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O vereador Hiago Morandi/PL, durante grande expediente da plenária desta quinta-feira (26/03), se opôs à inclusão da misoginia entre os crimes de preconceito ou discriminação, conforme estabelece o projeto de lei (PL) 896/2023, aprovado nesta semana pelo Senado. O parlamentar mostrou um vídeo dizendo que a lei, em vez de proteger, vai deixar muitas mulheres desempregadas.
“Mais uma vez, estão relativizando. A esquerda não está nem um pouco preocupada com as mulheres. E a direita se encolheu, teve medo. Essa lei é para jogar o opositor para a cadeia”, considerou Hiago, prosseguindo com críticas ao comunismo e ao feminismo.
Da tribuna, o parlamentar leu trechos do livro “Guia de bolso contra mentiras feministas”, da deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL-SC) , para mostrar que mulheres eram líderes desde antes dos movimentos feministas. “Vou desmentir uma dessas mentiras, como aparece no capítulo IV, nos seguintes termos ‘Antes do feminismo, a mulher não podia governar, liderar, se destacar’. Mentira! Ana Campagnolo escreve: ‘Essa é uma mentira contada apenas para nos dar a impressão de que não podemos fazer ou conquistar qualquer coisa sem achar que é algo do feminismo. É possível citar uma lista de mulheres que governaram, lideraram ou receberam destaque político muito antes de existir qualquer tipo de feminismo’”, leu Hiago, acrescentando mulheres mencionadas pela autora.
Entre as quais: Enheduana, professora e poeta que foi a primeira mulher a receber o título de personalidade de grande importância para a política no Império Acadiano, há 4 mil anos, ainda no início das grandes civilizações; Hatshepsut, rainha faraó no Egito, 15 séculos antes de Cristo; Aspásia de Mileto, professora e estadista de Péricles, no século antes de Cristo; e Cleópatra, última governadora do Reino Ptolemaico do Egito, nos anos 30, antes de Cristo.
“Muito antes, a literatura mostra que, quando a mulher é destaque, ela já é liderança, não precisa de movimento feminista”, enfatizou o liberal, elogiando a atuação de deputadas liberais, como Ana Campagnolo, na Assembleia do Estado de Santa Catarina; e a deputada federal Julia Zanatta/PL, também de Santa Catarina.
Em apoio à manifestação de Hiago Morandi e em contrariedade ao PL 896/2023, posicionaram-se os parlamentares Sandro Fantinel/PL, Capitão Ramon Teles/PL e Daiane Mello/PL.
Em tempo: Conforme informações da Agência Senado, o PL 896/2023 foi aprovado pelos senadores com 67 votos a favor e nenhum contra, na forma de um substitutivo apresentado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) ao projeto da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA). Agora, a matéria, que define a misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres”, segue para a Câmara dos Deputados.