VEREADORA MARISOL SANTOS (PSDB): Obrigada, vereador Lucas. Na verdade, colegas vereadores, quem nos acompanha aqui no Plenário hoje ou que nos acompanha de casa, acho que a gente já construiu um documento que fala muito sobre o que a Frente Parlamentar fez na última legislatura, mas é importante também aproveitar este espaço para agradecer a todos que se envolveram, na última legislatura, nessa Frente Parlamentar, e aos novos vereadores, que também já aceitaram conosco assinar esse requerimento, e que possam também fazer parte dessa Frente Parlamentar. Vereador Rafael Bueno, lembro muito, inclusive, que, na legislatura passada, até comentou comigo dias, meses, talvez, depois da aprovação da Frente Parlamentar, um dia ele me disse: “Olha vereadora, eu não entendia muito do que a gente estava falando ali ainda, das altas habilidades. Achei que fosse um público que não existia. Eu não conhecia tanto sobre o tema.” E, de repente, ele se viu até com um caso provável na família, com uma possibilidade de indicativo de altas habilidades, e isso mudou um pouco. Então, para mim é a mesma coisa. Quando, lá no começo da legislatura passada, eu recebi as mães de crianças já identificadas com altas habilidades, eu mesma, tendo sido professora na rede municipal e na rede privada, me senti fazendo aquela mea culpa, quando a gente diz: “Poxa vida! Será que eu tive esses alunos e não percebi, não sabia que eles estavam ali?” Esses alunos que muitas vezes estão na sala de aula e se sentem... Não gostam da escola, não têm vontade de ir para escola, porque lá eles estão aprendendo coisas que já fazem parte, há muito tempo, do seu conhecimento, já têm esse aprendizado. Então a escola fica muito falha para eles. E nós temos, obviamente, ainda um sistema educacional que a gente precisa ampliar e melhorar sempre, mas que ainda enquadra muito as pessoas todas da mesma forma, no mesmo padrão, e a gente precisa rever isso, a gente precisa avaliar individualmente cada um. E nós não estamos falando aqui, como já tratamos várias vezes, de gênios. De forma alguma. Nós estamos tratando de crianças e de adultos que têm habilidades acima da média em algumas questões, em algumas áreas, mas que precisam ser vistos de forma diferente. Desde que nós começamos essa discussão, a partir da frente parlamentar, todos aprendemos muito. Eu aprendi muito, os colegas vereadores que participavam da frente aprenderam muito. Fizemos muitos eventos, muitos ciclos de palestras. A Semana Municipal das Altas Habilidades, que já foi realizada, portanto, em três vezes, em três edições aqui no município, organizada pela Smed, tem sido um sucesso. As escolas se manifestam, as escolas se envolvem, os alunos apresentam os seus trabalhos. A Câmara de Vereadores, nesses três anos, tem tido também um papel importante na realização das atividades durante a Semana das Altas Habilidades. Ano passado, nós fizemos um bate-papo falando sobre a superdotação na perspectiva dos superdotados, e tínhamos aqui um menino de 11 anos falando como ele se sente na escola; um menino de 14 anos que trouxe a impressora 3D, que ele criou e deixou funcionando enquanto a gente conversava; uma adulta que já identificou, depois já de ser adulta, e o quanto ela sofre ainda na questão do próprio trabalho, do mercado de trabalho. Então a gente tem essas... Ah, e uma menina, na época com 15 anos, agora com 16, e que já está fazendo faculdade de medicina em Caxias do Sul. Eu falei isso, 16 anos. Ingressou agora na faculdade de medicina, depois de já ter feito quatro semestres de biomedicina; mas que ela conseguiu ser reconhecida, identificada, e está, obviamente, buscando melhorias que não são para a vida dela, mas para a sociedade de maneira geral. Então a gente precisa olhar para esse tema, a gente precisa aprender. Eu tenho certeza que a Câmara de Vereadores se coloca no lugar onde tem que estar também, de se envolver em temas que são tão importantes como esse. As famílias estão mobilizadas, as crianças, os adolescentes estão mobilizados para que a gente possa reconhecer. Eu tenho conversado, já estive na Smed há uns 15 dias falando sobre o Cemape, por exemplo, que tem um atendimento para crianças da nossa rede com altas habilidades, mas que a gente precisa ampliar, a gente precisa ter, talvez, como a exemplo de Porto Alegre, salas de recurso inclusivas e especializadas em altas habilidades nas escolas para trabalhar nos territórios. A gente vem conversando isso com a gerência de educação especial. A gente quer que isso cresça, porque a gente precisa ver todos os públicos. São diferentes e precisam ser tratados da forma como eles merecem. Então, eu peço aos colegas a aprovação da frente parlamentar, para que o Legislativo cumpra o seu papel também de estar atento a esses temas, e a esse tema em específico, e que possam fazer parte porque eu tenho certeza que a gente vai aprender muito, juntos, ainda, sobre altas habilidades e superdotação. Obrigada, presidente.