quinta-feira, 17/08/2017 - 83 Ordinária

Projeto de Lei n° 49/2017

VEREADORA PAULA IORIS (PSDB): Bem, colegas, falar de Setembro Amarelo é tratar a respeito da prevenção do suicídio. Isso quer dizer cuidar da vida, quer dizer amparar quem está em situação de desespero. Porque o suicídio é uma situação derradeira de desespero.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Peço a palavra, presidente.
VEREADORA PAULA IORIS (PSDB): O Setembro Amarelo já é lei em vários municípios. Eu cito alguns...
VEREADOR CHICO GUERRA (PRB): Um aparte, vereadora?
VEREADORA PAULA IORIS (PSDB): Quer falar agora? Eu cito alguns, a exemplo de Joinville, Londrina, Vitória, Sorocaba e, aqui no nosso estado, em Santo Ângelo. O Setembro Amarelo tem por objetivo chamar a atenção ao tema. Provocar a reflexão, discussões, debates. A gente percebe, que diversos meses tem cores. Tem o Outubro Rosa, que é câncer de mama, tem o novembro azul que é a questão da próstata. Recentemente propusemos o janeiro branco e agora o setembro amarelo. Eu vim até com o amarelinho aqui na gola. São campanhas. E a gente pode perguntar. Mas por que tantos meses com cores? Porque muitos dos nossos problemas, em especial, todos citados são falta, é ausência de saúde. Eles ocorrem pela falta de hábitos adequados, por comportamentos. E nós precisamos das campanhas para conscientizar a respeito desses comportamentos que precisam ser modificados de hábitos que precisam ser adquiridos e de quebra de paradigma. Então as campanhas elas são muito bem-vindas nesse sentido. Se nós olharmos para esses meses que já existem nós vemos que eles deram resultado. O que nós precisamos quebrar de paradigma em relação ao setembro amarelo é a crença de que não falando sobre o tema a gente evita que ele ocorra. Isso é uma crença que se tem ao longo dos anos. É tão evidente que isso não é verdade quando nós olhamos os números. Dizendo rapidamente, no Brasil, em momento anterior eu já apresentei isso aqui. No Brasil de 80 até 2014 nós tivemos 27% de aumento de suicídios. Olhando para dados aqui da nossa cidade nós tivemos em 2016, 191 tentativas de suicídio. E nós já tivemos já no primeiro trimestre de 2017, 37 tentativas. Aprofundando o tema, eu tenho duas informações que aí eu não sei qual é a real que a cada suicídio pessoas tentam sete vezes.  Eu vi  numa outra palestra tentam vinte vezes,  a tentativa, até tu conseguir que o suicídio tenha sucesso. Então todo esse tempo é oportunidade de tratamento. É oportunidade de acolhimento. Certo? Em relação a suicídios ocorridos em 2016, tivemos 28 em Caxias e no primeiro trimestre já dez. No primeiro trimestre, eu não tenho esses dados atualizados. Então esses números evidenciam que nós estamos aqui um problema de saúde pública. Então a ideia de tornar lei o setembro amarelo é que a gente possa de fato encarar isso como um problema... O suicídio
como um problema de saúde pública e dessa forma oferecer atendimento, oferecer tratamento, porque também é dado conhecido que de nove entre dez casos poderiam ser evitados. Então nós precisamos acolher esses casos. Além disso, orientar a conduta para quem trabalha nas áreas de saúde. Existe tanto, a gente evita tanto tratar desse tema que as pessoas  muitas vezes não estão preparadas para acolher alguém
vítima de... Que está nessa situação tentando o suicídio. Então, por exemplo. Nós precisamos treinar o olhar das pessoas. Uma Declaração de Líder, vou usar brevemente.
VEREADOR ALBERTO MENEGUZZI (PSB): Uma Declaração de Líder para a bancada do PSDB, vereadora Paula Ioris.
VEREADORA PAULA IORIS (PSDB): Quem está lá na saúde atentando uma tentativa de suicídio tem que ter manejo adequado sobre isso. Eu estive em uma palestra com psiquiatra que trata desse tema e ele disse que até mesmo médicos dizem: mas eu pergunto para ele? Por que que ele está fazendo isso? Eu trato do tema. Então de fato. Existe tanto tabu em relação ao setembro amarelo que nós não temos, muitas vezes, as pessoas preparadas para lidarem com isso, com quem está sofrendo esse mal. Então, nós propomos que o setembro amarelo se torne uma lei justamente para nós termos institucionalizadas as políticas, procedimentos, tratamentos para que a gente possa acolher e tratar esse problema. Todos nós sabemos que a perda é uma coisa irreparável. E quem perde por suicídio é uma perda ainda mais dolorosa, é um sofrimento generalizado em toda a família. Eu também tenho uma informação que, das vinte cidades com maior índice de suicídio, dez estão no Rio Grande do Sul. E tenho uma informação de que tinha maior número de suicídio, se eu não me engano, Viamão. Com políticas adotadas, com trabalhos adotados na cidade, ela não está mais no primeiro lugar, ela já desceu. Então, nós precisamos... Qualquer situação na nossa vida precisa, para ser trabalhada... Qualquer problema, para ser administrado, ele precisa ser reconhecido. Então, nós precisamos reconhecer o suicídio como um assunto grave e de saúde pública para que ele possa ser trabalhado. Por isso, no momento adequado, eu peço o apoio dos pares. Vereador Chico, o seu aparte.
VEREADOR CHICO GUERRA (PRB): Obrigado, vereadora.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Permite um aparte, vereadora?
VEREADOR CHICO GUERRA (PRB): Bem rapidinho. Parabéns, é isso mesmo, tem que bater na tecla. Eu acho que por falta dessa conversa entre família é que gera muitos problemas assim. Mas eu arrisco dizer que a miséria financeira não chega a ser o caso que muitos entrem em dívida e acabam se matando. Eu, se for levantar, acho que não dá um número muito grande nisso aí. Mas eu acredito que a miséria emocional das pessoas é o que está levando ao suicídio, porque a gente chegou num patamar que a pessoa perde a vontade de viver. E aí ele não tem um ideal maior, ele não se localiza na vida, aí ele parte para essa desgraça que está assombrando o mundo inteiro. Parabéns pela matéria.
VEREADORA PAULA IORIS (PSDB): Obrigada, vereador Chico Guerra. Pois não, vereador Rafael.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Vereadora Paula, nós protocolamos um projeto justamente para tratar a questão da saúde mental, o Janeiro Branco. Tivemos a presença de um psicólogo que está divulgando a campanha em nível nacional. Mas esse projeto Setembro Amarelo, já é uma campanha nacional, diga-se de passagem. Eu dedico esse projeto, o meu voto, vereadora Paula, à Miriam Gemelli, que foi presidente do CVV – Centro de Valorização da Vida. Sofreu um acidente de automóvel no ano de 2015, logo após que voltou do Setembro Amarelo no Rio de Janeiro. O mundo inteiro veio comemorar o Setembro Amarelo lá no Cristo Redentor. E nós iniciamos, então, uma discussão com a Prefeitura de Caxias na época de iluminar o Cristo lá nos pavilhões da Festa da Uva, o Monumento ao Imigrante, a Prefeitura de Caxias do Sul. Então fica a dica de uma parceria com o Município de Caxias do Sul, que faça atividades nesse mês de conscientização, mas que possa também... Porque no mês de setembro, os principais pontos turísticos do Rio de Janeiro são iluminados de amarelo para conscientizar a população. Eu gostaria de dizer, vereadora Paula, quando a senhora fala que é questão de suicídio, é sim, uma questão de saúde pública. E são dados do Ministério da Saúde. E o que mais nos preocupa é que o índice de jovens e de idosos que cometem suicídio, ele extrapola toda a outra faixa etária que também são vítimas do suicídio. Por isso que devem ser feitas campanhas voltadas para essa faixa etária dos idosos e dos jovens. Eu quero deixar o telefone à disposição, vereadora Paula, porque 90% dos casos podem ser revistos, de suicídio, se tiver uma busca de profissional ou de voluntários, que é o caso do CVV, que tem mais de cinquenta anos de atuação em nível mundial, 24 horas. Eu sou autor do projeto de lei que decreta de utilidade pública, na legislatura passada, o CVV – Centro de Valorização da Vida. E a partir desse projeto que foi aprovado na Câmara de Vereadores foi possível, então, eles terem um número de forma gratuita, que é o número 141. Toda e qualquer pessoa que sofre de algum problema mental ou precisa alguma ajuda, enfim, de algum auxílio voluntário, uma palavra de conforto, um encaminhamento pode ligar para o número 141 de forma voluntária para ter esse encaminhamento para  a saúde mental. E, eu peço a quem está nos assistindo, que vá utilizar desse telefone 141, mas que não fique passando trote. Porque quantas pessoas deixam de ser atendidas, por aquelas que passam trote. Então, se você precisa de algum auxilio; algum encaminhamento: 141 - Centro de Valorização da Vida está 24 horas para receber e o lema deles é: Como vai você? Centro de Valorização da Vida. Então,  voto favorável. Parabéns, por este projeto, vereadora Paula, e que ele repercuta em outras Câmaras de Vereadores  país à fora. Obrigado.
VEREADORA PAULA IORIS (PSDB): Obrigada, pelos apartes. Muito obrigada, pela oportunidade. Obrigada, presidente.
Parla Vox Taquigrafia

Votação: Não realizada

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