VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Senhor presidente, senhores vereadores, agora sim, nosso Grande Expediente. Não tinha como não falar sobre a questão da convocação de ontem do secretário. Ontem, tivemos esvaziamento da sessão, então não tive a oportunidade de utilizar minha Declaração de Líder, mas a farei hoje para falar um pouquinho, reverberar algumas das situações que aconteceram ontem. Antes disso, um parênteses, quero agradecer ao secretário Rafael Bueno pelo atendimento de uma situação que passamos a ele. Uma situação grave que aconteceu na nossa última fiscalização da UPA Central. Para o amanhecer de sexta-feira, detectamos uma criança que estava aguardando o leito para tirar uma semente de girassol do ouvido. Acompanhamos essa família, ela foi para o Hospital Geral. Conseguimos o leito na sexta-feira para essa família, ela foi para o Hospital Geral e foi dispensada logo uma hora depois do Hospital Geral porque não tinha otorrino no Hospital Geral. Situação grave que consta no nosso contrato que tem que ter. E a família me disse assim: "Eu fui para o Hospital Geral, mas lá eles fizeram menos do que fizeram na UPA". Porque não tentaram nem com o soprador para tirar. Eles tentaram com a pinça, assim como na UPA Central, mas não tiveram sucesso. E dispensaram a família direcionando ela a procurar o CES novamente. Eu visitei a família no sábado à tarde e a gente detectou – então, a Paula vai passar o vídeo, pode passar na TV Câmara ali – uma semente de girassol que ela colocou em uma atividade escolar na quinta-feira na escola e foi direcionada. E sim, pasmem, tirada do Hospital Geral sem o devido encaminhamento. Liguei para o secretário Rafael Bueno e ele prontamente conversou com o pessoal da equipe da saúde. Disse: “Foi um erro médico, um erro do hospital em si, que está passando por algumas situações” Mas imediatamente nos atendeu, mandou um áudio para eu direcionar para família. E hoje pela manhã essa criança, o Noah, fez a retirada da semente do girassol do ouvido. Foi até o CES e deu tudo certo, graças a Deus. A família me agradeceu agora, mas a gente quer fazer de público, um agradecimento ao secretário da Saúde, Rafael Bueno. Que após a gente entrar em contato com ele, fez esse direcionamento. Que eu acredito que é importante ter um secretário atento também quando a gente passa uma situação. A gente fala de tantas vezes que os secretários não nos atendem e ontem até foi justificado pelo líder do governo aqui que quando a gente defende o corte de CCs e corte de secretário adjunto, ele disse que a gente não pode pedir o corte dos secretários adjuntos porque é os secretários adjuntos muitas vezes que nos atendem. Isso me causou um certo espanto, do tipo de defesa do governo, mas está tudo certo.
VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Um aparte, vereadora.
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): O secretário Rafael Bueno, indicado do prefeito Adiló, eu acredito que está pelo menos tentando fazer. Claro que tem ainda muitos problemas na área da saúde, mas quero parabenizar e principalmente agradecer pelo atendimento da questão, principalmente do Noah, o qual estive na casa dele no final de semana. E hoje a mãe dele nos agradeceu esse atendimento muito solícito da Secretaria da Saúde. Parabenizar, o secretário Rafael. Seu aparte, vereadora Andressa.
VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Vereadora Daiane, importante tema que a senhora traz hoje pra nossa Casa. E queria dizer que eu posso discordar de muitos vereadores aqui, mas eu prezo pela democracia. Então, ontem quando eu e a senhora tínhamos a oportunidade de falar, nós não pudemos falar porque o quórum da sessão simplesmente foi esvaziado para que a gente não pudesse fazer uso da palavra. Justamente porque nós falaríamos sobre a vinda do secretário. Que foi uma decisão desta Casa e a gente ouviu um monte de explicação do secretário Michael técnicas, digamos assim, mas nós queremos ouvir as explicações da gestão. Então, faço um pedido, ainda não sei se o prefeito Adiló vem na sessão. Não nos informaram. Espero que ele não venha de uma hora para outra, porque é isso, a gente não sabe, a gente não consegue nem se preparar de direito, porque não há um diálogo com esta Casa. Então, aguardamos a vinda do prefeito Adiló para que a gente possa questionar e compreender o que eles pensam em fazer com a nossa cidade. Obrigada pelo aparte, vereadora.
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Obrigada, vereador Andressa. E agora entrando propriamente na fala do secretário Micael, que além de outras coisas, inclusive que a gente já colocou na rede social. Mas uma situação que nos preocupou foi a situação da policlínica. Até então, a licitação suspensa pelo TCE.
VEREADOR CLAUDIO LIBARDI (PCdoB): Vou lhe pedir um aparte, por gentileza, vereadora Daiane.
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): O TCE pediu para a prefeitura um novo direcionamento, quanto a algumas questões. E eu fiz uma pergunta para o secretário Micael, porque agora, com essa licitação estando suspensa teria que passar pelo comitê, pelo grupo gestor, enfim. E o secretário trouxe a informação que mais nos causa preocupação, porque pode ser que a Policlínica não saia. Infelizmente a gente tem hoje no Jornal Pioneiro, na parte do Mirante: Finanças de Caxias colocam em dúvida implantação da Policlínica. Então, a Policlínica, para quem não sabe, é todo aquele marketing que o governo Adiló fez em cima. São todos aqueles vídeos no local de colocação de placa de que vai ter a Policlínica, depois de mudança de local da Policlínica. E agora, por falta, eu digo, de planejamento, porque automaticamente, mesmo o governo federal fazendo o aporte de 17 milhões, o município teria que fazer o aporte de 11 milhões, e depois, claro, equipá-la e mantê-la. É um valor considerável, mas que o governo pensasse antes de fazer o marketing, porque no marketing, na comunicação, tudo funciona. Eles fizeram vídeos de todos os jeitos, cores, amores e valores na frente de onde ia ser. Depois, tiveram que mudar o lugar por falta de planejamento e agora dizem que praticamente é impossível fazer por causa do valor anual de 100 milhões de reais para manter a Policlínica. E, normalmente, autorizando isso, a gente vai ter diminuição de outros serviços na área da saúde. Então, no marketing funciona bem, mas no planejamento, mais uma “pataquada” do governo em relação à Policlínica. Seu aparte, vereador Libardi.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Parabéns, vereadora Daiane. Talvez, se fôssemos falar, eu e a vereadora Andressa, a gente ia seguir uma linha muito parecida com a senhora na integralidade da fala da senhora. Eu queria, primeiro, lhe cumprimentar em razão da revolta com a supressão do seu direito de falar ontem. E, posteriormente, queria falar, vereadora Daiane, que, quando a gente apresenta a ampliação de custos da Policlínica, não é uma verdade universal, porque alguns serviços vão ser deslocados à Policlínica que eram prestados em outros locais, e serviços mais custosos. Eu já tive a oportunidade de apresentar neste plenário, tive a oportunidade de apresentar ao prefeito Adiló, tive a oportunidade de apresentar à senhor e tive a oportunidade de apresentar ao secretário Rafael que o modelo de execução de emendas parlamentares e o orçamento oriundo da União prejudica o município. Porque nós pagamos muito mais pelos serviços, vereadora Daiane. E essa é a questão que nós precisamos debater aqui: a execução de serviços na Policlínica seria mais barata ou não seria mais barata? E eu acho que o que a comunidade precisa entender é que essa suspensão do edital e a apresentação do secretário Micael, ontem, têm uma informação que é evidente, mas que precisa ser dada à nossa comunidade. O prefeito Adiló possivelmente desistirá de fazer a Policlínica e a sua estrutura. Essa é a informação que todos aqui temos e que precisa ser publicizada. Bom, foi realizada a suspensão do edital. Como vão realizar agora a Policlínica? Nós estamos buscando viabilizar. E tem gente, vereadora Daiane, que entende que porque nós sugerimos o Hospital Saúde a inviabilidade da Policlínica. O que ficou claro aqui para a senhora, para mim e para todos é o seguinte: o município não tem capacidade econômica de fazer, e muito menos capacidade econômica de gerir. Partindo disso, qual é a saída que nós temos, vereadora Daiane?
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Exatamente isso, vereador Libardi.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Um aparte, vereadora Daiane?
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Tivemos o anúncio, o marketing, muito do que vai acontecer e tudo mais. E ontem a gente viu que não foi pela suspensão. A suspensão do processo licitatório foi por uma indicação do TCE. Porém, o Município aproveitou-se dessa situação para dizer: “Opa, pera lá, não é bem assim”. Então, a gente não tem a questão de leitos no nosso município, uma dificuldade imensa de leitos. O inverno chegando logo mais, então a gente tem uma grande preocupação quanto a isso. A gente tem uma dificuldade de consultas com especialistas, porque por mais que se fizeram diversos anúncios de muitos mutirões a gente gostaria de sugerir para a Comissão de Saúde um novo pedido de informações que se assemelha ao do ano passado, para verificar a quantidade de pessoas que temos na fila. Porque já direcionamos diversas emendas parlamentares para que sejam diminuídas as filas. Então a gente quer saber se está surtindo efeito ou se estamos enxugando gelo. Daqui a pouco está acontecendo, mas não é o suficiente. E também a questão da Policlínica anunciada pelo governo, com um desgaste gigante por troca de local. Inclusive eu e o vereador Hiago estivemos na reunião da comunidade. A comunidade enlouquecida com o prefeito pela mudança de local e falta de planejamento. Tantos outros vereadores estiveram juntos também. E um desgaste e coisas que não aconteceram. Declaração de Líder da bancada do PL.
PRESIDENTE JOÃO UEZ (REPUBLICANOS): Continua, da tribuna, a vereadora Daiane Mello, líder da bancada do PL, em Declaração de Líder da referida bancada.
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Obrigada, presidente. Então, continuando o nosso raciocínio, lá tiveram que chamar inclusive a Guarda Municipal, me lembrava o vereador Hiago, porque o prefeito estava completamente cercado pelas pessoas, e as pessoas falando que foi prometido na eleição uma UPA zona sul, e não foi feito. Daqui a pouco, a policlínica ia ser a UPA. Uma confusão do governo na questão de anúncios. E, agora, não temos a UPA e também não vamos ter a policlínica. A gente fica sem palavras aqui. Vereadora Estela Balardin.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Muito obrigada, vereadora Daiane, pelo aparte. Com toda a certeza, já pode contar, de antemão, com a Comissão de Saúde para produzirmos coletivamente um pedido de informações para que a gente saiba, infelizmente, o que a gente já sabe. Está demorando muito para qualquer coisa relacionada à saúde aqui em Caxias do Sul. E qualquer coisa mesmo. A gente não fala só de especialistas, só dos procedimentos mais complexos. A marcação de consulta na UBS, que deveria ser simples, está dificultosa para as pessoas. Eu acho importante a gente relembrar que foram muitas as promessas de campanha e que foram muitas as promessas deste governo para a população, mas que, na prática, não se cumpre. Só que tem uma questão. Quando a gente publica uma mentira e ela tem muita visualização, depois, se a gente publica a verdade, ela nunca vai ter o mesmo impacto. Então, é muito desonesto por parte desta prefeitura eles terem publicado sobre a policlínica da forma como eles publicaram, dizendo que ia servir como uma UPA ali para a região, sendo que a gente sabe que não é isso, que policlínica não é isso, que policlínica não funciona de portas abertas. Então, naquela época já foi passada uma informação bem-desajeitada para a população. Só que, agora, é algo mais entristecedor ainda. Porque o que foi passado naquela época, além de ter sido mascarado, foi passada uma mentira. Porque a prefeitura não tinha certeza da possibilidade da realização dessa obra. Mesmo assim, quis fazer o anúncio para a população. Durante a campanha, muitas promessas relacionadas à saúde foram feitas. E bem-lembrada a questão da UPA Zona Sul, que é um pedido e uma necessidade da população, mas que a gente não vê sair do papel, sendo que a gente tem falta de leito, que a gente tem falta de consulta nas UBSs, que a gente tem fila de espera de mais de dois anos. Pedir a construção de um equipamento novo de saúde parece até uma utopia. Muito obrigada.
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Obrigada, vereadora Estela. Exatamente isso. A senhora lembra da questão dos agendamentos nas UBSs. Eu recebo todos os dias as dificuldades do pessoal, de agendamentos. Eu vou tentar colocar um áudio aqui. Deixa eu ver se ele passa. Da Bruna, que eu recebi no dia de ontem, sobre a questão do Agenda+. Isso é rotineiro, né? Mas eu vou passar como é uma situação simples, e olha a dificuldade. (Reprodução de áudio) Gente, é renovação de receita a dificuldade. É renovação de receita. Eu recebi, na outra semana, um relato de que o agendamento, em determinado UBS, era na segunda e como a gente teve feriadão, o feriado, daí a pessoa não conseguiu. Na outra semana, eles estavam em algum atendimento, não se conseguiu e ela já estava há mais de mês tentando uma consulta normal, uma consulta de rotina na UBS. Isso, sim, faz ampliar o acesso na UPA, a dificuldade. E por isso que às vezes no contrato na UPA, a gente tem 500 atendimentos, mas quando a gente vai verificar à noite, vereador Hiago, eles já fizeram 750 atendimentos. Por quê? Porque as pessoas não conseguem a consulta na questão da UBS. Então, essa é a dificuldade que as pessoas têm no dia a dia, de atendimento, de exames, de consultas com especialistas e tantas outras. E a gente vem com questão de anúncios e mais anúncios. Primeiro a promessa era UPA Zona Sul. Depois, era a Policlínica. A Policlínica foi anunciada pelo governo como se fosse uma UPA, como se tivesse atendimento aberto para todas as pessoas e a gente sabe que não funciona assim. Era uma super UPA com pronto-socorro, mais ou menos assim que foi anunciado. Depois se retirou quando a comunidade disse assim: "Não, não vai ser aqui, tem problema porque a gente quer aqui." A Policlínica não é bem isso. A Policlínica, daí eles explicaram a real função da Policlínica. Mas agora o que a gente tem visto na questão do jornal e também com a fala do secretário Micael no dia de ontem, nos preocupa porque é uma indefinição. Então, não temos UPA Zona Sul, não temos policlínica e anúncios temos aos montes. Agora com a questão do decreto. Uma pergunta que ficou bem clara também no dia de ontem foi sobre a questão técnica do secretário Micael que nos expôs de uma maneira muito realista e transparente sobre as situações. E que a equipe também indicou outros métodos de redução de custos da máquina pública. Um deles era o corte, sim, de CCs. E isso não foi levado para frente, porque não era interesse do governo. Então, foram cortadas outras coisas que impactam, sim, na vida do dia a dia das pessoas; que é a roçada nos nossos bairros; que é a castração dos animais, que a gente sabe que o número de animais só sobe nos bairros e a gente tem um verdadeiro problema de saúde pública e também a parte do corte da questão das britas que impacta realmente a vida dos nossos agricultores e de vários locais da nossa cidade onde não tem calçamento e asfaltamento e o pessoal depende do patrulhamento e cascalhamento. Então, são situações que a gente traz, que a gente reverbera aqui, porque esse é o nosso local de fala. A gente pode falar dessas questões aqui para as pessoas para ficar transparente. Que não é a falta de busca de alternativas, de sugestões, de emendas muitas vezes parlamentares, que a gente vai buscar para que as coisas funcionem, mas, sim, uma decisão de governo. E ainda a gente não veio também para esta Casa – para completar o meu tempo aqui – que a prefeitura suspendeu o contrato com a empresa de sistema digital atendimento ao cidadão. Que foi uma licitação que aconteceu no valor de 15 milhões de reais, que é a digitalização de vários processos dentro da prefeitura. Foi suspenso o contrato e a gente não verificou nada mais e acho que a gente precisaria de informações do que está sendo verificado para realmente esse serviço funcionar. Porque mais uma vez foi anunciado que seria resolvido diversos problemas na questão da digitalização e de processos que funcionariam de uma maneira digital muito mais rápida e agora foi suspendido porque a empresa não entregou no prazo. E concordo, está correto. A questão, mas a gente não sabe o passo a passo do que vai acontecer logo mais. Então, era isso, senhor presidente. Agradeço aos colegas que colaboraram com o tema, porque saúde é prioridade, sim, e a gente gostaria de mais respostas do Executivo. Mas não as respostas aqui na fala, a realmente a entrega dos equipamentos. A prática acontecendo no dia a dia nas UBSs, nas UPAs e nos nossos hospitais. Era isso, senhor presidente. Obrigada