VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Obrigado, presidente. Bom dia, colegas vereadoras, vereadores, às pessoas que nos acompanham pelas redes sociais. De forma especial, eu quero destacar aqui a presença do José Otávio Carlomagno, presidente do Instituto Filhos; da presidenta da FAS, Geórgia Tomasi; a Ingrid Bays, da FAS; a Franciele Roso, também da FAS; a Cristiane Arenhardt, da Apadrinhe; o Antônio Leite, colega servidor público municipal, diretor do Sindiserve; e, de forma muito especial, a Luísa Helena, que é filha do Antônio Leite, que está aqui no nosso plenário. Assim como eu, Luísa, tu és filha adotiva, e é uma felicidade para mim, nesta manhã de terça-feira, aprovar esse projeto que trata de um tema tão caro. Eu quero começar a fala... Eu lembro que quando o vereador Zanchin assumiu a cadeira, eu acho que como suplente, assumiu a titularidade numa certa feita, eu me lembro de o vereador Zanchin ter feito uma homenagem muito emocionante à sua mãe, agradecendo à sua mãe. Eu já falei várias vezes na minha mãe, mas eu tenho uma particularidade, vereador Zanchin. Que Deus ou os orixás foram tão generosos comigo que eu tenho duas, duas mães, em razão da minha adoção. E essa é uma foto recente que eu tenho, eu acho que de uns três anos talvez atrás, que eu estava no litoral, onde a minha mãe Maria mora. Nesta foto, então, tem a minha mãe biológica, a Sirlei, e a minha mãe Maria, que mora lá em Arroio do Silva. Não só por esse motivo, mas eu entendo que o tema da adoção é de fundamental relevância para a nossa sociedade. Tem uma intelectual negra, chamada Conceição Evaristo. Ela fala no conceito e na categoria de escrevivências. Ela diz que as pessoas, na academia, escrevem, ou os poetas, quem trabalha com literatura, a sua escrita perpassa pela sua vida, pelas suas experiências. Eu acho que, no parlamento, da mesma forma. A gente está escrevendo, está legislando, e isso está lastrado nas nossas experiências. Muito se avançou no tema da adoção, tanto que nós temos duas entidades aqui da sociedade civil que trabalham e atuam diretamente com o tema da adoção no Brasil. Mas nós precisamos avançar muito mais. Para a gente pensar, vajam os números, não é? Hoje, no Brasil, nós temos mais ou menos cinco mil crianças e adolescentes que estão aptos a serem adotados, e temos 34 mil famílias aptas, dispostas a adotar. Lógico que, quando nós falamos em direito de família, há de se seguir todas as etapas, todos os passos. E eu, estudando sobre esse tema, tenho me deparado com várias situações em que famílias adotam crianças e que, posteriormente, devolvem essas crianças. Pensem nisso. Eu e a Luísa... E eu tenho uma sobrinha, a Maria Inês, que é adotiva na nossa família. Nós temos essa grata tradição da adoção. Imaginem se nós tivéssemos sido rejeitados uma segunda vez pela família que nos adota? Então, por isso a vênia de que esses processos sejam feitos com muita atenção, com muito cuidado. Entretanto, o que nós temos hoje, estudando esses dados, em geral, quando as pessoas adotam as crianças, elas querem crianças recém-nascidas, brancas, loiras e de olhos azuis. E as crianças negras ou com alguma deficiência acabam ficando nas casas lares ou nos abrigos até completar a maioridade. Então é um outro tema que nós precisamos discutir, a adoção de crianças com alguma deficiência, das crianças negras, que fogem do padrão. Quando a gente fala de amor, e eu falo pela experiência de ter pai e mãe que são brancos, que me adotaram e que, muitas vezes, quando estavam comigo pequeninho as pessoas pediam se eu era filho da empregada, se eu era neto ou qualquer coisa do gênero. Então, tiveram essa experiência de um amor muito grande, independente da minha cor ou da minha etnia. Então esse PL institui uma semana de valorização, de reconhecimento e de informações sobre o tema da adoção no Brasil, especialmente na nossa cidade. Então, agradeço a presença de pessoas que estão aqui na plateia. No momento oportuno, eu peço o voto favorável neste projeto de lei. Era isso. Obrigado, senhor presidente.