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Ingressou na pauta do Legislativo caxiense, em primeira discussão, na sessão ordinária desta terça-feira (20/10), o Projeto de Lei 214/2026, que institui a dressa - como é conhecida a trança de palha de trigo - como Patrimônio Cultural Imaterial de Caxias do Sul. O projeto, de autoria da vereadora Rose Frigeri/PT, destaca que a técnica é considerada uma das mais simbólicas expressões culturais da colonização italiana no Rio Grande do Sul.
Conforme a autora da proposta, a técnica, tradicionalmente cultivada pelas mulheres das comunidades rurais, foi repassada às novas gerações e permanece ativa até os dias de hoje, a despeito da da evolução das colheitas por meio da mecanização agrícola e das mudanças no cotidiano dos agricultores.
Na exposição de motivos, a vereadora ressalta que a dressa sobreviveu em Caxias do Sul, em distritos como Forqueta, e também em outras cidades, como Bento Gonçalves, Protásio Alves e Flores da Cunha, tornando-se símbolo da identidade e do legado imigrante. Outro ponto ressaltado pelo projeto é que a confecção da dressa também representa fonte de renda e inclusão produtiva para artesãs locais.
A proposição destaca ainda que existem outras localidades nas quais práticas artesanais similares foram reconhecidas como patrimônio imaterial, como o artesanato em capim-dourado do Tocantins, a renda irlandesa de Sergipe, o artesanato em palha de milho na região de Ponta Grossa (PR) e de Valença (RJ).
Caso o projeto seja sancionado pelo Executivo, caberá à Secretaria Municipal da Cultura (ou outro órgão equivalente), adotar as medidas para salvaguardar, valorizar e promover o saber-fazer da dressa. Entre as iniciativas que podem ser implementadas, estão a realização de oficinas, cursos e feiras culturais; registro audiovisual e documental das técnicas e dos relatos de artesãs e artesãos locais; criação de espaços para a exposição e comercialização dos produtos criados; inclusão do tema em projetos de educação patrimonial e cultural e realização de parcerias com instituições públicas e privadas para garantir a sustentabilidade econômica da atividade.
O projeto retorna à pauta para segunda discussão e votação dos parlamentares caxienses.