VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Presidente, eu poderia ir na linha do que os colegas falaram, mas vou divergir um pouco. Independente da questão de aprovarmos ou não essa lei, esse dia, a preocupação é que, às vezes, a comunicação do que está sendo dito também chega com ruídos para as pessoas. Por exemplo, ontem o vereador Libardi mencionou que recebeu algumas mensagens, e eu achei que ele ia nesse tom, mas eu recebi mensagens de alguns empresários da cidade, de algumas pessoas que fazem a gestão de RH de empresas e têm que programar a questão de férias, de trabalho, home office e etc. E, na cabeça de muita gente, seria um dia sem carro em todos os aspectos, inclusive transporte público. Então, vejam como a informação chega para as pessoas muitas vezes, né? Eu não estou falando de gente ignorante e iletrada, que não tem acesso ao conhecimento, é a forma como chegou. E alguns disseram: “Como é que eu vou fazer? A gente vai ir a pé até o ambiente de trabalho? Vai todo mundo ficar sem Visate, por exemplo, nesse dia? Vai todo mundo ficar sem carro?” Então, de fato, a gente tem que pensar o que nós estamos aprovando. Agora, tem o outro lado também, que, poxa, colocar um evento no calendário oficial do Município pode dar um impacto diferente para um evento, por exemplo. Então, acho que é relevante, sim. Até porque é nossa função, a gente sabe, e tem que reconhecer. A função de vereador é um tanto quanto limitada ao que nós fazemos aqui. Se não fosse a parceria que nós temos com deputados estaduais e federais para trazer emendas à cidade e para provocar audiências públicas em outras esferas e etc.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): O senhor me permite um aparte, vereador?
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Vejam o caso da questão da RGE, da iluminação aqui na cidade. Nossa competência foi aqui provocar uma audiência pública, que vai ser feita daqui a alguns dias, e, a partir disso, ouvir o Procon, etc. e etc., e dar os encaminhamentos à instância superior, porque nós não temos competência para legislar em cima disso. E fazemos um protesto, que o vereador Petrini está capitaneando e organizando esse protesto. Agora, o que foge disso, foge da nossa alçada. Então, a gente tem que reconhecer também, porque daqui a pouco a gente entra em uma discussão de mérito, onde aprovar também nome de rua vai ficar sem valor. E o presidente Lucas, que inclusive é um defensor, insiste, e eu também acredito, é uma maneira de honrarmos as pessoas aqui. Foi falado inclusive pela vereadora Sandra sobre o Cidadão Caxiense, a vereadora Marisol sobre a nomeação de rua, que é uma forma de honrar as pessoas. Então, dentro da nossa competência, eu acho que é válida a votação. Agora, a questão é: O que está sendo votado? Tem que ser esclarecido para as pessoas. E depois, assim, vou na linha do que disse o vereador Libardi, e já lhe concedo aparte na sequência. Não adianta instituir uma lei para mudar a cultura. Precisa se criar política pública, criar um interesse público pela participação do ônibus coletivo, mostrar que o ônibus coletivo é melhor do que um carro individual, e aí sim se instituir uma lei a partir disso. Porque lei por lei, se lei resolvesse os problemas do Brasil, nós éramos país de primeiro mundo. Seu aparte, vereador Libardi.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Obrigado pela gentileza, vereador Calebe. Exatamente isso. O que nós estamos votando aqui é a supressão, no calendário do município, do Dia do Pedestre, que estava sendo comemorado no mesmo dia, do Dia do Transporte Público e do Dia Municipal Sem Carro. Então, era uma lei que instituía o Dia Municipal Sem Carro, o Dia Municipal do Pedestre, o Dia Municipal do Transporte Coletivo e agora há uma supressão desta lei do Dia do Pedestre, exatamente o que o senhor falou.
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): É temerário e preocupante, já me encaminho aqui para o fim. Porque daqui a pouco acontece a banalização, não necessariamente de como nós estamos votando, porque é a nossa competência, mas do que estamos votando, em que condições está se dando o voto. Por exemplo, nós temos hoje uma quantidade enorme de pessoas que utilizam o transporte público, reclamações diárias, que todos nós aqui recebemos, sem exceção. Volta e meia esse assunto retorna em discussão nesta Casa e a pergunta é: qual é a política pública que está sendo feita em cima das reclamações para que nós possamos, então, de fato, celebrar um dia sem carro, sem individualidade, um dia que as pessoas vão a pé, vão de bicicleta como o vereador Cláudio Libardi e tantos outros que são adeptos desse transporte? Então, fica aqui o questionamento, a importância de nós observarmos isso e a gente não pode banalizar o que está sendo votado, entender o que isso vai produzir. Para terminar eu deixo uma reflexão para os colegas. Nós temos uma lei estadual aqui no Rio Grande do Sul que diz, é só olhar qualquer elevador, inclusive aqui o da Casa deve ter o selo na porta do elevador. É lei isso, gente, que a pessoa tem que verificar se o elevador está parado no andar onde ela deseja entrar. Então, imagina: se tem que ter lei para normatizar esse tipo de comportamento, nós vamos começar a fazer lei e tem horário para acordar e para dormir? Uma lei para instituir que horário a pessoa precisa se alimentar. São umas coisas meio óbvias, não é? Então, eu acho que a gente tem que investir primeiro na política pública e depois, sim, sedimentar e concretizar isso com uma instituição no calendário do município e aí sim fazer uma ação, de fato. Senão, de fato, é acabar enxugando o gelo e mais uma questão de “aprovamos o dia”, agora, na prática o que é feito? Pouca coisa.