VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Senhor presidente, a nossa bancada achou oportuno trazer esse debate para cá porque agora inclusive nós estamos discutindo, vereadores e vereadoras, a questão da diminuição da jornada de trabalho no Brasil. E a gente observa que sempre quando nós debatemos um acesso a um direito para os trabalhadores, para a maioria da população, tem uma parcela da sociedade, vereador Cláudio Libardi, essa parcela que trabalha para se beneficiar, que aparece com o discurso de que o Brasil vai quebrar, de que não tem como, de quem vai pagar essa conta. Bolsa Família, auxílio moradia, todas essas medidas do Estado, sempre tem alguém que diz que é muito dinheiro gasto em benefícios sociais. Quando a gente vai observar, a gente percebe que esses, a existência desses programas, desses projetos desses benefícios para uma parcela da população acessar, eles se dão por conta de uma motivação que é simplesmente para que a pessoa possa ter direito básico de sobrevivência, não é? Então é o básico do básico. Dizem algumas pessoas da minha área de serviço social que isso não é nem o básico, é o mínimo, não é? Para ter acesso à alimentação mínima, para conseguir viver o seu dia a dia minimamente. Nós sabemos de muitas famílias que muitas vezes precisam de apoio do Estado e não conseguem, porque ainda há uma percepção de que não é responsabilidade do Estado fazer esse tipo de coisa para a população. E a gente vê que quem deveria fiscalizar os órgãos, o Judiciário, que deveria acompanhar o Legislativo e o Executivo, e que deveria dar exemplo para a sociedade, justamente porque também não passam pelo voto popular - porque é isso. Se nós discutimos qualquer coisa aqui, a sociedade vai nos cobrar. Vai acompanhar, vai perguntar, vai questionar. Com razão, vão querer participar das nossas decisões. Agora, e quando o Judiciário defende? Quando o Judiciário aprova uma medida que é para se beneficiar? E hoje o que a gente percebe no Brasil são a existência de diversos benefícios, não é? Se a gente vai olhar o que uma parcela do Judiciário tem acesso, tem, por exemplo, auxílio moradia. Será que precisaria, vereador Cláudio Libardi, com um salário desses, ter acesso a auxílio moradia? Tem auxílio alimentação, tem auxílio saúde, tem auxílio muitas vezes até para comprar coisas básicas como roupa. Mas se a gente vai debater uma simples diminuição da jornada de trabalho para os trabalhadores é demais, a gente está pedindo demais, vereador José Abreu, não é? O Brasil vai quebrar. Mas essas medidas aqui, de supersalários, de pessoas que acabam enriquecendo através do poder público, muitas vezes a gente não tem atenção da sociedade. E é isso, é esse o problema do Brasil. É esse o problema, é uma minoria que suga do estado e da sociedade para que possam enriquecer à custa da maioria. O problema é a história do Brasil, e ela se forma desse jeito. E nós precisamos dizer para a sociedade o que nós pensamos em relação a isso. Nós somos a favor ou contra? Nós, enquanto vereadores, se pudéssemos tomar essas medidas, nós faríamos isso também? Nós trabalharíamos para ter acesso a todos esses privilégios ou a gente quer que se faça justiça e que nós, sim, tenhamos boas condições de trabalho? Obviamente, mas toda a população tem que ter boas condições de trabalho. Então, a ideia da nossa bancada trazer esse debate é para que a gente possa dar um recado para a sociedade que, enquanto parlamento nós não concordamos com esse tipo de atitude e que nós não estamos aqui para trabalhar em prol de nós mesmos. Por isso, sim, as medidas e os debates que o ministro Flávio Dino vem fazendo são importantes. Ele se coloca como representante de alguém que não concorda com isso que foi feito historicamente no Brasil, né? De um Judiciário que, muitas vezes, vira as costas para o povo; de um Judiciário que, muitas vezes, trabalha para se beneficiar; de um Judiciário que fica distante da realidade da população e que não só as suas medidas em relação à justiça, entre aspas, são duvidosas, assim como as suas ações para poderem criar boas condições para que eles fiquem bem sem se preocupar com a maioria da população. E é o absurdo dos absurdos essa história de aposentadoria compulsória. Então, a pessoa comete um crime, a pessoa atenta contra os interesses coletivos da população brasileira e ela vai ser aposentada integralmente. É óbvio que isso não é fazer justiça. Isso não acontece em nenhum outro lugar do Brasil, vereador Cláudio Libardi. Por que teria que acontecer no Judiciário? Então, é óbvio que não há preocupação dessa categoria em relação a respeito à legislação, porque, bom, se eu fizer algo de errado, eu vou ser aposentado compulsoriamente e essa vai ser a minha pena. Então, esse é o recado da nossa bancada para a sociedade e temos certeza do apoio dos vereadores em relação a esse tema. Obrigada, senhor presidente.