quinta-feira, 19/02/2026 - 137 Ordinária

Veto Total nº 1/2026 do Projeto de Lei nº 219/2025

VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Temos um dia de intenso trabalho pela frente. Mas vamos lá, vamos trazer luz aos temas que vão ser debatidos nesta manhã, que cabem ao Poder Legislativo e que, no Estado Democrático de Direito, o parlamento faz com muita responsabilidade. Infelizmente, o governo Adiló tem se demonstrado incompetente no que se refere a legislar. Vejam, colegas vereadores e colegas vereadoras, nós estamos votando, aqui, o veto de um projeto do Poder Executivo proposto pelo prefeito Adiló. Seguindo. Veto esse, desse projeto, que passou pelas comissões desta Casa, que são presididas pela base do governo.
VEREADOR HIAGO MORANDI (PL): Um aparte, vereador, depois.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Pareceres de constitucionalidade e de legalidade postos e com justificativa. E, aqui, eu quero me referir, eu vou parafrasear o vereador Capitão Ramon. Qual é a Câmera? Vamos para aquela lá. Aos trabalhadores e às trabalhadoras da Codeca, há uma força oculta que já não é mais tão oculta assim. E vejam o que diz na justificativa do veto.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Vou lhe pedir um aparte, por gentiliza.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Aliás, no parecer. Vejam o que se coloca no parecer. Diz o seguinte: O Poder Executivo, ao receber o projeto que ele mesmo propôs, decidiu pelo Veto Total por razões de interesse público, conveniência administrativa e — em letras maiúsculas, em destaque — reavaliação do planejamento governamental ao presente projeto. Minha cara vereadora Daiane Mello, vice-presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Codeca: Será que a reavaliação envolve repensar a função da Codeca? Será que isso se torna cada vez mais real? Será que os vereadores e vereadoras desta Casa vão dar anuência e derrubar um projeto aprovado por unanimidade nesta Casa, proposto pelo Poder Executivo, que não quer mais resolver uma questão histórica, que é do uso de um terreno pela companhia? Neste momento, se traz argumentos de que a companhia tem problemas, que ela é deficitária. Essas vozes ocultas, em certa medida, até falam em uma possibilidade de privatização. Eu já escutei isso aqui. Será essa a intenção, vereador Cláudio Libardi? Eu não sei. Eu defendo, aqui, que votemos pela derrubada do veto. E atenção, codequeiros, codequeiras e comunidade caxiense. Neste momento, aos vereadores e vereadoras que colocarão a sua impressão digital na derrubada desse veto, pode se iniciar uma mudança na companhia que, lá na frente, pode levar a uma situação catastrófica, já que a intenção está posta. Reavaliação do planejamento do que havia sido deferido. Seu aparte, vereador Hiago Morandi.
VEREADOR HIAGO MORANDI (PL): Vereador Lucas, eu acredito que falta acho que empenho ou pessoas competentes lá na parte do jurídico, já falei outras vezes aqui. Não posso usar palavra de baixo calão para os caras acordarem, porque eles ficam dodóizinhos. Eles vieram para a vida pública e acham ruim quando levam críticas aqui da tribuna. Depois vou explicar melhor na minha fala, ali no Grande Expediente. Mas, com todo o respeito, a gente já foi lá debater o caso Magnabosco. Chegamos lá, vereadora Daiane, lembra? O vereador Cláudio sabia mais do que o procurador do município e algumas pessoas que auxiliam o jurídico da prefeitura. Então, eles podem estar fazendo consulta ao escritório do vereador Cláudio aqui, ou talvez com os assessores nossos, que são formados em Direito, que vão saber mais do que o pessoal que está lá. Mas eu acho que eu sei a resposta. É porque eles estão preocupados em perseguir servidor. Eu acho que é por isso que eles estão se atrapalhando.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Vereador Cláudio, eu só quero concluir a minha fala. Vai lá, vai lá.
VEREADOR CLAUDIO LIBARDI (PCdoB): Eu só queria... (Falha no Microfone) Na sexta-feira.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Aliás, obrigado, vereador. O Milton Balbinot, diretor da Codeca, não sabia. Então, vejam a galhardia e a incompetência do governo. O diretor presidente da Codeca não sabia da decisão do governo. Melhorem, gente. Melhorem, porque a cidade está sofrendo com as decisões e ações que vocês tomam enquanto governo. Muito obrigado.
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VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Bom dia, senhor presidente, colegas vereadores, vereadoras, comunidade caxiense que nos assiste aqui e acompanha. Eu inicio a minha fala aqui desejando um bom dia a todos. Que nós possamos ter uma boa abertura de Festa da Uva, em que pese não ser esse o assunto. Mas nós estamos falando sobre cidade, desenvolvimento, avanço e também sobre o futuro. Me espanta, assusta e até eu recebo com uma certa estranheza as ameaças já por parte da oposição, dando a entender que simplesmente, vereador Dambrós, rejeitar uma transferência de bem imóvel à companhia traduz-se em qualquer encaminhamento futuro com relação a essa. Então, a gente tem que saber. Eu quero lembrar aos colegas o que nós estamos discutindo, qual é o veto que foi encaminhado para esta Casa, que diz respeito tão somente à transferência de um bem imóvel. Para que não se confundam as coisas e não saia para a imprensa, depois, que os vereadores aprovaram a finalização da Codeca, o fechamento das portas da Codeca, o encerramento de contas, que nós aprovamos um caminho de falência para a companhia. Porque é capaz de sair isso na imprensa. Dado o recorte que se ouve aqui, na primeira fala, me parece que é isso. Pois bem, vamos avançar. Nós temos um processo que tramita desde 2014 sobre esse assunto. Portanto, este ano esse processo completa 12 anos já. Inclusive, o Capitão Ramon me questionou e disse: “Poxa, desde 2014 tentando fazer isso, e agora vai ser vetado?” Pois é. De 2014 para cá, bastante coisa mudou. De 2014 para cá, tiveram governos distintos, vereadores distintos dentro desta Casa, comissões distintas. Nós tivemos ampliação do número de comissões aqui dentro desta Casa. Nós tivemos uma série de situações que mudaram. Inclusive, o Plano Diretor também mudou na cidade. Todo mundo sabe, o último Plano Diretor que se tem é de 2019. Então, considerando todos esses considerandos, com perdão da redundância, a gente precisa entender que, sim, o Executivo é possível que desista de uma tomada de decisão anterior que foi feita. É possível, sim, que volte atrás, aos moldes daquilo que nós vamos ver daqui a pouco, onde nós temos emendas que foram pelo governo vetadas, e a orientação que vai se dar é para que se derrube esse veto nesta Casa, porque houve um acordo. E eu disse aos colegas na última semana, quem estava na sessão presente ouviu o que eu disse, que eu iria até a Casa Civil para entender a razão disso, e que nós certamente reveríamos os vetos, porque nós temos palavra e nós estamos honrando com a palavra. Então, o que precisa ser dito e esclarecido aqui nesta manhã, desta tribuna, é de que, sim, existe prerrogativa do Poder Executivo em desistir, e o meio para que isso seja feito é o veto. Não existe como “desvetar”. Depois de encaminhado um veto para cá, o que se deve fazer é apreciar o veto. Inclusive, dito pela assessoria técnica desta Casa, não existe mais tempo hábil nem sequer para um Pedido de Vista. Então, nós não podemos trancar a pauta. Portanto, isso precisa ser apreciado nesta oportunidade. Diante de tudo isso, para encaminhar a minha fala, o que eu preciso orientar é: o veto da prefeitura, o veto do Executivo vem no sentido de que melhor estar com o município esta área, que pode ser futuramente repensada e, sim, transmitida então à Codeca, se assim se achar necessário e se achar pertinente, do que transmitir à companhia neste momento, porque nós sabemos que é um momento desafiador na companhia. Isso não é uma novidade para ninguém. Todo mundo sabe da realidade financeira da companhia. Ninguém é inocente e todo mundo sabe por que existe uma frente parlamentar, que inclusive V. Exa., que me antecedeu anteriormente, é o presidente. Então, considerando tudo isso, não há razão de se transferir um imóvel que está dentro do acervo, vamos dizer assim, do memorial descritivo do município para a competência da companhia da Codeca.
VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): Um aparte, vereador.
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Então, diante disso, é muito melhor que fique com o Executivo para que possa dispor para uma área pública, para alguma área de infraestrutura futura, para qualquer situação de indenização, do que esse imóvel vá para a companhia de desenvolvimento aqui de Caxias do Sul. Seu aparte, vereador Daniel.
VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): Vereador Calebe, muito boa sua explicação, sua explanação. E acho engraçado que o senhor falou, há anos que vem se falando sobre isso, mas justamente agora, vem se discutir e dar a entender que o governo tem planos obscuros para privatizar ou acabar com a Codeca, como é falado aqui. Eu acho que como o senhor falou, nada impede que isso seja mudado futuramente e nada impede como foi mudado agora. E isso não vai onerar em nenhum momento a Codeca, porque ela já usufrui dessa área. Então, muito boa sua explicação e é bom deixar claro aqui bem o entendimento, porque aquela história que as vezes as pessoas falam: “Querem jogar a população contra a Câmara de Vereadores, mas ao mesmo tempo quer jogar o servidor contra o governo”, sendo que não tem nada disso, não é? Parabéns.
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): É. Eu lembro muito bem que já foi dito aqui, determinada fala que os vereadores queriam jogar, queriam ir contra os servidores públicos. E agora o que parece é isso. Nós temos a fala de um vereador que tenta jogar os vereadores contra os servidores públicos, ameaçando, e dizendo: "Quem votar vai deixar sua digital marcada como início da derrocada, início do fim, etc." Gente, nós estamos falando de uma transferência de um bem imóvel, ponto. Transferência de bem imóvel! É isso que está sendo apreciado aqui, é isso que a comunidade caxiense precisa saber. O que vai acontecer no futuro depende de análise, depende de conversa, depende da política, porque a arte da política é essa. Agora, por hoje, a melhor gestão patrimonial deve ser resguardada pelo Poder Executivo, que se entender, vai dispor futuramente para a companhia ou pode colocar um aparelho, inclusive, de política pública nesse lugar. Obrigado, presidente.
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VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Meus cumprimentos, presidente, ao senhor, aos vereadores desta Casa Legislativa, a quem nos acompanha de casa, a quem nos acompanha do plenário, em especial quem nos acompanha dessa cidade para um dia importante para todos nós, um dia de lançamento da nossa maior festa, a Festa da Uva. Então, todos bem-vindos a Caxias do Sul. Ontem eu estava lendo os comentários no meu Facebook e um me impressionou. Dificilmente a gente cria uma casca, não é, e um foi muito bom para eu, que nasci em 94, que era: "Mais um dia em South Park”. Porque a prefeitura parece administrada pelo Cartman, uma parcela, não é? Porque não sabe muito bem o que tá fazendo. Eu estive com o vereador Lucas, com a vereadora Rose e com a vereadora Daiane Mello na Codeca na última semana e fomos informados, infelizmente, que o prefeito Adiló não tinha ciência do voto; não era nem que o Milton não tinha ciência do voto. E são sucessões de problemas que nós infelizmente vivemos na cidade, mas eu queria rebater a fala do líder do governo, e falar que há um prejuízo econômico gigantesco na manutenção do veto, vereadora Marisol. E começo a explicar que o sistema financeiro do Brasil vai apresentar tabelas diversas para modelos de contratação de financiamento. A gente pode entrar no site do Banco Central e verificar qual é o juro do financiamento com garantia real, qual é o juro do financiamento sem garantia real, qual é o juro do financiamento imobiliário, que tem uma tabela específica. Qual é o juro do cheque especial? Todo mundo aqui sabe que tem juro diferente para financiamento imobiliário e para cheque especial. E todo mundo sabe que tem juro diferente para financiamento com garantia real e financiamento sem garantia real. Vamos lá. Eu tomei a liberdade de calcular quanto é o passivo da manutenção desse veto. O passivo da Codeca do ano passado foi de 12 milhões de reais. Que nós tenhamos que fazer uma contratação de um empréstimo de 12 milhões de reais para ser pago em 10 anos para cobertura desse passivo, vereadora Andressa. Se esse terreno for a garantia, nós pagaremos ao todo entre os juros e o empréstimo contratado, 23.400.000 que dá R$ 195 mil por mês. Caso nós não tenhamos esse terreno e façamos a contratação sem uma garantia real, nos mesmos 10 anos, sabe quanto nós vamos pagar, vereadora Daiane? Cinquenta e um milhões e seiscentos mil pela tabela do Banco Central.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Um aparte, vereador.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Nós temos aqui 39 milhões de juros de um lado, enquanto temos 11 milhões de juros de outro. Então o passivo a companhia da manutenção do veto é de 28 milhões de reais. Esse é o passivo, 28 milhões de reais. Queria agradecer a deferência da fala do vereador Hiago, porque parece mesmo que não calculam vereador Hiago. Esse é o grande problema. E nós aqui, estabeleceremos um passivo de R$ 28 milhões. Muita gente preocupada com possíveis passivos da Codeca, em especial, vereador Lucas, com passivos judiciais que poderiam promover gravame sobre esse terreno. Perfeito, é passivo de preocupação. Agora, se eu pegar a matrícula da biblioteca da UCS, deve ter sido penhorada 40 vezes. Será que o reitor já pensou em vender a biblioteca da UCS? Se eu verificar a matrícula do Estádio do Beira-Rio, deve ter umas 130 penhoras. Sabe por que, vereador Lucas? Porque é um bem valioso e, mais do que isso, porque serve de garantia real. Alguém pensa que o Internacional vai vender? Eu já vi penhora do Hospital Geral, vereador Lucas! Nós não temos que ter medo de penhora e nós temos que ter responsabilidade financeira neste município. E derrubar este veto é mostrar que temos responsabilidade financeira. Vereador Lucas, seu aparte.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Vereador Cláudio, eu acho que é importante ser didático. Eu aqui como professor. O senhor traz um dado ainda mais grave, além da intenção escusa do destino da Codeca, que ninguém sabe, já que nós já ouvimos reiteradas vezes no Adiló I, metade, na primeira etapa do Adiló I, nós vimos essa intenção e agora novamente. Além disso, significa que a derrubada do veto, a impressão digital dos vereadores que votarem pela derrubada do veto é de onerar mais o município, quanta irresponsabilidade.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Perfeito. Obrigado, vereador Lucas. E obviamente nós estamos aqui para discordar, eu respeito o vereador Calebe, tenho certeza que eles vão honrar os acordos que fizeram. Nós não temos acordo aqui, é bem verdade, vereador Calebe. Agora, de toda forma, nós da bancada do PCdoB vamos encaminhar o voto para garantir de não onerar uma companhia que nos salvou tanto em 2024, vereador José Dambrós. Muito obrigado.
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VEREADORA ROSE FRIGERI (PT): Na conversa, que nós fomos à Codeca na sexta passada, se eu não me engano, não só o diretor presidente da Codeca não sabia do veto, como se mostrou indignado, surpreso e contrário. Então, aqui parece que é uma coisa muito estranha isso que acontece neste governo, com todo o respeito a quem tenta defendê-lo. Mas assim, o veto mesmo fala que o projeto é autorizativo. Para que vetar, então? Se é autorizativo simplesmente não faça, não é? Mas deixa, a lei está lá. Nós estamos autorizando, o governo faz se quiser. É um atributo do Governo Municipal fazer a coisa, especialmente quando é autorizativo. Então são umas coisas, que sinceramente hoje nós vamos discutir vários vetos cada um com uma discussão específica, mas acontece umas coisas de projetos aparentemente inconstitucional que é aprovado, outros que é só autorizativo daí é vetado...
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Um aparte, vereadora.
VEREADORA ROSE FRIGERI (PT): Outros... Já lhe dou. Outros que a gente faz um acordo entre nós, entre a base, entre o governo, combinado, beleza. Agora é fácil, então vamos votar, aprovar e depois o governo veta, está resolvido. Não, acho assim, independente do mérito dessa questão da Codeca, que é uma coisa importante, eu me lembro em 2024, a gente nem pegava tão pesado na Codeca, porque tinha candidato, tinham vereadores aqui, candidatos, que era só falar um pouquinho da Codeca que já ia divulgar e defender a privatização. E nós tínhamos, quase que era um acordo, inclusive a base do governo, nós estávamos tranquilos que não seria privatizado, que não seria terceirizado, que a Codeca ia ser nossa sempre. Agora parece aquela coisa, vamos deixar, que daí ela vai estar tão ruim que daí todo mundo vai achar que a privatização, a terceirização ou coisa que o valha seja uma alternativa. Nós, eu especialmente, falei naquela reunião de segunda sobre aqueles contratos que a Codeca tinha muito mais com hospitais, mercados, empresas e hoje reduziu bastante. São alternativas para acabar com as empresas privadas que fazem essa coleta de lixo e passa para a Codeca para ser rentável. Tem várias alternativas. Agora, o Governo Municipal apresentar um projeto de lei que, bah, que beleza, que bom, elogiamos, não é? Aí veta. É uma coisa, assim, sei lá. Parece que a gente está brincando num reality show, isso aqui. Porque não tem lógica jurídica nenhuma. Seu aparte, vereadora Estela.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Muito obrigada, vereadora Rose. Eu acho que foram muito importantes as suas colocações, as colocações do vereador Lucas, do vereador Cláudio. E eu quero falar especificamente da questão dos valores que foram trazidos aqui. Muito a gente ouviu, principalmente durante esse feriado, da importância da economia dos valores dos cofres públicos. Eu acho que a gente não pode usar isso demagogicamente só quando nos convém. Eu acho que isso tem que estar inserido na nossa prática política. Quando é necessário para a manutenção do trabalho é uma coisa. Agora, quando tu vai usar recurso público, vai gastar mais, vai pagar mais, parece que só por birra, só para dizer que vai vetar um projeto que a Câmara aprovou por unanimidade é algo indignante, é um desrespeito com o dinheiro que vem de toda a população, que afeta diretamente uma empresa que presta um serviço de excelência para toda a população. Que precisa melhorar? Precisa. Mas a gente está aqui para construir algo que é nosso. Muito obrigada.
VEREADORA ROSELAINE FRIGERI (PT): Sabe como a gente vai melhorar e ser um serviço melhor? É fazendo com que tenham mais trabalhadores, mais caminhões, mais carro, mais coleta, que aí pode ter mais verba que vai entrar. É assim que a gente melhora um serviço público, não sucateando. E falando no que convém, vamos ser sinceros. Vou dar um spoiler, né? O veto que vai ser votado hoje. Quando convinha podia ter valores diferenciados da Câmara com os servidores do Executivo. Quando não convém, aí se usa isso como argumento legal. Então, a bancada do PT vai votar contra o veto e a manutenção da lei aprovada por unanimidade. Aqui, espero coerência. Porque, daqui a pouco, nós vamos acabar com a independência de poderes.
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VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Senhor presidente, senhores vereadores, pessoal que nos assiste aqui, em especial o Eleandro, lá de Vila Cristina; o Paulinho, presidente da Amob Belo Horizonte. É um prazer tê-los aqui. Também ao pessoal que nos assiste através da TV Câmara e das redes sociais. O que me traz estranheza na questão do veto é porque, mesmo justificado que ele tramita na Câmara desde 2014, o prefeito está na sua segunda gestão, o presidente da CCJ fez o relatório recente dentro da CCJ, fazem parte do governo, o presidente da CCJ faz parte da base do governo, e acredito que se conversam. Então não foi um projeto que se discutiu lá em... Porque, na fala, parece que o projeto, que estava lá de 2014, foi colocado na pauta agora. Não é essa a realidade. É um projeto que pode ser de 2014, dialogado diversas vezes, e que foi colocado dentro da CCJ para o parecer de constitucionalidade. Discutimos aqui o parecer constitucional; e conversávamos, naquela oportunidade, sobre a importância de a sede ser cedida, ser entregue à Codeca, porque diminuiria a questão dos juros. Então, toda essa parte dos financiamentos da Codeca poderiam ser diminuídos. E falamos, naquela oportunidade, sobre isso. Então, a importância de se votar favorável, mesmo sendo de oposição, mas entendendo que o projeto do Executivo era bom. Até aí, tudo certo. Vem o veto, ninguém fala absolutamente sobre o veto. Chegamos à reunião sexta-feira, eu, o vereador Libardi, a vereadora Rose e o vereador Lucas, na Frente Parlamentar, e para a estranheza de nenhum dos pares, porque a gente já está meio acostumado com isso, o Milton, presidente da Codeca, diretor presidente da Codeca, Milton Balbinot, disse assim: "Não foi vetado." Eu disse: "Foi vetado, sim." Ele disse: "Não foi vetado, Daiane. Tem alguma coisa errada." Eu peguei o veto e encaminhei para o Milton. Eu encaminhei para o Milton, encaminhei na Frente Parlamentar, no nosso grupo. Então, por mais que ele seja legal, o veto, eu não discuto a legalidade do veto, porque se pode mudar de opinião, mas tem que trazer para o debate da Câmara que algumas coisas pairam no ar. E, na justificativa do prefeito, eu tirei uma partezinha aqui, resumindo: o prefeito entendeu que, apesar de legal, a transferência do imóvel não é conveniente neste momento, pois comprometeria o planejamento estratégico e a gestão futura do patrimônio público. Então, esse planejamento estratégico mudou. Porque, até então, se planejava estrategicamente ter a Codeca, né? E, daqui a pouco, se mudou para a gente não ter. Então, essas discussões tem que vir à tona. Obviamente, votarei pela derrubada do veto, por entender que isso também nos traria questão de recursos, com a diminuição de juros em financiamentos. E entendemos que a Codeca deve continuar pública, com os seus servidores. Então, para não se modificar a questão desse planejamento estratégico, eu vou votar pela derrubada do veto.
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Peço um aparte, em discussão.
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Mas queria trazer essa situação à tona neste momento, porque eu acredito que precisa ficar registrado que, apesar de ele ter vindo em 2014, foi discutido, ainda nesta legislatura para ele vir à pauta. Sem contar que o prefeito Adiló já está aí há quatro anos, já tivemos mais um ano do Cassina. Então, teria bastante tempo para que se fosse retirado esse projeto e discutido de outras maneiras. Então, a importância de mantermos a frente parlamentar, de trabalharmos em conjunto com a presidência da Codeca. Fomos lá, nos colocamos à disposição na reunião, na sexta-feira, porque entendemos que a Codeca presta um excelente serviço à nossa comunidade e a gente precisa que ela continue trabalhando em prol dos caxienses de maneira pública. Seu aparte, vereador Calebe, nos 10 segundos.
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Acho que não vai dar tempo, mas, vereadora Daiane, só para ficar claro. A gente precisa lembrar que quase 99% das ações da Codeca pertencem ao Executivo, à Prefeitura de Caxias do Sul. Portanto, qualquer contrato, a Prefeitura pode ser solidária. E, às vezes, o que se pinta aqui é que é uma entidade totalmente à parte do município. Mas o Município, a qualquer momento, pode ser solidário. Obviamente, mediante a aprovação desta Casa. Então, essa conta do juro de milhões cai por terra, uma vez que o Município passa a ser solidário em uma situação como essa. Obrigado.
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Perfeito, vereador Calebe. Eu acho que vocês precisam, como base, conversar mais com o prefeito e explicar algumas coisas para a equipe que está lá. Porque o projeto vem para esta Casa, a gente vota e depois não muda nada. Muda ou não muda? Bota casaco ou tira casaco? A base tem que se definir aqui. Obrigada, senhor presidente.
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VEREADOR PEDRO RODRIGUES (PL): Senhor presidente, nobres colegas, todos que nos assistem. Eu nem ia falar, inclusive, mas eu vou falar a pedido do João Carlos, que me provocou ao ouvir a minha opinião, então, sobre esse veto. Eu vou votar favorável ao veto, e também quero, aqui, esclarecer algumas coisas, ao acesso que eu tive de algumas informações. Por exemplo, gosto demais da pessoa, da ex-presidente Maria de Lurdes. Não conhecia, conheci durante a gestão dela, e ela foi muito receptiva em atender, esteve aqui nesta Casa, chamou, convidou os vereadores para estarem lá presentes. A gente foi lá, ela mostrou os números. E eu ouço falar muito mal, aqui, do Seu Milton, do atual presidente, o qual eu tenho uma grande estima e respeito. Quero lhe mandar um abraço, Seu Milton, e dar os parabéns pelo seu trabalho. E as informações que o senhor nos passou, os números que o senhor nos passou, pode ter certeza que, pelo menos para este vereador, para mim, fez muita diferença, inclusive no meu modo de ver e pensar toda essa questão.
VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): Um aparte, vereador?
VEREADOR PEDRO RODRIGUES (PL): Aquele mar de rosas, toda a maravilha que estava a Codeca, mostrado pela antiga gestão, pelo que pode ver os números mostrados pelo seu Milton, não era aquilo que era demonstrado. Ele demonstrou que não estava tudo resolvido, tudo com sobra de dinheiro. Muito pelo contrário, não estava andando tão bem quanto era mostrado. E mostrou os números, os resultados que, depois que eles pegaram essa nova presidência, através do Seu Milton e os seus colaboradores, cooperadores que cooperam com ele na gestão, o rumo que está tomando. Então, agora os resultados que estão se tornando positivos. Então, eu precisava fazer essa fala aqui, já que eu fui provocado pelo João Carlos, e dizer ao acesso a essas informações que eu tive. Então, nem sempre, pessoal. O que eu peço, até eu peço para a gestão, até mesmo para o seu Milton, que venha aqui, publicamente Embora eu saiba que ele já esteve apresentando os números para a frente parlamentar também, que foi criada aqui para debater os assuntos da Codeca. Mas que viesse aqui publicamente, então, mostrar para que todos os de casa, os que nos assistem pudessem ter acesso a essas informações, assim como fez a antiga presidente, Maria de Lourdes, vindo aqui, falando, sendo bem acessível, levando os vereadores lá. Eu acho que é muito importante. Porque quando a gente tem o conhecimento, quando a gente conhece o histórico, a história, muda muitas vezes o modo de a gente pensar. Muitas vezes não, sempre. Seria isso, senhor presidente. Muito obrigado.
VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): Um aparte, vereador. Eu tinha lhe pedido um aparte.
VEREADOR PEDRO RODRIGUES (PL): Sim, sim. Seu aparte. Desculpa.
VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): Vereador Pedro, parabéns por trazer justamente essa questão sobre os números que o presidente Milton apresentou para a base, e apresentou inclusive para a frente parlamentar, trazendo o que era, aquilo que era passado para os vereadores como se fosse verdade, e não é.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Permite um aparte, vereador?
VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): E o Milton mostrou com certeza tudo que ele está fazendo para reverter a situação que foi deixada a Codeca lá. Eu acho engraçado que o vereador Libardi e a vereadora Andressa enchiam a boca para defender a antiga presidente, sendo o Milton como o caos que estaria agora lá na Codeca. Sendo que é ele que está revertendo a situação que foi deixada por ela lá, tanto defendida por eles aqui, junto com o sindicato. Que passava pano e estava alinhado com o que ela fazia lá. Uma irresponsabilidade o que ela fazia enquanto presidente da Codeca. E hoje é o Milton que está resolvendo a situação da Codeca que está lá. Foi apresentado, e o Milton vai vir aqui apresentar os dados para todos. Então, acho assim, o pessoal vem aqui falar do passivo que tem a Codeca. Espera aí. Mas não era a Maria de Lourdes que era a salvadora da pátria e o Milton que estava botando no buraco? Então, vamos ter responsabilidade. É como eu sempre falo aqui, tem que ter responsabilidade com aquilo que é falado aqui na Câmara de Vereadores. Obrigado.
VEREADOR PEDRO RODRIGUES (PL): Obrigado, vereador Daniel. Inclusive, foi um questionamento meu. Eu perguntei, eu disse: "Mas se estava indo tão bem com a antiga presidente, por que trocaram?" Porque eu vi ser muito mal falado aqui, pelo pessoal, da administração do seu Milton. E aí foi dito: "Não, quando a gestão identificou que estava se abrindo um déficit muito grande, foi entrado em ação e feita a troca." Seu aparte, vereadora.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Muito obrigada, vereador Pedro. Eu concordo com o senhor na colocação de que a informação é muito importante. É muito importante que ela não chegue só à base. Mas eu acho que nesse caso a gente precisa fazer esse recorte de que ela não chegou nem ao presidente da Codeca. Então, ele não estava informado dessa votação de hoje, ele não estava informado do que foi conversado com a base. Ou ele mentiu para a frente parlamentar da Codeca. De duas ou uma, ou ele não estava informado, não quis se informar e não busca a informação, ou a base não conversa entre si, nem no que vai votar na Câmara de Vereadores. Por isso que, para mim, votar ‘sim’ a uma coisa que nem o presidente sabia é uma incoerência. Muito obrigada.
VEREADOR PEDRO RODRIGUES (PL): Obrigado, vereadora Estela. Seria isso, senhor presidente. Obrigado.
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VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Bom dia. Obrigada, colegas. Bom dia para vocês também. Bom dia, bom dia. Eu dialogava antes com o vereador Cláudio Libardi sobre esse tema, e é duro a gente vir aqui falar. As pessoas acham que a gente se orgulha de falar que esse governo é desastroso, vereadora Estela, mas não. Porque quando a gente conversa, inclusive tem várias lideranças comunitárias aqui, com as pessoas, com as lideranças, a gente gostaria de dizer que a nossa cidade vai bem e que nós, daqui quatro anos, vamos colher bons frutos do que essa administração deixou para a nossa cidade. Mas infelizmente não é isso que a gente pode dizer aqui, em nenhum dia, nobres colegas. A gente não pode vir aqui afirmar que essa administração vai deixar Caxias uma cidade melhor do que a que pegou. Porque, quando foi decidido, até me surpreendeu a decisão de transferir, por essa gestão, o terreno à Codeca, me surpreendeu. Eu comentei, na época, com o vereador Libardi. Porque era uma demanda histórica da Codeca, era uma demanda histórica dos trabalhadores, porque a Codeca ter o terreno significa um fortalecimento dessa empresa, que é pública, que é um patrimônio importantíssimo para a nossa cidade. E aí, algo que nós... Senhor presidente, eu não sei o que está acontecendo aqui, que está interferindo na minha fala.
PRESIDENTE WAGNER PETRINI (PSB): Vamos segurar o tempo, se possível. De repente algum microfone ligado.
VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Foi o Pedro que falou que estão me boicotando. Não fui eu que falei. Posso seguir, presidente?
PRESIDENTE WAGNER PETRINI (PSB): Segue, vereadora.
VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Então, como eu dizia antes, essa foi uma das medidas que comemorei enquanto oposição, porque sabia da importância para a Codeca, sabia da importância para a cidade e junto com os trabalhadores, junto sim, vereador Daniel Santos, com o sindicato. Qual que é o problema de dialogar com o Sindicato dos Trabalhadores? Agora é um crime dizer que a gente está junto com o sindicato? Eu estou junto com os trabalhadores da Codeca, sim. Diferente de alguns aqui que optam por estar junto com os grandes empresários. Eu não, nunca escondi isso. E foi uma conquista para a Codeca termos o terreno para que ela pudesse fortalecer o seu patrimônio. E como o vereador Libardi aqui mostrou os dados. E me desculpa, líder do governo, Calebe Garbin, seus argumentos não me convenceram! Não convenceram do porquê que não pode autorizar a cedência do terreno! Não convenceu! Porque o governo decidiu fazer isso, e agora decidiu mais não fazer! Uma das poucas coisas boas que essa gestão entregava para a cidade, vereador Libardi. O problema não é não nos convencer, o problema é não convencer a população caxiense! E aí agora vem aqui a base que é a maioria. Então saibam, as pessoas que estão nos acompanhando, se querem que algo mude, que a gente vote contra a favor, tem que pressionar a base, que é a maioria. Porque nós aqui, que somos uma oposição fazemos o possível e o impossível. Agora se não tiver pressão popular, as coisas não vão mudar. E a base tem maioria e infelizmente vão aprovar ou desaprovar qualquer projeto que possa ser absurdo, como esse aqui, que é absurdo! Essa decisão e aí, vereadora Daiane, daqui a pouco iam lhe convidar para ser a base do governo. Porque a senhora teve que mostrar para o presidente da Codeca. Vejam o retrato do desastre que é essa gestão! A vereadora de oposição, teve que mandar para o presidente uma medida do governo, que nem o presidente sabia, vereador Lucas! Tem coisa mais absurda que isso?! Depois a gente diz que é uma gestão desastrosa e as pessoas ainda não gostam. Aí o prefeito veio falar comigo, vereador Libardi: "Ai, porque vocês pegam muito pesado comigo. Ai, porque, nossa!” Aí eu quero que venham aqui dizer, vereador Libardi, se tem alguma coisa que a gente mente nesta tribuna. Tem alguma coisa que a gente mente? Venham aqui, mostrem com dados! Não venham nos descredibilizar como tentam fazer, como alguns tentam fazer e não conseguem. Porque diferente do prefeito e do seu vice e de quem está nessa gestão, nós honramos a nossa palavra. Nós fazemos aquilo que a gente se propôs na campanha. Várias propostas, não é? E aí tem caroço nesse angu. Tem caroço nesse angu. E Milton Balbinot não está na Codeca para fortalecer a Codeca. Essa é uma certeza que a gente tem que ter! Os problemas da Codeca não são os problemas dos trabalhadores, é o problema de gestão. Se a Codeca muitas vezes não funciona é porque a gestão é desastrosa. Não é que ela não deve continuar pública porque ela precisa ser fortalecida. Nós sempre traremos essas defesas e por isso, vereador Libardi, a gente não vai apoiar essa medida, porque enfraquece sim a Codeca e é um mau sinal para a população da nossa cidade. Obrigada, senhor presidente.
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VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Senhor presidente e nobres colegas aqui presentes.
PRESIDENTE WAGNER PETRINI (PSB): Pessoal, tem orador da tribuna, fazendo favor. Vereador Capitão Ramon, com a palavra.
VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Obrigado, presidente. Meus amigos que estão nos assistindo. Por gentileza senhor presidente.
PRESIDENTE WAGNER PETRINI (PSB): Vereadores. Por favor, só um minutinho, fazendo favor. Segue da tribuna, vereador Capitão Ramon.
VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Bom, eu vou proferir minhas palavras aqui, nobres colegas, se me permitirem. Obrigado. Desde 2014 ocorre esse pleito. Ok, ouvi isso algumas vezes hoje. No entanto, que dia que foi protocolado este Projeto de Lei pelo Executivo aqui nesta Casa Legislativa? Oito de setembro de 2025. Ano passado, foi protocolado esse projeto de lei. Passados três meses, nós, vereadores, votamos no projeto de lei e esse projeto foi aprovado. Passados dois meses e meio, um projeto que foi trazido pelo próprio Executivo tem um veto de quem? Do próprio Executivo. O que está acontecendo? O ano passado era o prefeito Adiló. Esse ano é o prefeito Adiló. Então, o prefeito Adiló de 2025 é o diferente do de 2026? Mudou o ano, vida nova, prefeito novo? Não. O que aconteceu? Eu, e acredito que muitos colegas, eu tenho 14 projetos de lei protocolados ao longo de 2025. E caros amigos e você que está nos assistindo, sabe quantos vieram para o plenário? Nenhum. Nenhum projeto meu veio para o plenário. E do Executivo, o projeto foi protocolado em setembro...
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Peço um aparte, vereador Ramon.
VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Estava aqui para ser votado em dezembro. Um projeto importantíssimo, em três meses foi aprovado, passou por todas as comissões e agora o próprio Executivo diz: "Não, não vou mais precisar". Só que olhem o que diz essa frase, professores de português, que estão nos assistindo e aqueles que têm o entendimento e quem não tiver eu vou explicar. Porque nem todo mundo é obrigado a entender. Olha o que diz aqui: “a proposição possui natureza meramente...” Para quem não sabe o que é meramente, eu vou explicar. É um advérbio de modo.
VEREADOR HIAGO MORANDI (PL): Um aparte, vereador.
VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Que significa o quê? Apenas. Simplesmente. Então, diz o seguinte: “meramente autorizativo”. Ou seja, não cria obrigação ao município. Então, meus amigos, nós estamos aqui discutindo, há mais de uma hora, algo que nem precisaria ter voltado. Nós estamos aqui sendo pagos por você, contribuinte, para discutir um assunto que nem precisaria ser discutido, porque é meramente autorizativo pelo prefeito. Se ele quiser, ele faz. Se ele não quiser, ele não faz. Então, eu pergunto a você, por que esse projeto veio para cá para ser vetado ou derrubado o veto? Por quê? Prefeito Adiló, o senhor está muito mal assessorado. Eu não sei se é o senhor que manda esses projetos para cá. Eu acredito que são seus assessores, mas está tudo errado. Eu tenho, um dia, gostaria de ser prefeito dessa cidade e eu estou aprendendo com o senhor a como não fazer. A como não fazer. Não desenvolver um projeto, mandar para esta casa e depois derrubar o próprio projeto. O que está acontecendo? Pois não, colega.
VEREADOR HIAGO MORANDI (PL): Aqui nós tínhamos que desenvolver, bem rapidinho, capitão, um estudo, uma hora, sua assessoria que é muito competente, que eu analiso isso bastante, um estudo do custo que está tendo para o contribuinte caxiense esse retrabalho desse governo incapaz. É um governo incapaz, eu vou usar essa palavra, porque se a gente usa outro adjetivo, eles ficam um dia sem dormir. Então é um governo incapaz, limitado, não é? Então, esse governo, eu acho que deveria repensar algumas coisas. Como o senhor bem falou, vários projetos importantes não andam, mas o retrabalho e o custo disso nós tinha que botar para mostrar para a população, que depois eles cobrem IPTU esse custo aí.
VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): E agora mais um desgaste. Então, eu queria dizer para o prefeito: pense duas vezes, três vezes antes de mandar um projeto para cá, para não acontecer isso que está acontecendo aqui agora. Nós, ao invés de estarmos discutindo outro projeto, nós estamos discutindo o próprio projeto que o senhor mandou para cá e agora o senhor quer vetar um projeto que o senhor mandou. Eu não estou entendendo mais nada nesta Casa. Obrigado.
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VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Presidente, eu queria declarar o meu voto... voto não pra a derrubada do veto, mas eu queria tratar desses passivos da Codeca, não é? A primeira questão, presidente, das maiores condenações que eu vi a sentença contra a Codeca, a parte autora é o atual presidente, Milton Balbinot. Essa é a primeira questão que fica clara. Ele saiu da Codeca e processou a empresa. Já trouxe a informação aqui. Vai sair e vai processar de novo? Com todas as informações privilegiadas que tem? Nós temos que ter essas respostas. A segunda questão, vereador Zé Dambrós, que precisa ficar clara, é que os dados que eu apresentei ali não são de vozes da minha cabeça, são os dados disponibilizados pelo Banco Central. Nós temos um regramento. Por que a Selic está em 15 e o financiamento imobiliário está em 12? Porque os bancos são obrigados a destinar uma parcela para o financiamento imobiliário. Por que a garantia real é menor? Porque, obviamente, a garantia vai suprimir o pagamento. Mais do que isso, não querendo falar sobre modelos de responsabilidade civil, mas a responsabilidade civil solidária, subsidiária, vai ter uma diferença significativa, e a jurisprudência é pacífica que não há responsabilidade civil solidária, como foi defendido aqui. A responsabilidade civil é subsidiária pelo tomador. Então, não há garantia e não há alteração na tabela de classificação de juros. O que está sendo feito aqui é uma irresponsabilidade. E não por falta de boa vontade, mas por falta de técnica, infelizmente, Zé Dambrós. Nós precisamos salvar a Codeca. E tenho certeza que o vice-líder do governo, que é um dos maiores defensores da Codeca, vai orientar pela derrubada do veto. Muito obrigado.
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VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Senhor presidente, como havia dito antes, muitas vezes coisas que a gente vota aqui, enfim, são coisas que não fazem sentido para a sociedade. E, às vezes, eu digo para a sociedade que também não faz sentido para mim. Esse é um dos votos, né? E nós vamos votar pela derrubada desse veto. Acredito que a base precisa ter responsabilidade com a cidade. Claro que ter um presidente que nem tem acesso às informações da empresa que ele mesmo governa é um problema; ter um presidente que já processou a própria empresa, vereador Pedro Rodrigues, é um problema. Tudo isso são coisas que não fazem sentido nenhum e que, muitas vezes, a gente tem que lidar com isso. Mas quem vai sofrer os impactos é a população, é a sociedade. Nós somos vereadores e vereadoras por quatro anos aqui; e, infelizmente, muita coisa que a gente aprova ou não aprova vai impactar quando, daqui a pouco, vários de nós já não estivermos mais aqui. Então queria chamar a atenção para isso. E também queria reforçar o que eu disse antes, que a gente tem muitas vezes aqui... E aí eu queria até que o vereador Daniel Santos estivesse aqui presente. Porque não dá para ser clichê nisso que a gente fala. Por que ele se sente no direito de falar para a vereadora Estela que ela tinha que fumar para se acalmar, vereadores, presidente? Tem vários vereadores aqui que fumam, e eu nunca ouvi ele falando isso para um vereador. Por que ele acha que tem o direito de falar isso para uma vereadora? Não tem o direito de falar e tem que nos respeitar. Porque eu não vi ele fuxicando e falando bobagem quando o vereador Libardi foi falar; mas, quando eu falei, ele se sentiu no direito de falar. Então, eu não vou me calar aqui, como nós não temos nos calado. Tem que aprender a nos respeitar. Vamos debater a cidade? Vamos debater a cidade! Não precisa atacar nenhuma vereadora pessoalmente para debater a cidade. Então, que fique registrado o meu repúdio a esse comportamento do vereador Daniel. Eu sei, vereador Daniel, que é difícil defender esse governo, mas vamos debater nas ideias. O senhor não precisa atacar a vereadora Estela, nem a mim, para fazer os debates da nossa cidade. Obrigado, senhor presidente.
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VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Eu quero começar, aqui, prestando minha solidariedade à vereadora. E já disse que é um exercício que todos nós, homens, temos que fazer nesta Casa, como todos os brancos têm que fazer, de ser solidários e mudar a sua prática. Porque não adianta só falar. Homens e mulheres, né? Porque não adianta só defender uma pauta quando lhe beneficia e, quando não lhe beneficia, ficar quieta e dando risada. Mas sobre o tema, vamos lá. Nós vamos votar pela derrubada do veto. E o vereador Daniel Santos, ex-líder, falou aqui na Maria de Lourdes. Nós não indicamos a Maria de Lourdes. A Maria de Lourdes era da UCS, o prefeito contratou. E a Maria de Lourdes não botou a Codeca no pau, vereador Jack. Não processou a Codeca. Quem processou a Codeca quando saiu foi o Milton Balbinot. Então, quem é do governo que resolva os seus BOs, se é para ser coerente, ficar atribuindo aqui, fazer joguinho. Eu volto a dizer, esta Casa não pode ser marionete do Poder Executivo e passar vergonha. Vereador Calebe, eu lhe respeito. O senhor é uma pessoa sensata e cumpre um papel importante. Pena é ser líder do governo Adiló. Se passa projeto nesta Casa, comissão de parecer favorável, o vereador da base vota e depois “desvota”... Gente, nós vamos virar vergonha. Para mim, não há nada mais caro na democracia representativa e na relação entre os poderes que a independência. Se tem maioria, vota e ganha. É assim que funciona aqui no plenário. Vota e ganha! Agora, a vergonha é passar nas comissões, a turma dá parecer e depois desdá parecer. E, sim, quem tem compromisso com a Codeca, quem tem um compromisso com os trabalhadores, quem tem compromisso com a Zona Norte, com a limpeza urbana, vota pela derrubada do veto, porque o interesse e o futuro, como é colocado pelo governo, é de repensar a função da nossa companhia. Muito obrigado.
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VEREADORA ROSELAINE FRIGERI (PT): Bom, eu acho, primeiro, lamentável, vereador Lucas. Eu estava em uma situação, também resolvendo, ali fora, essa situação que ataca as mulheres. É impressionante como, quando uma mulher está falando, os homens estão conversando. Tu está falando com um vereador, chega outro, vai falar com ele e tu é ignorada. Notem, observem. Eu conversei isso com o vereador Lucas várias vezes, no intuito de ajudar, até. Porque assim como o racismo, é uma coisa estrutural. Não estou falando da sua função, mas a gente tem conversado enquanto bancada. O machismo é muito estrutural, muito orgânico e lamentável, sabe? Então, eu sei que é difícil defender esse governo. Eu até comentei outro dia com uma vereadora que não se elegeu, eu disse: "Olha, lamentavelmente, os líderes do governo, na outra legislatura, nenhum deles se elegeram, vereadores líderes de governo". O desgaste é grande. Mas vamos usar argumentos, vamos usar argumentos condizentes. Acho que tem argumentos de ambos os lados, acho que não precisa apelar para esse tipo de coisa. Então, realmente, nós votaremos pela derrubada do veto, principalmente — não só, mas principalmente — para não ficar tão vergonhoso para a Câmara de Vereadores. Eu, bah, acho assim, nessas alturas, ainda bem que eu não tenho compromisso com coisas que não podem ser defendidas. Porque todo mundo vota, aí o governo manda votar no projeto, aí discute com os colegas, todo mundo vota, passa em uma comissão. Isso não é gastar dinheiro público? Isso não é movimentar os servidores, os vereadores, ficar aqui em uma sessão discutindo um projeto de lei do Executivo? Daí, depois, manda a base votar pelo veto. Nossa, eu ficaria muito mal nessa situação, sabe? Então, é isso. Quem defende a coerência, quem defende a separação de poderes e quem defende a Codeca tem que derrubar esse veto.
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VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Presidente, a gente divagou tanto aqui que eu precisei ler de novo a pauta o que nós estávamos tratando. Então, eu vou relembrar: é um veto à autorização da transferência de imóvel do Município de Caxias do Sul para a Companhia de Desenvolvimento da nossa cidade, conhecido como Codeca. Dizer que o assunto não é racismo, não é feminismo, não é machismo estrutural. O assunto é a transferência de imóvel, tão somente. Então, somente isso, para que a população entenda, é meramente uma autorização para transferência de um bem imóvel. Dito isso, eu quero reforçar e lhe ajudar, vereador Ramon, e lhe dizer que, sim, me preocupa o fato de que nós temos projetos na Casa protocolados. Eu, particularmente, tenho um projeto protocolado no mês de janeiro ou fevereiro que está pronto para vir para a pauta e até agora não veio. E eu não fico cobrando o presidente por isso, porque o presidente está chegando agora. Esta Casa é uma Casa Política, gente. Se um projeto do Poder Executivo não puder passar à frente, cadê o interesse público? É isso que tem que se entender. E outra, se vai cobrar, cobre os membros da CCJ. Quem eram os membros da CCJ do ano passado que não encaminhavam os pareceres em tempo hábil, que seguraram quatro ou cinco meses? A culpa recai sobre o presidente, mas o presidente não está sozinho na comissão. Foi mudado o regimento de trabalhos e eu mesmo cobrei o relator do meu projeto diversas vezes, mas todas as vezes no off. Nunca cobrei da tribuna para não expor, porque eu entendo que era um problema de logística. Então, a gente tem que ter uma coerência. O interesse público, a supremacia do interesse público, como já se diz, é suprema, ela está acima do interesse aqui, individual de cada um, dos nossos projetos. Por isso, pela obviedade, é que um projeto do Executivo vai passar à frente diante de qualquer outro projeto que estiver aqui dentro. Agora, todos nós somos livres para cobrar uns aos outros, especialmente os membros da CCJ, os presidentes das comissões especiais aqui desta Casa. Vou dar um exemplo. Tem um projeto que é o REAS, que deve vir para a pauta na próxima semana. Eu conversei com o presidente sobre isso. Esse projeto estava na comissão especial, e essa comissão é presidida por alguém da oposição. E os servidores cobrando que nós colocássemos em pauta. Se eu fosse imaturo, ia para a tribuna e ia cobrar a oposição, dizer: "É porque a culpa é de vocês." Mas não. Fui lá, conversei nos bastidores e a coisa aconteceu. Então, assim que se faz política e se constrói. E lembrem, a Casa é uma casa política e técnica. Então, apenas para orientar, é ‘sim’ com relação ao veto do prefeito. Obrigado.
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Votação: Não realizada

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