mulheres como no serviço público, a maioria das aprovadas são mulheres. A resposta é muito simples. Quando tem condições de igualdade e de disputa, vereadora Rose, é 51, 52% de mulheres porque elas são 51, 52% da sociedade. E nós vivemos uma sociedade que não há condições de igualdade e disputa. Então, hoje eu convoco os meus colegas a pensarem: Como a lei muda a cultura? Porque essa lei tem como objetivo mudar a cultura. Se tem gente que acredita que o juiz vai impor a lei de uma forma diferente daquela que ela foi positivada, eu cito o meu grande amigo Paulo Spanholi, amigo de muitos aqui, especial do vereador licenciado Edson da Rosa. “Lei se faz para o bom, não para o ruim. Se ela vai ser usada ou deturpada, nós não podemos prever. Agora, quando eu legislo, legislo sempre para o bom.” E convido a todos, em especial ao senhor, vereador Elisandro Fiuza, que é um defensor da causa dessa população, a votar ‘não’ a essa moção. Muito obrigado.
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VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Eu estava ouvindo atentamente os colegas se manifestarem sobre o tema. Eu quero iniciar me colocando e partindo do meu lugar de fala, que é de um homem numa sociedade machista, em uma estrutura ainda patriarcal, que está aqui como homem público e vereador, fruto de uma cultura machista, que fez com que a minha mãe de 86 anos tivesse ficado em casa para cuidar dos filhos enquanto meu pai tivesse saído para trabalhar. Minha mãe semianalfabeta, meu pai sem muito estudo, mas numa posição que ele colocou numa situação de subserviência em muitos momentos. Numa posição, vereador Cláudio Libardi, em que na minha casa, com a minha esposa ainda, a divisão das tarefas não é igual. Por mais que a gente tente, nós temos que reconhecer. E eu venho me colocar nesse lugar de privilégio. E que, muitas vezes, nós homens naturalizamos isso, como se isso fosse certo, nos beneficiando do resultado dessa sociedade machista e patriarcal. Então, eu falo como homem, reconhecendo os privilégios que o machismo na sociedade imputa e que muitos têm dificuldade de reconhecer. Me preocupa muito que nós não nos unimos para atacar quem violenta as mulheres e não quem tenta propor uma lei para recrudescer um problema que hoje no estado do Rio Grande do Sul mata centenas de mulheres todos os anos. E nós bem sabemos aqui um professor que essas relações iniciam ainda muito cedo, quando lá na educação infantil ou nos anos iniciais um coleguinha chama outra coleguinha de vagabunda, quando um coleguinha se permite passar a mão na bunda da colega como se isso fosse brincadeira e nós vamos normalizando essas relações na sociedade. Quando uma adolescente ou uma mulher adulta e segundo a legislação, essa pessoa adulta, desde que não fira a lei pode fazer o que ela quiser, essa mulher que pode se relacionar com quem ela quiser, nós nos autorizamos e me perdoe presidente, pode tirar dos Anais assim que eu disser, quando um homem adulto se relaciona com várias mulheres não há problema, mas quando uma mulher se relaciona com vários homens ela é [...][1] para a sociedade e assim nós estigmatizamos como se fosse algo normal. Então eu acho e quero colocar a minha opinião, volto a dizer, a minha opinião é de homem. Eu não sei o que é me vestir para ir em uma festa, nós homens nunca saberemos, nunca passaremos por isso. Porque se tivermos que nos vestir para ir em uma festa nós vamos pensar se a roupa está adequada socialmente, se é frio, se é calor, mas colegas vereadoras, vocês sabem dessa sensação, de se vestir para ir numa festa e pensar se o decote ou se a saia está curta demais, por quê? Não porque eu quero, mas porque algum homem vai se autorizar a mexer comigo, a mexer no meu corpo em razão dessas regras do que é aceito ou não. Então, eu quero dizer que sou favorável, se falou aqui da subjetividade da lei, mas logo nós teremos nesta Casa uma discussão de um PL que trata de censurar conteúdos sexualizados da cultura, onde também há uma subjetividade na compreensão. Então a subjetividade serve em uma hora e não serve na outra. O tema do machismo precisa nos unir. Não é liberdade de expressão, assim como o racismo e homofobia não é liberdade de expressão. Eu digo isso para os meus alunos, aqui como para o professor, trabalhando com sexto, sétimo, oitavo, nono anos. Chamar uma menina de vagabunda, chamar um amigo de preto sujo, isso não pode ser considerado de liberdade de expressão, nem com as crianças, eu falo isso nas palestras que dou na escola. Isso é crime, e crime não se relativiza. Muito obrigado, presidente.
 

[1] Expressão suprimida dos Anais, conforme art. 136, § 1º, do Regimento Interno.
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VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Bom dia, presidente, colegas vereadores, quem está nos acompanhando aqui presencialmente, quem vai assistir posteriormente também à nossa fala. Eu ouvi atentamente, aqui, os colegas e eu estava pensando, eu reforço uma fala que digo com bastante veemência e constância aqui desta tribuna: que nenhum de nós aqui, vereadores, presidente João Uez, que agora assume a presidência, nenhum de nós aqui representa apenas a nós mesmos. Como diz o vereador Hiago, o mais inocente aqui foi eleito, fez alguns mil votos aí. Então, nenhum de nós aqui vem para advogar apenas em causa própria. Todos nós, aqui, representamos os anseios da sociedade. E eu me sinto muito à vontade em falar sobre todo e qualquer assunto, todo e qualquer tema, porque se a métrica para defender um tema é fazer parte daquele grupo social, então eu não poderia falar, por exemplo, sobre direitos dos autistas, vereador Fiuza, porque eu não tenho nenhum parente. Eu não poderia presidir a Comissão de Educação, porque eu não sou da área da educação, embora tenha formação em Direito, mas eu não sou da área de educação. Eu não poderia falar sobre aborto, porque, afinal de contas, eu não sou uma mulher. Não poderia falar de feminismo, porque eu não sou uma mulher. Ou só poderia falar, então, de machismo. E aí nós caímos em uma vala complicada, né? De que eu não posso falar mais sobre direitos e deveres, não posso mais falar sobre a proteção integral à criança, contra a violência sexual, um projeto de minha autoria nesta Casa, porque, afinal de contas, eu não sou mais uma criança, vereador Fantinel. Então, quem tem que estar aqui é uma criança para vir defender o seu direito. E eu acho que em uma sociedade do ocidente, em que nós estamos, nós já evoluímos ao ponto de entender que uma criança também é representada pelo político, mesmo que ela não vote. Porque a pessoa que se absteve de uma votação no primeiro turno, quando nós concorremos juntos à vereança para esta Casa, é representada por nós. Ou alguém aqui, quando vai ao bairro, à periferia, vai lá e pergunta: "Você votou em mim?" A pessoa diz: "Não votei". “Então chame quem você votou.” É assim que a gente trata? Eu acho que aqui, da extrema esquerda à extrema direita, todo mundo atende quem chega e bate à porta do nosso gabinete. Então, eu já quero começar desfazendo essa falácia aqui. Aí eu fico pensando... Teria mais um detalhe, brancos não podem falar sobre racismo. Então a gente não é bem-vindo na luta contra o racismo. Homens não podem falar, também, contra a violência às mulheres, porque, afinal de contas, quem tem que falar são somente as mulheres. Veja como é contraditório. Eu vejo mulheres que sobem à tribuna e dizem: "Homens, unam-se a nós na luta contra a violência contra as mulheres." E aí, no mesmo instante, o mesmo espectro político vem e diz: "Eu não me sinto à vontade para falar porque eu não sou uma mulher." Não, eu me sinto à vontade para falar. Eu me sinto à vontade, vereador Fantinel, porque quem está me gravando aqui, agora, neste instante, está gestando uma criança de sete meses. A minha assessora está aqui. E eu ouvi conselhos dentro desta Casa, de pessoas que dizem defender as mulheres, e fora desta Casa, que eu deveria ter demitido a minha assessora logo que eu descobri que ela estava grávida. Já pensou? Eu também acho um horror isso, vereadora Andressa. Mas eu ouvi isso. Eu ouvi isso. Eu ouvi isso e eu disse: "Não, a minha assessora foi contratada e, por defender as mulheres e um dia também querer ser um pai, ela vai permanecer até o instante que ela conseguir ficar aqui trabalhando, recebendo o salário e vai tirar licença de seis meses de maternidade.” Eu vou perder uma assessora na minha equipe, mas vou perder uma assessora que está gestando uma criança, porque eu defendo a família. Hoje de manhã, vereador Fantinel, eu acordei umas seis e meia, mais ou menos, e a primeira coisa que eu fiz foi conferir as roupas que estão estendidas na gaitinha na área de serviço do meu apartamento. Que ontem, passada meia-noite, eu aguardava a máquina terminar de centrifugar, porque eu conheço o ciclo de máquina de lavar roupas, vereador João Uez. Porque eu estendi enquanto minha esposa estava dormindo, porque minha esposa acorda 15 para as seis da manhã para ir trabalhar. Na sequência, vereador Dambrós, eu fui conferir a água e a ração do gato, vereador Fiuza, para ver se estava tudo certo, e eu passei nos dois banheiros para recolher o lixo orgânico, porque lá em casa a gente separa o lixo também. Junto com o orgânico dos banheiros, eu fui à cozinha e recolhi também os dois lixos, porque não me cai nem um braço, nem uma mão lavar a louça na minha casa, estender roupa. Única coisa que eu sei fazer e não gosto é passar roupa. Acho que ninguém gosta de passar roupa aqui, né? Mas eu sei fazer também. E divido as tarefas igualmente com a minha esposa. Quando eu vou viajar para Ijuí, no noroeste do estado, a minha esposa vai dormindo do meu lado. Chega em Farroupilha, ela começa a dormir e acorda só lá. E quem tem o ônus de dirigir? Sou eu. E eu gosto de dirigir, vereador João Uez. Porque a gente aprendeu que todos têm os seus direitos, deveres e suas responsabilidades. E dividimos as tarefas, vereador Hiago, dentro da nossa casa. Na minha casa, minha esposa não é minha inimiga e nem eu sou inimigo dela. Nós vivemos em harmonia no nosso lar, em paz e em tranquilidade. Agora, voltando ao projeto, depois da declaração de voto eu complemento a minha fala. Imagina se fosse lei quando tinha aquele programa na TV Record do Roberto Justus, O Aprendiz. Quantas mulheres o Roberto Justus demitiu naquele programa? Mulheres, homens, todo mundo. E ele dizia assim: "Você é muito ignorante, você faltou competência, você está demitida." Hoje, o Roberto Justus correria o risco, se aprovada a lei na Câmara, de responder uma transação penal de dois a cinco anos. O vereador Libardi disse para mim: “Mas não é crime. Transação penal se converte e não se torna crime.” A sociedade não quer saber se é crime ou se não é. Ele vai receber uma condenação em cima das costas dele. Então, enquanto a Erika Hilton puder presidir a Comissão da Mulher eu posso falar sobre todo e qualquer assunto desta tribuna. Obrigado.
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VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Nobres colegas, vereador Jack comentou que não entendeu nada da fala do vereador Calebe. E eu entendi que ele falou sobre milhares de coisas, mas não falou sobre a lei, vereador José Abreu. Por isso, eu convido aos nobres colegas, eu me dei o trabalho de pedir para a minha assessoria imprimir a lei, para falar sobre a lei. Eu não vi, não sei nem se os colegas leram essa lei, sinceramente. (Manifestação sem uso do microfone.) Então, lhe falta muita interpretação de texto, vereador Ramon Teles. Porque, como o vereador Libardi comentou aqui nesta Casa, nós quando legislamos, porque nós também somos legisladores aqui, nós pensamos como que a gente pode contribuir para que a sociedade melhore uma prática. Quando o racismo não era crime, era normal falar e fazer qualquer coisa para pessoas negras. A gente olha para um cenário, para uma sociedade onde a gente vê mulheres ainda morrendo todos os dias pelo fato de serem mulheres, essa lei é um recado para dizer que isso não é normal. E aí, eu queria fazer algumas reflexões aqui com os colegas que na maior parte são homens e, infelizmente, nós elegemos sete mulheres e percebo que há um constrangimento, senhor presidente. A maior parte das colegas, agora a vereadora Daiane chegou, mas antes a maior parte não estava aqui. Por que as mulheres vereadoras não estão presentes no Plenário para debater essa lei? Será que nós, de fato, estamos sendo ouvidas? É a primeira reflexão que eu faço sobre esse debate. A segunda é quando o vereador Sandro Fantinel afirma que as mulheres não serão contratadas por conta dessa lei. Nobres colegas, as mulheres não são contratadas, muitas vezes, porque elas engravidam. Quem nunca ouviu um relato de uma familiar sobre isso, da sua mãe? E sabe o que é pior, senhor presidente? Todos nós temos uma mãe, mas a gente ainda acha normal uma mulher não ser contratada porque ela pode ter filho. Qual mulher nunca ouviu isso e nunca teve receio de perder ou ganhar um trabalho porque engravida? É naturalizado na sociedade ainda as mulheres não conseguirem se manter nos postos porque elas são mães. Não é por conta desse projeto de lei. E nós precisamos dizer para o mundo do trabalho e regrar, vedar essa prática que faz com que isso pareça ser natural. Nós queremos que as mulheres tenham filhos, mas a gente não acolhe e não dá as condições para que ela possa exercer de fato o seu trabalho. Outra reflexão, vereador Ramon. O senhor defende, veementemente diz que defende as mulheres e fala do armamento. Nós tivemos em São Paulo a PM Gisele Alves Santana foi encontrada morta no apartamento onde vivia com o tenente-coronel Geraldo Neto. Ela estava armada. E pasmem, nobres colegas, o PM foi aposentado do dia para a noite e recebe o salário integral. A filha até o início desse mês, até agora, está esperando a pensão por morte da sua mãe que foi morta pelo seu companheiro que também era PM. Adianta ter arma? Adiantou no caso da PM Gisele? É sobre essa sociedade que a gente está falando. É sobre a sociedade que um vereador de Farroupilha foi preso preventivamente porque descumpriu, descumpriu o que ele deveria cumprir sobre a Lei Maria da Penha. Ele se aproximou da sua ex-companheira, se aproximou da sua filha depois de ter cometido violência. Um vereador do PL, diga-se de passagem, do município de Farroupilha. Foi aberto um processo de cassação agora, uma Comissão de Ética contra ele, senhor presidente. E nós, as vereadoras desta Casa, as sete, assinaram uma nota apoiando esse processo. Então é sobre essa sociedade que eu estou falando. É sobre o vereador de Carlos Barbosa que está respondendo um processo por assédio sexual contra uma mulher. Vereadores! Então, nobres colegas, me causa um tamanho constrangimento, mas não deveria causar a mim, deveria causar os senhores que estão propondo esse debate. Quando a gente olha para uma realidade onde a gente sabe que essa desigualdade entre homens e mulheres vem de tempos. Nós não estamos aqui pedindo privilégios, nós não estamos aqui dizendo que nós queremos ser melhor que vocês, nós não estamos aqui dizendo que um debate não poderá ser feito. Nós estamos dizendo que discriminação, violência, agressão, que isso não pode mais ser naturalizado e é sobre isso que essa lei está dizendo. Por isso, eu peço que os colegas que, de fato, defendem as mulheres, votem contra a essa moção lamentável. Obrigado, senhor presidente.
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VEREADOR ZÉ DAMBRÓS (PSB): Obrigado, senhor presidente. Essa é uma lei de uma colega do PSB, Ana Paula, do Maranhão, que inclui, então, crime equiparando a preconceito, não é? Sessenta e sete votos no Senado, nenhum contra. Flávio Bolsonaro vota sim, Eduardo Girão do NOVO vota sim, e assim por diante. Eu quero ler aqui o que, com muito orgulho, a minha sobrinha escreveu hoje, no Pioneiro. Porque nós estamos ainda vivenciando a semana da Páscoa.
 
“Mostra que tem Deus dentro de você protegendo os que não têm voz, os que não têm lugar de fala. Não existe nada de sagrado no mundo que tem sangrando cada vez mais por conta das violências e crueldades de um contra os outros.
Não há nada de divino em rezar se tuas mãos têm produzido dor. Então se Deus é amor, ele também é bondade.”
 
Bom, eu estou aqui para defender também os que não têm voz, os que mais precisam. É por isso que eu estava falando aqui no celular com uma senhora, que não tem o remédio no CES. Eu sempre estarei preocupado com as causas da nossa cidade. Pautas únicas. Porque o inverno está chegando, e nós precisamos saber que lá no Parque dos Pinhais, no Balardin, no Vergueiros, no Adamatti, no Vêneto, no Monte Carmelo, tantos outros lugares, os ônibus da Visate vão ter dificuldade de circular. Estamos na fase de declaração de Imposto de Renda, é importante que nós também façamos a destinação para que tenhamos recursos para os projetos sociais através do fundo do idoso. Estive no Sine, fiz uma postagem, tem mais de 100 empregos por dia, consegui um emprego para uma cozinheira. Fiquei muito feliz. Eu acho que quando nós estamos aqui para defender, nobre colega Garbin, os que nós representamos, é pensar nas causas da cidade. E eu vejo o Paulinho aqui do Belo, o Valdir Negão, nós estamos preocupados em ampliar a horta lá no Belo. Estamos preocupados em ampliar a horta lá no Belo Horizonte, para dar dignidade para aquelas famílias. As pavimentações do Altos da Maestra. Então, meu colega Sandro Fantinel, quer que a Visate vá até Vacaria, não tem como. Não tem como a Visate ir até Vacaria! Então, eu sigo pensando nas causas da cidade. Eu vou votar não. Vou votar não. Nós já tivemos no Senado uma votação que foi unânime. Então, eu sigo nas minhas convicções, valorizando também as pautas da saúde, os mais de seis mil que se vacinaram contra a gripe, dizer que hoje à tarde, estaremos no Vila Ipê, com a equipe técnica da Secretaria da Saúde, para tentarmos um local melhor, uma UBS nova, para o Vila Ipê. Então sigo nas minhas pautas da cidade. Era isso, senhor presidente.
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VEREADOR PEDRO RODRIGUES (PL): Senhor presidente, nobres pares e todos que nos assistem, bom dia a todos. Eu ouvindo a fala dos colegas aqui, eu percebo que esse projeto de lei, infelizmente, tem colocado muitas pessoas contra uns aos outros. Sabe que eu sou um defensor, vereador Fiuza, um defensor da mulher, de coração mesmo eu falo. Nós que partimos de um princípio, da criação de Deus, que Deus fez o homem e a mulher à sua imagem e semelhança. Quando nós partimos desse princípio de amor, eu digo que toda a Bíblia se resume nos 10 mandamentos, e todos os 10 mandamentos se resumem a dois mandamentos, que são: amar a Deus e amar ao próximo como a ti mesmo. Se houvesse a observação desses princípios e desses mandamentos, não precisava nada de briga, nada de discussão e muitas coisas que se vê hoje em dia. E nessa hora, às vezes, a gente fica até meio tímido, vereador Calebe, de vir aqui recitar um versículo bíblico ou falar alguma coisa de princípios que a gente defende, que é a nossa regra de fé, nossa regra de vida. A gente fica assim, mas aqui se vem e usa o microfone para se falar tanta coisa. Um fala da sua religião, o outro... E nada contra. A gente respeita todos. A gente é defensor da liberdade, da liberdade religiosa, é contra essas discriminações e tudo mais, racismo. A única coisa que me deixa sentido são esses grupos que vão colocando as pessoas umas contra as outras. Isso que me deixa triste. E aí parece que no momento que você apoia uma moção, um projeto do vereador Fantinel, essa moção de repudio, você está sendo contra as mulheres. Enquanto, na verdade, não é. Na verdade, é o seguinte: eu vejo a preocupação de muitos colegas, aqui, com o que pode e com a interpretação dessa lei, o que pode vir a acontecer. Primeiramente, já foi muito amplamente falado, em nível nacional, da possibilidade da grande geração de desemprego que pode causar. Pelo medo, pelo temor. “Ah, eu não quero me incomodar, então...” Falou direita, falou esquerda, falou contra, falou favor. Mas eu, como não sei, estou por fora, prefiro não. Por aí já começa um problema. Então, eu quero dizer, vereador Fantinel, que eu votarei, já assinei junto e votarei favorável. Mas quero deixar aqui meu grande carinho por todas as mulheres, por todos os pares, as vereadoras. Quero dizer que não tenho nada contra (Falha no áudio.) Pelo contrário, sou uma pessoa que tem uma relação muito boa com as mulheres, de modo geral. Inclusive, tem as minhas filhas lá em casa que devem, em momento oportuno, estarem me assistindo e sabem do jeito que eu trato elas e a minha esposa. Então, seria isso, senhor presidente. Votarei, em momento oportuno, favorável. Parabéns pela proposição do vereador colega Fantinel. Obrigado, presidente.
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VEREADORA ROSELAINE FRIGERI (PT): Eu só queria ajudar a minha colega Andressa Marques e lembrá-la, também, da questão das armas. Não é esse o debate que está, mas eu comentava com ela que uma diretora, coordenadora da Guarda Municipal de Vitória, há poucos dias também foi morta e tinha arma. Então, eu não vou lembrar dos casos e de quantas tragédias em família aconteceram no trânsito, porque as pessoas não têm a mínima paciência, né? O Fiuza, que foi secretário de Trânsito. Se as pessoas andassem armadas, eu tenho certeza, as nossas tragédias seriam muito maiores. Agora, eu acho que o que está em jogo, aqui, e o que mais me entristece e o que mais me pegou, além de todas as falas que eu agradeço, especialmente aos vereadores homens que aqui se manifestaram a favor das mulheres, de colocar a questão como crime, a questão que diz assim: “Não é fácil as mulheres serem mulheres e o homem vir aqui como se fosse...” Acho que foi o vereador Lucas que falou isso. Porque vamos... E ele falou, também, que nós deveríamos estar unidos para combater a violência, a violência contra as crianças, a violência contra as mulheres, a violência contra qualquer pessoa, nós tínhamos que estar unidos. Imagina se não há subjetividade quando uma pessoa bate em uma criança. A pessoa vai dizer assim: "Não, eu bati, é meu filho, eu posso bater". Embora uma criança pense: "Por que minha mãe ou meu pai me atacariam?" Então, tem gente que acha que pela subjetividade não pode ser. E, para concluir, eu quero dizer assim, ó: As suas roupinhas no seu varalzinho, vereador, as mulheres fizeram a vida inteira no trabalho dentro de casa. Nunca ninguém foi para a tribuna dar os parabéns porque uma mulher tirou as roupas no varalzinho. Agora quando um homem faz vai ali achando que é grande coisa e que isto é ser favorável as mulheres.
PRESIDENTE JOÃO UEZ (REPUBLICANOS): Obrigado, vereadora Rose.
VEREADORA ROSE FRIGERI (PT): Ele acha que ele está fazendo um favor para ela. Então, vamos levar a seriedade nesse debate.
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VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Senhor presidente, eu até nem ia me manifestar porque eu sabia, mais ou menos, como é que ia ser o andaço, como a gente diz. Mas, vereador Jack, eu vou me somar ao senhor. O que o colega Dambrós falou eu não entendi nada também. Mas tudo bem, estamos no jogo aqui. O que eu quero dizer é que os colegas de esquerda vêm na tribuna e fazem um galanteio como se eles fossem os únicos intelectuais dentro desta Casa. E eles entendem a lei muito mais do que os outros entendem. Então, eles são beneficiados no governo que eles estão. Porque o senhor Luiz Inácio Lula da Silva disse numa das suas falas: "O Brasil tem um gigantesco número de analfabetos.” Porque nunca teve um governo competente. O PT governou até agora, 17 anos, ou seja, o dobro de qualquer outro partido nesse país. Então, estava onde a competência? Onde que estava? Quer dizer que se vocês são intelectuais, vocês estão usufruindo e se oportunizando em cima daqueles que não tiveram a oportunidade de vocês. E vocês defendem aquele que deixou todo mundo ignorante. Palavras do presidente da República. E queria dizer também a vereadora Rose e a qualquer outro vereador daqui desta Casa, que quando for para a tribuna falar de coisas a meu respeito que aconteceram nesta Casa que sejam um pouquinho mais intelectuais e pesquisem porque eu fui absolvido. Votarei ‘sim’, senhor presidente.
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VEREADOR HIAGO MORANDI (NOVO): Obrigado presidente, aqui a gente vai seguindo a mesma linha, concordando com o vereador Fantinel. Sandro Fantinel, aqui a gente acredita que tem muitas outras prioridades, como o vereador Capitão, vereador Calebe, tem outras prioridades para a gente aprovar, né, vereador Calebe Garbin? Ou lutar que já estão aí. É ruim fugir do tema, mas acabou o pessoal fugindo do tema falando de arma de fogo. Uma pena a vereadora Rose não estar aqui, que eu ia citar Odete Hoffmann Prá, vereador Calebe. Odete Hoffmann Prá que, em 2012, meteu uma bala num assaltante aqui em Caxias do Sul, uma senhora que ficou famosa não no Brasil, mas no mundo inteiro, com um revólver que funcionou. Era um revólver que funcionou, há muitos e muitos anos que estava guardado, mas acabou mostrando que uma CBC, uma munição CBC, bem guardada ali, ela vai ter uma efetividade. Se não fosse essa arma a gente não sabe o que esse ladrão teria feito para essa mulher. A vereadora Rose também citou aqui, a vereadora Andressa também, casos que deram errado com mulheres e arma de fogo. Eu cito aqui o caso em Suzano, onde uma policial de folga conseguiu também neutralizar um vagabundo entrando armado dentro de uma escola. Estava na frente da escola, esse vídeo também viralizou, ela acabou trocando, reagindo, trocando tiro, matando o vagabundo. Ou seja, casos e casos. Aqui basta a gente pontuar para um ou para outro. Mas aqui a gente pode trazer no Texas, onde o pessoal anda até de forma ostensiva com arma de fogo e as mulheres, sim, ali eu chamo de empoderamento feminino, vereador Calebe. Quando ela pode portar uma arma e ter o seu direito à defesa. Se vai dar certo ou não, se ela vai conseguir ou não, eu não sei e ninguém nunca vai saber, a não ser Deus. Mas o que a gente pode fazer pelo menos dar esse poder equalizador de forças. Isso, sim, vai ser um direito e vai estar ajudando a mulher. Não um pedaço de papel, que mais um pedaço de papel vai ser criado. Igual, vereadora Rose, senhora, eu respeitei o termo da senhora e ouvi a senhora falar atentamente, vereadora Rose. Peço que respeite a minha fala aqui e eu ouça com atenção o que eu estou falando. É coisa séria aqui. É um pedaço de papel, vereadora Rose, não serve para nada. A medida protetiva não serve para nada. Não serve, eles matam igual. Então, a gente precisa ter lei, lei forte, ou dar o poder da mulher se defender. Eu espero que a senhora defenda o direito à legítima defesa, que a senhora venha com nós nessa luta, fale com os deputados federais do PT para dar essa oportunidade para as pessoas. Depois a gente discute a lei da misoginia. Muito obrigado.
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VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Eu acho engraçado que se nós tivéssemos uma tipificação penal da “homosseginia”, estou criando aqui agora do grego também, certamente poderia acionar contra a vereadora Rose, porque ela se doeu, acho que é dor de cotovelo, talvez, de ela não ter também o mesmo privilégio em casa de debochar o fato das minhas “roupinhas”, não é? Olha só como deve doer bastante isso, vereador Fantinel. O “varalzinho”, verdade, fazer justiça, foi “varalzinho” aqui, “as tuas ‘roupinhas’ no ‘varalzinho’ ”. Deve doer mesmo, um rapaz de 29 anos estar falando aqui sobre isso. Mas vamos lá, vereador Hiago, existem cinco milhões de mulheres a mais no Brasil. Mas em compensação, os homens morrem mais no nosso país. Os homens se suicidam mais no nosso país, os homens morrem mais cedo no nosso país, os homens trabalham o maior tempo contribuindo lá de CLT para poder se aposentar no nosso país e os homens ainda são os únicos obrigados a irem para a guerra e servir o exército brasileiro. Se tiver guerra, hoje ultimamente não estamos tendo, se bem que o nosso líder, nosso diplomata dos anos 80 da Guerra Fria, parece estar considerando uma guerra aí para frente. Mas vejam, eu ouço tanto falar em direitos iguais, em garantias, em direitos, etc. Eu não vejo ninguém lutando pelos direitos dos homens, eu não vejo nenhum homem reclamando. Nós vivemos normal dentro da sociedade. Agora um projeto de lei... Presidente, seria importante segurar a palavra aqui, a assessoria fica falando paralelo aqui, meu assessor não atrapalha nenhum vereador aqui quando vai falar.
PRESIDENTE JOÃO UEZ (REPUBLICANOS): A sua palavra está garantida, vereador. E o seu tempo.
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Se o senhor puder restituir o tempo também, 10 segundos, que acho que é no mínimo desrespeito, não é, um assessor...
PRESIDENTE JOÃO UEZ (REPUBLICANOS): Se possível restituir os 10 segundos do vereador.
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Um assessor ficar falando em paralelo, minha assessoria fica...
PRESIDENTE JOÃO UEZ (REPUBLICANOS): Eu lhe darei 10 segundos de tolerância, vereador.
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Obrigado, presidente. Então avançando aqui, voltando o raciocínio, porque eu acho que incomoda, até mesmo os assessores se incomodam de ouvir as verdades aqui, mas os homens vão à guerra, os homens vão à guerra; e uma série de outras coisas que ninguém aqui está batendo panela e pedindo direito. Agora, abrir um projeto de lei tipificando misoginia, que é o quê? Aversão às mulheres, ódio. Como é que se pune o ódio? Como é que se pune o ódio? Eu posso agora estar sentindo ódio e estar olhando para o senhor e sorrindo, vereador Hiago. E o senhor pode estar com a cara amarrada para mim e não ter nenhum ódio em mim. Isso é absolutamente subjetivo. Como se pune o ódio? Uma coisa que não é externada. Você tem que punir a ação, matar alguém, crime de x a y anos. Agora, misoginia, aversão às mulheres, como é que se pune isso? O que vai ser em razão de ser mulher ou em razão de ser homem? Para concluir, presidente. Eu lembro que aqui nesta Casa, há alguns meses, as vereadoras pediram um minuto de silêncio para uma vereadora, dizendo que ela tinha sido morta por feminicídio. Ninguém voltou atrás aqui para vir dizer que a referida vereadora, morta em uma cidade aqui do interior do estado, tinha envolvimento com facção e era tesoureira de uma facção. Ninguém voltou atrás, mas passou batido o discurso e disseram que era o quê? Feminicídio. Então, entra na vala comum. Um acidente de carro hoje pode virar feminicídio dentro da subjetividade da esquerda. Obrigado, presidente.
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VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): Bom dia, presidente. Estou aguardando os companheiros fazerem as falas paralelas aqui, para eu poder falar sem ser interrompido. Sinceramente, vereador Zé Dambrós, eu não iria falar sobre esse assunto. Tenho a minha opinião formada, o senhor sabe muito bem, mas de tanto a gente ouvir algumas bobagens aqui, eu tive a obrigação de vir aqui falar. Porque a gente fala de violência doméstica e a gente nunca fala sobre violência psicológica. Quando a gente fala de violência doméstica, todos acham que é só quando o companheiro ou a companheira vai lá e bate no outro, surra, mata. E não é só isso, gente. O terror psicológico é a pior coisa que uma pessoa pode fazer na cabeça da outra. Então, eu, antes de estar aqui nesta Casa, enquanto diretor sindical do Sindicato dos Metalúrgicos, o qual eu tenho orgulho de ser diretor dos sindicatos metalúrgicos, soldador, trabalhador, metalúrgico. Eu escutei muitas companheiras dentro da fábrica que sofriam violências, que os maridos iam lá na porta da fábrica, querer matar elas lá; e muitas eu acompanhei até a delegacia. Então o terror psicológico é o pior que tem. E dizer aqui para os meus companheiros vereadores, essa é uma luta dos homens, essa tem que ser uma luta nossa, nós temos que dar exemplo. Nós temos que dar exemplo nessa luta. Lavar a roupa, jogar o lixo fora, estender a roupa não é mérito nenhum aqui. É o mínimo que a gente tem que fazer. É o mínimo. Eu fico apavorado de ver: “Ah, porque eu faço?”. Cara, é o mínimo que a gente tem que fazer, principalmente quando a mulher levanta de madrugada para ir trabalhar. Então, assim, não é nenhum mérito vir aqui, “eu lavo”, porque eu lavo as minhas roupas, eu passo as minhas roupas, vereador Lucas, o senhor disse que gosta de passar, eu também gosto de passar. Eu vou lá e faço tudo isso e não é nenhum mérito, é o mínimo que um homem tem que fazer. Por isso eu voto, com certeza, voto não, nessa moção.
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VEREADOR ELISANDRO FIUZA (REPUBLICANOS): Obrigado, senhor presidente João Uez. Cumprimento V. Exa., toda a Mesa Diretora e os nobres pares que aqui estão. É um período muito complexo para nossa nação no que se refere à questão da grande maioria da população dos nossos eleitores a questão dos extremos. Nos extremos polarizados acontece esse tipo de situação que a gente não precisava estar discutindo aqui. O respeito às mulheres é primordial. Para isso não precisa ter um projeto de lei, não precisa ter alguma conduta crime por conta da falta desse cuidado e de respeito. Mas que, infelizmente, as coisas na política, hoje em dia, neste período eleitoreiro, o Senado cria um proselitismo político, joga ao vento. E se a gente fica sem posição é como se ficássemos sabonetando, no dito popular, ou em cima do muro. Nós precisamos ter posição. E a nossa posição é em defesa da sociedade, das mulheres, das crianças e de todos. Mas, neste momento, eu ainda, de uma forma bem franca e sincera, tenho um cuidado muito extremo com essa situação que está sendo colocada aqui. Eu não tenho segurança nenhuma nesse projeto. Por isso, neste momento, a minha posição é de eu votar favorável a essa questão, por conta de que é uma insegurança muito complexa, jurídica, do que está sendo pautado. Obrigado, senhor presidente.
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VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Senhor presidente, primeiro eu queria agradecer aos colegas homens que fizeram uma fala em nossa defesa, realmente. Porque, como disse o vereador José Abreu, esse debate não é apenas nosso, ele é de toda a sociedade. O vereador Calebe trouxe várias questões sobre o ser homem na sociedade. E quando a gente fala sobre o ser mulher, eu, particularmente, sempre digo que nós precisamos rediscutir os papéis sociais. Então, eu não defendo que o que é atribuído aos homens continue sendo como se isso fosse o certo. Eu acho que nós precisamos rediscutir o que se entende por ser homem e o que se entende por ser mulher, para que a gente possa conviver harmonicamente em uma sociedade que a cultura de violência ainda predomina e que, sim, a desigualdade entre homens e mulheres foi construída historicamente. Então, se os homens, por exemplo, vão para a guerra, eu, particularmente, acho que a guerra é algo extremamente atrasado e que nem deveria existir mais. Então, obviamente, não defendo que os homens tenham que ir para a guerra. O vereador Hiago também trouxe alguns exemplos sobre as mulheres que mataram outras pessoas em legítima defesa. Obviamente, como diz a própria lei, elas têm todo o direito, mas o senhor não trouxe nenhum caso de feminicídio, vereador Hiago. É só a gente olhar. Temos que entender o que é feminicídio e o que não é. E, obviamente, não nos cabe, aqui, ficar naturalizando. Muitas vezes as mulheres, quando elas são mortas por feminicídio, é por quem elas mais confiavam. Geralmente é dentro de casa. E é sobre isso que a gente está falando aqui, todos os dias. Eu também queria convidar a sociedade que está nos acompanhando aqui a assistir o vídeo. Infelizmente, vários vereadores se basearam na opinião do Nikolas Ferreira, que por muitos aqui é visto como se fosse o cara no nosso país, mas o Nikolas fez... Sim, vereador Hiago, eu vi o seu adesivo junto com ele na porta do seu gabinete. O que o Nikolas fez? Ele pegou trechos de um projeto de lei que não existia. Então, para fazer as críticas a esse projeto de lei, ele usou trechos que não fazem parte desse projeto de lei. E a deputada do PSB, que é do mesmo partido da proponente desse projeto, Tabata Amaral, foi lá e explicou, fez outro vídeo explicando que o deputado Nikolas Ferreira estava se baseando em fake news mais uma vez. É sobre isso que nós estamos falando. Mas isso aqui é papo sério, senhor presidente. Nós estamos falando da vida das mulheres. Por isso, obviamente, votarei ‘não’. Obrigada.
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VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Primeiro que muito se tratou aqui, nesse debate, quando nós, homens, dizemos "bom, em casa eu lavo a roupa, eu levo o lixo", me lembra muito a toada do racismo quando eu digo “não, mas eu tenho um amigo negro”. Ou seja, qualquer adulto funcional tem que fazer isso, ou pagar para que alguém faça. É assim que se espera. Não é justo que se estabeleçam relações de subserviência. Mas lavar sua roupa, arrumar a cama, limpar a casa é algo que se espera de um adulto funcional. A sociedade, em que pese algumas pessoas não entenderem, terem dificuldade de compreender as relações sociais que são aprendidas e construídas, numa sociedade em que o machismo impera é preciso recrudescer as leis para garantir o direito das mulheres. Não há subjetividade. Eu ouvi aqui alguém dizer que: "Ah, se um vereador não conceder aparte a uma mulher isso é machismo." De forma nenhuma. E isso acontece em vários momentos aqui. Se tiver subjetividade nisso, inclusive o Judiciário vai resolver. Agora não é admissível que se titubeie a ponto de dizer que machismo é liberdade de expressão. Nós precisamos ser nítidos e comprometidos nessa luta, especialmente num ano de eleições, em que o tema virá à tona. Então aqui, para mim, não se trata de esquerda, nem de direita, em que pese se atribua o tema da defesa do direito às mulheres à esquerda, mas se trata da nossa evolução enquanto sociedade. Para mim é isso. Algo que os gregos falavam, na compreensão deles de sociedade, tanto tempo atrás. Por isso eu me somo à luta das mulheres e, no momento oportuno, voto ‘não’ à presente moção. Obrigado.
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VEREADOR CLAUDIO LIBARDI (PCdoB): Presidente, novamente, eu acho que a primeira questão é que nós temos divergência na aparência, vereador Lucas, e nós temos divergência na essência, na concepção de sociedade. É sobre isso que nós discutimos aqui. Qual é a sociedade que eu quero viver e qual é a sociedade que o vereador Calebe, por exemplo, quer viver. Parece que são duas sociedades diferentes na essência. E na aparência isso se aflora profundamente, vereadora Andressa. Porque eu, vereador Lucas, quando faço minhas manifestações sobre esses temas, eu entendo não que o homem não possa discuti-lo, vereador Elisandro Fiuza, agora nós temos que compreender que nós não somos o centro do debate de tudo que acontece na sociedade. Se eu achasse que o homem não tem que debater, não pediria a palavra. Agora, é um debate sobre nós, vereador Lucas? Ou é um debate sobre a vida das mulheres? Essa é a questão principal. Então, estamos novamente aqui, nós, que somos maioria, vereador Elisandro Fiuza, o senhor vai ver no painel, uma pena que o senhor vai votar ‘sim’, nós vamos ter quatro votos, cinco votos de mulheres, e o resto, vereador Zé Dambrós, voto de homens. Sobre algo que deveria ter uma predominância das mulheres. Eu não me incomodo de ver a vereadora Daiane votar ‘não’. Ela pode votar ‘sim’, é posição dela. Eu respeito profundamente a posição da senhora. Agora, é cômico, seguidamente, nós debatermos temas que as mulheres são protagonistas — e não que nós não possamos debater — como se nós fôssemos protagonistas. Nós não somos os protagonistas dessa luta, vereador João Uez. Nós não somos o protagonista desse projeto. E é triste nós termos que conviver, vereadora Rose, com imposições de homens que acham que são os protagonistas de tudo na sociedade.
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VEREADOR ZÉ DAMBRÓS (PSB): Não, só para dizer aos nobres colegas, principalmente ao Fiuza. Eu concordo, respeitar as mulheres deveria ser normal. Deveria ser normal. Isso é de formação, não precisa cinco faculdades, não precisa religião, não precisa... Agora, vamos olhar que nós temos 23 mulheres no Rio Grande do Sul que perderam a vida. Ciúmes, separação, sentimento de machão que nós temos na nossa sociedade. Então, são muito tristes os números do Rio Grande do Sul, 75 mil com medidas protetivas. E nós estamos aqui há uma hora e meia discutindo um assunto que já passou pelo Congresso e que, para nós, não vai mudar as ruas do Monte Carmelo. Né, seu Kiog? Não, né?Continua o barro, continua... Não entregaram os títulos ainda, né? Mas está a caminho. Então voto ‘não’. Obrigado, senhor presidente.
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VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Senhor presidente, senhores vereadores. Então vamos falar de lugar de fala, né? Mulher. E eu concordo muito com o que o vereador Libardi disse. Isso não poderia ser discutido pelos homens, mas assim como a Erika Hilton não podia ser presidente da comissão das mulheres. É básico isso, né? Afinal, quantas mulheres temos na Câmara Federal? E quem comanda essa comissão? Erika Hilton, que trata as mulheres como pessoas que gestam, como eu já falei em outra discussão aqui. Obviamente eu votarei favorável, porque eu acredito que a lei é totalmente subjetiva e depende de um entendimento. E quando a gente coloca uma legislação que depende de entendimentos, a gente pode ter coisas muito piores ali na frente, principalmente, como eu já falei em outra sessão, que é a questão do desemprego das mulheres. Se nós falamos tanto que pessoas não contratam porque as mulheres engravidam, quanto mais pessoas não vão contratar pelo jeito de o chefe falar ou não com as mulheres. Afinal, como muitas falam, antes se dizia gestão, agora, com a questão de uma legislação específica para isso, nós teremos a questão de ser misoginia. Então, por esse motivo, por entender que a lei é totalmente subjetiva e depender de entendimentos, eu voto favorável à moção, senhor presidente.
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VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): A lei da misoginia equipara a misoginia a um crime tal qual o racismo. Vamos lembrar do que a vereadora Rose disse no início da sua fala. Há pessoas que ainda gostariam de ser racistas publicamente na nossa sociedade. E quem é negro e negra, e aqui falo direcionada ao vereador Lucas, sabe bem disso, porque a gente é perseguido dentro do supermercado. Por isso que é importante criminalizar. Porque, além de ser perseguido, a gente seria chamado de macaco lá dentro. E também é crime transfobia. É importante a gente lembrar disso, que agentes públicos têm que ter cuidado com o que falam, principalmente quando não têm entendimento de que transfobia é crime. Gente, não são todas as mulheres que gestam. Há muitas mulheres, e aqui quero falar de mim, inclusive, que faço uso de medicamento contínuo, não podem engravidar. E a gente é menos mulher? A nossa capacidade de ser mulher é reduzida pelo fato de não podermos gerar uma vida? Isso nos torna inferiores? Bom, eu acho que não. O feminismo luta justamente para isso, para que a gente tenha amor à maternidade, se a gente quiser, mas para que a gente saiba que não é só a maternidade que nos realiza enquanto mulher, que pode ser a nossa profissão, que pode ser o fato de nós termos nos tornado vereadora em uma sociedade, que há muito pouco tempo, ainda, nem mulher podia votar. E eu acho que tem mais um ponto que a gente precisa trazer que, aqui dentro desta Casa, em várias outras discussões, eu escuto de todos os vereadores que foram contra a lei da misoginia, que tudo tem que virar crime. Que a gente tem que criminalizar, que a gente tem que penalizar as pessoas. Por que isso é diferente quando ódio é contra as mulheres? Por que tudo tem que ser criminalizado, menos o ódio contra nós, mulheres? E não só às mulheres que gestam, mas também a todas aquelas mulheres que sabem da importância de ser mulher. Muito obrigada.
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VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Senhor presidente, nobres colegas. Com uma declaração de voto, eu voto favorável. Vereadora Andressa Marques, a senhora sabe qual é a minha diferença para a senhora? A minha diferença é que eu não passo a mão em quem comete erros, seja do meu lado, ou seja no campo que eu defendo. Nós tivemos um cidadão chamado Lulinha, que chamou a sua própria madrasta de piiii, e a senhora não falou nada.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Presidente, uma questão de ordem.
PRESIDENTE JOÃO UEZ (REPUBLICANOS): Pois não, vereador Libardi.
VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Me garante o tempo, por gentileza.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Gostaria de requerer a V. Exa. que pedisse para o vereador Capitão Ramon que se mantivesse no tema. Todos nos mantivemos, tenho certeza que ele tem capacidade cognitiva para tanto. Obrigado.
PRESIDENTE JOÃO UEZ (REPUBLICANOS): Vereador Ramon, se o senhor puder se manter no tema, lhe agradeço.
VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Nós tivemos o ministro do governo Lula, Silvio de Almeida, que coagiu uma mulher, uma ministra, Anielle Franco, que é da esquerda. E a esquerda aqui não se pronunciou contra esse ministro. Então, veja, vereadora, nós não somos hipócritas. O vereador Cláudio Libardi vem aqui e fala o seguinte: "É muito triste ver um homem falando pelas mulheres”. Então, por que o senhor falou, vereador? O senhor pode ficar em silêncio.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Presidente, uma Questão de Ordem.
PRESIDENTE JOÃO UEZ (REPUBLICANOS): Pois não, vereador Libardi, sua Questão de Ordem.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Eu já estou começando a duvidar da capacidade cognitiva do vereador Ramon. Eu não falei isso. Eu vou pedir para ele retirar dos Anais, por gentileza.
VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Qual é o artigo, por gentileza, vereador? Amparo legal.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Presidente, eu vou requerer a V. Exa. a retirada dos Anais, que tenho certeza que é conhecedor do Regimento. Muito obrigado.
PRESIDENTE JOÃO UEZ (REPUBLICANOS): Muito obrigado, vereador Libardi. Sua palavra está garantida, vereador Ramon.
VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Obrigado, obrigado.
PRESIDENTE JOÃO UEZ (REPUBLICANOS): O senhor vai tirar dos Anais, vereador?
VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Presidente, só para orientar o senhor, quando qualquer vereador pedir Questão de Ordem, ele tem que direcionar o artigo. Como o vereador não direcionou o artigo...
PRESIDENTE JOÃO UEZ (REPUBLICANOS): O senhor vai retirar a sua declaração, vereador, ou não?
VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Não. Não, presidente.
PRESIDENTE JOÃO UEZ (REPUBLICANOS): Tá bom. Obrigado, vereador. Pode continuar com a palavra.
VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Então, o vereador Cláudio Libardi vem aqui e fala o seguinte: "É muito triste ver um homem falando em prol das mulheres". Mas ele é o primeiro que fala. Então, ele tem que ficar em silêncio. Fique em silêncio e deixe apenas a sua colega de partido falar. Se o senhor concorda ou não com o que ela fala, eu não sei, mas fique só escutando ela falar. E aí o senhor vem aqui e desacredita de todos que falaram aqui. Desacredita, inclusive, de minha colega de partido, que é a líder do meu partido, vereadora Daiane Mello. Desacredita dela, porque ela vai votar contra o senhor. Vai votar favorável a essa moção, aí o senhor vai e desacredita ela, e ela é mulher. Então, quer dizer que ela, uma mulher, não pode votar como ela quer porque não é contra a agenda do senhor? Isso é crime de misoginia, segundo o que o senhor está votando contrário. Então nós temos que não ser hipócritas igual o vereador Cláudio Libardi, que é um grande hipócrita. Obrigado, presidente.
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Votação: Não realizada

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