VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Bom dia, colegas vereadores, presidente, comunidade que nos assiste, quem está nos acompanhando ao vivo e também quem vai assistir a sequência dessa sessão. Ouvi alguns colegas aqui, precisei sair para ver alguns assuntos também, e ouvindo o colega Fantinel também trazendo as suas percepções, colegas que ainda estão inscritos. Lhe parabenizar, vereadora Andressa Mallmann, porque, mais uma vez, o assunto da causa animal, que tem a prioridade do seu mandato, que lhe colocou dentro desta Casa com mais de 3.000 votos, vem à tona. É triste que tenha vindo por essa situação do cão Orelha, que impactou todo o país, que nos deixou consternados. Provocou, inclusive, manifestação. E eu diria uma grande manifestação em Caxias, aqui no Parque dos Macaquinhos. Se pudesse eu estaria presente, eu estava em viagem naquele domingo pela manhã, quando aconteceu. Mas me solidarizar com a senhora e com essa causa. Assinei essa moção, e assinaria novamente se fosse convidado para isso. Porém, eu acho que isso denuncia também para nós um grave problema cultural, vereador Fantinel, uma preocupação que eu tenho, porque o valor da vida humana ou da vida animal, hoje, se trocou por fiança, por bala e por influência política, influência dentro do Judiciário. E me assusta, vereadora Andressa, colegas que aqui estão, o fato de que a morte de uma criança não nos causa tanto constrangimento e tanta consternação quanto a morte de um cachorro. Com todo respeito à vereadora Andressa, que é defensora da causa, às pessoas que defendem a causa, mas eu acho que o maior valor que existe é o da vida, e da vida humana. E quando a vida humana é sobrepujada pela vida animal, e a vida animal nos incomoda mais do que a vida humana, do que a morte da vida humana, então eu acho que a gente está vendo uma sociedade de inversão de valores. Ainda nesse sentido, a senhora foi muito sábia aqui em apoiar um projeto de lei que tramita dentro do Congresso Nacional, do deputado Ronaldo Nogueira, sobre este aumento, transformar em crimes hediondos, inclusive crimes praticados com maus-tratos a animais quando tiverem requintes de crueldade, para que justamente possa se punir quem pratica, como dito, tamanha crueldade, e se possa restabelecer os valores devidos, o valor da vida humana, da vida animal, e mostrar que a sociedade não pode ficar alheia, não pode se furtar de um compromisso, de um debate que diz respeito a isso. Eu lembro aos colegas que ano passado, depois do esfaqueamento da professora, acho que foi no mês de abril, março ou abril, não lembro exatamente, eu protocolei, vários colegas aqui assinaram, e nós aprovamos uma moção de apoio ao projeto de lei do senador Flávio Bolsonaro, que tramita, inclusive, no Congresso Nacional, sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. E eu insisto, nós precisamos mexer na maioridade penal no nosso país. Enquanto nós não mexermos nisso, nós vamos ficar enxugando o gelo, nós vamos ficar fazendo passeata, nós vamos vir aqui fazer discurso e manifestação.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Peço um aparte.
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Nós vamos nos consternar, chorar, gravar vídeo reagindo, e tudo isso é função, é parte da função parlamentar, está dentro do escopo da nossa atuação. Mas a gente tem que ser objetivo, a gente tem que ter coragem para encarar situações e entender que existem pessoas com 14, 15, 16 anos que têm coragem para apontar uma arma na cara de um pai de família, para matar um cachorro a pauladas, com pregos na ponta do pedaço de pau, da madeira que estão utilizando, de utilizar de diversas formas. Então, a gente tem que ter coragem para encarar e entender que tem pessoas que não são infratores, são criminosos. Esse é o nome, é crime o que se pratica. Do ponto de vista jurídico, penalmente falando, aqui é uma contravenção penal, e os pais respondem. Deu para entender que os pais estão alheios à situação, vereador Fantinel. Premiaram os filhos, inclusive. Premiaram os filhos, depois do que fizeram, com uma viagem para o exterior. Mas nós temos que ter coragem de mexer no cerne da questão e entender que, sim, uma pessoa com 16 anos, que tem coragem de fazer tamanha crueldade com um animal, com um cachorro, imagina o que faria com uma criança? Se faz isso com um animal inocente, que é irracional, o que faria com uma criança de dois ou três anos que é irracional também? O que faria com uma criança que estivesse em seus braços ou debaixo da sua tutela e conduta na saída de uma escola, de uma creche, etc.? Então, a minha revolta aqui. Minha parabenização à senhora. Nosso apoio à sua causa. E dizer: precisamos mexer na maioridade penal deste país urgentemente, senão nós vamos só ficar enxugando gelo e reiterando problemas aqui. Seu aparte, vereador Fantinel.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Obrigado, vereador Calebe. Assim, já aproveito aqui a oportunidade de parabenizar o presidente Milei, da Argentina, por baixar a maioridade penal para 13 anos. Cem por cento correto. É uma demonstração de mudança. E aqui, no tempo pouco que me sobra, eu lembro o físico inglês que disse o seguinte, isso em 2024, ele disse: "Hoje, no mundo, uma criança de 7 anos de idade, 7 anos de idade, tem mais informações no cérebro que o imperador de Roma tinha." E aí querem me dizer que com 13 anos não sabe o que faz. Então, parabéns.
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Para encaminhar minha palavra aqui, presidente, alguém citou a escola. Concordo, vereador Jack. A gente precisa investir na formação de base na escola. Mas até nós chegarmos à outra geração precisa acontecer também a punição, porque tem gente que só vai aprender quando dói no bolso, por meio de uma multa, ou quando está atrás das grades. Obrigado.