VEREADOR RENATO NUNES (PR): Muito bom dia a todos e a todas. Senhor presidente, Mesa Diretora, senhoras vereadoras e senhores vereadores, pessoas que se fazem presentes aqui no plenário, servidores da Casa, nosso abraço a todos que nos assistem através da TV Câmara, canal 16, ou pela internet. De fato, o assunto hoje não poderia ser outro, porque, realmente, Caxias está de luto. Inclusive fiz questão de vir todo de preto hoje, porque realmente estou de luto. Estou muito triste com essa situação. Como foi dito aqui... Eu não sou pai, mas não faz muito tempo, eu perdi uma pessoa muito especial para mim que eu considerava meu pai, meu filho, meu irmão, meu melhor amigo, que foi o meu pai. Sem palavras para expressar esse sentimento. Como já foi dito aqui, nobres pares, a nossa sociedade está doente. É verdade. Somos reféns de várias formas de violência, da bandidagem, do tráfico, que diariamente têm vitimado, têm ceifado milhares, centenas, milhares de pessoas entre estas jovens, crianças, mulheres. E a mídia, todos os dias, tem mostrado isso. Inclusive, é difícil hoje você ligar a televisão, esses programas que têm, jornalísticos assim, é só tragédia, é só morte, é só desgraça, é só sofrimento. É o que dá mais audiência, porque as pessoas estão com medo, vereador Kiko. Neste ponto, eu concordo com V. Exa. As pessoas ficam apavoradas, as pessoas estão presas dentro da sua própria casa, desarmadas, os bandidos livres, bem armados, se sentindo os poderosos. O Estado não tem o mínimo de condições de garantir a nossa segurança, que é um direito de todos. Nossa polícia sucateada, nossos policiais ganhando um salário baixo, trabalhando com medo, desmotivados e por aí vai. E o pior de tudo... Acho que uma das piores, um dos piores tipos de violência é a corrupção, nobres pares, é a corrupção, porque aqueles que estão lá em cima, aqueles que estão à frente de um povo, de uma nação, que deveriam dar o melhor exemplo, são os piores. Isso gera violência, porque aquele dinheiro que era para ir para a segurança, vai para o bolso de meia dúzia. E a gente vê o estado falido. O maior exemplo disso é lá no Rio de Janeiro, a intervenção militar. Então é bem difícil. Mas, vereador Kiko, eu sei, eu lhe entendo, e nessa hora realmente a gente tem muitas coisas que passam na nossa cabeça, mas pena de morte não! Pena de morte não! Talvez, prisão perpétua sim, talvez sim, talvez seja o caminho. Agora, pena de morte não. Fazer justiça com as próprias mãos, não! Porque aí o que vai me diferenciar dessas criaturas, vereador Kiko? Eu vou me tornar como ele. Eu vou combater o mal com o mal. “Matou? Eu também mato.” Não, não é assim. Desculpa, quem sou para lhe ensinar ou ensinar alguém. Não sou nada. Mas nós temos que combater o mal com o bem. Já lhe concedo, vereador. Nós temos que combater a injustiça fazendo justiça. Eu sei que é difícil, eu sei que cada um aqui tem a sua fé, o seu credo religioso. Eu não estou aqui dando uma de pastor, não quero misturar as coisas. Mas a verdade... A minha fé, eu tenho a fé, eu creio na palavra de Deus, eu creio em Jesus Cristo como meu senhor, meu salvador, meu único e suficiente salvador. E ele ensinou isso aí: “Orai pelos vossos inimigos, por aqueles que vos persegue”. E a palavra de Deus diz o quê? Que o diabo veio para matar, roubar e destruir. São três coisas que... As únicas três coisas que o mal sabe fazer: roubar, matar e destruir. Mas Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância”. Então, o que falta nas pessoas, veja bem, não é religião, porque religião tem milhares, e essa criatura que fez, que cometeu esse crime bárbaro, diz que era até religioso, saiu de um culto não sei onde lá, ou foi levar... Sei lá, eu ouvi dizer. Então, não é religião que falta – isso aí está sobrando – o que falta é Deus no coração das pessoas. Como diz o ditado: Mente fazia oficina do diabo. Quando a pessoa não tem Deus, a casa está fazia e, então, o mal entra e faz essas coisas. Talvez alguém vá dizer: “Ah, eu não acredito nisso”. Bom, eu respeito a sua opinião. Mas como que é que pode uma pessoa dizer que não acredita na existência do mal? Se você acredita em Deus, você tem que acreditar no diabo também por que têm os dois lados: tem a luz e as trevas. Tem o bem e tem o mal. Não pode ter uma coisa só. Existe sim o outro lado. O que leva uma criatura fazer uma coisa dessas? É o diabo dentro dela, essa que é a verdade, um demônio. Não pode ser outra coisa. “Ah, mas é louco, é psicopata, é doente.” Também, pode ser também, mas foi usado, inconscientemente ou conscientemente, porque têm pessoas que sabem que estão sendo usadas e gostam de ser usadas. Então, nobres pares, a gente hoje... Eu creio aqui que Caxias amanheceu muito triste, de luto, realmente. Enfim, saiu nos jornais, no estado todo está repercutindo, no Brasil afora. É lamentável, muito lamentável. Mas eu repito: pena de morte não! Prisão perpetua sim. Já lhe concedo o aparte, vereador, só porque eu fiz aquela fala ontem aqui em prol da democracia, defendendo a democracia, não estava defendendo o Lula, a caravana do Lula, nada, já houve uma avalanche de pessoas me detonando da internet: “Tu deu um tiro no pé, porque tu está errado, por que tu é igual, não sei o quê”. Olha a raiva, o ódio nas pessoas. Enfim. Seu aparte, vereador Rafael.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Vereador Renato, eu volto ao início da sua fala, o senhor foi perfeito, a questão da corrupção. Esse dinheiro, vereador, está sendo agora gasto, porque está sendo jogado no lixo lá no Rio de Janeiro, poderia ser investido, como o vereador Frizzo, em escola de turno integral, na saúde, em esporte e lazer para aquelas crianças. Então esse dinheiro da corrupção e tem que ser culpado, sim, esse povo lá de cima, agora nós estamos tendo que gastar dinheiro nessa questão. Outra questão, vereador, que o senhor falou, a cultura da paz. Olha, eu converso diariamente com a vereadora Paula Ioris, ela me puxa as orelhas, às vezes, porque a gente fala: “Poxa, esses bandidos...”. E eu digo: “Vereadora, como é que a senhora pode ir lá dentro do presídio e lutar por essas pessoas que inclusive um foi assassino do seu filho”. E ela diz: “Nós temos que lutar pela cultura de paz”. É isso mesmo que... A fala do senhor ontem, eu falei justamente... Daqui a pouco, a gente vai virar numa barbárie. Olha os policiais, todo o trabalho que eles fizeram nesses dias e o povo lá agredindo a Brigada Militar em frente à delegacia. Gente, mas isso aí é inadmissível. Obrigado, vereador. (Esgotado o tempo regimental)
VEREADOR RENATO NUNES (PR): Só alguns segundos aqui para concluir a minha fala. Eu queria fazer um pedido porque toda sociedade sabe de toda violência, dos dias difíceis que nós estamos vivendo. Então cuidem dos filhos, cuidem das crianças. Não deixem as crianças desamparadas. Se não tem um pai, tem uma mãe; se não tem uma mãe, tem uma avó; se não tem uma avó, tem uma tia, tem um tio. Mas não podemos deixar uma criança sozinha indo para a escola. Eu deixo aqui essa reflexão, porque criança é criança e precisa de todo... Eu não quero culpar aqui a família, mas a falha é de todos nós, inclusive minha também, me faço essa culpa, mas a família tem sim toda responsabilidade sobre uma criança. Era isso. Muito obrigado.