VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Senhor presidente, senhores vereadores. Primeiramente, agradecer ao vereador Sandro Fantinel pela passagem do seu Grande Expediente. Farei, na semana que vem, a devolução do Grande Expediente para ele, que está em viagem. Eu vou falar, hoje, da questão do autismo. Hoje é o dia mundial, nacional, municipal da questão da conscientização do autismo. A gente tem muitas coisas para falar. Até me alcança o meu celular, Paula, que eu quero colocar um depoimento ali. A gente tem vários projetos nessa área e quando ontem a gente estava pensando que seria o nosso Grande Expediente, a gente tem muitos problemas pela cidade que poderiam ser falados. A gente esteve em Galópolis ontem, uma situação crítica dos moradores, onde estaremos passando para o Lucas Suzin hoje à tarde as demandas, a gente tem várias situações na área da educação, propriamente dita, que a gente espera que se resolva na semana que vem com a nossa audiência pública. A gente tem problema da questão da segurança, que a gente pede a nomeação dos guardas, e tantos outros. Mas hoje é o dia de celebração, de conscientização sobre o autismo e eu queria trazer um pouquinho dos nossos projetos de lei. Além, claro, das nossas indicações, das nossas lutas, mas os nossos projetos de lei que a gente protocolou para essa situação. Então a gente tem a fila preferencial não só para pessoa com Transtorno do Espectro Autista, mas sempre o seu responsável legal. Essa lei já aprovada na Câmara de Vereadores e já é uma realidade no nosso município. A questão da isenção do IPTU para portadores de TEA. Essa daqui é um projeto de lei que infelizmente ainda está na prefeitura desde o dia... Deixa eu dizer, foi encaminhado para a prefeitura dia 29 de maio de 2025. Desde lá, a gente está sem posicionamento do projeto, isenção do IPTU, uma situação importante e que a gente precisaria de uma celeridade da prefeitura. Já cobramos, não é? Já fomos atrás, já conversamos com o secretário Micael, que é a questão do secretário responsável por essa parte, mas ainda não voltou para cá. A gente tem a questão do Fundo Municipal ao Autismo e tem um outro projeto de lei muito importante, que a gente protocolou ainda no mês de junho do ano passado, que são os sinais sonoros para autistas, os sinais nas escolas municipais. Ele aguardava o parecer do Executivo, me parece que chegou na semana passada aqui, e a gente espera que dê celeridade nas demais comissões para que venha para votação o quanto antes nesta Casa. O Promafa, que é um programa municipal de apoio às famílias atípicas, que foi protocolado junto com a vereadora Andressa Malmann e também está tramitando na nossa Câmara de Vereadores. Também temos a Semana Municipal da Maternidade Atípica, protocolado pelas vereadoras da PEM e está aguardando o parecer. E também a gente agora vai protocolar uma área específica para PCDs nos eventos e isso já foi conversado com a com a Coordenadoria de Acessibilidade do nosso município. Eles gostaram muito da ideia e a gente vai estar protocolando nos próximos dias. São algumas das nossas ações em vias de projetos para a causa autista e que deve ser relembrado. Mas qual que é o problema da situação, que muito a Jussara, nos trouxe hoje, aqui, quando ela falou da questão do autismo, quais são as dificuldades? As dificuldades na área de educação, com a questão da monitoria, a questão de horários muito reduzidos, a questão de terapias, mas principalmente a questão de falta do diagnóstico. Por que a falta do diagnóstico? Porque a gente não tem neuro suficiente para fazer esses atendimentos. E hoje quando eu coloquei no grupo de manhã, a gente tem um grupo lá do bairro Fátima, e eu coloquei que hoje à noite teremos uma roda de conversa aqui na Câmara de Vereadores, uma roda de conversa informal sobre a questão do autismo para celebrar essa conscientização. Estavam todos convidados e de imediato uma mãe colocou um relato que eu vou ler para vocês. Em um grupo do bairro aberto com outros pais, outras pessoas, enfim. “Há dois anos espero pelo SUS uma neurologista. Meu filho passou pela fono, pela terapia, por alguns meses e aí foi pedido para ele ir para o Centro do Autismo. Só que para passar para o Centro do Autista precisa ser o neurologista para encaminhar. Veja, venho aqui falar de inclusão, mas meu filho levou quase um ano para conseguir uma vaga na creche, e quando conseguiu para o turno integral, ficou na adaptação e concluíram, porque não tirava o soninho depois do almoço. Ele teria que ficar da 1 até as 5, mas fica na escola só no período da tarde por algumas horas, e na escola, era para ter uma profe para ele. Eles querem dizer a monitoria.
Sou uma mãe atípica, vivo para o meu filho. Horas sem dormir, sem descanso, com uma rotina que as pessoas acham que é fácil, não poder trabalhar e ter uma vida normal e ainda ter força para lutar todos os dias para seu filho ficar bem e você saber que ele depende apenas de você e que você esteja bem. Um desabafo pelas mães que lutam sozinhas por essa causa.
(Texto fornecido pela oradora.)
Como eu falei, é um relato de uma mãe em um grupo do WhatsApp, a Rose, sobre a questão do autismo, da falta de diagnóstico e, por conta disso, a questão do encaminhamento para o Centro do Autista. Na outra semana, uns 20 dias atrás, mais ou menos, eu estive na MultiTEA, também chamada por diversas mães atípicas que gostariam de conversar comigo. A MultiTEA é uma clínica particular que atende os planos de saúde, né? Então, atende o Círculo e a Unimed. E essas mães estavam lá reunidas enquanto os filhos estavam na terapia para conversar comigo sobre a questão do autismo, a dificuldade de outras mães, que participam nos grupos, de conseguir o diagnóstico, a dificuldade que elas tinham no SUS para conseguir as terapias, para estarem inseridas no Centro do Autismo, o período curto do Centro do Autismo. Porque tu tem que ficar um período, e depois que tu findou os dois anos tu tem que voltar para a fila inicial. Tu sai do serviço e tem que retornar. Então, tu vai para a fila, normal. A dificuldade disso, e por isso que elas buscaram o plano de saúde e também estão com problema na questão do plano de saúde, quanto às terapias e quanto a todos os outros serviços. Mas, também, a preocupação delas a partir dos 12 anos dessas crianças, né? Essas crianças atípicas, esses jovens, a falta de terapia ocupacional, a falta de profissionais para trabalhar nessa área. Então, é uma preocupação constante dessas mães, das famílias atípicas e que, com todo esse boom que a gente acaba falando todos os dias sobre o autismo, sobre o transtorno do espectro autista, sobre a legislação que existe, sobre a falta de encaminhamento, sobre a falta de neuro, a falta de terapia ocupacional, a falta de psiquiatria, do mesmo jeito as coisas continuam assim. Então, a gente tem que vir aqui, tem que falar, tem que cobrar, porque senão as coisas acabam não acontecendo.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Vou lhe pedir um aparte.
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): E a gente se entristece quando recebe esses relatos de mães, e são relatos diários de mães atípicas que passam por dificuldades, não podem trabalhar, às vezes vivem, então, de um BPC
[1], mas não é porque ela gostaria de viver com aquilo. Ela gostaria de ir para o mercado de trabalho, ela queria trabalhar, às vezes é muito profissional mesmo, tem conhecimento e tudo mais, mas uma criança atípica que fica apenas duas horas na escola e tem que fazer terapia, teria que ter outros atendimentos, realmente, não tem como ir para o mercado de trabalho, não tem como ir para uma empresa e trabalhar. Seu aparte, vereador Libardi.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Queria lhe parabenizar, em especial pelo destaque das faltas de vaga em neurologia, que se estendem não exclusivamente às crianças com autismo, né? Tenho diversos clientes meus, vereadora Daiane, que têm um problema gravíssimo, por exemplo, Parkinson, que poderia ser retardado com o atendimento, através de investimento em atendimento de médicos especializados. E é uma questão que, quando eu e a vereadora Andressa buscamos a Secretaria de Saúde, nós elencamos como nossa prioridade número um. Porque, nesse caso específico, as doenças relacionadas ao cérebro vão ter um avanço muito rápido. E essa possibilidade de evitar esse avanço com o atendimento e um diagnóstico rápido é a principal questão. Não é algo que vai ser agudo e pode ser integralmente solucionável, é algo irreversível se não tiver acesso ao médico. Então, nós condenamos a pessoa a ter a supressão de dignidade pela falta de investimento público. Está certa a senhora. Tem que ter para o autista, mas a gente tem que ter investimento em neurologista para toda a sociedade, que, infelizmente, é uma situação trágica no atual momento.
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Uma Declaração de Líder à bancada do PL.
PRESIDENTE JOÃO UEZ (REPUBLICANOS): Uma Declaração de Líder à bancada do PL. Continua com a palavra, da tribuna, a vereadora Daiane Mello.
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Para falar da questão da saúde, vereador Libardi, obrigada pelo aparte, é uma questão que nos entristece muito, aquelas filas gigantescas para a questão de neuro, questão de psiquiatria, seja ela infantil ou adulta, o neurologista infantil e adulto. E, no ano passado, a gente teve, em abril, a questão dessas listagens, desse pedido de informações que, se eu não me engano, a Comissão de Saúde fez ao município de Caxias do Sul. E nos causou um impacto muito grande a quantidade de pessoas na fila de espera. Com todas as questões das emendas elencadas do ano passado para a Secretaria da Saúde para tentar zerar essas filas ou diminuí-las, a gente gostaria, nos próximos dias também, de estar cobrando, então, da Secretaria da Saúde ou, até mesmo, do secretário Rafael para que ele nos apresente quanto baixou dessas filas, a partir dos os trabalhos já realizados na Secretaria da Saúde, porque a gente sabe que ele tem anunciado diversos recursos direcionados para diminuição das filas. Claro que a gente sabe que é no baixar a fila ela já aumenta na questão já normal do dia a dia. Mas é importante ele nos trazer esses dados do quanto baixou essas filas, principalmente na questão da neurologia: o neuropediatra e também o neurologista adulto, quanto essas filas já baixaram nosso município, psiquiatria, porque já foram diversos recursos direcionados para essas áreas, dentro da área da saúde. Então, é muito importante para que venham essas informações. Eu tenho visitado algumas escolas e a maior preocupação das diretoras é a questão das monitorias. A gente sabe que alguma coisa foi ajustada semana passada junto ao contrato da Troia. A gente tem a informação, a secretária da educação conversou comigo, disse que conversou pessoalmente com o representante da Troia, está fazendo diversos ajustes no contrato, fez notificação da empresa, mas é uma dificuldade constante as pessoas nos chamarem pela questão da monitoria. Mas a gente fala da monitoria, aquela que a pessoa já está laudada e a Secretaria de Educação já foi lá fazer a avaliação. Mas quantas crianças e jovens autistas que a gente tem nas nossas escolas que ainda não são laudados, que a gente não tem essas informações porque ele ainda não conseguiu um atendimento. Ele está há dois, três, até quatro anos na fila para ter o laudo, para fazer os encaminhamentos. E quando a gente fala do autismo, principalmente eu tive uma conversa com o pessoal da UniTEA na UCS, algum tempo atrás, e eles nos disseram a seguinte situação: Quanto antes ser diagnosticado com diversas terapias e acompanhamentos que podem acontecer, essa criança vai poder viver em sociedade normal, ela pode ser autossuficiente, ela pode não precisar lá na frente de um benefício porque ela vai poder trabalhar, ela vai poder elaborar. Então, tem toda essa questão. Então, por esse motivo a gente precisa que o diagnóstico seja realmente precoce e não as pessoas fiquem na fila dois, três anos para conseguir apenas o diagnóstico para daí, estar entrando no serviço do autismo. Então, mais do que dizer sobre a conscientização do autismo, a gente precisa conscientizar o nosso Poder Executivo, a nossa Secretaria da Saúde, a nossa Secretaria da Educação para trabalhar junto com a questão da inclusão. Então, hoje era isso. Às 18h30 a gente tem um evento aqui — um evento, modo de dizer — uma roda de conversa com as famílias atípicas, com algumas entidades, uma roda de conversa bem informal para a gente falar sobre a educação, sobre a saúde, sobre a acessibilidade aos serviços, sobre a inclusão. E estão todos convidados a participar a partir das 18h30 na Sala Geni Peteffi. A gente vai reunir com pais e mães atípicos e com o pessoal das entidades para falar realmente sobre esse tema. Então, era isso, senhor presidente. Muito obrigada.
[1] Benefício de Prestação Continuada