VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Edson, meus cumprimentos ao senhor e aos demais vereadores. Eu respeito e compreendo. Se fosse uma situação em que eu estivesse envolvido também estaria profundamente chateado. Esse parecer de constitucionalidade foi dado, vereadora Rose Frigeri, pela Comissão de Constituição e Justiça e assinado por três vereadores que compõem essa comissão. Não foi assinado por mim. Porque eu, particularmente, entendo que nós não podemos... A vereadora Daiane foi a que mais conversou comigo sobre a minha posição na CCJ. Nós não podemos gerar despesas exacerbadas ao município. Essa é a posição do STF. Se eu fosse o parecerista, seria inconstitucional esse projeto. Isso tem que ficar claro. A segunda questão: projetos autorizativos encontram divergência na jurisprudência. Tem gente que entende que eles são constitucionais e tem gente que entende que eles são inconstitucionais. Eu entendo que eles são inconstitucionais, e apresentarei parecer de inconstitucionalidade.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Peço um aparte, vereador.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Porque eu, pouco me importa se o projeto é da senhora, ou do vereador Hiago, ou do vereador Calebe. Porque para mim, na CCJ, sempre sobram os projetos que eu discordo frontalmente. O projeto de que eu mais discordei até agora, de todos que foram propostos nesta Casa Legislativa, eu fui o relator. Eu sou relator de um processo da vereadora Daiane do qual eu discordo de forma abismal. Ela tipificou uma conduta da iniciativa privada, obrigando a colocação de câmeras. Eu, vereadora Rose Frigeri, sou contra, e vou votar contra o projeto. Agora, é constitucional. E teve um debate no Tribunal de Justiça que demorou uns seis meses para o Tribunal de Justiça decidir se era constitucional ou inconstitucional, vereador Sandro Fantinel. Metade dos desembargadores do Tribunal de Justiça, vereador Edson, entendeu que era constitucional. Metade entendeu que era inconstitucional. O Tribunal declarou a inconstitucionalidade. Eu, mesmo com o Tribunal declarando a inconstitucionalidade, vou dar pela constitucionalidade, porque tem divergência. E assim funciona a CCJ. Dos meus votos todos podem esperar a mesma coisa. Se gerar despesa, vou dar inconstitucional. Se for autorizativo, inconstitucional também.
VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Um aparte, vereador.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Porque senão, vereador Lucas, eu vou autorizar botar um parquinho no meu bairro. Vou autorizar botar um bebedouro na minha rua. Por isso eu entendo que é inconstitucional, porque é inaplicável, socialmente falando. E, nesse caso, gera despesa. Eu e a vereadora Andressa tendemos a votar ‘não’ nesse projeto, porque entendemos que ele é inconstitucional e vai ser vetado pelo prefeito Adiló. Vereador Sandro Fantinel.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Obrigado pelo aparte, vereador Libardi. Eu, sinceramente, quero deixar bem claro para que todo mundo entenda que eu acho o projeto maravilhoso, fantástico, porque é uma questão de segurança para as nossas crianças e para os professores. A questão aqui não é se o projeto é bom, maravilhoso ou não é. A questão aqui é: É constitucional ou não é? A questão é que eu, sempre, desde que estou aqui dentro desta Casa, já no sexto ano, eu posso dizer que tudo que onera o município, projetos vindos do Legislativo que oneram o município são inconstitucionais. Agora, se o Pedro entende de um jeito, a Maria entende de outro, daí eu também não entendo mais nada. Eu acho que tem que ter um regramento. Volto a repetir. O projeto é fantástico, tem o meu apoio total. Agora, é constitucional? Essa é a pergunta. Obrigado, vereador.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Obrigado, vereador Sandro Fantinel. Vereadora Andressa.
VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Vereador Libardi, mais do que debater o mérito, poderíamos ficar aqui, às vezes a gente gasta, investe o nosso tempo, digamos assim, debatendo o mérito, mas não entrando nem no mérito do projeto. Acho que nós devemos ter critérios na nossa atuação. Não dá para a gente ficar discorrendo. Daqui a pouco, a gente está fazendo coisa que não é do Legislativo, e aí os Poderes se atrapalham. Porque se o Executivo se mete na Câmara a gente não gosta.
VEREADOR HIAGO MORANDI (PL): Questão de Ordem, presidente.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Vou pedir para segurar meu tempo, por gentileza.
VEREADOR HIAGO MORANDI (PL): Como, vereador Cláudio, ficou muito nebulosa essa questão, a gente viu que é um valor bem grande, eu fiz a requisição para a gente fazer um Pedido de Vista por 15 dias, para debater melhor esse tema aqui na Casa e com as assessorias.
VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Acredito que o encaminhamento do vereador Hiago é oportuno, precisamos discutir melhor. Me preocupa. Acho que a gente precisa ter critérios. O vereador Cristiano está surpreso que eu concordei com o vereador Hiago. Tem momentos. (Risos) Tudo tem hora e dia para acontecer, né, Cristiano? É a nossa democracia. Enfim, precisamos ter critérios, porque senão a gente vai levar a Câmara para um lugar que não é legal, e acho que isso não é importante e não é válido para nenhum de nós. Obrigada, vereador Libardi.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Vereador Lucas Caregnato.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Bom, vereador Cláudio Libardi, eu já, na legislatura passada e ano passado, alertava para um flanco que se abriu, que era o de aprovar projeto inconstitucional. Só que, pasmem, esses projetos inconstitucionais que foram aprovados não são da oposição, são da própria base do governo, porque os da oposição sequer andam. Então eu volto a dizer, a base do governo precisa resolver essa questão, porque a Casa tem autonomia. O problema é colocar a Casa em uma situação suscetível a qualquer um apresentar qualquer projeto incondicional que onere o município, e isso virar moda, por parte dos vereadores especialmente que são da base do governo.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Obrigado, vereador Lucas. Obrigado, vereador Andressa. Obrigado, vereador Fantinel. E votaremos ‘sim’ ao requerimento do vereador Hiago.