VEREADOR ADILÓ DIDOMENICO (PTB): Pessoal que nos acompanha aqui do plenário, também através da TV Câmara, das redes sociais, e, antes de entrar no assunto que nós vamos tratar, eu gostaria de fazer duas observações. A primeira que esse movimento dos caminhoneiros, eu tenho certeza que a grande maioria dos vereadores, senão a totalidade, apoia, entende legítimo. O governo federal demorou muito para entrar para uma negociação e o presidente da Petrobrás, o Pedro Parente, então, foi muito infeliz, muito infeliz. Ele pode ser um competente administrador, mas é uma criatura arrogante e que não está nem aí para as reivindicações dos caminhoneiros e da população de modo geral. Então, em qualquer outro governo com pouco mais de força, o Pedro Parente teria sido afastado na hora pelas declarações que ele disse. E o ministro Padilha também ajudou a colocar uma gasolina nesta fogueira quando também desdenhou o movimento dos caminhoneiros, mas eu, apenas, dizer que nós estivemos lá, diversos vereadores, em São Brás, na quinta-feira – o vereador Renato Nunes, o vereador Bandeira, o vereador Neri, o vereador Thomé, a vereadora Gladis, e... Não me lembro. O vereador Uez. Estivemos lá manifestando o nosso apoio. À tarde estivemos aí na Forqueta onde o vereador Uez, eu e a vereadora Gladis, com certeza, estivemos, onde a gente se empenhou, inclusive, vereador Uez, V. Exa., atrás dos banheiros químicos, que era uma reivindicação deles. Então, tudo isso é correto, é justo, e nós apoiamos. O que a gente faz ressalva, e eu chamo a atenção, é esse grupo de pessoas que estão aí pedindo intervenção militar, pedindo ditadura. Essas pessoas não têm noção o quanto custou para nós conquistamos a democracia para eles estarem ali gritando palavras de ordem, largando foguete e trancando a praça. Isso custou sacrifício de muitas pessoas, de muitos brasileiros. Então não vamos brincar com a democracia. Nós estamos a quatro meses de uma eleição onde o brasileiro tem a arma poderosa na sua mão que é o voto e que cuide para fazer boas escolhas, porque infelizmente o Congresso cassou o senador, mandou de volta para Alagoas e o povo de Alagoas mandou dois de troco, mandou ele, mandou mais o Renan Calheiros. Aí não tem quem consiga consertar este país. Então o povo tem na sua mão a força do voto e é isso que o povo tem que fazer, exercer e manifestar o seu descontentamento de forma legítima, democrática, através do voto e não cair nessa ciranda de pedir a intervenção, pedir ditadura, de botar fora aquilo que custou muito caro para muitos brasileiros para reconquistar essa condição de poder se expressar do direito à imprensa, do direito à liberdade de expressão e tantas outras formas. Tem problema? Tem. O Brasil precisa mudar, mas nós precisamos todos nós mudarmos um pouquinho. O Congresso, o Senado é a síntese da sociedade. Aquelas pessoas não caíram lá de paraquedas. Elas foram encaminhadas para lá através do voto. Então nós precisamos cuidar muito mais na hora de escolher os nossos representantes. Também gostaria de fazer agora uma segunda fala, antes de entrar no tema. Sexta-feira nós fomos convidados e agradeço ao vereador Chico Guerra que nos convidou para irmos no lançamento da Estrada dos Romeiros, vereador Chico, e estava lá o vereador Neri, o vereador Uez, vereadora Gladis, vereador Bandeira, vereador Edi Carlos e vereador Chico Guerra e a gente tem que deixar as coisas bem separada. Méritos ao prefeito por estar dando andamento, manter aquele trecho e lançar como uma das prioridades, mas também o prefeito não muda o seu sistema, vereador Chico. Ele nos obriga a fazer uma fala aqui respeitosa e dizer que o projeto foi feito no governo Alceu pela Seplan em parceria com a Secretaria de Obras. Em 2014 o vereador Guila Sebben promoveu uma reunião lá em um sindicato que tem lá no caminho que eu acho que é da alimentação, eu não sei, tem uma sede ali. Da alimentação não é? Uma reunião com todos aqueles moradores. Talvez um ou outro não estivesse lá, mas tinha mais gente que não estava no lançamento e que participou da reunião onde a dúvida deles era até onde iria o trecho de asfalto. Qual a largura? Se ia invadir as terras deles e tudo isso foi explicado muito claro, exaustivamente debatido e mostrado porque ela é uma pista de sete metros. Tem 2,40 de ciclo e faixa, mais 1,20 de pista para pedestre e mais a calha. Então ela vai pegar em torno de 12 metros e foi deixado bem claro para eles. Como é uma estrada municipal, não cabe direito a indenização. Ela tem uma previsão de faixa de domínio de 20 metros e a seis metros do eixo carroçado para cada lado. Então não é... Tira mais o vizinho, porque eu tenho parreiral, porque isso, porque aquilo. Não, ficou muito claro, foi debatido. Não cabe indenização. É seis metros do centro para cada lado. A madeira evidentemente que pode ser deixada para eles, para a Codeca normalmente até é um estorvo levar i embora aquela madeira, está dentro da sua propriedade. Então aqueles moradores que estavam lá eles conhecem muito o projeto, mais do que a maioria dos secretários que inclusive fizeram uso da palavra. Então o discurso do prefeito ele não vai mudar, mas parece que tudo foi feito por ele. Ele tem grandes méritos. Tem, de ter ido atrás, fazer o recadastramento e está dando prioridade para aquela estrada, a obra, isso não se tira o mérito. Agora, nós temos que reconhecer que ele estava falando para um público que conhecia o projeto talvez até mais que ele, prefeito. Então fica chato. Vários vieram falar comigo. Depois mudou o projeto? Eu disse: não, não mudou. É o mesmo que vocês conhecem, fique tranquilo. Aquilo lá não vai mudar nada. O prefeito manteve o projeto original. Não vai emendar com o asfalto de Farroupilha, vai ficar um lapso de 700metros dentro do município de Farroupilha, porque o município de Caxias só pode asfaltar até a divisa. E é isso aí. Então deixar esse registro, porque fica ridículo para o prefeito fazer aquele tipo de fala para pessoas que conheciam o projeto. E para nós, que estávamos aí, que fizemos parte da administração passada e que inúmeras vezes, mesmo depois da reunião, recebíamos ligação: “Vai sair?”. Digo: “Olha, o prefeito deu a palavra, o prefeito Daniel Guerra deu a palavra”. E o mérito está aí. Manteve a palavra. A obra foi lançada, e que ela seja feita o mais rápido possível. Eu vou mostrar alguns números. O balanço da Codeca foi publicado já faz tempinho. Eu não ia falar, porque ele foi público, foi no jornal. Mas eu vou mostrar alguns números para a gente debater, porque depois eu quero explicar por que nós vamos mostrar esses números da Codeca. Para vocês entenderem que existe um movimento aí que está prejudicando a Codeca, e a Codeca precisa ser ajudada e não prejudicada. Então nós vamos aí mostrar alguns números só para que os senhores tenham ideia. Codeca, em 31 de dezembro de 2016, tinha ativo circulante de 14 milhões e 800, para um passivo de 12, como uma liquidez de um 1,17 e faturamento de 9 milhões mensais. Foi entregue com saldo em caixa, dinheiro disponível, 5 milhões 680, que foi a maior bobagem que a nossa administração fez, entregar com quase 12 milhões em caixa, que podia ter colocado as duas fases de container com 14 milhões. Mas eu acho que deixar esse dinheiro todo, podiam ter colocado os contêineres, que eu duvido que sejam colocados agora. Então, 11 milhões e 800 foi entregue a Codeca. Pode passar. O tema que nós debatemos, e eu trago isso, nós dizíamos que foi forçado um prejuízo colocando 1 milhão e 491 para previsão de reclamatória trabalhista, onde não é a média histórica da Codeca. Em 2011 nós chegamos a baixar para 97 mil. Então foi exagerado. E aí se forçou um prejuízo de 549, onde fechou o ano de 2017 com R$ 633 mil de reclamatória trabalhista paga, de indenizações. Sobrou 858 menos o prejuízo. Então, o lucro de 2016 é de R$ 308.933. Isso tem que ser corrigido. É só a direção da Codeca pedir uma autorização para o conselho, faz uma nota explicativa e corrige o balanço de 2016 para aquilo que é a verdade. (Esgotado o tempo regimental.) Eu peço uma Declaração de Líder.
PRESIDENTE ALBERTO MENEGUZZI (PSB): Declaração de Líder à bancada do PTB. Segue com a palavra o vereador Adiló Didomenico.
VEREADOR ADILÓ DIDOMENICO (PTB): Isso é perfeitamente legal. E eu espero que a administração faça isso e não venha de novo dizer “ah, recebemos a Codeca com prejuízo”. Recebemos ela com o lucro de R$ 308 mil em 2016 e com uma provisão financeira, em caixa e a receber, de 11 milhões e 800. Nunca, na história da Codeca, ela esteve tão bem financeiramente, com tanta disponibilidade. Em 2017, 12 milhões e 445 de circulante, já para um passivo maior. Então a liquidez baixou. De um por um não tem. Tem 92 centavos para cada R$ 1. Faturamento médio de 7 milhões e 400. Saldo em caixa, vejam que foi entregue com valor, está 1.962 mais 5.179. Um total de 7 milhões 142, para 11 e 800. Disponibilidade, então, diminuiu em 4 milhões 658. Pode passar. Prejuízo, 2017, o maior da história até hoje. Nunca teve um prejuízo tão grande. O maior prejuízo anterior foi da ordem de 4 milhões em 2004. Então ele é recorde. Isso tem também aí um lançamento, vereador Chico, eu não conheço, ele pode estar certo, porque talvez se trate de serviços, de 2 milhões e 550. Mas eu não me lembro, na história da Codeca, ter sido lançado créditos a faturar. Pode ser que esteja correto, esteja legal. O conselho aprovou, eu não vou duvidar. Mas eu nunca me lembro de a gente ter lançado um crédito não faturado ainda. E aí isso diminuiu o prejuízo, senão seriam 9 milhões e 800. Então a receita bruta. Uma coisa também que tem que deixar bem clara, que se garganteou tanto na redução de custos, os custos estão maior hoje. Percentual aí de 82% em 2016. Hoje está em 89. Pode passar. Nós tínhamos, em 2016, sobre o faturamento 9,03 e agora 10,49. Nós tínhamos 0,65 de despesa comercial para 0,84. Então onde está a famosa economia que ia cortar CC, que ia fazer isso, fazer aquilo. Não se provou na realidade. Está ao contrário. Então deixar isso bem claro. Diferença entre custo e faturamento 8,01. Então são números que estão no balanço. Nós não estamos...
VEREADOR CHICO GUERRA (PRB): Vereador, um aparte, se possível.
VEREADOR ADILÓ DIDOMENICO (PTB): Já lhe concedo. Nós não estamos trazendo nenhuma novidade. A gente trouxe apenas esses números para mostrar por que nós estamos trazendo isso e por que a gente precisa um olhar de todo o governo para a Codeca neste momento de dificuldade porque ela passa. A presidente Marilda não tem força política, mas é uma pessoa bem intencionada, diferente dos governos anteriores onde um secretário é respaldado por um partido. Ele tem uma retaguarda. Hoje, a relação secretário/prefeito é de patrão e empregado. Eles não têm o apoio político e aí às vezes eles ficam órfãos, e é o caso que está acontecendo na Codeca e que a gente vai explicar depois por que nós trouxemos esses números. Eu vou lhe conceder de imediato o aparte, vereador Chico.
VEREADOR CHICO GUERRA (PRB): Obrigado, vereador. Só para fazer um... Só para comentar ali quando comenta sobre as despesas que foram maiores, acredito que possa ter se passado no seu estudo aí, se pegar em valores não é verdade.
VEREADOR ADILÓ DIDOMENICO (PTB): É que o faturamento baixou.
VEREADOR CHICO GUERRA (PRB): Exatamente. Então não é que as despesas foram maiores; o faturamento caiu drasticamente. O percentual é maior, porque a despesa é sobre a receita, aí concordo. Mas em valor real não. Então houve, sim, uma redução nas despesas, houve, foi o motivo que o prejuízo não foi tão grande. O problema maior da Codeca foi que os serviços não aconteceram, como aconteceu em todas as outras empresas. É só para esse detalhe. Obrigado.
VEREADOR ADILÓ DIDOMENICO (PTB): V. Exa. tem razão, vereador Chico, e os números estão aí. Não há o que se contestar. V. Exa. tem razão, porém, quando uma empresa tem queda no faturamento o que se faz? Faz-se enxugamento. Isso em qualquer empresa. As demissões, eu tenho certeza que nenhum empresário gosta de fazer. É o pior das coisas que ele tem que usar a caneta para demitir um servidor, às vezes, de 15 ou 20 anos, que ajudou a empresa a crescer. Mas tem que fazer, não adianta, é do equilíbrio. E é o que tinha que ter sido feito um pouquinho mais. Mas por que eu trouxe isso, e os senhores vão entender. No ano passado, vereador Chico, sem fazer nenhum alarde, nem a presidente Marilda sabe disso, alguns restaurantes vieram nos procurar, onde no corpo da renovação da licença constava escrito onde eles não aceitavam o contrato de coleta de lixo na Codeca. Esses restaurantes tinham que procurar outras empresas. Aí eu fui lá conversar com a secretária Patrícia e disse: oh, secretária, pelo amor de Deus! Isso aqui não pode acontecer, além de ficar ridículo, vocês estão prejudicando a Codeca. “Ah, mas ela dispõe o lixo no aterro da Prefeitura e não pode...” Digo: tudo isso, em 2005, já aconteceu comigo numa reunião com o então secretário do Meio Ambiente, na época, e seu diretor junto com o Búrigo, o Búrigo acho que ia ter que nos apartar. Quase fomos às vias de fato. Essa conversa já existiu lá atrás. São alguns técnicos lá de dentro da Semma que volta e meia vem com essa situação. É verdade, tecnicamente eles não estão errados. A Codeca, para dispor o resíduo que ela contrata além do resíduo doméstico, ela tem que ter um convênio com a Semma para depositar no aterro. O aterro é da Prefeitura, mas faça-se o convênio. E não colocar na licença que não reconhece o contrato de coleta da Codeca. A Codeca é uma empresa referência no Brasil. É uma empresa que tem um excelente sistema de coleta, de transporte, de destinação e isso fica feio. E aí parece que a coisa acalmou, e a Codeca precisa dessa receita. Essa receita é ao redor de 600 mil por mês, que é tudo o que excede ao meio metro que está na taxa de coleta de lixo. Isso é fundamental para a sobrevida da Codeca. E aí a coisa acalmou e tal. Agora, esta semana,uma instituição que paga R$ 14 mil por mês foi notificada. Aqui está a notificação. A sua licença vence em agosto e ela tem que providenciar um contrato com uma empresa, com outra empresa porque a Semma não reconhece o contrato da Codeca. Está aqui. O documento está aqui. O primeiro contrato desta instituição foi assinado casualmente por mim, em 2006. Está aqui, eu e o Zecchin. Então, por que sempre ao longo deste tempo foi permitido à Codeca coletar e depositar no aterro sanitário? Porque a Codeca presta inúmeros serviços para o município que não tem como remunerar, em troca, sempre houve essa parceria. É o episódio de Vila Oliva. Quando deu o tornado lá, a Codeca ficou 15 dias com caminhão e máquina sem ter um contrato. É incidente de final de semana, é temporal. Agora, eu tenho quase certeza que a Codeca roçou toda a Rota RS 122 até o Viaduto Torto sem ser obrigação dela. Então vamos fazer essa troca de interesse, porque a Codeca é uma empresa pública, ela não é um estranho. O lucro que ela eventualmente tiver fica para ela, não é distribuído para nenhum acionista. Ela reverte em serviço para a sociedade. Então, eu mostro uma situação de uma empresa que precisa ser ajudada. O governo tem que olhar para a Codeca como empresa pública, uma empresa que orgulha Caxias e a presidente Marilda tem que ser respaldada, ela tem que ser respaldada. Ela deu o maior prejuízo da história da Codeca? Paciência. Não é por isso que nós vamos ficar aqui torcendo que ela vá mal. E este vereador tomou a iniciativa, de forma discreta, não comentei com ninguém, fui lá defender os interesses da Codeca, nem a Marilda sabe disso, mas a secretária Patrícia sabe. E, agora, me chateia ver isso acontecer de novo. Então, o governo que tome providências urgentes se tem que se fazer um convênio. Porque este governo é extremamente legalista e fica ali nos detalhes, mas ser legalista é não causar um rombo para uma empresa que, amanhã ou depois, vão vir pedir aporte de capital aqui e este vereador não vai apoiar se continuar essa política. Porque não adianta tu pedir dinheiro para cobrir um rombo que o próprio governo está ajudando a causar. A mesma coisa também, eu espero que seja corrigido o balanço de 2016 porque agora os números estão postos. Antes, era uma suposição minha, mas com fundamento no histórico da companhia, hoje é uma realidade publicada no balanço. Era isso, senhor presidente, muito obrigado.