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Aprovada instituição da trança de palha de trigo como Patrimônio Cultural Imaterial do município

A técnica é considerada uma das mais simbólicas expressões culturais da colonização italiana no Rio Grande do Sul


Foi aprovado por unanimidade dos vereadores presentes, na sessão ordinária desta quinta-feira (22/10), na Câmara Municipal, o Projeto de Lei 214/2026, que institui a trança de palha de trigo como Patrimônio Cultural Imaterial de Caxias do Sul. Conhecida como dressa, a prática é caracterizada pela utilização do caule seco que sobra após a colheita dos grãos para a confecção de chapéus, sacolas, cestos e outros utensílios e acessórios comuns ao cotidiano das famílias de agricultores. A votação ocorreu com a presença em plenário de um grupo de agricultores que perpetuam a técnica até os dias de hoje. O projeto é de autoria da vereadora Rose Frigeri/PT.

A técnica artesanal é oriunda do período no qual se estabeleceram os primeiros imigrantes na região e se mantém como uma das mais simbólicas expressões culturais da colonização italiana no Rio Grande do Sul. Conforme a exposição de motivos do projeto, a dressa ainda é uma atividade que está muito presente em Caxias do Sul e em seus distritos, além de outras cidades como Bento Gonçalves, Protásio Alves e Flores da Cunha.

O projeto foi inspirado em outras iniciativas no país com o mesmo propósito, como o artesanato em capim-dourado do Tocantins, a renda irlandesa de Sergipe, o artesanato em palha de milho na região de Ponta Grossa (PR) e de Valença (RJ).

Assim, a partir da sanção do Executivo à matéria, o poder público terá a responsabilidade de implementar as ações para valorizar e promover o saber-fazer da dressa. Entre as iniciativas, estão a realização de oficinas, cursos e feiras culturais; registro audiovisual e documental das técnicas e dos relatos de artesãs e artesãos locais; criação de espaços para a exposição e comercialização dos produtos criados; inclusão do tema em projetos de educação patrimonial e cultural e realização de parcerias com instituições públicas e privadas para garantir a sustentabilidade econômica da atividade.

 

Vereadores destacaram mérito de projeto

 

Diversos parlamentares demonstraram apoio à iniciativa em função da valorização e preservação das tradições italianas em Caxias do Sul. A autora do projeto explicou que a dressa é mais do que um fazer artesanal, porque mantém vivos os costumes de famílias de descendentes de italianos. Ela comentou que uma das finalidades da proposta é garantir que sejam realizadas oficinas para ensinar a prática às novas gerações.

"Eu ainda sonho que oficinas de confecção da dressa sejam ministradas a todos os alunos das nossas escolas, que os governos municipais apoiem e incentivem as práticas culturais da nossa região colonial italiana e que continuemos a nos sentir pertencentes a uma comunidade, não só geograficamente, mas também pela partilha de seus saberes e fazeres", explicou Rose.

O vereador Lucas Caregnato/PT, elogiou o mérito da proposição, uma vez que incentiva a permanência de uma prática que pode ser extinta caso não haja suporte do poder público. "Eu quero parabenizar a vereadora Rose e parabenizar, na medida que nós estamos diante de um fazer artesanal que caminha para a extinção na nossa cidade", afirmou Lucas.

Em aparte, o vereador Aldonei Machado/PSDB, utilizou um chapéu produzido a partir da técnica para se manifestar a favor do projeto. "Nós que somos do interior e utilizamos frequentemente o chapéu de palha, essas trançadas lá no campo, sentimos orgulho, isso aqui relembra o tempo lá da Bisa, o pessoal do campo que utilizava a palha de trigo para fazer todas essas coisas, as cestas e os chapéus", declarou o parlamentar.

Ao comentar que tem uma profunda ligação com o movimento tradicionalista gaúcho, a vereadora Marisol Santos/PSDB, relatou que, quando era prenda, participou de atividades nas quais a produção da dressa era ensinada aos mais jovens como uma forma de resgatar a herança cultural dos antepassados italianos. "É incrível o quanto a gente precisa fazer esse resgate. A gente fazia ponto cruz, macramê, frivolete, crochê, tricô, então, que importante para as nossas crianças, para os nossos adolescentes que a gente possa resgatar, valorizar, olha que coisa mais linda, parabéns mais uma vez e, obviamente, que o meu voto é favorável a esse projeto", defendeu Marisol.

Ao apoiar o projeto, o vereador Zé Dambrós/PSB, afirmou que se sentiu emocionado com o teor da proposta, uma vez que lembrou da sua mãe e de seus avós, que produziam materiais utilizando a técnica com muita habilidade. "Nós temos chapéus até hoje da família que a falecida mãe fazia. Acho que a cidade resgata um pouco da história dos nossos antepassados. E que eu gostaria que os distritos, que na Festa da Uva, que na Festa das Colheitas, nós tivéssemos mais", afirmou Dambrós.

Por sua vez, a vereadora Estela Balardin/PT, destacou a necessidade de preservar a dressa para garantir a preservação da história e levá-la para as novas gerações. "Que ele sirva para que a gente possa levar para gerações como a minha, para gerações mais novas do que a minha, essa parte do nosso patrimônio, essa parte da nossa cultura, que a gente possa valorizar isso nos nossos espaços, nas nossas instituições, nas nossas escolas e que a gente aprenda também a importância das mulheres que estão por trás disso, da importância que tem o trabalho artesanal", ressaltou a vereadora.

Outra manifestação de apoio ao projeto foi concedida pelo vereador Pedro Rodrigues/PL. Ao afirmar que é oriundo do interior, destacou que o projeto valoriza a cultura das comunidades de agricultores que fazem uso da dressa até os tempos atuais. "É algo que fazia parte da nossa vida como um meio de sustento, antigamente, quando a gente era criança, e hoje a gente vê brilhar como arte, cultura e moda. Então isso enche o nosso coração de alegria", comentou Rodrigues.

O vereador Sandro Fantinel/Republicanos, também saudou a autora do projeto e relatou que a produção da dressa também era um hábito comum em sua família. "São coisas que ficam marcadas na vida da gente, que a gente não esquece. E quando a gente vê pessoas que ainda trabalham com isso, que ainda levam à frente esse nosso conhecimento, essa nossa história, a cultura dos nossos queridos antepassados, a gente sempre se alegra. Então, quero dizer aqui que parabenizo esse movimento, esse projeto, e também parabenizo a todos aqueles que ainda continuam mantendo a nossa história de pé", acrescentou Fantinel.

 

PROJETO DE LEI Nº 214/2026 (votação)

 

JOÃO JOCEMAR UEZ PEZZI (Presidente) REPUBLICANOS

ALDONEI MACHADO PSDB Favorável 09:26:31

ALEXANDRE PRESTES BORTOLUZ PROGRESSISTAS Ausente

ANDRESSA CAMPANHER MARQUES PCdoB Ausente

ANDRESSA MALLMANN BASSANI PDT Favorável 09:26:42

CALEBE BECHER GARBIN PROGRESSISTAS Favorável 09:26:41

CLÁUDIO LIBARDI JUNIOR PCdoB Ausente

CRISTIANO BECKER DA SILVA PRD Favorável 09:26:38

DAIANE MELLO PL Favorável 09:26:32

ELISANDRO FIUZA GONÇALVES REPUBLICANOS Favorável 09:26:42

ESTELA BALARDIN DA SILVA PT Favorável 09:26:44

HIAGO STOCK MORANDI NOVO Favorável 09:26:37

JOSÉ DE JESUS FREITAS ABREU PDT Favorável 00:00:30

JOSE PASCUAL DAMBRÓS PSB Ausente

JULIANO VALIM SOARES PSD Ausente

LUCAS CAREGNATO PT Favorável 09:26:37

MARISOL SANTOS PSDB Favorável 09:26:33

PEDRO RODRIGUES PL Favorável 09:26:37

RAMON DE OLIVEIRA TELES PL Favorável 09:26:40

ROSE FRIGERI PT Favorável 09:26:33

SANDRA BONETTO NOVO Ausente

SANDRO LUIZ FANTINEL REPUBLICANOS Favorável 09:26:34

WAGNER PETRINI PSB Ausente

22/10/2026 - 11:19
Assessoria de Imprensa
Câmara Municipal de Caxias do Sul

Editor(a) e Redator(a): Marcelo Passarella da Silva - MTE 19.340

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