VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Bom dia, presidente Marisol, colegas vereadores, vereadoras, pessoas que nos acompanham. De forma muito especial aqui, quero saudar a minha amiga Carina, os familiares. Carina que é irmã desse moço aqui, meu amigo saudoso, o Diego, do Pura. E muitas pessoas relativizam essa função de estabelecer o nome das ruas do nosso município, mas todos nós sabemos o quão importante é morar em um lugar em que as pessoas possam receber as suas correspondências, que esse espaço possa ser nomeado e que essa rua possa receber o nome de uma pessoa tão bacana, tão importante, como alguém que levava alegria para tantas pessoas da nossa cidade. Eu lembro da primeira vez que eu vi o Diego cantando, que foi em um samba lá no Burgo, lá no Jardelino, em uma noite de frio, de inverno, há vários anos. E a última vez, eu acho que fui em um samba, na verdade, a gente fez um samba de Natal na minha casa, que tu estava, Karina, a gente fazia geralmente. E, enfim, o Diego nos deixou e hoje eu estou aqui na Câmara prestando essa homenagem. Falei ontem com gurizada do Pura, com o Renan e os meus amigos do Pura, que estão trabalhando e não puderam estar aqui. A gente está prestando essa homenagem.
Diego do Nascimento Rodrigues nasceu em Caxias do Sul, no dia 16 de abril de 1993. Diego sempre foi uma criança carismática, [...] e nunca deixou de ser assim. A música entrou em sua vida quando ele começou a frequentar o Centro de Umbanda desde Criança. A mãe de Diego era ialorixá [...] e aí despertou a vontade e paixão pela música.
No Centro de Umbanda, começou a tocar tambor e, quem o conheceu, sabe que ele tocava e cantava lindamente, chegou a fazer alguns eventos com o grupo de umbandistas. E a partir daí, já apaixonado pela música, chegou a possibilidade de formação de um grupo, o Pura Curtição. Na formação inicial Diego estava acompanhado do Ramon, do Léo, do Gui e do Aldair, os fundadores da banda. Os ensaios eram no porão da casa da irmã do Diego. Eles eram muito jovens, praticamente adolescentes ainda quando fundaram a banda, foi então que Diego se afastou um pouco da religião, seguindo o sonho da música e de viver da arte, afinal esse sonho demandava horas de ensaio. Foi então que fundaram o Pura Curtição.
Ele era o vocalista do grupo e no decorrer dos ensaios e shows, ele descobriu que tinha uma espinha em uma corda vocal e começou a ter problemas com a voz, a voz falhava. Até tentou fazer algumas sessões de fonoaudiologia, mas não foi o suficiente para resolver o problema, a voz estava falhando cada vez mais.
[...]
E eu lembro da dor de ir alguns sambas e pagodes, e ir no Luizinho, por exemplo, de ir aos sambas e ver o Diego tocando só e sem poder cantar e as pessoas perguntando: “Por que tu não cantas?”. E da dor dele de não poder cantar e sempre explicar e depois todo mundo sabia do problema vocal que ele tinha.
Foi então que Diego deixou o posto de vocalista principal, porém seguiu na banda, tocando de tudo um pouco. O diferencial dele sempre foi repique, pandeiro, tantã. Sempre se destacou muito bem nesses instrumentos de percussão. Quando o grupo alavancou, a agenda de shows começou a lotar e Diego realmente vivia para a música, era difícil encontrar com ele durante a semana. As apresentações começavam na quarta e iam até no domingo, como segue até hoje.
O Pura segue sempre fazendo muito sucesso. Sempre muito apegado à família, Diego sofreu muito com a partida da mãe e posteriormente do pai.
Eu lembro deste momento, Carrina, meu amigo Márcio irmão de vocês, do sofrimento do Diego e de todos vocês. Mas ele sempre foi uma pessoa muito carismática, fazia todos darem risada, contava piada, estava sempre de bom humor. Eu sigo na Declaração de Voto, presidente, se ninguém mais se manifestar.
Infelizmente, Diego nos deixou em 2022, vítima de uma leucemia muito agressiva, levando apenas 4 dias entre a descoberta e o falecimento. Foi uma grande perda para a família, mas, também, para nós, amantes do samba, do pagode, da cultura popular.
(Texto fornecido pelo orador.)
Com a certeza de que o Diego já encontrou a luz, ele está bem, na felicidade, enfim, está nos abençoando. Eu quero dizer que eu preferia estar curtindo um samba com o Diego, com o Seu Perdigão, com o Bira e com o Alda, mas, enfim, a vida tem dessas coisas. Deus e os orixás me fizeram estar aqui hoje como vereador, e eu estou prestando essa homenagem. Carina, falamos já tantas vezes e chegou o dia para essa minha singela homenagem, e, enfim, no momento oportuno voto sim. Vários vereadores tenho certeza de que conheciam o Diego das andanças aí, esse sorriso tão fraterno que abraçava todo mundo. O dia está feio, assim, com essa cerração, mas acho que é um momento bem iluminado para todos nós. No momento oportuno eu voto sim. Tenho certeza de que os colegas vereadores também votarão. Muito obrigado, presidente Marisol.