terça-feira, 10/02/2026 - 134 Ordinária

Requerimento de Constituição de Frentes Parlamentares nº 2/2026

VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): Senhores vereadores, senhoras vereadoras, essa Frente Parlamentar vem ao encontro do interesse dos trabalhadores dos Correios do nosso país. A gente sabe que estamos atravessando uma crise gravíssima nos Correios; mas, em contrapartida, sabemos o poder que temos, nós brasileiros, os trabalhadores dos Correios. Porque a gente sabe que, durante a pandemia, sabemos que a única empresa que não parou, de verdade, foi os Correios, para poder chegar insumos em todos os cantos deste país, nas áreas rurais, a vacinação. Enfim, tudo passou pelos Correios. Então, por isso a gente tem que fortalecer a empresa pública. Defender os Correios é defender a população, é defender o povo, é defender quem trabalha. Por isso, eu peço a sensibilidade de todos os companheiros, das companheiras vereadoras e vereadores aqui, para que a gente aprove essa frente parlamentar. E venham fazer parte conosco deste debate, onde vamos trazer trabalhadores para o centro desse debate. Vamos discutir, em nível nacional, essa questão dos Correios, porque nós precisamos manter os Correios, vereador Juliano Valim, uma empresa forte, uma empresa pública, que vai atender o interesse de toda a população do nosso país. Muito obrigado, presidente.
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VEREADOR HIAGO MORANDI (PL): Vereador Jack, sou favorável que vocês debatam. Se até tivesse pedido, a gente iria assinar esse requerimento do senhor. Eu só acho que a gente tem que tomar cuidado, porque não adianta vocês virem debater, o pessoal mais da base, o trabalhador, e depois os vagabundos lá de cima roubarem como roubaram. Os Correios registraram um lucro recorde de 3.7 bilhões em 2021. Quando o Bolsonaro botou o Floriano Peixoto na presidência, teve um corte de gastos muito grande. E aqui vão meus parabéns. Diferente dos primeiros anos do governo de esquerda, onde teve um rombo de 18,5 bilhões. Então, não adianta a população... Eu já fui à manifestação do pessoal dos Correios aqui na praça, gravei um vídeo com eles lá. Deixei o pessoal falar bastante. Eles argumentaram e eu também argumentei. Isso eu fiz alguns anos atrás, esse vídeo. Mas não adianta a gente debater aqui, na ponta da lança com o trabalhador, na ponta da lança, e lá em cima, na presidência ou quem está lá em cima, passar a mão no dinheiro e tornar uma estatal dos amigos dos amigos, como a gente está acostumado a ver. Porque estatal é mais para cabide de emprego do que para fazer um bom serviço. Eu, para mim, teria um livre mercado aqui e diversas empresas, como tem nos Estados Unidos e em tantos países que deram certo. Eu sei que o pessoal da esquerda não gosta muito de ouvir essa palavra: Estados Unidos. Mas lá é o primeiro mundo e é a primeira potência do mundo. E lá, sim, dá certo. E lá as pessoas têm o livre mercado e a opção de escolher quem vai entregar o produto ou não vai, vereador Capitão Ramon.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Peço um aparte.
VEREADOR HIAGO MORANDI (PL): Até porque a gente está cansado de receber vídeos, vídeos que viralizam: o pessoal jogando caixa. Às vezes a pessoa nem atende a porta, eles jogam para dentro. Toda empresa vai ter profissional ruim. Isso aí não vem ao caso. Mas eu quero que quando a pessoa dos Correios quebrar a mercadoria daquela pessoa, que ela tenha a opção de escolher outra empresa. Simples. De imediato, vereador.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Obrigado, vereador Hiago. Queria também dizer para o vereador Jack que votarei favorável. É louvável ver a preocupação do senhor com os funcionários. Os funcionários são sempre aqueles que sofrem mais. E é bom que esses mesmos funcionários façam uma reflexão, porque este ano nós temos eleição. No outro governo, eles não estavam em crise. Eles tinham lucro e tinham aumento. Então, é bom a gente pensar bastante, porque o voto define o futuro da gente. Obrigado.
VEREADOR HIAGO MORANDI (PL): Muito obrigado, vereador Fantinel. E quem quiser dar uma olhadinha, a matéria é da Veja, onde eu me baseei nas informações. Mas tem alguns outros veículos de comunicação também. Muito obrigado, presidente.
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VEREADOR PEDRO RODRIGUES (PL): Obrigado, senhor presidente. Quero dizer ao colega vereador Jack que eu, em momento oportuno, votarei favorável. Eu, embora, como diz o nosso presidente Petrini, eu acho que isso aqui é encher linguiça, porque... Eu estava vendo uma notícia que foi colocado à venda, leilão para prédios Brasil afora. Então, eu acho que foge totalmente da nossa alçada. Mas, vereador Jack, se tem uma coisa que tu... Primeiro eu faço assinar junto, em consideração a tua pessoa. Em segundo lugar, se tem um cara que vai brigar aqui, sempre, é pelo direito de cada um poder vir aqui falar a sua opinião, as suas ideias. Diferente do que eu já ouvi aqui dizer: "Ah, mais uma frente parlamentar, porque isso aí banaliza, porque é frente parlamentar para todas as coisas." Diferente desses, eu acho que aqui, sim, é o lugar de falar, é o lugar de colocar as ideias. Se você tem sugestões, se você tem opinião, que os assuntos possam ser aqui colocados, apreciados, debatidos. Seria isso. Muito obrigado, presidente.
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VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Senhor presidente, queria parabenizar o vereador José Abreu por ter trazido esse assunto à tona. Nós podemos fazer a relação desse debate com vários outros debates que nós fazemos na nossa cidade, no nosso estado e no nosso país. Primeiro que nós defendemos, sempre aqui, reiteradamente, que os principais serviços do país, que as questões estratégicas sejam feitas, realizadas e efetivadas pelo Estado. E assim como diversas outras empresas públicas, a Petrobras, Eletrobras, já tivemos empresas de telefonia, e como eu disse, nós poderíamos fazer as relações com as coisas que têm acontecido na nossa cidade, com os debates que nós fazemos aqui, como a Codeca, o Samae, a questão das UPAs. Sempre o discurso que vem à tona é “privatiza que melhora; porque o público não funciona; porque o livre mercado”. E aí, quando a gente vê o livre mercado, que não é tão livre assim, porque sempre é dominado por uma empresa que outra, que é também, essas empresas, geralmente têm como seus grandes mandachuvas pessoas que, historicamente, estão acostumadas a se alimentar também do dinheiro do Estado. Porque quando é o rico que se alimenta do dinheiro do Estado pode. Quando são as pessoas trabalhadoras, aí é caridade, aí é assistencialismo. Aí não pode. Então, se os Correios, hoje, passam por problemas da sua precarização, é porque, justamente, nós já tivemos e temos muitas vezes, no estado e no nosso país, essa lógica de que o público não deve funcionar. E aí a gente tem a velha dose do neoliberalismo que acaba com as empresas, vai acabando, vai comendo por dentro. Não contrata profissional, não investe mais na modernização da empresa, não faz com que ela tenha o orçamento necessário para que ela possa realmente fazer a sua manutenção. E aí, com tudo isso, com esse discurso, acaba entregando a empresa para a iniciativa privada, sendo que ela faz um importante trabalho para os brasileiros e brasileiras e, sobretudo, com certeza, pode, sim, ser uma empresa equilibrada financeiramente. Se ela não é, é porque há um projeto de destruição daquilo que é público no nosso país. E falei antes que nós poderíamos ter relações com o que tem na cidade, porque a gente vê isso acontecendo com a Codeca. Acabam com o que tem de melhor com a Codeca para depois poder passar para a iniciativa privada e dizer que não teve o que fazer. A gente ouve murmúrios do Samae, a gente viu das UPAs. “A UPA, o Postão Público não funciona, não dá.” Aí terceirizaram o Postão. Agora, de novo, nós temos notícias dos trabalhadores que não receberam seus salários. E quem vai ter que custear isso, mais uma vez, provavelmente será o Município. Então, aquela economia que se vende, aquela narrativa de economizar dinheiro público cai por terra, porque, na prática, a gente pede os dados e se envergonham de nos oferecer os dados, vereador Jack. Porque, quando oferecem, a gente percebe que a terceirização acaba sendo mais cara do que o próprio serviço público. Então, manter os Correios públicos e fortalecer é garantir que as entregas ocorrerão em qualquer canto do país. Porque o que nós vemos hoje, por exemplo, com a RGE, que é uma empresa privada, que muitas vezes demora seis meses para ligar um poste, porque para eles não é lucrativo. Não contratam mais profissionais porque para eles não é lucrativo. E aí a população que se dane. O serviço não acontece. E, mais uma vez, a gente vê o discurso “privatiza que melhora” imperando. Sendo que a gente tem visto no Brasil que, na prática, isso não funciona. Então, nós não podemos, mais uma vez, cair nessa cilada, enquanto população, de acreditar que vendendo o nosso patrimônio público é que a gente vai resolver alguma situação no país. Porque, quando tu tem os serviços públicos, tu está privilegiando o interesse público. E aí a gestão precisa ser cautelosa, obviamente. Em relação a problemas que possam acontecer, obviamente, jamais seremos coniventes com isso, corrupção, de forma alguma, enfim. Mas nós sabemos que a iniciativa privada tem uma lógica, que é o lucro. E nós não podemos permitir que isso aconteça com a nossa empresa privada, que faz com que a mercadoria chegue a todos os cantos deste país, as correspondências. Inclusive, naqueles lugares, muitas vezes, que a gente sabe que ninguém pisa, né? Estão lá os Correios entregando a correspondência, entregando as mercadorias, fazendo com que a informação chegue, independente do local, independente se seja lucrativo ou não. Então, para mim, esse debate dos Correios entra na lógica da terceirização, da privatização, que geralmente a gente vê os governos defendendo porque não pensam nos interesses da maioria da população, porque não pensam no bem do Estado e, sim, nos interesses de meia dúzia que querem lucrar com aquilo que deveria ser direito e com aquilo que o Estado precisa oferecer para a população. Obrigada, senhor presidente.
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VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Obrigado, presidente Edson da Rosa. Acho que o tema proposto é de fundamental relevância, porque ele expõe dois modelos de pensar e fazer o Estado. Um modelo é o que a direita, seja a direita de sapatênis do Eduardo Leite ou a direita mais conservadora dos bolsonaristas, defende, que é dilapidar o Estado, que é vender, que é terceirizar e privatizar. Eu não sou economista, eu sou político. A minha formação é doutor em educação, mas eu gosto muito desse papo dos economistas de que o mercado se autorregula, de que o mercado resolve os problemas, vereador Jack. E nós estamos aqui na Câmara de Vereadores e, vira e mexe, nós vemos um mercado que se materializa, vereadora Andressa Marques, em pessoas, em entidades, em instituições que vêm aqui defender os seus interesses. Às vezes, interesses que não são muito republicanos. Se falou aqui que, na gestão do Bolsonaro, os Correios não tiveram déficit. É que nem no governo do Adiló, tem superávit quando se apresenta o orçamento, só não tem dinheiro. Não investe, corta. Daí tem superávit. É isso. O que foi feito nos Correios? Enquanto nós temos um modelo de sociedade que mudou, as entregas desses grupos internacionais que estão aí e não deixam nada no Brasil. Grande parte dos impostos e do lucro da Shopee, da Shein, da Temu e de todas as outras estão fora do Brasil, e pegam o filé do mercado. Porque os companheiros e as companheiras dos Correios estão na Bossoroca, no interior da Jaquirana, entregando onde ninguém quer entregar. Sobre corrupção, eu acho oportuno nós falarmos de corrupção. Temos que falar. Temos que falar de corrupção em todos os âmbitos, seja quando se negocia barra de ouro em troca de benefício para o Ministério da Educação, seja quando se negocia tesouro e presente do Estado Brasileiro que vai se vender para interesses escusos. Todo tipo de corrupção precisa ser rechaçado. Então, vereador Jack, oportuno essa pauta. Em Caxias, eu volto a dizer, os Correios seguem prestando um importante trabalho. Na gestão, só se faz gestão com investimento. Só se faz gestão com investimento. E eu vejo aqui o empresariado, vira e mexe, pedindo investimento do Estado, inclusive. Pesadas isenções de imposto. Aliás, bem dito, eu ouço aqui, temos um governo liberal. O governo Adiló, cada vez mais, quer implementar a diminuição do Estado. Quer. O governo Adiló quer. Quer terceirizar, quer privatizar, quer diminuir o serviço público. E as experiências que nós temos são fracassadas. Está aí a UPA. Está aí a UPA. Qual é o resultado que nós temos de terceirizar a saúde? O canto da sereia agora é que nós vamos ter escola de educação infantil, que vão ser inauguradas que nem as uvas que estão brotando nas parreiras. Eu só espero que essa iniciativa privada seja diferente do que as empresas contratadas pelo município, que, vira e mexe, nos deixam na mão, seja na entrada do Planalto, do Desvio Rizzo, as casas do Campos da Serra. Então, precisamos. E nós queremos discutir. Nós entendemos que serviços essenciais devem ser ofertados pelo Estado. É essa a visão que a esquerda e o meu partido têm. Então, é importante. Defendermos essa frente e queremos conversar com os companheiros e companheiras que estão trabalhando nos Correios, fazendo o que a Shopee, o que essas entregas não fazem, e sobre os consecutivos cortes que os Correios tem. Porque segue uma política que não é de investimento como deveria. Então, nós temos muita tranquilidade e somos coerentes. Aquilo que nós defendemos para os Correios, de fortalecimento, nós defendemos aqui. E que o canto da sereia que, vira e mexe, eu ouço aqui na Câmara de Vereadores ou do outro lado do Paço Municipal, de terceirizar e privatizar, que se estanque, porque quem perde é o povo. Muito obrigado.
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VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): Vereador Jack, respeito a sua proposição, porque é uma pauta que o senhor defende e é sincera. Mas quando eu leio aqui “em defesa dos Correios”, “Frente Parlamentar em Defesa dos Correios”, eu lembro das eleições, os inúmeros funcionários dos Correios comemorando a derrota do presidente Bolsonaro, fazendo o “L” com a vitória do Lula. Sendo que naquele período, e aí não é demagogia nem discurso, vereador Lucas, são exatas do governo Bolsonaro, onde ela deu lucro, e agora um rombo histórico. Então, se a gente quer fazer alguma coisa em defesa dos Correios é só não votar no PT, é só não votar no Lula. É simples assim. É uma coisa que, há 20 anos, a população cai nesse conto da sereia, vereador Lucas. Há 20 anos o Lula está tirando o povo da pobreza.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Um aparte, vereador.
VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): Há 20 anos o Lula está salvando o Brasil. E há 20 anos as estatais estão sendo quebradas nas mãos do PT. Mas, ainda assim, é o discurso da direita.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Peço um aparte, vereador.
VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): Ainda assim é o discurso da direita. Então, não adianta. A vereadora Andressa falou aqui a importância dos Correios, fortalecer os Correios. Como é que vai fortalecer os Correios com esse gasto todo, com esse rombo todo? Eu não entendo. E é como o vereador Hiago falou, a concorrência faz parte do mundo liberal. E é assim que funciona. A coisa precisa se adequar. Seu aparte, vereador Lucas.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Vereador Daniel Santos. Bom, seguindo a sua linha de raciocínio. Se o problema dos Correios é do PT, o problema da cidade é do Adiló. Nós estamos com a saúde pública fracassada, a Codeca quase quebrando. Então, seguindo essa lógica, em Caxias... Para Caxias dar certo, não dá mais para votar no Adiló e em ninguém da coligação. Obrigado, vereador.
VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Um aparte, vereador.
VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): É, a saúde um fracasso. Acho que não é bem assim. Nós já vimos tudo que está acontecendo, graças ao trabalho do vereador e secretário Rafael Bueno. A Codeca, acredito que o Milton já tenha explicado para alguns. Ele participou aqui da frente parlamentar, da inauguração da frente parlamentar da Codeca. Mas, enfim, eu acho que não é bem assim como vocês falam. O discurso é muito fácil. Sua fala, vereador Fantinel.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Obrigado, vereador Daniel. E assim, só para corroborar com o senhor eu queria dizer o seguinte, desde que o Brasil é república, a gente pode botar que 90% ou 95% dos presidentes ou foram de esquerda ou foram de centro. Porque quando teve um de direita, deu lucro. Então não tem discutir: "Ah, tem que fazer investimento, tem que fazer investimento, tem que investir na máquina pública, tem que ajudar os servidores dos Correios, tem que colaborar." Mas são 20 anos que eles estão no poder. Por que não investiram? Por que não ajudaram? Agora eles vão ajudar? Sim, eles estão ajudando. Com o rombo que vocês talvez vão tudo para a rua Obrigado, vereador Daniel.
VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): Então, vereador Jack, respeito a sua proposição. Como eu falei, eu sei que é sincera.
VEREADOR TENENTE CRISTIANO BECKER DA SILVA (PRD): Quero um aparte.
VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): Vereador Jack, sei que a sua proposição é sincera. Respeito isso. Mas, com toda a sinceridade, eu vou votar depois, já lhe informo que vou votar contra a proposição, porque eu acho, sinceramente, que o problema não é aqui na ponta. O problema é muito maior do que isso. Seu aparte, vereador.
VEREADOR TENENTE CRISTIANO BECKER DA SILVA (PRD): Obrigado, vereador Daniel. É bonito quando vêm aqui e falam, acusam o ex-presidente de roubar ouro, enquanto tem gente que pega tríplex no Guarujá, tem gente que pega sítio em Atibaia, Instituto Lula e assim por diante. Então, corrupção comprovada, lavagem de dinheiro comprovada. Eu não gosto de ser vereador federal, gente. Me desculpa. Mas quando se fala bobagem desta tribuna, eu também tenho que me obrigar a tentar falar alguma coisa. Era isso, colega. Obrigado pelo aparte.
VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): Seu aparte, vereadora Andressa.
VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Vereador Daniel, primeiro que eu queria viver nesse mundo mágico e fantasioso que vocês vivem, que a maioria dos parlamentares são de esquerda. Me apresenta. Talvez na China, talvez em algum desses países, vereador Fantinel, porque, aqui no Brasil, eu não me lembro, não me recordo disso. E eu queria dizer que justamente estatais... Priorizar as empresas públicas é uma forma de, independente do governo, vereador Lucas, nós termos pessoas e empresas comprometidas com os serviços. Porque o senhor trouxe o exemplo do governo Adiló, o vereador Daniel está falando do governo Lula, poderíamos falar do governo Leite. É justamente por isso que nós precisamos ter serviço público e servidores públicos valorizados, para que os serviços aconteçam independente do governo. Esse livre mercado está nos levando, muitas vezes, para um lugar onde os serviços não chegam para a população e onde o lucro sempre fica acima do interesse público. Obrigada pelo aparte.
VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): Para concluir, nós podemos, sim, e acho que devem existir algumas empresas estatais. O que não pode ter são governos incompetentes e corruptos saqueando as estatais.
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VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Senhor presidente, senhores vereadores. Parabenizar o vereador Jack por trazer esse assunto à tona, porque é a nossa oportunidade também de discutir outros assuntos importantes para o nosso país. Entendo a preocupação do vereador Jack em relação aos trabalhadores. E essa é uma preocupação, sim; mas a gente não pode deixar passar algumas coisas. Concordo e muito com o que a vereadora Andressa disse. Eles corroem por dentro. É isso que o PT está fazendo ao longo dos anos com os Correios, corroendo por dentro. Porque teve presidente Lula, presidente reeleito, Dilma reeleita. E agora ele está de novo. E o problema é da direita que quer enfraquecer o serviço público? Espera lá! No discurso a gente pode fazer o discurso que a gente quiser, as palavras que a gente quiser, mas tem as consequências, assim como nos governos. Tem as consequências do trabalho feito ou do trabalho não feito. E agora, falando de uma empresa que está com um rombo desta magnitude, mas a gente vê os Correios fazendo patrocínios para o “Janjapalooza”. Opa! Lollapalooza. Também para a turnê Tempo Rei, do Gilberto Gil. Patrocínios. Mas se a empresa está falida, gente? Se tem um rombo milionário, o que se faz? Eu tenho uma lojinha pequenininha, no Bairro Fátima. Mas se eu não posso pagar os meus funcionários ou se eu não posso comprar mercadoria, eu não tenho como patrocinar um evento. Não existe essa lógica, por mais importância de mostrar a marca que se tenha. Se eu tenho dívida, se eu devo imposto, se eu tenho funcionário para pagar, eu tenho que pensar. Então, infelizmente, o governo do PT vem corroendo por dentro os Correios, assim como a vereadora Andressa trouxe aqui para nós.
VEREADOR HIAGO MORANDI (PL): Um aparte, vereadora?
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Seu aparte, vereador Hiago.
VEREADOR HIAGO MORANDI (PL): Nada de novidade, eu estava vendo agora na revista IstoÉ um artigo que fala: Entrevista ao Dinheiro, Fabiano Silva dos Santos. Ao Dinheiro é o nome da página. Presidente dos Correios atribui a crise financeira da estatal ao “sucateamento” promovido pelos governos anteriores. Então, a culpa é dos governos anteriores, Fantinel. Não é do Lula, tá? É dos governos anteriores. Então, o PT veio agora para melhorar os Correios do jeito que ele estava, né? Então, a gente vê que é uma piada. A gente sabe que teve... Como eu falei, a Veja, eu acredito que o Bolsonaro não pagou a Veja para falar aquilo ali. A Veja adora bater nele, né? Então, acho que não foi comprado e, sim, os números estão aí para que todo mundo veja, realmente. Então, a gente vê mais uma piada aqui, vereadora Dai, em questões de narrativas. Jack, quer melhorar a vida do cidadão? É igual. O vereador Fantinel já te deu o caminho. Começa a lutar para tirar a esquerda do poder. Muito obrigado.
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): É isso que a gente vê. Porque a gente corroer por dentro, não investir, tudo isso, também concordo. Porém, a gente teve exemplos. A gente teve quantos anos do Bolsonaro em frente a 20 anos do PT? E o PT está lá para tirar o pessoal da pobreza e levando para a miséria, né? Praticamente isso, para eles poderem ir lá e fazerem as fotos, os vídeos em todos os lugares que eles fazem para dizer que fizeram alguma coisa. E, infelizmente, não é essa a realidade da população. Mas, como eles mesmos dizem: uma mentira contada tantas vezes, acaba virando verdade. Mas nós estamos aqui para rebater isso também. Era isso, senhor presidente. Obrigada.
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VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Presidente, eu iniciei a minha fala aqui dizendo e reiterando o meu respeito ao vereador Jack e dizendo que o que eu vou falar aqui não tem nada a ver com o aspecto pessoal. Vereador Jack sabe do respeito que eu tenho por ele, pelo trabalho que ele faz. Eu vou me atentar única e exclusivamente à questão da pauta que está sendo apresentada. Saudar, também, aqui, o funcionário dos Correios, pelo que eu vejo pelo uniforme. Seja bem-vindo para estar aqui conosco também. Mas eu começo a minha fala lembrando os colegas de uma empresa chamada Embratel. Quem que lembra da Embratel? Empresa brasileira de telefonia. Aqueles que são jovens há mais tempo vão lembrar que na época, nos anos 80 e 90, quem nasceu nessa época ainda, lembra que tinha uma propaganda que dizia que era para fazer o 21, que era o interurbano. Precisava do DDD para poder fazer uma ligação que era caríssima, vereador Pedro. Quem controlava essa empresa, desde 65, quando ela foi fundada, até 98, era o Estado brasileiro. Era a União que controlava. E quem tinha telefone nessa época era somente rico, milionário, herdeiro, possuidor de muitas riquezas. Desde o momento que ela foi privatizada, instantaneamente o acesso à telefonia, o telefone móvel, o telefone residencial se perpetuou em praticamente todas as famílias brasileiras.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Peço um aparte, vereador.
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): E hoje, com raríssimas exceções, boa parte dos planos de telefonia que nós temos no nosso país tratam única e exclusivamente de plano de internet. Porque hoje fazer uma ligação é gratuito. Você precisa ter um plano para internet, você paga a internet do seu celular, o 4G, 5G, mas a ligação é ilimitada, assim como o SMS. Claro, ninguém mais usa ligação tradicional. Hoje as pessoas ligam pelo WhatsApp. SMS tem gente que nem tem o aplicativo instalado no celular e utiliza serviço de WhatsApp. A privatização é o caminho que já se mostrou e deu certo em serviços essenciais, serviços que precisam abarcar toda a população, como é o caso das correspondências e os serviços que os Correios prestam. O problema não está nos trabalhadores dos Correios, o problema está na mente. Ou melhor, na ausência de mente, de cérebro, que gere uma empresa desse tamanho do Brasil, que consegue quebrar uma empresa que não tem concorrência. Porque, afinal de contas, se é a única empresa que vai às terras mais longínquas do país, então não tem concorrência. Já que é a única empresa que chega até lá, como alguns disseram aqui. Então, não tem concorrência naquele lugar. A concorrência é nos grandes centros. E aí eu ouvi os colegas aqui da esquerda dizendo que a privatização é o pior caminho. Aí eu leio uma matéria, matéria do O Globo. Dia 4/02/2026, colegas. Faz seis dias que saiu essa matéria. Ministra vê “luz no fim do túnel” para os Correios, com possível parceiro privado. Mas não agora. Olha o que disse a ministra, ministra Esther Dweck, de inovação e serviços públicos. Olha o que ela disse, ipsis litteris no que ela falou: “Ele, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, está, sim, fazendo um plano importante e a gente está acompanhando. Acreditamos que pode ter um parceiro privado. Não temos nada contra isso, mas não é o melhor momento”. Olha a justificativa de porque não é o melhor momento: “A empresa, aliás, está no pior momento. Se procurar um parceiro privado agora, ou ninguém vai querer ou vai querer a um preço muito baixo.” Então, a gente está discutindo isso, sim, e acho que temos chance de ver uma luz no fim do túnel. Muitas vezes, isso passa por associação com outros serviços. Os serviços postais que estão bem no mundo se associaram a outras atividades, principalmente, financeiras. Então, a ministra do governo Lula está dizendo que a solução é duas: associação com instituições financeiras, o capital que tanto é criticado, e a segunda, privatização. Conversaram, estabeleceram uma parceria público-privada para caminhar para um serviço privado, onde o serviço privado vai permitir a concorrência.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Um aparte, vereador.
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Veja o que aconteceu com o Uber. Quando o Uber chegou ao Brasil, o que aconteceu com a classe dos taxistas? Precisaram se reinventar porque chegou uma concorrência, um mercado que, majoritariamente, era dominado pelos taxistas. E teve mercado para todo mundo, o mercado se regulou, conseguiu o preço justo e etc. Podemos ter as críticas ao mercado aberto, eu tenho as minhas críticas também. Agora, sugestionar e defender que a empresa na mão de um governo que cada ano que passa vem dando, cada vez mais, prejuízo e é utilizado como aparato político, como cabide político e cabide eleitoral, tão somente isso, porque coloca os funcionários dos Correios para protestar na frente da empresa. Só que esses funcionários são levados, induzidos a votar nesse governo que, justamente, ao dizer defender eles, colocam eles para frente da trincheira. Para que os funcionários acabam tendo que arcar com o problema de um governo que não consegue gerir uma empresa estatal que não tem concorrência. Seu aparte, vereador Fantinel.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Obrigado, vereador Calebe. Como o senhor citou a questão da telefonia. Eu posso falar aqui porque sou parte dessa situação. Onde em 1994, eu morava fora do Brasil e comprei um telefone para minha mãe para poder falar com ela. E paguei R$ 4.500 por uma linha telefônica, fora o aparelho. R$ 4.500, tá? Hoje, eles te correm atrás e te dão de graça. Obrigado.
VEREADOR CALEBE GARBIN (PP): Exatamente. Não vou conseguir dar o seu aparte, vereador Hiago, por escassez de tempo, mas deixar consignado isso. E dito, a forma de resolver os Correios é buscar esse caminho que o próprio governo Lula está apresentando, a privatização. Obrigado, presidente.
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VEREADOR ALEXANDRE BORTOLUZ - BORTOLA (PP): Senhor presidente, senhoras e senhores vereadores. Importante, importante debate e aqui parabenizar em especial pela fala meu colega Calebe. E, também, parabenizar aqui, o presidente do Samae, João Uez que faz um excelente trabalho em frente ao Samae. E por que eu trago, justamente, a figura do João Uez, do Samae? Porque dá certo. Porque tendo administração com pulso dá certo. É uma autarquia com superávit. É simples, dá dinheiro. Tem que dar lucro, não adianta, essa é a realidade. Agora, em 2025, os Correios, 6 bilhões. A projeção para 2026 é de 23 bilhões. Vinte e três bilhões, vereador Fantinel. É complexo. E mesmo assim, o governo Lula para este ano bloqueou 3 bilhões para os Correios. Então, não entendo a lógica deles a matemática que fazem, mas o que eu sei é que para o povo, o que é mais em conta, o que é melhor? Hoje, se tu vai encomendar pelos Correios, paga mais caro; tu encomenda pela Amazon, Mercado Livre, etc., ou tu paga bem mais barato ou é frete grátis. Então, o que é melhor para o povo, hoje? É tu encomendar pelos correios, vir o teu produto pelos correios, vereador? Ou vir por essas empresas que são privadas? É isso que eu quero trazer no debate. Então, para mim, para mim, é muito claro isso, muito claro. Sucatearam, roubaram escancaradamente dos Correios, escancaradamente, e agora, querem fazer massagem cardíaca para sobreviver os Correios, presidente. Não tem condições, não tem condições. Por isso, vereador Calebe, a bancada, a Liderança do Progressistas orienta não. Obrigado, presidente.
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VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Bom dia, colegas vereadores e colegas vereadoras. Graças a Deus, à pátria e à família que nós só tivemos um ano de governo Bolsonaro no Brasil., não é Porque já foi o suficiente para mais de 700 mil pessoas morrerem. Com o presidente, entre aspas, dizendo que eles estavam “só com uma gripezinha”, debochando da tosse deles, para que todos nós brasileiros víssemos o que nos representava. O que nos defendia naquele momento. Ele também falou que nós podemos perdoar os crimes do Holocausto. Bom, eu acho que não. Para mim são imperdoáveis. Mas tudo bem. Ele disse que a escravidão foi ruim. Concordamos. Mas... Para mim não tem, mas. Para ele tem. Mas foi boa para seus descendentes. Eu como descendente de negra digo o quanto ainda sofro com o racismo que surgiu na escravidão. Então, não tem ‘mas’. Ela não foi boa para alguém. E ver que aqui dentro tem gente que comemora, aplaude, gente que concorda e defende um ser humano desses, para mim não é nem sobre o político de estimação, gente. É sobre um ser humano que não valoriza o outro ser humano, que acha que ele é melhor! Aquela mesma ideia que os Estados Unidos têm de que a América é um país, de que eles são a raça soberana. É essa ideia de que o um ser humano é melhor que o outro, que a gente pode falar frases, que a gente pode debocha de gente morrendo durante uma pandemia e que está tudo bem. Então não, o que vocês falam não é verdadeiro! O que vocês falam, para mim, não pode ser acreditado, porque quem não é ser humano, no mínimo ser humano, não merece que a lógica seja sequer levada em consideração.
VEREADOR ALEXANDRE BORTOLUZ – BORTOLA (PP): Questão de Ordem, presidente.
PRESIDENTE EDSON DA ROSA (REPUBLICANOS): Pois não? Peço para parar o tempo. Sua Questão de Ordem. Artigo, vereador.
VEREADOR ALEXANDRE BORTOLUZ – BORTOLA (PP): Art. 20, inciso segundo, alínea F: Divagação e assuntos estranhos ao tema. Nós estamos debatendo Frente Parlamentar dos Correios e não Covid. Obrigado.
PRESIDENTE EDSON DA ROSA (REPUBLICANOS): Obrigado, vereador. Por favor...
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Senhor presidente, era a abertura da minha fala. Eu ainda tenho dois minutos e meio, então agora eu vou ligar ao tema.
PRESIDENTE EDSON DA ROSA (REPUBLICANOS): Primeiro eu pediria também a assistência e, por favor, tem um orador...
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): Sim, a plateia está atrapalhando um pouco.
PRESIDENTE EDSON DA ROSA (REPUBLICANOS): Tem um orador falando. Vereadora, a senhora estava no preâmbulo, então, por favor, se detenha. Muito obrigado.
VEREADORA ESTELA BALARDIN (PT): E eu peço muito, essa questão da plateia... Bom, então entendendo que não é essa a lógica que a maioria daqui está falando, porque a maioria daqui representa também a maioria do parlamento, que é uma maioria de direita, representa, historicamente, a maioria dos presidenciáveis que foram presidenciáveis de direita. Nós tivemos poucas tentativas de esquerda e a maioria delas sofreu, eu acho que a gente tem que relembrar sempre o último caso da saudosa Dilma, que sofreu um golpe neste país. Então a gente percebe que mesmo com os nossos governos, mesmo com o nosso governo tendo tirado o Brasil do Mapa da Fome, o que é muito importante, duas vezes, mesmo fortalecendo a Petrobras agora, mas não conseguindo baixar o preço dos combustíveis, porque não tem mais em suas mãos a BR Distribuidora, que foi vendida. A gente sabe que não é o suficiente para salvar os Correios que sim, em um único governo, conseguiram sofrer com a sua destruição. Os Correios chegam aonde ninguém chega. Eu acho que quando a gente fala dos Correios é principalmente disso que a gente tem que lembrar. Que na nossa casa é isso. Com todo o respeito, eu uso poucos os Correios. A maioria das coisas que eu compro são em sites da internet. Então, eu recebo pela entrega daqueles sites. O que significa que o livre mercado já existe. Falar que está sendo impedido e não sei o que, é mais uma mentira. Mas os Correios vão aonde essas empresas não vão. Porque lá não dá lucro e porque os Correios não está em busca disso. Está em busca de serviço, de entrega para todos e todas e de qualidade. E essa qualidade depende da vontade do Estado de garantir acesso a todo mundo às suas entregas, e não só uma parcela da população que mora nos lugares acessíveis. Muito obrigada.
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VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Senhor presidente, nobres colegas aqui presentes. Eu ouvi atentamente todos os discursos aqui. Alguns discursos mirabolantes, mas eu ouvi mesmo assim. Gostaria de agradecer a presença de todos aqui, em especial ao membro dos Correios. Obrigado pela sua presença. E gostaria de perguntar ao senhor se, no seu contracheque, hoje, tem um desconto do Postalis[1]. Isso é fruto de um governo que voltou à cena do crime, como já dizia, parafraseando Alckmin, o vice-presidente atual. No Brasil, nós tivemos um único presidente de direita. E, durante o governo desse presidente, essa empresa, Correios, teve lucro. Iniciou o lucro durante o governo Temer, nos dois anos, e depois manteve no governo Bolsonaro. Em 2019: lucro de cerca de 102 milhões; em 2020: lucro de 1.53 bilhões; em 2021: lucro de 3.7 bilhões; em 2022, um prejuízo de cerca de 800 milhões. E aí entra o governo Lula. Em 2023: 600 milhões de prejuízo; em 2024: 2.6 bilhões de prejuízo; em 2025, somente no primeiro trimestre: 4.37 bilhões. E, no fechamento do ano passado, cerca de 10 bilhões de prejuízo. E falo para o senhor, porque o senhor deve ser servidor, obviamente, a culpa desse prejuízo não é do servidor, é de quem administra. Porque toda a empresa estatal tem os seus servidores no seu corpo estrutural, e lá em cima, nas diretorias, são os amigos dos amigos, dos amigos, que, em sua grande maioria, nos governos de esquerda, não são pessoas técnicas. Não são pessoas que têm currículo para comandar aquela instituição. Meus amigos, eu acho que todos lembram o que aconteceu aqui, em 2024. O governo federal aplicou a taxinha das blusinhas da Shein. Sabe quanto que os Correios perderam? Cerca de 63% do seu lucro ali. Ou seja, o governo aumentou a arrecadação, e os Correios perderam o seu rendimento. Porque eles ganhavam muito naquelas compras, naquelas pequenas compras. Olha o que aconteceu comigo. Recebi duas correspondências dia dois de fevereiro. Duas. A fatura do cartão. Referente a quê? Novembro e dezembro. Recebi no dia dois de fevereiro. Se eu estivesse esperando aquelas cartas, eu teria não pagado a minha fatura. E o problema é não se reinventar. A empresa acabou ficando no passado. Não investiu em estrutura, não investiu em tecnologia. E como o meu colega Calebe Garbin falou, é uma única empresa, não tem concorrência. Não tem nenhuma concorrência. Mesmo assim, ela não conseguiu se manter no mercado. Aqui eu tive a minha colega vereadora que falou a respeito que nós defendermos empresas que gerem recursos do país, que tem que ser estatais. Não, eu não defendo estatais. Eu acho que o livre mercado é muito melhor. Porque, quando nós colocamos estatais, o problema é que depois vai para a frente do combate os servidores. Eles, agora, é que estão sentindo na pele. Mas quem gerou o problema são os governos. E quando você tem uma empresa estatal, a gente pode olhar até na nossa cidade, no nosso estado, quando a gente tem uma empresa estatal, ela fica na mão do governo, e o governo faz o que quiser. Pega o lucro da empresa e investe em qualquer coisa, no que ele acha ideal. Quando, na verdade, aquele lucro da empresa tem que ser reinvestido. Você, empresário, que está assistindo, o seu faturamento da empresa não quer dizer lucro. Quando você tem um faturamento, você tem que ter um fluxo de caixa, uma parte é reinvestimento. O que os governos, na sua maioria de esquerda, fazem? Pagam um lucro aparente, pegam tudo aquilo e investem em qualquer coisa. Então, com isso a gente perde a nossa capacidade de reinvestimento e acaba ficando para trás. Para concluir, senhor presidente. Hoje os Correios estão, única e exclusivamente, entregando cartas, e quase ninguém mais manda cartas. Então, ou a empresa se reinventa, ou realmente vai acabar ficando para trás. Obrigado.
 

[1] Instituto de Previdência Complementar dos Correios
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VEREADOR CLAUDIO LIBARDI (PCdoB): Presidente, meus cumprimentos ao senhor. Prazer estar nesta sessão sob a presidência do meu amigo Edson da Rosa. Meus cumprimentos aos demais membros da Mesa Diretora. Nós temos aqui um debate que parece, vereador Calebe, ser de concepção do Estado. Mas que não é de concepção de Estado. Eu acredito que essa é a questão principal. E nós temos uma empresa pública que dá prejuízo, Zé Dambrós. Perfeito. Tem consenso aqui que nós temos uma empresa pública que dá prejuízo. E eu pergunto aos liberais que utilizam os Estados Unidos como exemplo em todas as ações, o estado mais liberal do planeta quanto à concepção de Estado. Vereadora Andressa Mallmann, a senhora sabe qual é a estatal do planeta que mais dá prejuízo? Do planeta. De todas, vereador Edson da Rosa. O serviço postal americano. Sabe, vereadora Andressa, sob qual presidente o serviço postal americano deu o maior prejuízo da sua história? Sob a gestão de Donald Trump. Um prejuízo de 9 bilhões de dólares, vereador Sandro Fantinel. E falar que os Correios não têm concorrência é um delírio. Eu nunca mandei um telegrama. Conheci, exclusivamente, na voz de Zeca Baleiro, o telegrama. Um AR[1] entregue pelo Tribunal de Justiça do estado do Rio Grande do Sul nos Correios custa R$ 14. Uma condução de um oficial de justiça deve estar, em média, R$ 70. Os Correios prestam um serviço público para outro serviço público, para que evite um prejuízo maior. A comunicação escrita é de competência exclusiva do Correio. E é de competência exclusiva do Correio por quê? Porque as estatais atuam em áreas em que o serviço, necessariamente, deve haver subsídio cruzado. Não tem, nunca terá e nunca houve também falta de concorrência nas encomendas, nas entregas. Nunca houve. Por exemplo, as pessoas podem contratar FedEx para fazer entregas, podem contratar qualquer uma empresa de entregas. Mesmo assim, vereador Alexandre Bortoluz, o mais curioso é que, quando eu compro no Mercado Livre, chega de Sedex. Sabe por quê? Porque é mais barato ainda as encomendas entregues pelos Correios. Então, nós precisamos conversar sobre a universalização dos serviços, porque daí, sim, vereador Alexandre, nós temos concepções diferentes. Agora, todo o Estado, qualquer Estado, por mais liberal que
que seja, tem um serviço público de entregas de cartas, por entender que o serviço de comunicação escrito é um direito básico, como tem previsão na nossa legislação. Somente para fechar os Correios uma emenda constitucional que determine que o serviço de comunicação escrito não é mais um direito público. Mas, por fim, vereador Lucas, o que eu queria tratar é isso.
VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Um aparte, vereador.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Se a gente quiser ser vereador nacional, como bem tratou o vereador Cristiano Becker. Eu queria, hoje, estar debatendo Caxias. E quero voltar a debater Caxias, vereador Edson. Eu acho que o Pequeno Expediente é um espaço para a gente fazer debates nacionais. Agora, nós não podemos ficar mentindo para a população. Serviços públicos de entregas, quando são geridos com o necessário investimento, infelizmente, dão prejuízo. Como dão nos Estados Unidos, como dão na China e como dão no Brasil. É assim que funciona, vereador Capitão Ramon. Senão, eu poderia falar que o maior prejuízo do Brasil é o exército, que toma um percentual significativo do PIB e infelizmente serve para pintar os nossos cordões. Poderia falar que a educação pública é um prejuízo, vereador Zé Dambrós, que consome uma parcela significativa do nosso orçamento, só que tem retornos que são imateriais. Nós precisamos é combater privilégios. Combater privilégios do judiciário. Isso não precisa ser de esquerda ou de direita. São esses privilégios que nós precisamos combater! E compreender como funciona a máquina pública. Vereadora Andressa.
VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Vereador Libardi, falta também um pouco de como funciona a nossa administração pública. Me preocupa quando eu ouço aqui que empresa pública serve para ser cabide de emprego. Nós temos empresas públicas renomadas na nossa cidade que são fundamentais e precisamos investir em instituições e serviços que independente de governo estejam lá, independente se seja Lula, Bolsonaro ou o que for, tem que ter empresa pública, tem que ter serviço público.
VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Um aparte, vereador, assim que possível.
VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): E aí a gente ouve os nossos colegas distorcendo e vendendo uma ideia que não é real. Afinal de contas é só olhar como o senhor trouxe os Correios dos Estados Unidos. Obrigada, vereador Libardi.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): Obrigado, vereador Ramon. Três segundos, por gentileza, que é o que eu tenho.
VEREADOR CAPITÃO RAMON (PL): Só corrigindo o senhor, na verdade não são cordões, são meios-fios. Obrigado.
VEREADOR CLÁUDIO LIBARDI (PCdoB): O senhor é um especialista nisso, não é? Ficou 10 anos no exército, sabe bem como é que funciona para tirar grama. Eu ainda não tive essa oportunidade. Obrigado, presidente.
 

[1] Aviso de Recebimento
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VEREADOR JOSÉ ABREU - JACK (PDT): Bem, eu volto aqui para lembrar aos companheiros vereadores e vereadoras o que é que a gente está votando, vereador Cristiano Becker. Porque nesta Casa, infelizmente, tudo vira um debate entre esquerda e direita. E eu quero deixar bem claro aqui que eu não estou aqui para defender esquerda ou direita. Eu estou aqui para defender trabalhadores. E defender trabalhadores é defender os Correios, é defender 86 mil trabalhadores. Quero aqui saudar a presença do presidente aqui do Sindicato dos Correios aqui da região da Serra, o Ricardo Paim. Parabéns pelo excelente trabalho que tu faz aqui na Serra, Ricardo. E dizer a você, trabalhador dos Correios, é muito fácil a gente vir aqui fazer discurso, como falou o vereador Pedro Rodrigues para encher linguiça. Mas eu não estou aqui para encher linguiça, vereador Pedro Rodrigues. Eu estou aqui para defender quem mais precisa e não me estranha, aqui nesta Casa, os vereadores que votam ‘não’, quando se trata de defender trabalhador, não me estranha. Está tudo certo. Só que assim, vereador Pedro Rodrigues, mais uma vez, falar do senhor aqui, eu não estou aqui para encher linguiça e essa frente parlamentar não é para encher linguiça. Essa frente parlamentar é para defender estatal, é para defender trabalhador, é para votar não à privatização, que eu sempre vou ser contra a privatização, porque se privatização fosse boa, famílias do Rio Grande do Sul não ficavam 20 dias sem energia elétrica ou sem a Equatorial. Se desse certo a privatização, isso não acontecia. Então, a gente está aqui para defender, mais uma vez falar, para defender trabalhador. Oitenta e seis mil trabalhadores dos Correios estão passando por dificuldades agora e sim, Capitão Ramon, a gente tem que achar uma saída para tudo o que está acontecendo nos Correios. A gente tem que achar uma saída juntos, por isso que a gente está aqui criando essa frente parlamentar, sim, para defender os trabalhadores, mais uma vez eu repito, e com certeza votarei ‘sim’, presidente.
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VEREADORA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Senhor presidente, obviamente votarei ‘sim’. E quero seguir na linha do vereador Jack, do vereador Libardi. Infelizmente a gente vive em um momento político tão complexo e tão irracional, muitas vezes, vereador Lucas, que a gente leva tudo ao extremo para esse debate: “isso é direita”; “isso é esquerda”. E adoram nessa linha demonizar as nossas defesas, demonizar o Estado para que possam entrar no Estado, se apoderar do Estado e vender para essa iniciativa privada que nós não estamos aqui dizendo que ela não tem que existir, porque ela existe. Já existem iniciativas privadas em relação à entrega de mercadorias. Os Correios têm a sua concorrência, e está tudo bem. Ninguém disse que não terá e não há uma posição de não ter. O que nós estamos dizendo é que nós precisamos parar de acabar com o que nós temos de patrimônio público, porque nós estamos entregando o que tem de mais importante para o interesse de meia dúzia. Na prática, é isso. E aí os vereadores vêm aqui com palavras bonitas para confundir a população, mas, na verdade, o que acontece é que privatizar o que nós temos de público é, sim, entregar para o interesse de meia dúzia. O que não impede de terem empresários que participem nos ramos e possam exercer o seu trabalho. É sobre isso que nós estamos falando. Mas o que nós deveríamos estar debatendo aqui, sim, vereador Libardi, são os privilégios que nós temos no serviço público, muitas vezes de governos descomprometidos com a população e de parlamentares descomprometidos, que entram nos espaços para poderem se beneficiar. É esse debate que eu quero fazer enquanto Estado. Porque eu acho que o serviço público precisa existir para atender a população. E queria eu, vereador Ramon, que o Exército fosse muito mais forte do que é, para poder defender o país e para que a nossa segurança, enquanto nação, estivesse, de fato, assegurada, e não hoje tivéssemos um Exército pífio que, muitas vezes, serve para fazer aquilo que não deveria fazer. E para finalizar, senhor presidente, a nossa bancada vai apresentar uma moção de apoio ao combate aos “penduricalhos” e aos privilégios dos supersalários do nosso país, feitas pelo Flávio Dino. Se fosse o Flávio Bolsonaro, nós apoiaríamos. Mas, infelizmente, não é. Obviamente, dele não viria. Do Flávio Dino, sobre, de fato, os supersalários. É isso que nós precisamos debater no nosso país. É isso que a população quer ver. Obrigada, senhor presidente.
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Votação: Não realizada

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