VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): Obrigado presidente, nobres colegas vereadores. Eu venho a essa tribuna hoje falar de uma pauta que tem tomado conta, hoje, de todos os lugares do nosso país. Eu vou na padaria tomar um café os trabalhadores estão conversando sobre isso, o dono da padaria. Vou no bar tomar minha cervejinha e os caras estão lá conversando sobre esse assunto, e a gente precisa fazer esse debate aqui nesta Casa que é a redução de jornada de trabalho, e o fim da escala 6x1. Acredito que este é um assunto que interessa a todos os nobres colegas vereadores e vereadoras desta Casa, como tem sido debatido em Brasília. Então... Mas eu quero falar aqui diretamente a você, trabalhador, trabalhadora, que acorda cedo, pega no pesado todos os dias para poder garantir o sustento da sua família e trabalha seis dias por semana e tem apenas um dia de folga, vereadora Rose, que não é folga. É um dia para a pessoa poder limpar a casa, lavar a roupa, cuidar dos filhos e ainda ter um tempo para se divertir. Então... E se for mulher, ainda, é bem diferente, porque a mulher cada dia é um dia de luta para as mulheres trabalhadoras. A escala 6x1 é uma escala que ela vem adoecendo os trabalhadores. Nós precisamos fazer esse debate quando a gente criou a frente parlamentar pelo fim da escala 6x1 e a redução de jornada de trabalho, vereador Cláudio. Quando a gente criou essa frente parlamentar aqui nesta Casa, era justamente para fazer o debate com trabalhadores, com empresários, e dia 23 a gente vai ter...
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Vou lhe pedir um aparte.
VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): Nós vamos ter a nossa audiência pública, aqui nesta Casa e vejam vocês, companheiros vereadores e vereadoras, nós temos hoje 30 lugares aqui já reservados pelos empresários para vir aqui fazer esse debate. Então significa que isso interessa muito a todos, principalmente aos trabalhadores, principalmente as mulheres que acordam todos os dias antes de clarear o dia, e tem que voltar para casa e ainda ter só um dia de folga, que não é folga. Seu aparte, vereador Cláudio.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Parabéns, vereador Jack. O senhor sabe que nós entendemos que nas lutas em sua integralidade os trabalhadores devem ter unidade. E essa é uma luta que estaremos unidos. O senhor trata da vida do trabalhador como poucos por ter permanecido tantos anos dentro de uma indústria metalúrgica e o senhor sabe que o empirismo é o maior das ciências. O cara que conhece a realidade de fazer hora extra, pega às sete e doze, sai de casa na feliz cinco e meia da manhã, vereador Cristiano. Pega às sete e doze, solda até cinco e dezoito. Depois de soldar até cinco e dezoito, faz 10 minutos de intervalo, mais duas horas de hora extra, chega em casa na feliz oito da noite, cara. Como é que um cara desse... Oito da noite quando está bom, né, Jack? Quando é bom chega às oito da noite. Então, é uma questão que nós precisamos melhorar a vida dos trabalhadores em várias questões. E eu vou aproveitar essa oportunidade, vereador Jack, que é uma luta minha e do senhor, que é a saída da Marcopolo. Mais do que mudar a legislação, nós precisamos mudar a realidade das pessoas. E o investimento público no viaduto na saída da Marcopolo mudaria a realidade de todos os trabalhadores de lá. São mais de sete mil trabalhadores, vereador José Abreu, que poderiam chegar 30 minutos antes em casa, vereador Cristiano, por um investimento público. Então, nós precisamos cobrar, vereador Jack. E essa escala... Nós vamos ter uma vitória pelo fim da escala 6x1 neste ano, e depois nós vamos converter essa frente parlamentar em outras lutas para que haja uma estruturação para o trabalhador chegar mais rápido em casa.
VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): Obrigado, vereador Cláudio. Seguindo na fala do senhor, a questão da Marcopolo, por exemplo, trabalhador que mora no Esplanada leva uma hora e vinte, uma hora e meia para chegar em casa. Então, é um absurdo a questão do trânsito em Caxias do Sul. E nós precisamos achar uma saída, inclusive não só com a questão do tempo, mas acabamos perdendo trabalhadores que perderam a vida na rotatória em frente à Marcopolo. E não foi uma pessoa, foi mais de uma. Então, temos que ter essa preocupação, sim, com os trabalhadores. Mas eu quero falar aqui, vereador Cristiano Becker, na questão dos empresários. Muitos empresários me procuraram: “Bah, mas tu à frente dessa frente parlamentar 6x1...” Principalmente os pequenos empresários, donos de bar, restaurante, padaria, achando que... E a principal pergunta: quem vai pagar essa conta? Eu digo para vocês aqui: o trabalhador não tem que pagar essa conta. O trabalhador não pode continuar pagando essa conta, o trabalhador pagou essa conta a vida toda. Então, agora está na hora de... Falei para alguns que eles têm tantos representantes em Brasília. Se a gente for ver, a maioria não é trabalhador, metalúrgico, que está lá representando o povo aqui, são empresários. Só perde para o agro, a bancada dos empresários em Brasília. Então, está na hora dele se sentar com essas pessoas. Nós vamos achar uma saída juntos, com certeza, para isso. Está aqui essa frente para a gente fazer esse debate. Um debate que vai ser muito bem qualificado, tenho certeza disso. No dia 23, então, convidar todos os empresários e trabalhadores para virem aqui para a gente fazer esse debate. Convidar os nobres vereadores aqui desta Casa para a gente fazer esse debate. Então, assim, quero falar diretamente para esses trabalhadores, para o Bar do Adão, no meu bairro, o Bar do Bigode, no Santa Fé. E o que acontece? O trabalhador, hoje, tem um dia de folga. O trabalhador não tem tempo para descansar, ele não tem tempo para ir tomar a cervejinha, comer uma picanhazinha no final de semana. O trabalhador não tem tempo. Agora, dá dois dias de folga. Exatamente, já vamos chegar lá, Capitão Ramon, na valorização do salário dos trabalhadores. O cara tendo dois dias de folga vai ter tempo para poder ir tomar a cervejinha dele, vai ter tempo para ir viajar, para ir a Gramado tomar um café com a família e fazer a economia girar. Nos países mais desenvolvidos, já existe a escala 4x3. Por exemplo, na França, são 35 horas de trabalho. Isso é uma realidade. Na Islândia, na Bélgica, Suécia, Nova Zelândia. Então, só o Brasil vai ficar para trás? Só o Brasil vai ficar atrasado?
VEREADORA ROSELAINE FRIGERI (PT): Um aparte, vereador?
VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): Por gentileza, vereadora.
VEREADORA ROSELAINE FRIGERI (PT): Não, queria lhe parabenizar por trazer, mais uma vez, esse debate aqui na nossa Casa. Esse do dia 23, acho que é importante. Essas frentes parlamentares, independente de concordar ou não com elas, e eu concordo com o fim da escala 6x1, mas elas são importantes exatamente para isso, para aprofundar o debate, para depois a gente ter mais conhecimento nas falas, no que defender e no que não defender. Mas, sim, essa redução, esse fim dessa escala é muito importante para os trabalhadores e para as trabalhadoras, porque além da cervejinha, de ir num jogo de futebol. Eu, por exemplo, gosto muito, as mulheres também podem ir. É importante para o descanso, para o convívio, para a saúde mental. Então, é uma série de coisas. Inclusive, eu fiz uma especialização há muito tempo sobre sociologia do trabalho, já naquela época quando se discutia a redução de 48 para 44 horas, existia uma dificuldade na sociedade de entender isso e é só com debate que nós vamos entender e poder defender de forma mais eficaz. Então, parabéns por trazer essa pauta aqui nesta Casa.
VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): Obrigado, vereadora. Quero seguir aqui falando ainda na questão dos empresários. Eu fico indignado quando vejo, como falou o capitão Ramon aqui, que o trabalhador não tem dinheiro para ir tomar a cervejinha. Quando eu vejo os empresários desta cidade, segundo polo metalmecânico, que hoje todo mundo fala aqui nesta Casa, segundo polo metalmecânico deste país, segunda maior cidade do estado e falam para mim, na maior cara de pau, eles chegam e falam para mim: "Ah, porque não tem mão de obra na cidade". Experimenta colocar uma faixa na frente da Randon, da Marcopolo, pagando R$ 5.000 para um soldador para ver se não tem uma fila de gente para trabalhar. O que não existe é valorização da mão de obra. Qual o trabalhador, qual o jovem que vai querer trabalhar por um salário mínimo hoje? Trabalhar numa escala seis por um por um salário mínimo? O que falta é valorização da mão de obra do trabalhador. É isso que falta. Sigo em Declaração de Líder, por gentileza.
PRESIDENTE JOÃO UEZ (REPUBLICANOS): Uma Declaração de Líder da bancada do PDT. Continua com a palavra o vereador Jack.
VEREADOR CLAUDIO LIBARDI (PCdoB): Um aparte, por gentileza.
VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): De imediato, vereador.
VEREADOR CLAUDIO LIBARDI (PCdoB): O senhor sabe, vereador José de Abreu, que eu tenho me dedicado a estudar a divisão econômica do Brasil e o percentual do salário no PIB. E, incrivelmente, quando o salário tem maior percentual no PIB são sempre os governos progressistas que estão governando, vereador José de Abreu. Quando Bolsonaro assume o que aumenta no PIB é o percentual de aposentadoria de militares que são privilegiados neste Brasil. Nós estamos aqui não para defender casta, nós estamos aqui para defender quem produz a riqueza do Brasil.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Um aparte, vereador.
VEREADOR CLAUDIO LIBARDI (PCdoB): Quem está batendo chapa todos os dias. E tem gente que gosta de fazer discurso, mas não abre mão de um privilégio, José de Abreu. Eu sou muito parceiro da sua luta e, mais do que isso, eu sou seu aliado para trazer essas verdades que parece que não chegam à realidade do povo. Nós precisamos conversar sobre isso. Como é que está o salário dentro das fábricas? E sabe o que aumenta salário? Não é dissídio, Jack. O que aumenta salário é reduzir desemprego. Que daí o cara pode sair de uma empresa, pegar na outra para ganhar mais. Se tem 15% de desemprego, não aumenta o salário. Está lá o vereador Pedro Rodrigues que é empregador. Quanto menos desemprego, mais aumenta o salário. Essa é a realidade econômica do Brasil. E quem é que joga o desemprego para baixo? A nossa política pública.
VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): Obrigado, vereador Cláudio. Vereador Lucas, por gentileza, seu aparte.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Obrigado, vereador Jack. Primeiro, parabenizar o senhor por essa luta. Somos companheiros e parceiros. Eu entendo que nós precisamos de responsabilidade e quero parabenizar o senhor por ter convidado o setor empresarial para fazer essa discussão também. Porque eu acho, vereador Cláudio, que nós temos que enfrentar essa discussão com seriedade, maturidade e conversando com os envolvidos. Mas, de fato, vereador Jack, com tudo que a ciência aponta hoje, com o diagnóstico cada vez maior de autismo, da necessidade da importância de que pais e mães convivam com os seus filhos para combater todos os problemas de saúde mental e tantos outros, é fundamental. A exemplo do que os países da Europa e países com um PIB maior que o nosso já fizeram que é de reduzir a jornada de trabalho. Precisamos encontrar as formas. Agora, não dá para nós naturalizarmos no couro do trabalhador que fica enfrentando jornada exaustiva, muitas vezes, em postos insalubres de que a vida não é só trabalhar. Então, parabéns. Nós estamos juntos nessa luta e em que pese ouvir todos os envolvidos, mas, prioritariamente, o trabalhador que está lá na fresa, que está lá soldando e, muitas vezes, com condições difíceis. Então, parabéns, estamos juntos nessa luta pela redução da jornada de trabalho. Parabéns.
VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): Obrigado, vereador Lucas. E falar sobre a saúde do trabalhador, vereador Lucas, que o senhor acabou de falar aqui, o Brasil cresceu 1.000 % na questão do burnout, 1.000 %. É muita coisa, gente. É muita gente adoecida. Eu falei para um empresário, semana passada, que me procurou, que os trabalhadores trabalham rindo, trabalham rindo, sim, de medo de perder o emprego, mas quando saem dali, saem chorando e ficam em casa sem saber o que fazer no final do mês, porque tem que decidir entre pagar o aluguel ou fazer o rancho para sua família. Então, precisamos, sim, ter muita responsabilidade aqui. Essa frente parlamentar, ela tem que ter muita responsabilidade, muita transparência aqui nesta Casa, conversando com todos. Faço muita questão, e não tenho medo de conversar, de fazer o debate, porque o debate é saudável, com os empresários. Está na hora de a gente fazer esse debate e entender por que só o Brasil não avança. Por que o Brasil não avança? Se nós queremos crescer, o trabalhador, tem que crescer junto.
VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Um aparte, vereador.
VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): E enquanto eu estiver aqui nesta Casa, tenham certeza que vamos lutar, sim, por igualdade para todos os trabalhadores. Vereador Pedro, por gentileza, seu aparte.
VEREADOR PEDRO RODRIGUES (PL): Obrigado, vereador Jack. Eu que assinei junto, quando foi para o senhor criar essa frente, sou favorável a trazer essa discussão para Casa. Embora eu discorde com essa pauta em alguns pontos, eu acho que ela deve ser melhor aprimorada, porque a forma que está sendo posta aí, eu não vejo meios, não vejo, principalmente na minha realidade hoje, eu não vejo meios de ser colocado sem fazer um aprimoramento. E sabe, vereador Jack, às vezes, assim, chegou uma sobrinha minha outro dia e perguntou: “Tio, agora você é só vereador ou você trabalha também?”. Quando se ouve falar aqui dos empresários, é a sensação que eu sinto já que fui citado como empresário, como empregador, que o empresário, ele não faz nada. Gente, é um escravo, principalmente o médio. O médio, o pequeno. Ele é um escravo. Ele não dorme, ele atende a qualquer hora, ele abre a empresa, ele fecha a empresa, ele vende tudo o que tem para cobrir as contas da empresa e, muitas vezes, é levado tudo num arrastão assim a varrer como se fosse quem não faz nada, quem não gera riqueza para o Brasil. Quem gera riqueza é só quem trabalha. Então, nesse ponto a gente tem, eu acho que a gente tem que melhorar bastante, e por isso é importante a discussão sim. Muito obrigado, vereador Jack.
VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): Importante sua fala, vereador, porque a gente tem que fazer esse debate, sim. E nós do PDT, nós trabalhistas, nós defendemos uma indústria forte. Nós defendemos uma indústria forte, porque com indústria forte gera emprego, gira a economia. Então, nós defendemos uma nação independente, não uma nação submissa a outros países, como a gente vê, por aí, alguns políticos lambendo as botas dos Estados Unidos. Por favor.
VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Vereador Jack, quando a gente faz essa discussão, nós estamos falando sobre um país que é formado por pessoas que trabalham dia e noite. Eu cresci vendo a minha mãe e meu pai trabalhando todo dia, não é, todos os dias da semana, praticamente, para nos dar, poder fornecer o básico. E nós achamos que o trabalho ele é fundamental para movimentar a sociedade. O que não dá mais, é para a gente dizer que defende a família, mas não propiciar que as famílias tenham mais tempo para conviver, que os pais tenham mais tempo para ficar com seus filhos, não é? E o vereador Pedro comentou da questão dos empresários. Nós não somos contra a empresa. Eu particularmente me preocupo mais com quem não produz nada e ganha muito dinheiro às custas dos trabalhadores do Brasil, do que com as empresas que a gente sabe que, sim, têm dificuldades para se manterem abertas. Mais as pequenas e as médias do que as grandes, mas nós somos a favor de uma indústria forte, sim. Então não sei em que momento que se criou essa ideia de que, nós, da esquerda, somos contra empresas e empresários, sendo que hoje nós somos os que mais debatemos a desindustrialização do Brasil, não é? E a nossa cidade é um polo, porque tem indústria forte. Então, que tenham mais pessoas que produzam no Brasil, que tenham mais empresas que tenham sucesso para poder fornecer um salário digno e para poder fortalecer a nossa economia. Não precisa ser com escala 6x1 que a gente vai fazer isso, por isso somos a favor do fim da escala. Obrigada, vereador.
VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): Se esse papo de que: "O fim da escala 6x1 vai quebrar as empresas. Porque se reduzir a jornada de trabalho vai quebrar as empresas". Esse papo vem desde quando eu nem estava aqui nesse mundo, de quando: “Ah, vamos criar o 13º, férias, e vai acabar com os empresários, vai quebrar o país”. Quem quebra esse país são os políticos, políticos que roubam, são políticos corruptos, que a gente vê todos os dias nos noticiários com dinheiro na cueca. Então isso é que quebra o país. São os políticos que vivem aí roubando. E não estou falando nem de esquerda e nem de direita, eu estou falando aqui de políticos que destroem esse país. E hoje existe um movimento, em Brasília, de deputados, principalmente deputados da direita, e eu posso trazer um top cinco para vocês desses deputados que mais faltaram ao trabalho e são contra o fim da escala 6x1. Eles querem que o trabalhador trabalhe todos os dias, mas eles não comparecem nas sessões. Então, assim, essa é uma pauta que é de ser humano, é de vida, é de dar dignidade aos trabalhadores. Então o momento é de mudança, a hora é de mudar, a hora é de ter coragem. Então, pelo fim da escala 6x1, pela redução da jornada de trabalho, pela dignidade da classe trabalhadora, a gente vai estar aqui dia 23 de abril fazendo esse debate com trabalhadores e empresários, para que a gente consiga achar uma saída, sim, e aprimorar o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho, sem reduzir o salário do trabalhador, porque chega do trabalhador pagar a conta. Muito obrigado, presidente.