VEREADOR RENATO OLIVEIRA (PCdoB): Presidente, primeiro, quero lembrar o seu gesto solicitando um minuto de silêncio aqui na Casa no caso  Naiara e acho que nós também temos que pedir um voto de pesar coletivo em nome da Casa, porque é um caso que para nós muito triste e que está ocorrendo em nossa cidade. Também espero que ali do outro lado onde os poderes constituídos em nossa cidade se não foi mostrado um luto com os empresários, pode mostrar um luto para a  Naiara. Dá para dizer que estamos de luto em nossa cidade. Então estamos pedindo um voto de pesar coletivo e também que o Executivo erga o mastro e mostre o luto nesta cidade. Acho que é um momento de luto da nossa cidade. Se a família Belini, a família Marcopolo, Randon não foi dado esse gesto,  Naiara mostre esse gesto, espero que o Executivo... Não vi nada a respeito disso, de repente está erguido, está em meio mastro a nossa bandeira ali no município, mas espero que esteja, porque não deixa de ser um dia muito triste para a nossa cidade o fato de uma pessoa, uma menina de sete anos da forma que foi brutalmente morta. Então presidente era isso, quero... Agradeço.
Parla Vox Taquigrafia
VEREADOR GUSTAVO TOIGO (PDT): Bom dia, senhor presidente, Alberto Meneguzzi, senhoras vereadoras, senhores vereadores. Em primeiro lugar, cumprimentar o gesto da Mesa Diretora em proceder a um minuto de silêncio, neste momento de muita dor na sociedade caxiense. Foi um crime bárbaro que, realmente, comoveu toda a sociedade. E que, agora, nós estamos aí a prestar essa solidariedade, esse conforto ao sofrimento da família da Naiara, criança inocente que se dirigia à escola e teve abreviada muito cedo, através de um crime bárbaro a sua vida. Então eu queria também, senhor presidente, enaltecer sobremaneira o trabalho das nossas polícias, tanto da Polícia Civil como da Brigada Militar, que mobilizaram centenas e centenas de policiais em torno da busca do paradeiro da Naiara. Mas também para descobrir o fato, a autoria e a materialidade desse crime. E que bom que conseguimos chegar a bom termo, um final trágico infelizmente, mas enaltecer o trabalho das Polícias Civis nesse crime bárbaro, brutal, enfim, ocorrido um rapto, violentaram a menina e, por fim, assassinaram. Então é muito triste, mas nós precisamos reconhecer o trabalho rápido e eficiente das nossas polícias. Foram muitas informações que chegaram às nossas delegacias, grande parte delas foram checadas e não deram em nada. Mas a polícia fez um trabalho muito técnico, um trabalho de inteligência policial e chegando ao autor dos fatos. Então eu entendo que a nossa polícia cumpriu a sua missão constitucional e institucional. Esperemos agora, e já havíamos feito essa manifestação nesta Casa de que era preciso uma investigação modelar da polícia e isso foi feito. Então agora a gente espera que ocorra uma perícia também eficiente, a perícia técnica do crime, para embasar um bom inquérito policial que dê base ao Ministério Público fazer uma denúncia também muito contundente para que a condenação desse rapaz seja exemplar. Não merece as palavras desse vereador. Temos que confortar neste momento a família e também quem descobriu o crime. Então o vereador Renato Oliveira foi muito feliz, eu entendo, presidente, que o voto coletivo de pesar pela morte da Naiara é procedente, como precisamos também, na minha opinião, proceder um voto de louvor conjunto ao trabalho da Polícia Civil e da Brigada Militar neste momento. Extremamente importante. E os Bombeiros também. Vereadora Paula, seu aparte.
VEREADORA PAULA IORIS (PSDB): De fato, vereador Toigo, a gente precisa fazer esse voto de congratulações à polícia, porque, neste momento, é o trabalho da polícia que traz a última esperança que é descobrir o que aconteceu. E isso não tem preço. Então eles merecem, sim, o nosso reconhecimento, o nosso trabalho, e a gente sabe que eles são seres humanos. Ontem... Eu escutei hoje, de manhã, na rádio, o capitão Turra sendo enfrentado pela população, porque eles tinham que fazer a escolta da transferência do preso. E eles cobravam dele: “Se fosse a tua filha?” Eles são seres humanos também e fizeram o seu trabalho de forma brilhante. E a gente não precisa ver filme, não é, filme de Hollywood, ver uma pessoa, trabalhador cometendo esse tipo de crime. Então a gente está muito frágil. De fato, as nossas leis precisam endurecer muito para esse tipo de caso. Obrigada, vereador.
VEREADOR GUSTAVO TOIGO (PDT): Vereador Bandeira.
VEREADOR ARLINDO BANDEIRA (PP): Vereador Toigo, muito obrigado pelo aparte. Infelizmente, por causa das nossas leis brandas, muito fracas, acontece isso. Temos que endurecer, sim, essas leis para que isso não aconteça mais em nossa cidade. Acredito que cada um de nós, vereadores, a população caxiense se empenhou, fez a sua parte na colaboração também. A gente agradece à própria polícia, que se empenhou. E nós aqui da bancada Progressista, e o vereador Bandeira, também queremos nos associar juntos, muito triste nesse dia, e queremos pedir que Deus console essa família, porque acredito que não é fácil, sei que não é fácil e dói em nós também. Senhor presidente, dói em nós também. Cada um de nós tem um sentimento profundo que isso possa acontecer na nossa cidade de Caxias do Sul. Então, que Deus console os familiares e amigos. Obrigado, vereador Toigo.
VEREADOR GUSTAVO TOIGO (PDT): Finalizo, presidente, deixando a solidariedade da nossa bancada aqui a todos os familiares, aos amigos, enfim, aos colegas da Naiara e também a toda população que se envolveu e ajudou nas buscas também. Naiara presente!
Parla Vox Taquigrafia
VEREADORA GLADIS FRIZZO (PMDB): Senhor presidente, senhoras e senhores vereadores. Eu gostaria aqui de relatar que, ontem, representei a Câmara de Vereadores na CIC no encontro de mulheres empreendedoras. Receberam o troféu as mulheres: Ermelinda Giacomin Dedavid, troféu pela indústria, reconhecimento pela indústria; pelo comércio, Rosane Bender Demari; serviços, Maria Buffon Martins; cultura e educação, Beatriz Balen Suzin. Dizer aqui aos nobres pares que foi um presente que ganhei da Câmara ouvir o relato dessas mulheres, ouvir a luta para essas mulheres poderem provar que eram capazes e venceram. A história de cada uma é emocionante e incentivadora. Agradeço mais uma vez, senhor presidente, por ter me concedido estar lá presente nesse evento. Dizer aqui então que a menina Naiara foi cortada talvez desse privilégio. Mais uma mulher que foi assassinada. Mais uma mulher vítima, vítima desta sociedade doente; como dizia hoje de manhã o vereador Frizzo: “É uma sociedade doente.” Uma noite de alegria, um dia de tristeza envolvendo as mulheres. Nesse encontro, a senhora Beatriz Balen contou duas histórias e uma delas é a que uma pintora famosa não podia pintar... Ela pintava os seus quadros, mas quem os assinava era o seu marido, porque a mulher não podia, não era bem aceita, e os quadros não iam ter valor se ela assinasse os quadros. Então, eu quero dizer que o assassinato da Naiara não é muito diferente. Eu quero dizer que o que aconteceu com a Naiara acontece muitas vezes num dia em todo nosso país. Dizer que o que aconteceu com a Naiara, nós também somos responsáveis, senhor presidente, e eu estou muito entristecida, eu sei que Caxias do Sul está entristecida, porém, como nós vamos agir no dia de amanhã? Hoje nós estamos tristes, mas amanhã nós vamos fazer alguma coisa? Então era isso, senhor presidente.
Parla Vox Taquigrafia
VEREADOR EDSON DA ROSA (PMDB): Senhor presidente, obrigado por ceder mais um minutinho já que regimentalmente o prazo expirou. Falar também em nome da bancada do PMDB, o vereador Felipe me pediu; a vereadora Gladis já falou e o vereador Périco também. Quem é pai... E quando foi botado ali no vídeo a foto da menina, vereadora Denise, V. Exa. que é mãe recentemente, isso acaba com a gente. Isso acaba. Não tem palavra para a gente dizer. Eu fico emocionado, porque eu tenho três meninas. Mas dizer o quê? O assassino é um doente mental da nossa sociedade que está assim. A relativização da vida, que eu falei ontem, banalização. E o que a gente quer é uma sociedade mais justa. Dizer que, como diz o padre Nivaldo, uma pessoa morre e é esquecida quando o último que a conheceu, o último que a conheceu ou ouviu falar dela morreu, portanto, essa menina está perenizada na nossa sociedade, vereadora Paula. Ela está perenizada. Mas tem que servir para que nós tenhamos uma ação diferente. O maior problema disso tudo, e nesse momento eu acho que muitas bobagens se disse, muitas bobagens se diz, não ajudam, só atrapalham. As coisas que as pessoas falam sem o menor conhecimento. No mínimo, a morte dessa menina, tem que servir para isso. Nós não aprendemos com a Ana Clara, vereador-presidente. Nós não aprendemos. Então a Câmara é hoje o sentimento, tenho certeza, aqui da sociedade. Mas o que nós queremos mesmo é que não sejam abreviadas vidas como a dessa menina foi. Papai do Céu está aguardando ela lá, porque aqui para nós ela está sumindo. É como um barco quando ele está no mar, em alto mar, ele vai indo. Assim, vai indo, vai indo... Ele sumiu. Mas lá do outro lado, tenho certeza que Deus está recebendo e está dizendo: “A Naiara chegou!”. Então, presidente, que este momento de tristeza, de comoção, sirva para todos nós tentarmos tornar uma sociedade mais justa e pararmos com bobagens. Então desculpa o sentimentalismo, mas não dá para ter outro sentimento que não seja esse de profunda tristeza. Obrigado, senhor presidente.
Parla Vox Taquigrafia
VEREADORA DENISE PESSÔA (PT): Senhor presidente, senhoras vereadoras e senhores vereadores. Também quero dizer que, para mim, é um dia muito triste. Acho que para a Câmara, para a cidade, para o Poder Público. Entendo que, como representante, não só dos Direitos Humanos, mas de uma sociedade, a gente precisa fazer autorreflexão de onde a gente falhou, porque a Naiara não desapareceu no dia 9, ela já vinha desaparecendo há muito tempo, quando vários dos seus direitos não eram garantidos e, na verdade, agora que ela apareceu. Agora que apareceu essa realidade que foi revelada, e é muito triste o que a gente viu, o que a gente ficou sabendo. Eu ouvia, hoje, o delegado dando entrevista na Rádio Gaúcha e ele dizia... Muitas pessoas começaram a tentar buscar culpados. E aí diziam “por que ele não estava preso se ele tinha, se ele era suspeito de um outro estupro”. E eu ouvi o delegado dizendo que essa pessoa era um trabalhador da Marcopolo, tinha uma família, era uma pessoa, teoricamente, como as pessoas gostam de classificar: um cidadão de bem. Um cidadão de bem como qualquer outro cidadão de bem. E, na verdade, quando ele estuprou a outra menina, nunca chegaram nele, nunca chegaram. Tinham características, mas não tinham mais informações. E, quando a polícia começou a investigar e começou a buscar, viu o Pálio, buscou placa, melhorar imagens e foi atrás, e foi classificando todos os Pálios de Caxias, viu que chegou até esse carro, chegou à moradia. E aí viu, por situações similares, buscou essa outra menina, levou o perfil, levou a imagem dessa pessoa, e aí a menina reconheceu que era. Então não tinha a ligação entre essa pessoa e aquela situação. E esse cara estuprou aquela menina na casa dele, na cama dele, então... A mulher dele não sabia disso, obviamente. E aí as pessoas começam a julgar a mulher dele, as pessoas julgam a mãe, a mãe da Naiara, a tia da Naiara, que criava. As pessoas, inclusive, nesta madrugada, incendiaram a casa onde esse casal, esse réu confesso morava, que, na verdade, não era a casa dele, ele pagava aluguel. Então a casa é de outra pessoa. Tinham casas próximas, de madeira, que poderiam, inclusive, ser incendiadas. Então isso é lamentável, o grau da violência que a gente está vivendo. Acho que muita gente não conseguiu dormir essa noite pensando no que aconteceu. Eu sofri também. Estive acompanhando pela Comissão de Direitos Humanos, embora os fascistas não queiram escutar isso. A Comissão de Direitos Humanos acompanhou a família, estive na praça, a gente recebeu aqui a família, conheço os irmãos dela, são crianças. E aí a gente receber áudios de pessoas, serem distribuídos por aí, dizendo que a gente estava na delegacia antes dessa pessoa chegar na delegacia, que a gente estava lá para garantir os direitos dessa pessoa. Isso é uma vergonha, uma vergonha do ser humano, sabe. A gente pensa que não é só o poder público que fracassou. O ser humano fracassou. A gente tem uma desilusão com as pessoas que não tem... É inadmissível, sabe, utilizar a dor, utilizar um fato como esse para atacar pessoas que estão ajudando, atacar a tia que foi a única pessoa que resolveu acolher essas crianças. Isso é um desrespeito tamanho. Então as pessoas têm que parar de apontar o dedo para as outras e também tomar a sua responsabilidade. O que a gente faz? Não é só levar bombom na Páscoa ou levar presente no Natal. O que a gente faz para transformar a nossa realidade? A gente não pode, simplesmente, fingir que nada existe. E não vou ser leviana aqui de ficar jogando a culpa para a prefeitura, para isso ou para aquilo, por que, nesse momento, eu acho que a nossa... A gente precisa, sim, assumir a nossa responsabilidade, a nossa responsabilidade como ser humano. A gente precisa ter a capacidade de amar as pessoas, amar aquela família, amar a Naiara e, por amor a ela e a família, respeitar esse momento de dor. Porque o que a gente viu e o que a gente está vendo é o fim, é o fim. As pessoas não têm mais limite. Não se combate violência com violência. Não se resolve problema de violência com mais violência. Isso não tem como admitir. Eu sou mãe, sei que várias pessoas aqui são pais, são mães, a gente com a... Chegou em casa e a gente pôde abraçar os nossos filhos e a gente sabe a dor de quem não conseguiu fazer isso, de quem não vai conseguir nem enterrar o seu filho. Então é muito triste. Então eu quero aqui registrar isso, para os Anais da Câmara, a gente tenha esse fato como algo que a gente possa aprender e superar. Acho que não se aproveita da uma morte de uma pessoa para fomentar mais discurso de ódio. A gente precisa trabalhar para construir uma cultura de paz, que essa cidade, que a comunidade consiga cuidar um do outro, que a gente se importe com as pessoas, que a gente consiga se importar com aquela criança que não podia ir para a escola ou que a gente consiga se importar com aquela criança que caminhava muito tempo para ir para a escola ou que a gente consiga se importar que alguém parou o carro e pegou uma criança, que a gente consiga olhar e cuidar um do outro, porque as crianças precisam que a gente cuide delas. E a gente se acostumou a uma cultura de violação de direitos humanos das crianças. As crianças sofrem e são violadas nos seus direitos diariamente, diariamente. Essa situação foi uma ponta do iceberg. Então, mais uma vez, quero deixar aqui o repúdio a todo esse discurso de ódio que está sendo gerado, num momento que se deve respeitar a dor, respeitar a dor dessa família, respeitar tudo que essa menina viveu, que, com toda situação, com todas as dificuldades, ela sempre foi uma pessoa amável, uma pessoa querida, que queria construir sempre alegria no seu entorno. Então que a gente, pelo menos, nesse momento, tenha um pouco de vergonha. Se não tem consciência, que tenha vergonha de fazer o que está sendo feito, porque é humanidade, humanidade. Porque o que a gente está vendo é... A gente está beirando o estado de barbárie e assim a gente não vai mudar nada. A gente não vai mudar nada. Quero agradecer a vereadora Paula, eu imagino, não sei, a dor que a senhora sentiu, que a senhora deve ter revivido. A senhora me ligou e disse que estava falando com algumas pessoas, esclarecendo algumas dúvidas quanto a tomar sua posição aqui na Câmara. Quero agradecer aos demais vereadores também que foram também solidários. O vereador Beltrão, que também nos avisou e nos contatou. Então a Comissão de Direitos Humanos ela está defendendo e acompanhando a situação da família. E agora acho que a gente precisa ter união para superar isso e não se aproveitar, não se aproveitar porque isso é assassinar duas vezes uma pessoa. A gente não pode fazer isso. Era isso que eu tinha a dizer.
Parla Vox Taquigrafia
VEREADOR FLAVIO CASSINA (PTB): Meus colegas vereadores, hoje é difícil tratar de outro assunto que não seja esse. Tínhamos aqui alguns assuntos de ordem econômica, pensando no progresso da nossa cidade, mas em razão desses acontecimentos a gente fica até um pouco travado. Se ouve aí fora coisas impressionantes a respeito desse monstro, uns pedem pena de morte, outros pedem prisão perpétua. A questão é que a nossa sociedade está doente, muito doente. E o que nós vamos fazer, nós aqui no nosso pequeno mundo? Pouca coisa. Temos legislações não as mais ideais. Outro dia eu falei aqui que a única pessoa que eu conheci que ficou preso 30 anos foi o bandido da luz vermelha, que a maioria não conhece, não sabe quem foi. Cumpriu 30 anos de pena. Hoje existe uma coisa chamada progressão da pena. O indivíduo por pior que seja fica preso meia dúzia de anos e depois está aí progressão da pena. Então as nossas leis são brandas. Não estou defendendo pena de morte, nem prisão perpétua, mas também o atual status quo vigente não é o ideal, nem um pouquinho o ideal. Então apenas solidariedade. Então a nossa solidariedade a essa família que já vinha tendo problemas de desestruturação em função da morte do pai e a mãe não sei o quê. Uma coisa que escapa do nosso controle. Então realmente nós temos que ficar chocados com esses acontecimentos. Reincidência desse cidadão. Tem cura um elemento desses? Vereador Adiló.
VEREADOR ADILÓ DIDOMENICO (PTB): Obrigado, vereador Cassina. Realmente acho que cabe neste momento aquilo que é a presidência da Casa fazer hoje. É um minuto de silêncio em respeito e em memória, porque tudo aquilo que a gente tentar falar ou fazer consideração, nós corremos o risco de cair pelo lado da emoção e às vezes ser mal compreendido. Eu quero dizer para a vereadora Denise que V. Exa. me representou. Eu estou muito orgulhoso de V. Exa. estar ocupando a Comissão dos Direitos Humanos. V. Exa. que é mãe, que tem o coração com a sensibilidade, como tem a vereadora Gladis, a vereadora Paula. Para a gente que é pai, que é avô de uma menina, essa hora é muito triste, é muito triste. E eu faço uma reflexão em cima da página 6 e 7 do Pioneiro, do Fabrício Carpinejar, nesse texto aí, ele espelha bem o que esse fato representa para nós daqui para frente. Mas por outro lado também nós precisamos avançar como sociedade, como Poder Público na questão do monitoramento eletrônico da nossa cidade urgentemente. Porque foi ali que ajudou, inclusive, esse belo trabalho da polícia a quem o vereador Toigo já teceu as considerações justas e que nós, como vereadores, temos que reconhecer. E, ao mesmo tempo, cobrar da sociedade como um todo, porque nós estamos sendo extremamente tolerantes com o descuido com as nossas crianças e nossos jovens. Falávamos no Carnaval isso. Nós temos o exemplo aqui da Os Dezoito do Forte com a Coronel Flores, onde, nas sextas e sábados, à noite, ali, meninas, meninos de 10, 12 anos bebendo e se drogando, e a sociedade parece: “Ah, não é com os meus, eu não me importo.” Nós temos que nos importar. E temos que cobrar do Juizado da Infância e da Juventude, do Ministério Público, de todos os segmentos de autoridade que tem responsabilidade, mas nós também enquanto pais, enquanto mães saber onde estão nossas crianças, onde estão nossos jovens. Eles estão aí. Então, esse triste episódio, que corta o coração de todos nós, que nos leve à reflexão. E desse monstro que cometeu esse crime, muito mais do que nutrir o ódio para ele, nós temos que nutrir a compaixão. Porque a justiça dos homens, ela pode ser falha, e quem viu ontem a suprema corte, o fiasco que está apresentando do Brasil, não dá para esperar muito das nossas leis. Mas a justiça divina não falha. Então, coitado desse monstro que fez isso com a Naiara. Obrigado pelo aparte, vereador Cassina.
VEREADOR FLAVIO CASSINA (PTB): Correta a sua observação. Aproveito o ensejo também para salientar o trabalho da Comissão de Direitos Humanos, a vereadora Denise e os demais componentes que se preocupam diuturnamente com essas questões. E a vereadora Paula, também me coloco em seu lugar, que deve ter assistido a um filme de horror que não terminava mais. É isso por hoje, meus colegas.
Parla Vox Taquigrafia
VEREADOR KIKO GIRARDI (PSD): Senhor presidente, depois que a vereadora Denise falou, e todos nós estávamos sem dormir essa noite. Depois do que ela falou não tem quem não se segurou para não chorar. Mas este caso, infelizmente, uma medida tem que ter endereço não é. E ele era meu vizinho, quatro, cinco quadras da minha casa. Não conhecia ele pessoalmente, mas quando vi as fotos, já localizei. Liguei para meus vizinhos que são meus amigos. O proprietário daquela casa que têm bandidos também querendo incendiar a casa, essa noite eram os Bombeiros passando na frente a minha casa, todo aquele barulho, esse senhor, esse meu amigo está hospitalizado, está com problema de saúde faz tempo, é a segunda ou terceira vez, que culpa ele tem? Que culpa ele tem desse caso? Os vizinhos que se davam com ele. Hoje, pergunta para o colega de trabalho dele, hoje, se ele soubesse se ele não tinha feito alguma bobagem com esse cara. O colega dele que trabalha, desde 2013, junto com ele. Que trabalhava junto com ele, se ele não executava esse cara? Esse cara planejou, desceu lá do Serrano, veio 15 quilômetros, ele planejou. Ele planejou antes de sair. Aí tem gente que fala que não tem que existir pena de morte. Mas vamos se enxergar, por favor! Acontecendo um caso com uma pessoa dessa que venha, posso falar bobagem, presidente, depois pode até retirar alguma coisa, mas que vá para praça pública... Vai salvar muitas Naiaras, muitas mulheres que são abusadas sexualmente. Acontecendo um caso desses, Deus que me perdoe, matando um nojento desses, muita gente não vai fazer, vai salvar muita gente, vai salvar muitas crianças, muitas mulheres. “É falha a Justiça, vai morrer muita gente injustamente.” Mas continuam morrendo pessoas injustamente, porque sabem, os bandidos sabem que não vai ter Justiça, não vai ter nada contra eles. Nós temos que repensar. Eu sei que pode ser a maior bobagem, mas eu tenho duas filhas, tem um neto e graças a Deus a condição que a gente tem um pouquinho mais da para pagar uma van para pegar o neto da gente na porta da casa e entregar na porta da casa, e quando está chegando a gente vai abrir a porta ainda, as minhas filhas. Ontem, nos colégios aos arredores, os pais todos foram buscar os alunos, porque às vezes o bandido está do teu lado. Todos lá na região foram buscar os filhos, como se resolvesse alguma coisa, porque não vai poder fazer todo dia, ele não vai poder fazer todo dia. Às vezes, a gente comenta que as leis do Brasil são frouxas, se colocar mais rigor vai morrer inocente, mas inocente está morrendo toda hora, meu Deus do céu; e bandido é que não morre. O bandido vai lá para ser sustentado por nós ainda. Então, nós temos que repensar a pena de morte. É uma palavra tão forte, mas não tem como falar outra coisa. E aí tem gente que atacou a vereadora Denise, ontem, eu assisti o vídeo dela, postou a foto de um outro pai de família. Isso é crime também. Não precisa ninguém denunciar. A própria polícia deveria descobrir quem postou a foto do outro rapaz que morava também ali no Serrano e está morando já em outro estado, que ligaram de lá apavorados que ele não saia mais de dentro de casa. Lá em outro estado. Postam uma foto de qualquer um de nós sem tu saber. Tu sai na rua... Outro caso que aconteceu, não lembro em qual outra cidade do país, aquela senhora que foi linchada em praça pública, que os vizinhos arrastavam na rua e matavam, foram saber depois... Alguém foi preso? Eu não sei. É de outro município, a gente não acompanha. Alguém foi preso naquela situação? Alguém respondeu? Vítima da sociedade, não. Não! Não é vítima da sociedade, a sociedade tem muita gente boa. Não é vítima não. São pessoas que não merecem estar no meio de nós. São pessoas que não são vítimas da sociedade. Eu não tenho culpa de ter bandido, eu não incentivo eles a serem bandidos. Então não venha dizer que eu também... Que é vítima da sociedade. Então, minha gente, fica complicado, fica triste, ficar nojento, fica revoltante. Nós do Bairro Serrano somos um povo igual a todo o caxiense: ordeiros, amigos, amigo até desse bandido sem saber o que ele fazia. Frequentava, há quase 4 anos uma empresa, uma grande empresa, trabalhador, ninguém desconfiava, mas tem essas atitudes. Como é que a gente vai confiar no ser humano? Por isso que hoje a gente se recolhe. Por isso que nós somos individualistas. Por isso que nós enxergamos as pessoas caídas e não damos atenção, porque nós temos medo, nós não sabemos se aquela pessoa está precisando, se ela está caída porque ela está precisando ou se é porque ela vai nos atacar. Aí a sociedade continua pagando o pato. Continuamos pagando o pato. Nós, moradores do Serrano, estamos revoltados com a situação. Somos pessoas iguais a todo caxiense: de bem. Quando a gente sair na rua, vai ficar aquela: “Tu mora aonde?” “No Bairro Serrano.” “Lá onde morava o assassino.” Vai ficar uma marca para nós também. Vai ficar uma marca para nós moradores do Serrano. Eu tomo a liberdade de repetir várias vezes que nós, moradores do Serrano, estamos tristes, revoltados, sem saber, desnorteados, sem saber o que falar. Tenho certeza de que hoje, em todos os lugares, é o que se fala. A noite toda... Os vizinhos ontem estavam preocupados, daquela casa, eu fui lá perto, os vizinhos preocupados com o que poderia acontecer. Ninguém dormiu. Então eu peço, não sei se a polícia estava lá, que acompanhe uns dias, que monitore aquela casa, que acompanhe para ninguém fazer algum ato criminoso que vá prejudicar outras famílias ainda. O bandido? O bandido não são os vizinhos, não é a mulher dele, como a vereadora Denise falou, não é quem estava criando, quem estava criando. Entendeu? Eles estavam com outras... Eles têm outros filhos, tinham três. Nós temos que repensar, nós aqui vereadores, o Poder Executivo, todo mundo junto, essa questão das vagas, a escolha das vagas. Eu falei outro dia: tem que estudar próximo. Semana que vem, a gente tem uma reunião na Secretaria da Educação, e eu vou falar outros assuntos das escolas, dos nossos colégios. Que nós temos como colocar, pelo menos no Bairro Serrano, onde moro, como colocar os alunos a estudarem ao lado da sua casa. Nós temos um colégio com cinco salas ociosas novas que não estão sendo ocupadas – não sei por quê. Mas eu vou trazer ainda aqui os documentos comprovando que, por mais que seja um colégio estadual, ele disponibiliza, faz muito tempo, não só dessa administração, das administrações passadas, disponibiliza ao município ocupar aquelas salas de aula, e não é. Então vou trazer ainda todos os dados. Tem o professor Paulo Périco que, além de ser presidente da Comissão de Educação, da qual eu faço parte, converso todos os dias com ele sobre esses assuntos das escolas, porque ele também foi, trabalhou na 4ª CRE, comandou, sabe da realidade. Então, minha gente, fica aqui... A gente fala em pena de morte. Não tem outra saída. O que aconteceu com a Naiara? Pena de morte sem ter cometido nada. E para o bandido não pode ter pena de morte? Fique cara a cara, tu que é contra a pena de morte, fique cara a cara com um bandido desses e tome um cafezinho com ele. Eu quero assistir se tu não vai reagir, se tu não vai reagir. Vai querer dar conselho para ele? Pode me criticar nas redes sociais. Mas venha junto comigo, vamos na frente desse bandido e tu aconselhe ele a não fazer mais isso. Eu quero ver se tu vai fazer isso ou se tu vai reagir também. Obrigado, senhor presidente.
Parla Vox Taquigrafia
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Colegas vereadores; aos pais que nos assistem em casa pelo canal 16, TV Câmara; aos pais deste plenário. Acho que hoje, aqui somente eu, o vereador Daneluz, o vereador Renato Nunes e o Alberto não somos pais, mas a gente sente. Eu, esta madrugada, vereadora Denise, quando eu acordei para ler o jornal Pioneiro, eu estava lendo e pensando que a senhora realmente tinha ido lá porque a gente recebeu tantas mensagens de noite, na madrugada, que confunde a cabeça. E eu comecei a pensar: poxa vida, porque... E a gente sabe a luta da senhora, a gente sabe a luta da Câmara de Vereadores em defesa da vida. Ontem, o vereador Renato Nunes se manifestou aqui desta tribuna falando justamente isso. Mas, gente, uma manifestação, as pessoas pegando e dando de chicote no outro. Olha a barbárie que nós estamos vivendo. Vereadora Paula, eu estava falando com a senhora, eu me emocionei hoje de manhã falando com a senhora. O filme que passou na sua cabeça. Porque não foi diferente o que aconteceu com a senhora. Aquela menina foi vítima da própria inocência, de aceitar um presente. O seu filho a mesma coisa. Acreditou em um amigo da família, um funcionário, abriu a porta e disse: “Entra!”. Não foi diferente. Isso todos nós estamos... Na nossa família. Ano passado, eu fiz uma audiência, a Câmara de Vereadores promoveu uma audiência, no dia 30 de maio de 2017, e alguns dados foram levantados pela rede Recria, que é a Rede de Proteção da Criança. Talvez muitos de nós, a não ser a Comissão de Direitos Humanos, a Comissão de Educação, nós não conhecemos essa rede de proteção que atua diretamente na base da proteção da rede da criança e do adolescente. Os dados que foram levantados, naquela oportunidade: em 2015, houve 339 casos; e em 2016, foram oficializados 376 casos, vereador Kiko, de crianças e adolescentes vítimas de abuso e de exploração sexual. E não é no Rio Grande do Sul, é aqui em Caxias do Sul. 376 crianças foram vítimas de abuso e exploração sexual no Município de Caxias do Sul no ano de 2016. E, vereador Felipe, o que se sabe. E aqui nós temos que fazer a nossa culpa, vereadora Denise. Nós temos que culpar o presidente da República porque congelou os gastos em saúde, em educação? Temos! Temos que culpar o governador porque não dá estrutura efetiva para a nossa Brigada, para a nossa segurança pública, não tem escola de turno integral? Temos. Temos que culpar o prefeito por que não garante maior infraestrutura, novos conselheiros tutelares, não dá equipamento para a Guarda Municipal, câmeras de segurança? Temos. Mas e a nossa culpa, vereador Felipe Gremelmaier, a nossa culpa enquanto cidadão. Porque isso acontece do lado da nossa casa e a gente não denúncia: “Não, eu não vou denunciar, não vou me indispor com o meu vizinho”. Talvez, vereador Kiko, alguns dos seus vizinhos sabiam desse cidadão. Talvez, muitos colegas de empresa sabiam: “Mas eu não vou me envolver”. Vereador-presidente, parabéns pela postura da Mesa Diretora em fazer esse um minuto de silêncio. Para nós, esse um minuto de silêncio, nós ficamos inquietos nesse um minuto porque parece não passar, mas quantas crianças sofrem em silêncio diariamente? Quantas Naiaras sofrem diariamente nas nossas escolas? Porque a gente sabe que muitas professoras são coniventes com isso porque tem medo de represarias por parte dos familiares, de que não denúncia. Brasil é o país que mais mata o público LGBT no mundo. Eu passei um vídeo de uma transexual lá em Fortaleza que foi vítima de um massacre. Daí a gente se choca, compartilha aqueles vídeos, mas no outro dia acontece outra. Aqui, em Caxias do Sul, morre quase que mensalmente moradores de rua, mas para nós é normal, para nós é normal isso. Cerca de 70% dessas ocorrências, colegas vereadores, que eu citei, ocorrem dentro do lar da vítima, sendo que 8,7% do abusador é o pai ou padrasto. Vereador Toigo, o senhor que foi, ainda é, da Polícia Civil, sabe muito bem esses dados e estatísticas e que, muitas vezes, os familiares são coniventes. A mãe sabe que o estuprador é o padrasto, mas, às vezes, prefere dizer: “Filha, vai morar na rua, vai morar com um amigo que eu quer ficar...”. Muitas vezes essas crianças sofrem em silêncio porque a única fonte de renda, de sustento de família é desse estuprador que leva o alimento para a sua família e a mãe força a criança a ficar em silêncio. E volto a dizer, o vizinho sabe, a professor sabe, as instituições, a igreja sabe, mas não faz nada por que a gente prefere ficar em silêncio e culpar, muitas dessas vezes, a criança, culpar a vítima, e é de lamentar essa situação. Porque eu me coloco no lugar de cada um de vocês, vereadores e vereadoras, que são pais e são mães. E aqui a pessoa que tem legitimidade de falar isso é a vereadora colega Paula Ioris. Indiferente da classe social, colegas vereadores, nós temos que denunciar esses casos. É inadmissível que Caxias do Sul ainda, que é uma melhores cidades para se viver no estado e no país, esteja nas manchetes dos nossos jornais. Por isso qualquer caso de abuso, de exploração sexual, de negligência por parte da família e da sociedade é simples, é só nós discarmos o número 100, é um número gratuito, sigiloso. Discar o número 100. Daí, colegas vereadores, a gente lê no jornal Pioneiro de hoje que todas as pessoas que fizeram algum tipo de denúncia, para tentar ajudar a Polícia Civil, eram errôneas as informações. Olha o quanto de... Nesse meio tempo, quantas pessoas poderiam ser estupradas desse cidadão? A perda de tempo e de dinheiro público? Os trotes para a nossa Brigada Militar, para os nossos bombeiros, para a nossa Guarda Municipal? E a gente perde tempo e muitas vítimas são mortas, muitas vítimas são abusadas, são estupradas por negligência de todos nós, presidente. Então, esse minuto de silêncio, eu posso lhe dizer que, para nós, talvez, passa rápido, a gente fica meio inquieto, mas quantas vítimas estão sendo abusadas nesse exato momento?
VEREADOR GUSTAVO TOIGO (PDT): Permite um aparte, vereador Rafael?
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Seu aparte, vereador Toigo.
VEREADOR GUSTAVO TOIGO (PDT): Vereador Rafael, quando acontece um crime grave desses e uma criança padece atribuir culpas é muito complicado, porque, no meu entendimento, toda a sociedade falhou. O Estado falhou, o poder público de todas as esferas falhou. Eu entendo que as entidades falharam. A família falhou. A igreja falhou. A escola falhou, mas uma coisa que não pode falhar justamente é o compromisso que nós devemos ter com as crianças e os adolescentes. Isso é uma coisa que não pode falhar. E já falava o vereador Edson, nós não aprendemos nada com a morte há 3 anos o assassinato brutal também da Ana Clara Adami. E que resultou aqui em um projeto de lei que hoje é uma lei que fala disso. Nós precisamos cultivar, cultuar a paz em Caxias do Sul. Então, vereador Rafael Bueno, a sua exposição é tranquila, é boa. Com relação a fala do vereador Kiko eu discordo, em parte, vereador Kiko, porque acho que o Estado não pode responder a uma violência com mais violência. O que nós temos que ter sim é uma punição exemplar, uma condenação de acordo com aquilo que foi cometido. Isso o Estado precisa ser eficiente. Mas mais do que tudo, vereador Rafael, nós precisamos justamente dar atenção, carinho, afeto, cuidados com as nossas crianças, que estão no dia a dia andando pelas estradas de Caxias rumo à catequese, as escolas, aos seus parentes. Nós precisamos estar realmente muito atentos ao que está acontecendo no nosso município. Então entendo sim que a polícia fez um trabalho, deve concluir esse trabalho e logo, logo, precisa levar isso para que a justiça seja feita. Parabéns, muito obrigado.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Obrigado, vereador. Uma vida que foi perdida por um estuprador, um criminoso. Uma criança, um anjo, que estava indo ao encontro talvez do melhor lugar que a sociedade podia lhe proporcionar que era a escola e não... (Esgotado o tempo regimental.) E um minuto de silêncio, senhor presidente, que nós fizemos aqui, volto a dizer, que seja um minuto para reflexão, mas que nós possamos não somente... Por que as pessoas nas redes sociais, cadê vocês, vereadores, deputados, senadores? O que estão fazendo? Mas todos nós, a sociedade, temos que fazer barulho para não permitir que nós aqui façamos outros minutos de silêncio. É o barulho que nós temos que fazer não somente nas redes, mas nas ruas e barulho diário. Nós não podemos dizer que a Naiara foi a última. A Naiara talvez seja mais uma das estatísticas aqui em Caxias e no Brasil. Por isso cada um é cada uma que nos assiste disque 100. Disque 100 para qualquer caso de omissão por parte da família que não denuncia um abuso ou uma violência doméstica para as nossas crianças e adolescentes. Obrigado, presidente.
Parla Vox Taquigrafia
VEREADOR ELÓI FRIZZO (PSB): Senhor presidente, senhoras e senhores vereadores, todos que nos assistem pela TV Câmara, canal 16, nosso bom dia, pessoal que nos assiste pelo Facebook. De fato, nesta manhã não há como não expressarmos aqui a nossa dor, os nossos sentimentos até de revolta, em muitos casos, pelos acontecimentos dos últimos dias envolvendo essa menina. Eu fiz questão de vir à tribuna e acho que fale no meu nome fala, falo em nome do vereador Edi Carlos, falo em nome do vereador Meneguzzi, para expressar a V. Sa., vereadora Denise, a nossa solidariedade. Ontem quando vi seu vídeo. A senhora emocionada explicando e até certo ponto revoltada com a situação que se percebia e que reproduz lamentavelmente uma postura que passou a ser uma coisa natural por esse Brasil, principalmente nas redes sociais. As acusações levianas, as acusações caluniosas. A falta de vergonha na cara de algumas pessoas que se valem às vezes do anonimato ou da impunidade para proceder dessa forma que é tão nojenta – eu diria –, se valendo de uma situação horrível porque as pessoas passam. Então, vereadora Denise, eu já presidi a Comissão de Direitos Humanos como V. Sa., o vereador Beltrão, outros vereadores, o vereador Renato, nesta Casa. Em muitas situações, a gente inclusive fica na defensiva, porque fica numa situação muitas vezes constrangedora, porque a direita fascista deste país e algumas pessoas irresponsáveis cunharam essa frase famosa que direitos humanos é defender bandido não é. É defender bandido. Mas desde quando direitos humanos é defender bandido? Direitos Humanos são duas palavras mais lidas, provavelmente da Língua Portuguesa. Quem de nós não está nesta Casa aqui, exatamente, tendo como princípio fundamental da sua ação a defesa dos direitos humanos? O processo civilizatório pressupõe exatamente isso. O tratamento igual entre as pessoas, o reconhecimento entre as pessoas. Então, nesse sentido, vereadora Denise, a nossa solidariedade a V. Sa. e cumprimentos pela sua coragem, seu depoimento aqui nesta Casa aqui, hoje, foi um dos mais belos que eu já vi nesta Casa, com emoção. E que talvez só pessoas como V. Sa., vereadora Paula, vereadora Gladis, quem é mãe especialmente tem condições de fazer e que sofre vendo como essas situações se repetem, lamentavelmente, e a gente se mostra impotente do ponto de vista de encaminhar soluções. Então, quando a gente vem aqui discutir escola de tempo integral, vereador Adiló, quando a gente vem aqui discutir prioridade para as nossas creches, prioridade para as nossas crianças em nível de educação, nós não estamos fazendo mi-mi-mi aqui; nós estamos cumprindo o nosso papel. Nós não estamos fazendo mi-mi-mi. Então hoje, lamentavelmente, pessoas que, nas redes sociais, compartilham vídeos de pedófilos, que postam nas redes sociais, depois querem incendiar a casa lá do sujeito. São as mesmas pessoas. As mesmas pessoas desqualificadas que, lamentavelmente, muitos já dizem, especialmente quando se possibilitou através dos avanços tecnológicos que as pessoas pudessem se expressar que um bando de idiotas tomou conta das discussões, das manifestações. Eu via nas redes sociais, por exemplo, gente compartilhando WhatsApp de presidiário: “Não, deixa o cara chegar aqui, que aqui nós vamos dar conta dele.” Mas na origem, vereadora Denise, está o equívoco não é. Esse WhatsApp de um presidiário que está lá cumprindo pena não deveria nem ter tido acesso a isso. E nós estamos lá estimulando, como se sentindo nós: “Bah, eu não posso ir lá matar o cara, vereador Kiko, então deixa lá que um presidiário vai matar o cara.” Esse é o senso de justiça que a gente está apregoando para o mundo de uma cultura de paz? Não. Tenho convicção absoluta, vereador Gustavo Toigo, esse sujeito não passa de um doente. E, sendo um doente, tem que ter um tratamento diferenciado. Se a pena de morte é o melhor, vereador Kiko, não sei. Em alguns momentos, a gente fica na dúvida mesmo, não é, o quanto essas pessoas contribuem do ponto de vista do desenvolvimento da humanidade. Mas promover a cultura do ódio é que possibilita que isso aconteça e que muitas Naiaras, muitas Naiaras, e muitos sujeitos como esse, aconteçam esses episódios e essas pessoas saiam impunes. Eu fico muito preocupado, porque eu moro próximo de lugares da nossa cidade onde o crime, o tráfico, por conta da omissão da nossa sociedade como um todo, tomou conta. Aí, quando a gente vê o desespero de mães que não sabem como proteger os seus filhos dessas situações, e que sabem que logo ali adiante estarão numa vala e não serão, não terão a dimensão, por exemplo, da comoção dessa menina Naiara, mas que serão simplesmente enterrados. Serão simplesmente enterrados. Envolvidos com tráfico, 15 anos, 16 anos, 14 anos, 12 anos, 12 anos. Eu mesmo pessoalmente comentei aqui que estou trabalhando em um caso, como advogado, onde o pai e a mãe estão presos, e essa família tem cinco filhos menores, cinco filhos menores. Então, qual o destino dessas crianças? E as próprias dificuldades que Poder Judiciário às vezes impõe do ponto de vista de adoção, de algumas coisas assim, para que essas crianças possam ter uma possibilidade de crescerem enquanto pessoas, crescerem na vida, se educarem, criarem suas famílias. Então, essas questões é que fazem com que a gente, efetivamente, quando acontecem esses episódios, a gente reflita e se coloque numa muitas vezes até postura defensiva, se sentindo impotente do ponto de vista de como se conduzir. Eu acho que a revolta aqui colocada pela vereadora Denise acho que expressa um pouco do meu sentimento, do sentimento de cada um de nós aqui, porque efetivamente a defesa de uma cultura de paz tem que ser uma prioridade, uma prioridade nossa. E não vai ser atacando nas redes sociais, chamando disso ou daquilo, caluniando, é que a gente vai resolver isso. Essas pessoas são tão culpadas quanto esse louco, esse doente que cometeu isso com a menina Naiara. Essas pessoas também têm responsabilidade sobre isso. Nesse sentido, que eu faço esse registro em nome da nossa bancada do PSB, manifestando também a nossa solidariedade à família, aos amigos, a nossa comunidade de Caxias por essa desgraceira que foi esse episódio que aconteceu. Por último, registrar aos colegas vereadores, sem querer fugir do tema, a bela reunião que realizamos ontem na Linha 40 com mais de 200 pessoas discutindo a revisão do nosso Plano Diretor, que nós teremos a obrigação então de repercutir na Casa nas próximas sessões. (Esgotado o tempo regimental.) Era isso, senhor presidente. Muito obrigado.
Parla Vox Taquigrafia
VEREADOR RENATO NUNES (PR): Muito bom dia a todos e a todas. Senhor presidente, Mesa Diretora, senhoras vereadoras e senhores vereadores, pessoas que se fazem presentes aqui no plenário, servidores da Casa, nosso abraço a todos que nos assistem através da TV Câmara, canal 16, ou pela internet. De fato, o assunto hoje não poderia ser outro, porque, realmente, Caxias está de luto. Inclusive fiz questão de vir todo de preto hoje, porque realmente estou de luto. Estou muito triste com essa situação. Como foi dito aqui... Eu não sou pai, mas não faz muito tempo, eu perdi uma pessoa muito especial para mim que eu considerava meu pai, meu filho, meu irmão, meu melhor amigo, que foi o meu pai. Sem palavras para expressar esse sentimento. Como já foi dito aqui, nobres pares, a nossa sociedade está doente. É verdade. Somos reféns de várias formas de violência, da bandidagem, do tráfico, que diariamente têm vitimado, têm ceifado milhares, centenas, milhares de pessoas entre estas jovens, crianças, mulheres. E a mídia, todos os dias, tem mostrado isso. Inclusive, é difícil hoje você ligar a televisão, esses programas que têm, jornalísticos assim, é só tragédia, é só morte, é só desgraça, é só sofrimento. É o que dá mais audiência, porque as pessoas estão com medo, vereador Kiko. Neste ponto, eu concordo com V. Exa. As pessoas ficam apavoradas, as pessoas estão presas dentro da sua própria casa, desarmadas, os bandidos livres, bem armados, se sentindo os poderosos. O Estado não tem o mínimo de condições de garantir a nossa segurança, que é um direito de todos. Nossa polícia sucateada, nossos policiais ganhando um salário baixo, trabalhando com medo, desmotivados e por aí vai. E o pior de tudo... Acho que uma das piores, um dos piores tipos de violência é a corrupção, nobres pares, é a corrupção, porque aqueles que estão lá em cima, aqueles que estão à frente de um povo, de uma nação, que deveriam dar o melhor exemplo, são os piores. Isso gera violência, porque aquele dinheiro que era para ir para a segurança, vai para o bolso de meia dúzia. E a gente vê o estado falido. O maior exemplo disso é lá no Rio de Janeiro, a intervenção militar. Então é bem difícil. Mas, vereador Kiko, eu sei, eu lhe entendo, e nessa hora realmente a gente tem muitas coisas que passam na nossa cabeça, mas pena de morte não! Pena de morte não! Talvez, prisão perpétua sim, talvez sim, talvez seja o caminho. Agora, pena de morte não. Fazer justiça com as próprias mãos, não! Porque aí o que vai me diferenciar dessas criaturas, vereador Kiko? Eu vou me tornar como ele. Eu vou combater o mal com o mal. “Matou? Eu também mato.” Não, não é assim. Desculpa, quem sou para lhe ensinar ou ensinar alguém. Não sou nada. Mas nós temos que combater o mal com o bem. Já lhe concedo, vereador. Nós temos que combater a injustiça fazendo justiça. Eu sei que é difícil, eu sei que cada um aqui tem a sua fé, o seu credo religioso. Eu não estou aqui dando uma de pastor, não quero misturar as coisas. Mas a verdade... A minha fé, eu tenho a fé, eu creio na palavra de Deus, eu creio em Jesus Cristo como meu senhor, meu salvador, meu único e suficiente salvador. E ele ensinou isso aí: “Orai pelos vossos inimigos, por aqueles que vos persegue”. E a palavra de Deus diz o quê? Que o diabo veio para matar, roubar e destruir. São três coisas que... As únicas três coisas que o mal sabe fazer: roubar, matar e destruir. Mas Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância”. Então, o que falta nas pessoas, veja bem, não é religião, porque religião tem milhares, e essa criatura que fez, que cometeu esse crime bárbaro, diz que era até religioso, saiu de um culto não sei onde lá, ou foi levar... Sei lá, eu ouvi dizer. Então, não é religião que falta – isso aí está sobrando – o que falta é Deus no coração das pessoas. Como diz o ditado: Mente fazia oficina do diabo. Quando a pessoa não tem Deus, a casa está fazia e, então, o mal entra e faz essas coisas. Talvez alguém vá dizer: “Ah, eu não acredito nisso”. Bom, eu respeito a sua opinião. Mas como que é que pode uma pessoa dizer que não acredita na existência do mal? Se você acredita em Deus, você tem que acreditar no diabo também por que têm os dois lados: tem a luz e as trevas. Tem o bem e tem o mal. Não pode ter uma coisa só. Existe sim o outro lado. O que leva uma criatura fazer uma coisa dessas? É o diabo dentro dela, essa que é a verdade, um demônio. Não pode ser outra coisa. “Ah, mas é louco, é psicopata, é doente.” Também, pode ser também, mas foi usado, inconscientemente ou conscientemente, porque têm pessoas que sabem que estão sendo usadas e gostam de ser usadas. Então, nobres pares, a gente hoje... Eu creio aqui que Caxias amanheceu muito triste, de luto, realmente. Enfim, saiu nos jornais, no estado todo está repercutindo, no Brasil afora. É lamentável, muito lamentável. Mas eu repito: pena de morte não! Prisão perpetua sim. Já lhe concedo o aparte, vereador, só porque eu fiz aquela fala ontem aqui em prol da democracia, defendendo a democracia, não estava defendendo o Lula, a caravana do Lula, nada, já houve uma avalanche de pessoas me detonando da internet: “Tu deu um tiro no pé, porque tu está errado, por que tu é igual, não sei o quê”. Olha a raiva, o ódio nas pessoas. Enfim. Seu aparte, vereador Rafael.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Vereador Renato, eu volto ao início da sua fala, o senhor foi perfeito, a questão da corrupção. Esse dinheiro, vereador, está sendo agora gasto, porque está sendo jogado no lixo lá no Rio de Janeiro, poderia ser investido, como o vereador Frizzo, em escola de turno integral, na saúde, em esporte e lazer para aquelas crianças. Então esse dinheiro da corrupção e tem que ser culpado, sim, esse povo lá de cima, agora nós estamos tendo que gastar dinheiro nessa questão. Outra questão, vereador, que o senhor falou, a cultura da paz. Olha, eu converso diariamente com a vereadora Paula Ioris, ela me puxa as orelhas, às vezes, porque a gente fala: “Poxa, esses bandidos...”. E eu digo: “Vereadora, como é que a senhora pode ir lá dentro do presídio e lutar por essas pessoas que inclusive um foi assassino do seu filho”. E ela diz: “Nós temos que lutar pela cultura de paz”. É isso mesmo que... A fala do senhor ontem, eu falei justamente... Daqui a pouco, a gente vai virar numa barbárie. Olha os policiais, todo o trabalho que eles fizeram nesses dias e o povo lá agredindo a Brigada Militar em frente à delegacia. Gente, mas isso aí é inadmissível. Obrigado, vereador. (Esgotado o tempo regimental)
VEREADOR RENATO NUNES (PR): Só alguns segundos aqui para concluir a minha fala. Eu queria fazer um pedido porque toda sociedade sabe de toda violência, dos dias difíceis que nós estamos vivendo. Então cuidem dos filhos, cuidem das crianças. Não deixem as crianças desamparadas. Se não tem um pai, tem uma mãe; se não tem uma mãe, tem uma avó; se não tem uma avó, tem uma tia, tem um tio. Mas não podemos deixar uma criança sozinha indo para a escola. Eu deixo aqui essa reflexão, porque criança é criança e precisa de todo... Eu não quero culpar aqui a família, mas a falha é de todos nós, inclusive minha também, me faço essa culpa, mas a família tem sim toda responsabilidade sobre uma criança. Era isso. Muito obrigado.
Parla Vox Taquigrafia
VEREADORA PAULA IORIS (PSDB): Bem, bom dia presidente; bom dia, Denise, especialmente; bom dia a todos os colegas; bom dia a quem está nos assistindo aqui e pela TV. Bem, o que eu tenho a dizer é que justiça é diferente de vingança. Justiça é responsabilidade. E os adultos, nós, adultos, precisamos ter responsabilidade em todos os papeis que a gente desempenha. O papel de vereador, o papel de pai, o papel de mãe, o papel de professor, o papel de político, o papel de guarda de trânsito. Todos precisamos fazer muito bem o nosso papel. É dessa forma que a gente constrói uma sociedade diferente, fazendo coisas de verdade, coisas com responsabilidade. Não fazendo se isso vai dar voto ou não vai dar voto. Vamos refletir sobre tudo isso. Justiça são leis fortes, são leis efetivas, porque a punição é pedagógica. Eu sou contra a progressão de pena para crimes hediondos, porque isso também é pedagógico. Se a pessoa for condenada há 30 anos, ela tem que cumprir 30 anos. Se ela souber que ela vai cumprir 30 anos, ela pode evitar de fazer o crime. Pode ser um limite. Se isso for limite para ela é porque ela tem a condição de refletir e pensar. Ela não é psicopata, ela pensa, então ela não vai fazer. Se ela for psicopata, ela tem que ficar lá presa, porque ela está... E ela não vai cometer isso com as Naiaras, com os Germanos, com as Anas Claras e com tantos outros. Então eu sou contra a progressão de pena para crimes contra a vida. A gente precisa... Justiça também é parar de repetir frases prontas. O que mais acontece, especialmente nas redes sociais, é repetir frase pronta. A gente nem sabe mais o que está dizendo e repete frase pronta: Ah, político é tudo assim, quando entram lá ficam tudo igual. Sem verificar quem é e quem não é. Vamos parar de repetir frase pronta, senão a gente não evolui. Vamos parar de julgar e agir, que a nossa indignação vire ação. A gente só se indigna e segue vivendo a vida. Têm pessoas que me perguntaram: tu não vai lá na delegacia, tem um monte de gente lá na frente. É importante ir lá. Olha quanta gente foi no carnaval de rua, tem que vir todo mundo... Eu disse: eu não vou lá na delegacia. Eu tenho segurança e consciência tranquila que o que eu estou fazendo é para melhorar o mundo. Eu não preciso agora ir lá na delegacia. Agora eu dei uma entrevista para a Rádio Caxias e eles perguntaram: como Comissão de Enfrentamento à Violência, vocês vão fazer uma coisa específica para esse caso? Eu disse: não. Há seis anos eu não paro de fazer. Há seis anos eu estou trabalhando por um mundo diferente e tenho aprendido com cada um de vocês aqui, com cada pessoa que eu conheci ao longo desse tempo a enxergar coisas diferentes do que eu enxergava. Quando eu era jovem, fazendo a faculdade de Psicologia, eu era favorável a pena de morte porque eu dizia: Um psicopata não tem culpa. Ele não sabe o que está fazendo. Então eu sou favorável a pena de morte. Eu discutia com as assistentes sociais que eu achava que elas eram tudo assim queridinhas. Depois da morte do meu filho, eu aprendi da pior forma que quem dá e tira a vida é Deus. Então eu não sou mais a favor da pena de morte. Quem dá e tira a vida é Deus. Eu acredito muito que a gente está neste mundo para se tornar um ser melhor. Quando a gente não está mais aqui é porque a gente já cumpriu o papel que a gente tinha para fazer aqui, eu acredito nisso. Eu acredito muito que quando algo tão forte, como o que aconteceu na minha vida, como o que aconteceu com a Naiara, com a Ana Clara, com tantos que a gente possa citar é para que alguma coisa passe a ser diferente na vida das pessoas. Eu me tornei uma pessoa diferente depois disso que me aconteceu. E só tem esse caminho. A gente aprender com o que acontece com a gente. Na primeira caminhada que eu estava organizando logo depois do Germano, eu liguei para o pai daquele menino, vamos ver se eu vou lembrar o nome, ele era... Acho que ele dava aula, ele era um preparador físico, não lembro agora. Porque ele me ligou. Eu recebi várias ligações, quando aconteceu isso com meu filho, de pessoas que tinham... Recebi coisas no hospital, recebi cartões, o carinho que a gente recebe faz muito bem. E eu me lembro que ele me ligou me apoiando e tal, mas quando eu falei da caminhada, ele disse: “Eu não vou. Porque quando acontece alguma coisa assim, todo mundo faz caminhada, se mobiliza e tal e não dá em nada. Depois esquecem. Eu não vou.” Na verdade, eu lembro que eu estava lá no alto das escadas da catedral e ele veio lá me dar um abraço. Ele disse: “Eu não fui na caminhada, mas eu vim aqui te dar um abraço.” Então essa sensação de que não dá nada e que as coisas não mudam está nas nossas mãos. Nós temos que fazer as coisas diferentes. Então estamos aqui trabalhando. Hoje, foi um dia de reflexão para todos nós. E seguimos fazendo o nosso trabalho da melhor forma possível. É horrível o julgamento que aconteceu em relação a toda a questão de direitos humanos. Eu fiz questão de compartilhar, vereadora Denise, além do seu vídeo, a gravação da Rádio Caxias, onde esclarecia que ela não tinha feito aquilo. O que leva alguém a gravar um vídeo mentindo. Não se dá conta da violência que está fazendo? Mas o que é isso? Então, gente, é isso. Vamos fazer as coisas diferentes do que vínhamos fazendo. Cada um sabe. A mudança está dentro de nós; não está fora. Cada um sabe o que tem que fazer. E, além disso, são as nossas crenças. Eu acredito que o Germano e a Naiara estão num mundo melhor do que esse. E que nós estamos aqui para melhorar este mundo. É isso.
VEREADOR ADILÓ DIDOMENICO (PTB): Permite um aparte, vereadora?
VEREADORA PAULA IORIS (PSDB): Sim. Vereador, desculpa.
VEREADOR ADILÓ DIDOMENICO (PTB): Obrigado pelo aparte. Só para lembrar, V. Exa. toca numa questão muito importante. As redes sociais que podem contribuir também se tornam na mão de pessoas que não raciocinam, elementos de pregação de ódio, de intriga e de divisão da sociedade. Eu me lembro quando V. Exa. defendeu aqui o programa do SIM, que é o Sistema Integrado de Monitoramento, e alguns internautas confundiram com o SIM Caxias, de trânsito, e lhe atacaram de forma covarde, sem analisar. Mesmo que a senhora estivesse defendendo o SIM, é um direito, o SIM, Sistema de Mobilidade, mas não, era o SIM, Sistema Integrado de Monitoramento, que nós precisamos continuar defendendo, que essa é uma ferramenta que vai ajudar. Então as pessoas não raciocinam, tem tempo sobrando. Normalmente, essas pessoas que fazem esses comentários irresponsáveis são pessoas que têm pouca ocupação e têm tempo para nutrir aquilo que alguém disse, mente desocupada – o vereador Renato eu acho – mente desocupada, oficina do diabo. E aí saem essas aberrações que não contribuem em nada, apenas atrapalham. Obrigado pelo aparte.
VEREADORA PAULA IORIS (PSDB): Obrigada, vereador. Obrigada, presidente.
Parla Vox Taquigrafia

Não houve manifestação

Ir para o topo