VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Senhor presidente, fiz questão de vir até a tribuna porque é nosso primeiro projeto de lei, meu primeiro projeto de lei que vem para plenário. Ele diz respeito a... Não é à toa que justamente o assunto que ele traz é a questão educacional. Nós falávamos antes que o nosso município, infelizmente, tem tomado decisões que nos preocupam em relação à educação. Nesse caso, o projeto versa sobre a educação de jovens e adultos. Ali na exposição de motivos, tem algumas informações que eu acho importante nós visualizarmos. Dentre elas, é que, entre os jovens de 14 a 29 anos do nosso país, 8,7 milhões não completaram o ensino médio em 2024 por terem abandonado a escola sem concluir essa etapa ou por nunca terem frequentado. Em 2023, esse contingente era de 9,3 milhões. Em 2019, chega a 11,4 milhões. Segundo dados do IBGE, Caxias do Sul ocupa a 37ª posição no ranking nacional de alfabetização. Segundo o censo, 83.567 pessoas no município não têm instrução ou têm ensino fundamental incompleto, o equivalente a 22,67% das pessoas que moram aqui. Já com ensino fundamental e médio completos, os dados apontam que são 66.114 pessoas, equivalente a 17,99% da população. Em Caxias do Sul, segundo informações da Secretaria Municipal da Educação, temos o ensino fundamental, o EJA, em duas escolas: a Escola Municipal de Ensino Fundamental Caic, conhecida como Caic, com 29 estudantes; e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Caldas Júnior, com 32 estudantes. Para além do convênio do município com o Sesi, que conta com 55 estudantes matriculados. E aí a gente apresenta um panorama, aqui, das pessoas que estão estudando. E nós também trazemos várias reflexões sobre o que faz as pessoas abandonarem a escola. Se a gente for conversar com familiares, nossos pais, avós, com as pessoas da nossa família que não concluíram o ensino médio — eu tenho várias na minha família, inclusive irmãos que não concluíram — a gente vai perceber que o trabalho tem, geralmente, um espaço mais relevante. Chega numa certa idade, os jovens que são de famílias trabalhadoras abandonam a escola, vereador Juliano Valim, porque precisam trabalhar. E essa é a realidade de milhares de brasileiros e brasileiras. Ocorre que nós precisamos pensar e refletir qual é a responsabilidade do município em relação a isso. E a verdade é que, hoje, nós temos poucos lugares que oferecem educação de jovens e adultos, sendo que nós precisaríamos apoiar e fomentar isso muito mais. Um dado que eu trago importante do nosso país, dados do IBGE, é que temos, no Brasil, um número de analfabetos absolutos de mais de nove milhões de pessoas. Mas nós precisamos começar a falar dos analfabetos funcionais, que são aquelas pessoas que não conseguem interpretar um texto, que não conseguem fazer uma conta básica, que não conseguem interpretar um gráfico. Então, são pessoas que conseguem juntar palavras, mas não conseguem compreender o que está posto ali. Nós temos mais de 40 milhões de pessoas no Brasil consideradas analfabetas funcionais, que são pessoas que, geralmente, têm baixa escolaridade ou têm acesso à educação precária. E nós percebemos que a nossa cidade tem um analfabetismo muito pequeno. Comparado, em nível do Brasil, é uma das cidades que menos tem. Mas, se a gente for olhar para os analfabetos funcionais, que são aquelas pessoas que não conseguem interpretar, que não conseguem fazer nada além de juntar palavras, nós temos centenas de pessoas aqui na nossa cidade também. Então, esse projeto de lei tem como objetivo dar visibilidade e fazer com que o Município promova campanhas que tenham como foco essas pessoas que não concluíram o ensino médio na idade que deveriam, pessoas que abandonaram a escola por vários motivos. Que a gente possa fomentar cada vez mais. Infelizmente, no ensino fundamental e no ensino médio, que daí é responsabilidade do Estado, nós tivemos diminuição de escolas que oferecem essas modalidades, vereador Lucas, aqui, que é da educação. Nós fomos fechando os noturnos das escolas, fechando escolas, mas também fechando turnos, e hoje nós temos poucas escolas municipais e estaduais que oferecem, o que dificulta o acesso das pessoas, porque nós sabemos que temos que ter a educação perto de casa e, de preferência, uma educação de qualidade, que dialogue com a realidade das pessoas que trabalham. Então, esse projeto é para isso. Fico muito feliz que a primeira temática do nosso projeto é em relação à educação. E que a gente possa, cada vez mais, investir em educação de qualidade, para que todas as pessoas no nosso país e na nossa cidade tenham pelo menos ensino fundamental e médio completo e que seja de qualidade, que não sejam analfabetos funcionais, porque uma sociedade que não tem pessoas alfabetizadas minimamente é uma sociedade que facilmente a gente não tem dignidade. Obrigado, senhor presidente.