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Não houve manifestação
VEREADOR RODRIGO BELTRÃO (PT): Bom dia, senhoras e senhores vereadores. Quero aqui tratar do tema da votação da ontem da reforma da previdência é um tema que está passando despercebida pela população. Uma votação e uma alteração proposta que está na iminência de ser aprovada agora em segundo turno no próximo sábado e que, infelizmente, a nossa população, a nossa comunidade está bastante adormecida em relação a isso. Primeiro elemento que iria trabalhar é o elemento de ordem política no sentido da representação. Infelizmente a nossa comunidade caxiense não tem representação na Câmara Federal nesta legislatura. Então Caxias do Sul da importância que tem, os desafios que tem cada vez mais precisando essa articulação com o governo do Estado e agora com o governo federal que é quem possui de fato as verbas para fazer alterações significativas, não tem representação Federal. Então isso faz com que nós tenhamos que cada partido com assento aqui na Casa, cada grupo organizado pressionar os seus deputados que parecem estar bastante distantes do interesse popular. Eu digo isso porque este texto aprovado ontem ele faz com que pessoas que tinham expectativa de se aposentar pelo tempo de contribuição, que tinha toda uma expectativa de direito agora tenham que esperar até os 65 anos os homens, 62 as mulheres. O tempo de contribuição mínima aumentou de 15 para 20 anos. Também a média da contribuição que antes era diferenciada se valendo de algumas das 20 melhores, enfim, agora vai pegar a média de todo período que vai rebaixar o valor das aposentadorias e isso tudo acontecendo sem uma resistência maior, porque os deputados lá na Câmara Federal foram comprados por emendas parlamentares. O interesse público ficou em segundo plano e o interesse de cada deputado em, com as emendas parlamentares, a partir disso, estimular o seu mandato ficou em primeiro lugar. E vejam que, há pouco tempo atrás, as massas se movimentavam nas ruas e não eram apenas as pessoas que militavam em partidos políticos. As pessoas iam para a rua para pedir impeachment, por exemplo, por pedalada fiscal. E eu tenho que reconhecer que foi sim um movimento onde não só as pessoas que estão no dia a dia dos partidos foram para as ruas, independente da posição política-ideológica, havia uma mobilização popular. Agora, em um momento onde se afrontam direitos, se retira, se ataca o povo com uma reforma impopular, nós vemos uma grande dificuldade de resistência. Então isso serve como uma reflexão importante para fazermos. Até porque esse texto da reforma da previdência ainda tem um caminho a ser percorrido, vai ser votado em segundo turno na Câmara e depois, posteriormente no Senado, onde existe certa esperança que possa haver uma reversão. Mas o ponto que eu quero atacar aqui, e esse é o verdadeiro debate, é que não existe em curso um projeto de crescimento para o Brasil, não existe em curso um projeto para gerar emprego e renda, que é isso que vai fazer com que a previdência tenha um reforço. Quando há uma crise econômica e há um desemprego em massa, obviamente, a arrecadação da previdência cai. E, para que a previdência seja saudável financeiramente, no cerne, precisa que o país tenha na agenda política uma pauta de crescimento econômico, de geração de trabalho e renda. E qual é o projeto desse governo para o crescimento do Brasil? Então o foco que está se atacando é o foco errado e que ali na frente vai criar um grande empobrecimento da nossa população. Quando as pessoas atacam, por exemplo, um programa importante de distribuição de renda como o Bolsa Família, mesmo que tenham aqueles argumentos ideológicos, muitas vezes, preconceituosos, mas, se não for só por isso, o Bolsa Família é dinheiro do governo, imposto arrecadado que é injetado na sociedade, que movimenta a economia, da mesma forma as aposentadorias. Em pequenos municípios, a massa salarial do benefício dos aposentados faz com que economias se movimentem. Quantos e quantos aposentados hoje, se não tivessem o benefício da aposentadoria, como é que sobreviveriam? Então está se fazendo uma reforma da previdência para empobrecer o povo, para servir à pauta do sistema financeiro que vê o Brasil como um grande mercado para se vender, a partir de agora, a previdência privada e aí tu vê lá na votação da Câmara dos Deputados, os deputados comemorando. O Rodrigo Maia chega a falar que foi uma votação histórica.
VEREADORA DENISE PESSÔA (PT): Permite um aparte, vereador?
VEREADOR RODRIGO BELTRÃO (PT): De fato foi histórica porque foi uma noite em que os representantes do povo votaram contra o povo, de forma cabal. Então realmente esta Câmara, esta Casa tem que se manifestar, tem que se insurgir neste momento, porque realmente essa votação é muito grave. Vereadora Denise e vereador Frizzo.
VEREADORA DENISE PESSÔA (PT): Bom, vereador Beltrão, a votação de ontem foi, eu diria que o maior roubo dos direitos dos trabalhadores no Brasil, foi uma lavada contra a população brasileira. E não tem como não se revoltar. Além desses direitos que o senhor já mencionou, ainda, a gente pode citar a questão dos benefícios, do BPC, que é um benefício para pessoas com deficiência e também para idosos carentes, que agora vai passar para R$ 400,00, a partir de 60 anos; que antes era um salário mínimo vai passar para R$ 400,00 e, se chegar aos 65 anos, aí vai para o salário mínimo. Mas aí tem que sobreviver até lá. Então, na verdade, todas as medidas que vieram não foram para atacar privilégio nenhum, e sim para achatar mais quem já sofre neste Brasil. Então lamento muito e espero que a população ali na frente vai perceber o prejuízo, mas marquem quem votou a favor e com votou contra porque quem votou contra defendeu os trabalhadores. Então era isso. Obrigado.
VEREADOR RODRIGO BELTRÃO (PT): Obrigado. Vereador Frizzo.
VEREADOR ELÓI FRIZZO (PSB): Vereador Beltrão, vossa senhoria tem razão quando levanta essa preocupação nossa de não ter se quer um representante nosso, efetivamente da cidade, com quem a gente pudesse dialogar do ponto de vista de fazer a defesa dos interesses dessa grande massa operária de Caxias do Sul que vai ser altamente prejudicada. Eu quando ouvia e via ontem manifestações tipo a do tal Marcel Van Hattem, um nazistinha que lamentavelmente foi muito bem votado pela direita caxiense, falando aquelas abobrinhas chega me dar asco. Esse cara é nojento, é um fascistinha disfarçado de democrata. Então tem deputados lá que a gente não consegue compreender o quanto são de hipócritas, hipócritas porque todos sabem, vereador Rodrigo Beltrão, que dos 980 bilhões, que o ministro fala tanto que vão ser poupados, mais de 700 bilhões vão ser retirados de quem ganha até dois salários mínimos. É uma transferência de renda de quem menos tem para quem mais tem, que é para os bancos porque em última análise esses recursos é para pagar juros de banco, que é isso que esses recursos vão ser utilizados, para abater a dívida pública, fazer a alegria do Bradesco, do Itaú e assim por diante, dos grandes investidores internacionais. Esses recursos estão sendo retirados de quem menos tem para dar para quem mais tem. Então eu tenho defendido e vou defender a expulsão de todos os deputados do PSB que votaram com esse malfadado projeto. Espero que os outros partidos também façam a mesma coisa.
VEREADOR ALBERTO MENEGUZZI (PSB): Um aparte, vereador.
VEREADOR ELÓI FRIZZO (PSB): Tenho certeza que o PDT vai no mesmo rumo. Obrigado, vereador, desculpa ter tomado o seu tempo.
VEREADOR RODRIGO BELTRÃO (PT): Obrigado, vereador. Imagina, o senhor contribuiu. Vereador Meneguzzi.
VEREADOR ALBERTO MENEGUZZI (PSB): Só para colaborar e assino embaixo tudo que falaram os vereadores, Denise Pessôa e Elói Frizzo. Também defendo a expulsão de deputados do PSB que votaram a favor dessa reforma da previdência. Felizmente o deputado Heitor Schuch votou contrário a reforma da previdência, nosso deputado federal Heitor Schuch votou... Dos dois deputados esse votou. E 31 deputados da base gaúcha votaram a favor da reforma da previdência. Então também, vereador Frizzo, me somo ao senhor e defendo a expulsão dos deputados que votaram a favor, do PSB que votaram a favor dessa reforma.
VEREADOR RODRIGO BELTRÃO (PT): Obrigado. Para concluir, senhor presidente, a gente vem de uma eleição que houve um acirramento, nitidamente um acirramento político e isso faz com que o centro fique grande demais nesse momento, até pela cautela. Mas nesse momento estar em cima do muro é estar contra o povo porque há que se fazer algo para barrar essa reforma da previdência que não existe quem consiga defender ela como uma reforma popular, é uma reforma contra o povo e isso fica nítido por todos os argumentos aqui utilizados. Aumenta o tempo de contribuição, aumenta a idade mínima e diminui a média das contribuições. Então contra o povo e pelo empobrecimento do povo, essa reforma.