VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Senhor presidente, relembro aqui o que o vereador Cláudio Libardi trouxe na discussão de ontem sobre esse tema. Nós estamos falando de uma previsão legal que já pressupõe que as crianças não podem ser de responsabilidade apenas da família, e nós não podemos desresponsabilizar o estado e a sociedade nas suas atribuições. Talvez o vereador Calebe se refira quando nós temos famílias protetivas, que conseguem cumprir o seu papel de educar e de poder fazer com que a criança tenha os seus direitos garantidos. Mas nós sabemos que, infelizmente, não são todas as famílias que têm essa realidade. A maior parte dos abusos, da violência que acontece, inclusive sexual, vem do próprio núcleo familiar. Então, quando nós atribuímos essa responsabilidade inteiramente ou principalmente para a família, nós estamos desresponsabilizando e dizendo que se eu vejo algo com uma criança, talvez eu tenha que fechar os olhos, porque a família que tem essa responsabilidade pode fazer o que quiser. E estava comentando também com o vereador Libardi que essa concepção vem muito da nossa forma de organização enquanto sociedade. A vereadora Estela citou a questão de aldeia, que nós poderíamos fazer uma relação com o povo indígena, mas se a gente for pegar outras culturas, elas são diferentes, têm um olhar diferente em relação ao tratamento das crianças. O cuidado com as crianças não é apenas do núcleo familiar. Se a gente for pegar algumas culturas indígenas, a criança, de onde ela nasce, pouco importa, porque a responsabilidade, de fato, é extremamente compartilhada. Então falar sobre a família, em primeiro lugar, eu acho que é temeroso. Nós não podemos promover uma hierarquização e o próprio ECA já traz a família. Eu colocaria, vereador Calebe, não em primeiro, segundo ou terceiro lugar. Se eu pudesse organizar de alguma forma eu pensaria num círculo, numa relação que tem que ter de comum, a responsabilidade, mútua responsabilidade, onde a família tem sim, os seus deveres, um deles, inclusive, é não promover a violência. Mas o estado e a sociedade precisam trabalhar juntos. É por isso, por exemplo, que existe o Conselho Tutelar, que tem como objetivo prezar pelos direitos das crianças, mas ele vai trabalhar com a família quando a família não consegue cumprir o seu papel de proteção, ou não consegue acessar os direitos básicos daquela família, o conselho vai lá, vai orientar, vai pensar como que ela pode fazer para que a criança possa ter o acesso e a garantia dos seus direitos. Eu poderia estar fazendo outras relações com outros serviços, que não só o Conselho Tutelar. Então, acho que nós não precisamos colocar essa emenda dessa forma, porque de certa forma é um retrocesso em relação à concepção compartilhada que nós temos que ter de responsabilidades. Eu, por exemplo, não tenho filho, mas, se eu percebo que uma criança tem os seus direitos violados, é o meu dever também, enquanto sociedade, intervir e participar de alguma forma para que aquela criança possa ter acesso aos seus direitos e possa ter a sua vida resguardada. Então, por isso votarei, não, vereador Calebe, por discordar dessa concepção e acreditar que está tudo interligado. A família tem os seus deveres, assim como o Estado e a sociedade. Obrigada, senhor presidente, seria isso.