VEREADOR CLAUDIO LIBARDI (PCdoB): Presidente, meus cumprimentos ao senhor e a quem nos acompanha de casa, demais vereadores desta Casa Legislativa. O senhor sabe que tem ligações que marcam a vida da pessoa e muitas delas marcam por ruptura, né, vereador Jack? E uma das ligações que marcou a minha vida foi um dia que eu estava almoçando na Rua Bento Gonçalves, no antigo Restaurante do Enor, o senhor almoçava lá também, e era o gerente jurídico de uma das maiores metalúrgicas desta cidade. Eu atendi o telefone e ele falou para mim assim: "Cláudio", eu falei: "Posso te ligar depois?" e ele falou: "Não, tem que ser agora". E ele nunca me falava "tem que ser agora". E eu, imediatamente, falei: "Bom, perfeito, tem que ser agora, tem que ser agora". Ele falou: "Vem para cá agora que a gente tem um problema muito grave". Uma carreta tinha caído em cima de um trabalhador, Jack, e abriu o cara no meio assim, dividiu o cara em dois. Eu cheguei lá antes da perícia e o irmão dele trabalhava na linha do lado.
VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): Um aparte, vereador.
VEREADOR CLAUDIO LIBARDI (PCdoB): Um chamava a assistente social para comunicar a família. Segura o irmão do cara que está desesperado. O colega operando a ponte rolante também apavorado. Então, é uma das cenas mais tristes que se pode ter é ver um cara morrer trabalhando, tchê. Eu tive a oportunidade – infeliz oportunidade, por sinal – de três ou quatro óbitos comparecer à fábrica e é um negócio impressionante, tchê. Tu ver um cara perder um membro inteiro na operação de um corte a laser... São coisas que a gente não acredita assim. Agora que passou muito tempo e a gente tem normas regulamentadoras que evitam tragédias, mas quanta gente aqui a gente conhece que não tem dedo, que perdeu trabalhando. Infelizmente, é fruto das prensas sem implementação de norma regulamentadora. Quanto parente nosso, vereador Wagner Petrini, que tem dificuldade de audição? É fruto do adoecimento do trabalho. E são questões, vereador Jack, que precisam ser levantadas todos os dias porque causam estigma e um dano inabalável. Entrar na casa do vô do cara e a televisão estar no 100, o cara perdeu a audição e o município, muitas vezes, não tem capacidade de fornecer o EPI necessário. Isso se estende a diversas áreas, mas eu, como tenho maior proximidade com a metalurgia, presenciei muita coisa triste, Jack. Muita coisa de embargar a voz e muita coisa que acontece ali, mas tem um reflexo ad aeternum para a família. Porque muita gente que está dentro da fábrica, anteriormente, com a existência de aposentadoria especial, o metalúrgico se aposentava com 25 anos de contribuição, vereadora Andressa. Então, o que a gente tinha ali era uma juventude. Gente até 40 anos está dentro da fábrica, Jack. E quando morria, morria o pai de uma criança de 5, 6 anos, cara. Morria o marido de uma mulher de 30 e poucos anos, o esposo de uma trabalhadora de 35, 36 anos com a vida toda pela frente, Jack. E são questões que são pouco comunicadas dentro da sociedade. Fora o adoecimento, não é? Eu e V. Exa. tivemos a oportunidade, e outra triste oportunidade de conviver com um trabalhador que foi lá, fez 10 horas de serão e posteriormente as 10 horas de serão, vereadora Andressa, se suicidou dentro do... Não vou falar de que dentro que ele se suicidou, mas da peça que ele produzia. Então ele acabou de produzir a peça, e depois foi lá e se matou. Essa é a realidade, Jack. Tenha bondade, seu aparte.
VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): Só para complementar a fala do senhor. É muito triste, vereador, a gente ver um trabalhador preso, morto dentro de uma prensa, como a gente viu há uns dois anos atrás, a gente vê esse... Eu estive no local também, no exato momento que o trabalhador tinha morrido embaixo da carreta, onde a gente vê um trabalhador perder um braço, uma perna. Então, é muito triste para a família que fica ali os filhos. A gente não sabe nem o que falar para a família em um momento desses, um momento tão difícil. Então eu, enquanto trabalhador, para a gente é muito significativo isso, vereador Cláudio, a gente poder estar votando isso para tentar salvar vidas, tentar ajudar essas famílias que tanto sofrem. Obrigado, vereador.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Obrigado, vereador. Eu e a vereadora Andressa, que temos o orgulho de ser colega de V. Exa. Vamos votar de forma positiva. E para concluir, vereador Wagner, eu queria lembrar, a primeira vez que eu vi uma morte dentro de uma fábrica, era uma fundição. Vereadora Marisol, uma fundição tem um carrinho que tomba e joga o metal para dentro do forno. O carrinho emperrou, e ela tem como se fosse um pistão de pressão que empurra o carrinho. E o carrinho emperrou, o cara entrou lá para destravar o carrinho e o pistão empurrou ele dentro do forno. Obviamente, derreteu o cara dentro do forno, imediatamente evaporou, não é? Então são questões assim! Nós vivemos riscos significativos dentro das nossas indústrias de Caxias e precisamos sim, vereador Wagner Petrini, conversar sobre esses riscos para tentar mitigá-los da maior forma possível. Vamos votar de forma favorável.