VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Muito obrigado, senhor presidente. Meus cumprimentos ao senhor e à senhora de casa, quem nos acompanha do Plenário e, também, aos demais vereadores. Queria cumprimentar publicamente o senhor, vereador Pedro. Porque esse é um tema que é debatido socialmente, vereador Cristiano. Quem de nós aqui, vereadores, não recebeu uma ligação falando, vereadora Rose, que estava aguardando algum exame para fazer o diagnóstico de câncer. Quantas vezes eu tive que ligar para a Secretaria de Saúde e a classificação, vereadora Daiane, era muito urgente. E a pessoa estava há 60 dias aguardando e falando: “Oh, vê quando faz esse exame, vamos fazer uma vaquinha e vamos contratar esse exame de forma particular”. As vezes R$ 1.000, R$ 2.000, é o que impede a pessoa de viver, vereador Pedro. E o diagnóstico precoce é muito, muito mais importante do que o tratamento. Essa é a grande questão. Quando a gente debate saúde aqui, vereador Pedro, nós vivemos, eu e o vereador Andressa, defendendo o investimento em saúde primária para que haja diagnóstico rápido e que nós não precisemos gastar tanto em tratamentos complexos. Estive conversando com uma enfermeira do Hospital do Círculo, que trabalha... Hoje a oncologia do Círculo e doenças raras é junto. E ela me falou que em dois anos aumentou 250% o diagnóstico de câncer e doenças raras. É óbvio que aumentou o diagnóstico precoce, mas, infelizmente, aumentou o diagnóstico precoce para quem tem condição de pagar um plano de saúde, vereador Cristiano Becker. Por que os dados da iniciativa privada apontam para 2.5 vezes mais diagnóstico, enquanto os dados do SUS apresentam o mesmo número de diagnósticos? Simplesmente porque teve um investimento da iniciativa privada no diagnóstico precoce para reduzir o custo do tratamento, não porque eles acham mais barato, mais bonito tratar as pessoas de câncer, simplesmente porque é mais econômico para uma empresa tratar no início. E precisa, vereador Pedro, ser mais econômico para o Estado também tratar no início. E passando exclusivamente uma prioridade econômica a gente que trabalha na vereança, trabalha com a vida das pessoas. Eu tive poucas experiências de morte na minha família, mas tive muita experiência de morte advogando, advogando leito. E uma vez fui cumprir, vereador Pedro, um mandado na UPA Zona Norte, com oficial de justiça, umas 10 horas da noite para obrigar a ter leito. Eu cheguei lá, o oficial de justiça cumpriu com o médico plantonista, não é? E o médico olhou para ele e falou: "Pelo menos vai morrer deitado, vai morrer com dignidade". E obviamente o meu trabalho ali, vereador Jack, era só garantir que morresse com dignidade mesmo. Agora eu não posso mais advogar contra o município, em razão do exercício da vereança, mas eu vejo os meus colegas tendo que ingressar para requerer tratamento por praticamente tudo, pela falta de diagnóstico. E nós precisamos promover um arcabouço legal que garanta às pessoas um prazo razoável para terem o diagnóstico. Porque quanta gente morre nessa Cidade, nesse Estado, no Brasil, sem saber a doença que tem? Esperando a biópsia. O resultado da autópsia chega mais rápido que o resultado da biópsia. É mais rápido. Abre ali e já descobre o que tem depois que morreu, vereadora Sandra. Então, embora eu tenha diversas divergências com o vereador Pedro, acho que eu e ele defendemos a vida na essência. Isso é que é defender a vida. Que as pessoas tenham direito de ser tratadas. Porque o diagnóstico não é separado, vereador Pedro, por outra coisa que não quem tem dinheiro para pagar e quem não tem. Essa é a diferença de quem tem um diagnóstico rápido ou não. Quem tem os R$ 500,00 do plano de saúde sabe em 15 dias o que tem. Quem não tem morre, muitas vezes. Então, parabéns ao senhor por trazer um tema tão perene à nossa Casa Legislativa e também por falar algo que é óbvio. Onde é que já se viu a gente ter que fazer uma lei para a pessoa ter direito a ter um diagnóstico? Olha o ponto em que nós chegamos? Nós estamos legislando para que a pessoa não morra. Mas de toda forma, se for necessário legislar isso, legislemos, vereador Pedro. Parabéns ao senhor e obviamente voltarei de forma favorável.