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Conceder o Título de Cidadã Caxiense para Maximina Vedana Maschio é a intenção do plenário do Parlamento Municipal, que aprovou em primeira discussão, nesta quinta-feira (02/04), o projeto de decreto legislativo 11/2026. A autoria é da vereadora Sandra Bonetto/NOVO e o texto retornará aos legisladores para segunda apreciação. A matéria busca reconhecer Maximina pelos relevantes serviços prestados à comunidade caxiense. É uma distinção concedida a pessoas que nascem em outras cidades e escolhem Caxias do Sul para viver e atuar. Caso receber aprovação, a honraria será entregue em cerimônia na Câmara no dia 15 de abril deste ano.
Na exposição de motivo, a autora apresenta um histórico detalhado da trajetória de Maximina Vedana Maschio, que nasceu no dia 25 de outubro de 1947, em Nova Pádua, então distrito de Flores da Cunha/RS. Filha de Raimundo Vedana e Elizabeta Menegat Vedana, cresceu em uma família numerosa e marcada por fortes valores de fé, trabalho e união.
De acordo com a vereadora Sandra Bonetto/NOVO, o casal teve 16 filhos, sendo Maximina a 14ª filha. Ainda muito jovem, enfrentou uma das maiores provações de sua vida: a perda da mãe, falecida em 2 de março de 1953. Com tantos filhos, muitos ainda pequenos, seu pai passou a enfrentar enormes dificuldades para cumprir sozinho o papel de pai e mãe. Posteriormente, prossegue a vereadora, Raimundo casou com Regina Zorzi, irmã do bispo de Caxias do Sul, Dom Benedito Zorzi, união da qual nasceu mais uma filha.
Órfã de mãe aos seis anos de idade, Maximina passou a viver com familiares na Linha Julieta, em Farroupilha/RS, localidade situada a aproximadamente quatro quilômetros do bairro Forqueta. Desde cedo, demonstrou perseverança e dedicação aos estudos e à vida religiosa. Diariamente, percorria cerca de quatro quilômetros para ir e voltar da escola na própria Linha Julieta. Aos domingos, realizava novamente o trajeto para participar da missa em Forqueta, mantendo viva a tradição religiosa que sempre marcou sua família.
Um episódio marcante de sua juventude ocorreu em 19 de agosto de 1962. Ao retornar para casa com seus familiares, avistaram de longe uma grande coluna de fumaça. Para desespero de todos, tratava-se do incêndio que destruiu completamente a residência da família, consumindo também todos os seus pertences. Diante da adversidade, a família precisou enfrentar um período extremamente difícil: por mais de dois anos, viveram em uma estrebaria, dividindo espaço com os animais e os alimentos destinados a eles. Com fé, perseverança e a solidariedade de parentes, amigos e vizinhos, após cerca de três anos, conseguiram reconstruir uma nova casa e retomar a vida com dignidade.
Mais tarde, Maximina conheceu o jovem Miguel Gilberto Maschio e, após um período de convivência e fortalecimento do vínculo afetivo, decidiram unir suas vidas em matrimônio no dia 28 de setembro de 1974. Dessa união, nasceram dois filhos: Marciano Edu, em 2 de julho de 1975, e Marciane Andréia Maschio, em 30 de novembro de 1977. Em 1976, o casal mudou-se para o município de Garibaldi/RS, onde fundaram uma pequena empresa. No entanto, o empreendimento não obteve o sucesso esperado, e a família retornou para Forqueta, passando a residir por cerca de oito anos com os sogros.
Nesse período, Maximina destacou-se pela dedicação à comunidade. Em 19 de fevereiro de 1999, entretanto, uma triste notícia: Maximina enfrentou a dor da perda de seu esposo. “Viúva e com dois filhos para criar, demonstrou ser uma mulher guerreira, que enfrentou inúmeros desafios com coragem, fé e determinação”, relata Sandra.
Ao longo dos anos, sua família também cresceu com a chegada dos netos Miguel, hoje com 14 anos, e Antonela, com nove anos, que representam grande alegria em sua vida. Conhecida por seu coração generoso e espírito acolhedor, Maximina sempre esteve disposta a ajudar o próximo.
Seu trabalho e sua dedicação à cultura e às tradições também foram amplamente reconhecidos. Em 2018, recebeu o título de Mãe do Ano, como forma de reconhecimento por sua trajetória de amor, generosidade e dedicação à família e à comunidade. Recebeu ainda o Troféu Aldeia SESC Território & Sabores, durante a 12ª Aldeia SESC de Caxias do Sul/RS, sendo reconhecida como guardiã de sabores e tradições que atravessam gerações. Há mais de quatro décadas, mantém viva a culinária colonial de Forqueta, especialmente com seu famoso agnolini artesanal e receitas que carregam afeto, união e memória.
Com amigos, ajudou a fundar o Grupo de Filó Felice Persone, que passou a representar com orgulho as tradições culturais da comunidade italiana. O grupo tornou-se presença constante em eventos, festas, chopins, na Festa da Uva, em praias e em diversos municípios, levando alegria, cultura e tradição a diferentes públicos.