VEREADOR RODRIGO BELTRÃO (PT): Bom dia, nobres pares, cidadãos e cidadãs que nos acompanham.
VEREADOR ADILÓ DIDOMENICO (PTB): Peço a palavra, senhor presidente.
VEREADOR GUSTAVO TOIGO (PDT): Peço a palavra, presidente.
VEREADOR RODRIGO BELTRÃO (PT): Em especial à senhora Rosana, que saúdo a presença na condição de convocada e não convidada, lamentavelmente.
VEREADORA PAULA IORIS (PSDB): Peço a palavra, presidente.
VEREADOR RODRIGO BELTRÃO (PT): Visto que a senhora, de forma deliberada, fez questão de esvaziar nossa audiência pública, proibir servidores públicos de participarem. Eu queria começar perguntando para a senhora qual é a diferença... E quero saudar as servidoras da FAS que se fazem aqui presentes. Muito bem-vindas sempre. Qual a diferença da presença de cinco servidoras hoje e na ocasião da nossa audiência pública? Saber qual é essa diferença que aconteceu. Nós convidamos a senhora, muito esperada, até porque era o centro do debate, e sequer teve qualquer contato com esta Casa legislativa até para dizer que não viria. Mas a senhora fez questão de dialogar através da imprensa e, na manifestação no jornal Pioneiro do dia 30, a senhora diz o seguinte: “Quando vem convite da Câmara avaliamos que tem pessoas que estão aptas e pessoas que não estão aptas a participar”. Então, queria perguntar para a senhora se nós temos cidadãos e cidadãs de segunda categoria? Cidadãos e cidadãs que não têm legitimidade para vir a este parlamento debater. Se a senhora faz essa classificação e, caso faça, já quero antecipar que me preocupa muito. A senhora fala que o governo, o prefeito, não teve nenhuma atitude de desumanização. Imagino que a senhora fazia algum paralelo com o prefeito Doria, em São Paulo. Mas eu queria lhe perguntar o que foi o episódio, dia 21 de janeiro de 2017, onde os indígenas foram agredidos pelo Poder Público Municipal e havia uma operação em curso para higienizar o Centro? Isso ficou público e notório, não havendo dúvidas sobre isso que aconteceu. A senhora fala que houve um fortalecimento do Centro Pop. Eu queria entender, objetivamente, qual foi o incremento do Centro Pop. Houve mais atendimentos? Melhorou a estrutura em número de profissionais? Então a senhora trouxe aqui uma tese de que o serviço foi ampliado, e eu gostaria que a senhora trouxesse dados em relação a essa questão. Existe uma situação muito pontual, e denunciada aqui na audiência pública, de que existem pessoas em situação de rua que estão sendo agredidas por um que outro profissional da segurança. Nós não estamos generalizando. Isso apareceu na audiência pública. E, segundo o pedido de informações respondido, que foi de autoria do vereador Rafael Bueno e foi respondido pela FAS, existe aqui a informação de que, quando há esses relatos, a presidência da FAS faz o devido encaminhamento aos órgãos de segurança. Daí eu queria ver com a senhora quantos encaminhamentos já foram feitos e se a senhora tem ciência de que essa situação está ocorrendo, principalmente com pessoas que trabalham com a reciclagem. E segundo nos foi trazido na audiência pública, essas pessoas estão sendo proibidas de transitar no perímetro urbano. Então queria saber se chegou ao conhecimento da senhora essa questão e quais as providências que estão sendo tomadas. Quero reiterar aqui, a senhora diz o seguinte, fez um paralelo aqui: “Em outros municípios, as pessoas em situação de rua são mandadas embora para os seus municípios. Pagam passagem”. O nosso município também paga. Eu queria saber qual é a diferença do que outros municípios fazem e Caxias faz. Porque a senhora deu a entender que nesses municípios as pessoas são obrigadas a voltar, e que Caxias só dá se a pessoa pede. No meu entendimento é o mesmo procedimento. Inclusive isso é uma diretriz do próprio SUAS, sem problema nenhum. Então só para aqui não pairar uma ideia de que é um governo humano demais, que acolhe todo mundo e também não paga passagem para as pessoas voltarem para os seus municípios. Até porque não tem nenhuma controvérsia em relação a essa política. E quero aqui, por fim então, frisar e enfatizar, de uma forma democrática, respeitosa, de que a senhora, assim como o prefeito eleito, devem e sofrem fiscalização do parlamento porque é assim que se constitui a política. Então gostaria de lamentar, democraticamente, a postura da senhora de não dialogar com este parlamento, vir a este parlamento apenas na condição de convocada e sequer ter um servidor na FAS para responder um e-mail ou ligar aqui para a Câmara para dizer que não poderia vir. E a senhora, manifestação na Rádio Caxias antes de ontem, disse que a Câmara não negocia datas. Então eu acho que isso é uma questão de prioridade, até porque o convite foi enviado para a senhora com sete dias de antecedência. Imagino que sete dias é muito pouco, os compromissos são inúmeros, e o Parlamento não tem nenhuma importância. Então, sem mais, presidente, agradeço a oportunidade do espaço.
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): Vereador Adiló.
VEREADOR ADILÓ DIDOMENICO (PTB): Senhor presidente, senhoras e senhores vereadores. A pergunta que eu faço à presidente da FAS são duas perguntas na verdade. A primeira, ali na Duque de Caxias, onde tem aquele acolhimento do pessoal de rua aí, a vizinhança tem reclamado, não pela presença deles ali, porque em algum lugar eles têm que ser acolhido, mas pela falta de organização ali no entorno, os excessos que acontecem ali. Talvez seja o caso da guarda municipal ou alguém dar uma organizada, porque tomam conta do passeio, barulho, etc. Nós não podemos imaginar que eles devam ser afastados da cidade para ser atendidos. Acho que o local até estaria bem. O que o pessoal cobra é a organização. E a outra pergunta que eu lhe faço: a gente vê esses moradores de rua, tem um grupo de voluntários em Caxias que cada vez cresce mais, que leva janta e café para eles, eu pergunto, isso talvez não esteja agravando em vez de aliviar a situação? Porque fica muito cômodo para essas pessoas pernoitarem embaixo de uma marquise. Ninguém quer estar no lugar deles, vamos deixar bem claro, essa é uma situação desumana, mas acaba incentivando, porque eles recebem a janta à noite, o café da manhã. Não seria melhor concentrar esforços juntamente com essa ação da pastoral? Que eu acho uma coisa muito bacana, muito digna. Um local para dar um banho quente, um jantar e uma cama boa, em vez de estar levando uma refeição para esse pessoal embaixo de uma marquise. É um questionamento que eu lhe faço, a visão da ótica da FAS. Obrigado. E falo em nome da bancada do PTB, vereador Thomé e vereador Cassina. Muito obrigado.
VEREADORA GLADIS FRIZZO (MDB): Peço a palavra.
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): Vereador Toigo.
VEREADOR GUSTAVO TOIGO (PDT): Senhor presidente, minha saudação à diretora-presidente da FAS, Rosana Menegotto, que comparece a esta Casa para falar de um tema tão delicado que é a nossa população de rua, as pessoas que pernoitam muitas vezes em abrigos, marquises. Eu me deparei, vereador Rodrigo Beltrão, ontem, pela manhã, inclusive com uma barraca ali no Bairro Pio X, instalada sobre um passeio público, a casinha de um cachorro ali. Para ver que nós precisamos, realmente, tratar, Rosana, esse problema com extrema seriedade. Sei do envolvimento que a senhora tem com isso, com essa política pública que a FAS vem realizando já há bastante tempo, em tempos de chuva e frio. Nós sabemos que são muitos motivos que levam a população de rua a estar nessa condição: a questão do desemprego, do alcoolismo, da drogadição, desajustes nas famílias e tantos outros. Mas nós temos um compromisso, enquanto sociedade, enquanto administração pública em sermos eficientes nessas medidas. Nós precisamos ter ações positivas, ações pontuais e abrangentes, provisórias num primeiro momento, mas que resolvam em definitivo isso. Nós tínhamos em administrações passadas, um número muito pequeno de pessoas que pernoitavam nas vias, e a gente tem percebido que esse número tem se agravado nos últimos anos. E nós precisamos trabalhar isso, organizar de forma melhor essa rede de proteção social, enfim, as casas de passagem, os consultórios de rua. Mas devo fazer dois elogios: o primeiro é o encaminhamento aos Círculos de Paz. Nós sabemos que o programa de Justiça Restaurativa, ele nasce através do Poder Judiciário, com agora o desembargador Leorberto Brancher, que aplica isso agora também à população de rua. E tendo uma maneira eficiente de começarmos a desatar esses nós. E também essa abordagem social, através dos planos individual de atendimento, esse plano social de vida que se quer dar a essa população que muitas vezes é marginalizada, sofre com a violência duplamente. Nós precisamos estar atentos e buscar as parcerias. Eu queria dizer também que nós precisamos estreitar ainda mais os laços com a nossa Diocese, com a Hospedagem Solidária. Nós percebemos um grande número de pessoas, de voluntários que estão nesse trabalho na sua segunda edição principalmente na questão do alimento, na colocação das roupas às pessoas isso é muito importante. Agora o questionamento que eu faço a senhora e também a equipe aqui é justamente no sentido de que nós precisamos estreitar os laços, enquanto administração pública com a nossa comunidade através das Amobs, através das entidades, enfim, de setores para não marginalizar ainda mais a nossa população de rua. Não é assistencialismo, vereador Adiló. Acredito que nós não temos que ir lá todo dia, ir lá dar um prato de comida, mas muitas vezes essa população, essas pessoas que estão lá querem apenas serem ouvidas, percebidas. Elas precisam ter visibilidade e nesse sentido, Rosana, nós precisamos construir, essa é a pergunta que eu faço. Um programa mais abrangente envolvendo a sociedade para nós, de forma segura, ampla e rápida diminuirmos ao menor número possível, sei que é uma tarefa que não é fácil. Muitas pessoas precisam desse tratamento psicológico para abandonar as ruas, mas nós precisamos ter essa ferramenta em cumplicidade com a nossa população e nesse sentido precisamos fazer chamamento, principalmente mapear esses locais onde existe uma maior incidência de pessoas que estão ali ocupando o passeio público, ocupando a marquise para que a gente possa ter um atendimento mais oficial e definitivo. Sei que essa proposta é provisória pela FAS, mas nós temos que encontrar – como disse V. Sa. – a melhor estratégia de uma política pública para resolver, fazer o deslinde de maneira efetiva a toda essa comunidade que sofre principalmente agora em tempos de frio, de chuva. Então nós queremos saber se a FAS ela, através da sua gestão de parcerias como V. Exa. disse aqui, tenha condições de fazer um projeto, um programa mais abrangente com a sociedade caxiense talvez partindo deste projeto embrionário que já começa a ganhar resultados que é hospedagem solidária. Nós temos e repito temos que ser mais rápidos e eficientes por que são pessoas que estão ali muitas vezes de maneira involuntária, sofrendo. De resto, lhe cumprimento. Muito obrigado.
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): Vereadora Paula Ióris.
VEREADORA PAULA IORIS (PSDB): Bom dia, Rosane, seja bem vinda. Queria fazer três comentários, duas perguntas e um comentário bem pontuais. Como tu bem destacaste essa questão da saúde, do diagnóstico 90% são casos de saúde. Então a pergunta é: como está nossa disponibilidade de leitos para acolhimento dessas pessoas? Se 90% tem problema de saúde, nós precisamos, dentro de uma transversalidade, resolver isso. Então qual é a disponibilidade nesse sentido? Até porque já veio para esta Casa comentários nesse sentido dessa falta de acolhimento para o pessoal usuário de droga e tal. Outra questão é em relação... Tu falaste do incremento 16 milhões na FAS, que é importante, quais os serviços é a minha curiosidade. Essas seriam as duas perguntas. O comentário é que em uma ocasião um rapaz que volta e meia ele aparece ali pelo gabinete, acredito que não seja só no nosso, ele tem cheiro de álcool. A gente vê que ele é um usuário de álcool. Ele chegou ali, disse para as gurias: eu quero me internar. E elas começaram a ligar. Nós não sabíamos para quem ligar, porque ele queria se internar. E onde ele fez contato, as pessoas perguntaram se ele tinha cartão do SUS. Então será que precisa do cartão do SUS para gente conseguir internar esse rapaz que quer se internar? Então pode ser dificuldade nossa de saber a quem contatar, mas eu senti assim como uma dificuldade. Ele estava querendo se internar, que bom, mas ele tem cartão do SUS? Então saber como isso funciona e até acrescento uma pergunta. Em um caso desses para quem temos que ligar? Eu acho que esse trabalho tem que ser conjunto, nós estamos aqui para isso, trabalhar juntos. No mais assim elogiar o aspecto do diagnóstico, porque esse projeto que o vereador Toigo fala é importante, a parte de um diagnóstico, a questão dos círculos também e sem dúvida quanto mais protagonismo a gente puder dar para essas pessoas, que a gente não tem ideia de que seja para sempre, Rosana, essa situação. Obrigada.
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): Vereadora Gladis Frizzo.
VEREADOR ELISANDRO FIUZA (PRB): Peço a palavra, senhor presidente, após.
VEREADORA GLADIS FRIZZO (MDB): Senhor presidente e nobres colegas vereadores, a quem nos assiste através do canal 16, TV Câmara e das redes sociais, os demais aqui presentes. Eu também queria dar as boas vindas também a presidente da FAS, a senhora Rosana Menegotto. Bem eu fui já contemplada com algumas perguntas. Eu gostaria, em nome da bancada do MDB, vereador Edson, vereador Felipe e vereador Paulo Périco, eu tenho uma curiosidade, uma dúvida dessas pessoas que ficam nas sinaleiras, são cadeirantes, ficam limpando os vidros, isso também incomoda muito.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Peço a palavra, presidente.
VEREADORA GLADIS FRIZZO (MDB): A gente às vezes para na sinaleira, são 22 horas e essas pessoas estão aí. A gente não sabe nem se vai ser assaltado ou não. Então vai abrir o vidro para dar um dinheiro, alguma coisa para ajudar, a gente não sabe o que fazer. Tem algum acolhimento, tem alguma fiscalização, de que forma a gente pode colaborar? Eles ficam em frente aos hospitais. Eu observei, inclusive essa semana, a pessoa toda machucada, dizia que não era usuário de droga nem de álcool, mas que precisava se alimentar. Então fica pedindo dinheiro. Eu não sei de que forma a gente pode contribuir com isso, senhora presidente. Obrigada.
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): Vereador Fiuza.
VEREADOR ELISANDRO FIUZA (PRB): Bom dia, senhor presidente, senhoras e senhores vereadores. Primeiramente cumprimentar a presidente Rosana e a toda a sua equipe da FAS e também a todos que nos acompanham aqui pelas nossas redes sociais e pela TV Câmara. Dizer da importância que tem, presidente, o trabalho que a FAS realiza porque nós, quando falamos de pessoas, de vulnerabilidade social, quando nós falamos de pessoas, moradores de rua, nós estamos falando de seres humanos que por conta da vida, infelizmente, não escolheram estar onde estão e que independentemente da dificuldade que o poder público nacional, estadual e, infelizmente, também municipal não acaba tendo braço para realizar de uma forma plena e na totalidade os serviços a todas essas pessoas. Mas o poder público em Caxias do Sul, e até uma das perguntas que quero fazer a senhora, de quantos milhões foram aportados na nossa Fundação de Assistência Social para este ano de 2019 para implementar mais serviços por conta do diagnóstico que a senhora, através da sua equipe, fizeram por conta da demanda que infelizmente tem aumentado em nossa cidade. Porque o desemprego aumentou, a dificuldade aumentou, infelizmente a vulnerabilidade dessas pessoas também irá aumentar. E por conta dessa pesquisa, desse trabalho de campo que vocês têm feito a senhora então viu a necessidade de implementar mais recursos para que os serviços pudessem ser feitos da melhor forma possível. Nós precisamos também compreender e entender o quanto infelizmente e felizmente, melhor dizendo, quanto felizmente as nossas entidades, independente do crédulo religioso, independente de qual for o seguimento tem colaborado com o poder público para dar uma assistência também a essas pessoas de rua e aos moradores de rua. No objetivo de poder também tentar sanar aquela situação que a pessoa vive em relação ao alimento. Muitas vezes ela não tem o alimento devido em todos os horários, o café da manhã, o almoço, a janta e essas instituições vêm fazendo um serviço voluntário a nossa sociedade dando ali uma janta, dando ali peça de roupa. Agora chegando o inverno. Então é extremamente importante a soma de todos os esforços da nossa sociedade colaborando com os nossos moradores de Caxias do Sul para essas pessoas vulneráveis para que elas não venham sofrer da forma que estão sofrendo. Então mais uma vez parabéns a Fundação de Assistência Social de Caxias do Sul e a toda sua equipe e tenho certeza que a senhora, juntamente com a sua equipe, está trabalhando para fazer com que a nossa sociedade vulnerável possa ser melhor atendida. Muito obrigado.
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): Vereador Rafael Bueno.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Se puder falar sentado, senhor presidente, se o senhor autorizar. Bom, primeiro bom dia a nossa diretora da FAS que está aqui presente porque se omitiu na primeira vez, de estar presente na audiência pública e teve que ser convocada para participar desse interrogatório aqui dos vereadores. Quero fazer uma saudação a todos os servidores e servidoras que também não puderam estar presente, mas que estão acompanhando e acompanharão depois através das redes sociais, da imprensa, porque são servidores, vereador Beltrão, comprometidos e que estão lá na rua trabalhando embaixo de chuva, de sol, na madrugada, correndo riscos, desde a Guarda Municipal, servidores da saúde, da assistência social que estão sempre empenhados. Diretora, quando a senhora falou... Deu dados da Alemanha, Farroupilha, Gramado, eu não estou falando de outros países e nem de outros municípios, eu estou falando de Caxias do Sul e é o município que a senhora administra na questão da assistência social. E a senhora deve ter lido o plano de governo do prefeito Daniel Guerra que foi protocolado no Cartório Eleitoral no que tange a assistência social e eu espero que a senhora tenha lido. Se a senhora não tivesse acesso ou não teve ainda eu posso lhe fornecer. Eu me interessei por esse tema, sobre assistência social, porque até então sempre teve os seus problemas. A bancada do PT, na gestão do governo Alceu, protocolou e fez uma audiência pública onde a FAS esteve presente para aparar algumas arestas ainda que faltavam. Mas aí nós recebemos denúncias que faltava sabonete, escola de dente, pasta de dente, que eles tinham que dividir sabonete e botar de volta no final do banho. Eu e o vereador Renato Oliveira visitamos os albergues de Caxias do Sul e constatamos essa realidade. A partir de então comecei a fazer uma série de denúncias, verdadeiras, aqui da tribuna do que estava ocorrendo no nosso município de Caxias do Sul. Eu faço alguns questionamentos e espero que a senhora, se possível, responda. Primeiro... Só um minutinho, presidente, quando eu estou falando eu peço que as servidoras aqui da FAS, que a maioria é FG aqui, que se comportem e esperem eu falar.
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): O senhor não se preocupe com a plateia. Segue viagem.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Na administração anterior, diretora, foi criado, através de um decreto, a Casa Acolhe Caxias, que teve o apoio e auxilio da Fundação da Caixa Econômica Federal. Esse serviço abrigava 40 moradores de rua na modalidade de albergue, com funcionamento o ano todo e era muito importante, principalmente no inverno. Esse serviço foi fechado por essa gestão, pelas suas mãos foi fechado esse serviço alegando que seria reaberto com uma melhor estrutura. Esse fechamento criou estranheza, pois o então vereador Daniel Guerra, na época, sempre cobrou melhorias no atendimento a população de rua. O motivo do fechamento de um serviço tão importante para a população, qual foi o motivo principal? Por que esse serviço não foi reaberto com melhorias como prometido pela senhora? Qual o destino dado a todos os materiais que estavam nessa casa do Acolhe Caxias? Outro motivo gravíssimo, a qual a vereadora Gladis levantou, há anos não víamos crianças em situação de mendicância em nosso munícipio, ou seja, crianças mendigas nas sinaleiras, e que hoje vivem no centro da nossa cidade, principalmente mães com suas crianças indígenas. Como a senhora explica o considerável aumento da população em situação de rua em Caxias do Sul, principalmente as crianças com suas mães? Quais são as medidas efetivas para proteger essas crianças? Outra, diretora, na área da assistência social, o município sempre procurou responder as suas responsabilidades enquanto gestor e executor dessa política. O que estamos presenciando desde o ano passado é que a Igreja Católica, como disse o vereador Toigo, está assumindo gradativamente o papel do poder público nessa área. A hospedagem solidária é um exemplo dessa desresponsabilização do papel do estado. Como a senhora explica essa saída, de cena, do município, dando espaço a caridade da igreja? Essa é a orientação dos técnicos servidores da Fundação de Assistência Social? Seus técnicos lhe aconselham a jogar a responsabilidade para a Igreja Católica? Outra questão, quais são as oportunidades criadas para a população em situação de rua para que possam superar essa vulnerabilidade? Porque a senhora afirmou que eles fazem uma assembleia, enfim. Mas morador de rua, no Centro Pop Rua, eles não têm um protocolo que possa dar um pronto atendimento para eles a cada procura.
VEREADOR RENATO NUNES (PR): Peço a palavra, senhor presidente.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Eu lhe pergunto: Desde quando morador de rua tem organização para ser atendido com horário pré-determinado pela própria FAS? Outro questionamento, presidente.
VEREADOR KIKO GIRARDI (PSD): Peço a palavra.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Na audiência pública que teve, que não teve a participação da representante da FAS, nem de um da FAS, um morador de rua denunciou graves agressões por parte de segurança pública. A senhora falou sobre segurança pública. Segundo informações dos moradores de rua que chegam muito machucados ao Centro Pop, esses fatos vêm sendo denunciados nesse serviço. Sabemos que o serviço de saúde, ao receberem essas vítimas de espancamento, devem informar à vigilância epidemiológica, que conta com sistema de agravos, o Sinan. (Esgotado o tempo regimental.) Para concluir, senhor presidente. A FAS tem conhecimento desses casos? Quantos são? Que providências a FAS toma em relação a essas graves denúncias? Esses dados foram buscados junto à vigilância epidemiológica para, juntos, buscarem alternativas de proteção a essa população? E outra, a questão do Cras e do Creas, estão no limite da sua capacidade de atendimento. Portanto, conclui-se que esses serviços estão em número abaixo do que é necessário para atendimento dessa população. Há fila de espera para atendimento nesses serviços. Quando serão abertos novos Creas e Cras nas áreas mais vulneráveis da cidade, a fim de evitar a superlotação constatada na alta complexidade? Uma fala levantada pela vereadora Paula Ioris. Obrigado, presidente.
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): Vereadora Tatiane Frizzo.
VEREADORA TATIANE FRIZZO (SD): Senhor presidente, cumprimentar aqui a nossa presidente Rosana. Que bom que você está conosco para esclarecer as dúvidas. Também a todas as pessoas que nos acompanham aqui no plenário, que trabalham com essa população em vulnerabilidade. Eu tenho algumas dúvidas com relação se existe algum plano de ação neste período do inverno. Acho que todos os vereadores devem lembrar de uma noite fatídica em que acabou vindo a óbito um morador de rua, em frente a um banco. Isso foi capa de jornal. Então a gente vê que, no inverno, as situações se tornam muito mais complexas e precisam de um olhar muito humanizado e até mesmo, talvez, ampliar o número de vagas de acolhimento ou propor parcerias para que essa população não fique desassistida e que a gente não venha ter mais óbitos nessa situação. A minha outra dúvida também é com relação a vagas de emprego, se existe algum trabalho que é feito com essa população para tentar reinserção dentro do mercado de trabalho. Era isso, senhor presidente. Muito obrigada.
VEREADORA DENISE PESSÔA (PT): Peço a palavra.
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): Vereador Kiko.
VEREADOR KIKO GIRARDI (PSD): Senhor presidente, presidente Rosana. Sempre fui bem atendido quando fui lá à FAS. Hoje faz muito tempo que não procuro, mas minha assessoria, quando vai lá, é bem atendida. Não posso aqui agradecer sua presença, porque a senhora foi convocada. Então não posso também ficar aqui fazendo essa fala de agradecer sua presença, porque foi uma convocação. Mas retorno a dizer que sempre fui bem atendido. A minha preocupação é simplesmente duas que já foram comentadas por alguns vereadores. Quanto a essas pessoas de rua, há algum trabalho junto às famílias? Porque simplesmente todos eles têm família. É mais fácil, às vezes, reintegrar à família. Tem que ver o que está acontecendo. E também, como a vereadora falou antes ali, a Gladis, a questão das sinaleiras. É uma preocupação. A gente para, em todas as sinaleiras que para tem várias pessoas. A gente não sabe que tipo de gente que está ali, o que de fato mesmo eles querem. Aconteceu outro dia, inclusive, um assalto, alguma coisa com uma pessoa que estava na sinaleira. Então, qual é a atividade? O que a FAS está fazendo ou pretende fazer quanto a essas questões? Seriam essas duas indagações que eu queria fazer. Obrigado.
VEREADOR ARLINDO BANDEIRA (PP): Peço a palavra, senhor presidente.
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): Vereador Renato Nunes.
VEREADOR RENATO NUNES (PR): Senhor presidente, senhoras e senhores vereadores. Primeiramente cumprimentando a nossa presidente da FAS, senhora Rosana, e demais servidoras que aqui se fazem presentes. Eu gostaria de fazer uma pergunta, meu presidente...
VEREADOR ALBERTO MENEGUZZI (PSB): Peço a palavra, senhor presidente.
VEREADOR RENATO NUNES (PR): A respeito dos atendimentos compulsórios. Existe aqui em Caxias aquele tipo de atendimento em que a pessoa não quer ser atendida, ela não quer sair das ruas, daquela situação de rua? O que a senhora poderia dizer nesse sentido. Porque nós sabemos que na Constituição Federal, principalmente no seu artigo 5º, seu inciso XXXIV, por exemplo, diz o seguinte: Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. No mesmo artigo quinto, inciso XV, diz o seguinte: o direito... Fala a respeito do direito de ir e vir das pessoas. Então tratando a respeito dessa questão do atendimento compulsório. Por que eu faço essa pergunta, nobres pares? Tem várias pessoas que eu mesmo, enquanto vereador, a gente tentou ajudar de todas as formas possíveis. Tipo: pegar a pessoa, levar para dar um banho, conseguir roupa para a pessoa, dar alimento para a pessoa, levar a pessoa a determinados lugares para fazer o documento, fazer a carteirinha do SUS, enfim, fazer todos os encaminhamentos possíveis. E aí aquela pessoa, a pessoa, em princípio não é coitadas dessas pessoas, eu penso assim, eu fico com pena, eu fico triste, em princípio, ela diz assim: “Eu quero me tratar. Eu quero sair das ruas. Eu quero mudar de vida.” Mas aí a gente vai, faz de tudo o possível para aquela pessoa, e ela volta, ela volta. E dali a pouco, a gente vai e encontra aquela pessoa novamente nas ruas, numa sinaleira. E outra coisa, falando em sinaleira, tem gente que não é tão pobrezinho não. Tem gente que ganha no mínimo R$ 200, R$ 300 por dia se deixar na sinaleira de R$ 1, de R$ 5, de R$ 10. Eu sei de casos aí de pessoas que tu olhas, assim, dá uma peninha, sujeito aparentemente em situação de rua, mas ele tem uma meta, enquanto ele não conseguir R$ 200, R$ 300, ele não volta para casa, e ele tem onde ficar. E eu percebo também, a nossa presidente falou bem, fez aquela explanação inicial, tem muitas pessoas que transitam, elas não são da cidade, elas vêm... Podem ver que elas vão mudando. Tem pessoas... Por exemplo, tinha um sujeito ali, barbudão tipo eu também, que ficava ali na Júlio, e eu nunca mais vi. Tem várias pessoas assim. Várias pessoas assim. Até tem gente que me confunde com ele, acha que eu sou meio parente. E sou mesmo, irmão em Cristo. Então eu queria fazer essa pergunta. E outra coisa, foi falado aqui, vereador Rafael Bueno, se não me falha a memória, o senhor falou o seguinte... não sei se foi o senhor, desculpa se não foi o senhor, se foi o vereador Rodrigo, eu já não lembro mais. “Vocês querem atribuir à Igreja Católica para fazer aquilo que era para o Estado fazer? Eu não sei, eu ouvi essa fala aqui. Foi o senhor? Veja bem, não é aqui fazendo média, mas o que a Igreja Católica faz de trabalho social e as Igrejas Evangélicas e outras religiões dá de mil a zero no Estado. O Estado nunca vai chegar aonde essas entidades religiosas chegam. Então isso aí sem comparação. Isso aí não é atribuir à Igreja Católica um trabalho que ela fez desde que a Igreja Católica e as Igrejas Evangélicas, desde que surgiram as Igrejas Evangélicas, sempre fizeram trabalho social. Então isso aí sem comparação. Isso aí nós não vamos atribuir uma coisa, porque os cristãos e outros religiosos são mestres em fazer trabalho social. Chegam aonde o Estado não chega. Chegam aonde o poder público não chega. Então isso aí não é atribuído, porque é uma coisa que já fazem desde o início das suas fundações. Então eu gostaria, minha presidente, se possível, no momento oportuno, só falar sobre isso: a questão do atendimento compulsório. Porque a gente não pode obrigar, a pessoa não quer, não quer. Tu vais ali, dá comida, dá roupa, tira a pessoa ali, quando é no outro dia a pessoa está ali de novo, tu vais fazer o quê? Tu vais obrigar as pessoas. Então se a senhora puder falar alguma coisa nesse sentido. Muito obrigado.
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): Vereador Bandeira.
VEREADOR ARLINDO BANDEIRA (PP): Senhor presidente, senhoras e senhores vereadores. Cumprimentar todos que estão aqui no plenário; funcionários da FAS; a nossa diretora-presidente, Rosana Menegotto. Bem-vinda aqui à nossa Câmara de Vereadores. Eu queria dizer que já fui contemplado aqui pelos meus colegas vereadores sobre essas perguntas também do que a gente deve fazer. Tantas coisas a gente tem que fazer, nobres colegas vereadores, quando se fala nesse sentido dos mais vulneráveis, das pessoas que precisam aqui na nossa cidade de Caxias do Sul. E vejo também que há muito tempo, deixar bem claro também esses problemas venham a ocorrer, muitas vezes não é fácil tu – como foi falado – puxar uma pessoa... A gente quer dar uma atenção a ela, muitas vezes a FAS, o morador lá do distrito, lá do bairro e muitas vezes, por sua vez, ela não quer. Não ficar lá presa, quer ficar lá solta. Muitas vezes complicando, atrapalhando a sociedade, o distrito, o bairro. Então nesse sentido acho que tem que haver um trabalho também de segurança, porque muitas vezes o cara tem problemas, mas por trás ele está mal-intencionado também. Nós temos registro em Santa Lúcia do Piaí. Nós temos pessoas com problema assim. Já foi a segurança, a Brigada, a Guarda Municipal já chegou nele. Já foi tentado levar ele para a FAS e tal e ele não quer. Uma pessoa, daqui a pouco, lá atrás, no fundão, perigosa. Até que ele vai fazendo coisinhas leves, registros leves, tudo bem. E agora, depois que uma pessoa dessas incomodar, ir mais além ou matar uma pessoa? Então é isso que eu digo. Esse trabalho também tem que ser... Fazer esse trabalho demais assim como é que se diz junto com a segurança e daqui a pouco para não vir causar lá na frente um desastre, podemos assim dizer uma pessoa dessas. Quero agradecer mais uma vez a nossa Rosana. Gostei da sua explanação, inclusive do trabalho que vem sendo feito, que você colocou aí. Eu acho que como foi convocada aqui pelo vereador Beltrão, se no dia tivesse vindo, não tinha tantos transtornos e acho que ia ser bem vinda e nós tínhamos ficamos contemplados até. Você explicou bem. Você fez a sua explanação. A gente ficou contemplado com as suas indicações que você fiz aí, tranquilo. Então dizer que nós estamos à disposição. Este vereador está à disposição. Acho que a população seja do interior, seja da nossa cidade de Caxias do Sul tem que também estar junto, levar, chegar mais na FAS, acompanhar juntos, seja lá no bairro, seja o padre, seja lá o vereador, seja o Fulano, o Sicrano, acho que é isso aí. Chegar até a FAS, até a presidente e olha, nós precisamos acolher essa pessoa. Seja o Pedro, o Paulo. Nós temos que fazer, nós temos que nos unir junto para esse trabalho se concretizar lá na frente. Acho que é importante que diga isso. Muitas vezes tem um cara lá andando lá, está fazendo isso. E se a gente não for atrás, senhor presidente. Então nós temos que ajudar, nos reunir e ir até a FAS cobrar. Aí nós lá na frente, presidente Rosana Menegotto, a gente pode cobrar a presidência se não fizer algo, se não acolher essa pessoa. Lá sim nós podemos cobrar até mais pesado da presidente da FAS. Caso contrário, você não pode, muitas vezes, fica assim. Então nós temos que nos juntar sim e cobrar mais pesado, porque lá na frente nós podemos parabenizar o trabalho da FAS e essa população seja lá do interior e o nosso bairro fique contemplado. Era isso, meu muito obrigado.
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): Vereadora Denise.
VEREADORA DENISE PESSÔA (PT): Senhor presidente, senhores vereadores. Cumprimentar a presidente da FAS e aqui também todos os servidores que estão aqui acompanhando. Eu tenho algumas dúvidas. A gente acompanhou algum tempo e sabe que tem alguns problemas que são já rotineiros na questão das pessoas em situação de rua. Eu queria saber como tem sido feito os atendimentos aos caídos. A gente sabe que quando encontrava alguém caído na rua seja o motivo que fosse, tinha sempre um conflito de quem leva para onde. Se vai para o posto de saúde, se vai para o Postão, para onde vai. Como tem sido feito essa rotina, esse encaminhamento? A gente sabe que a tempos atrás tinha um empurra-empurra ninguém sabia para onde, quem tratava, quem cuidava. Se era a Guarda, se era saúde. Eu também gostaria de saber como tem sido a relação do consultório de rua com as equipes da FAS, se isso está harmonizado. A gente sabe também que em outros momentos havia divergência entre os encaminhamentos. Também a senhora falou sobre a questão da habitação como sendo um problema bastante importante para essa população. Também em outro momento se pensava em uma política de criar repúblicas. Não sei se isso ainda passa por um planejamento ou se vocês só têm pensando na questão do auxílio moradia, de rever os critérios. Sobre a questão do diagnóstico, qual é o número de pessoas em situação de rua que hoje vocês têm relacionados pelo atendimento ao serviço. Os locais onde essas pessoas estão. O perfil, homem ou mulher. E o tempo de permanência na rua. Vocês têm isso já diagnosticado? E o que me preocupa bastante é a questão da violência, que já foi aqui trazido pelo vereador Rodrigo Beltrão sobre as denúncias que a comissão tem recebido, como isso tem sido atendido pela FAS, se tem uma rede de atenção. A senhora falou aqui no comitê intersetorial que os setores de segurança participam, qual é o envolvimento. Porque o relato é de excessos por parte de profissionais na área de segurança e isso tem preocupado bastante, porque, se é um serviço que deveria proteger todas as pessoas, como isso tem sido feito de um modo muito a desejar especialmente para uma população que deveria e precisaria de uma maior proteção. Aí chama a atenção que no pedido de informações que o vereador Rafael protocolou no início deste ano, que a gente recebeu a resposta, apresenta aqui, tem uma pergunta que fala sobre quantos moradores de rua vieram a óbito desde o começo do ano de 2018. Aqui são apresentadas 24 pessoas. Desses 24, 14 são de forma violenta. Então a gente sabe que a gente vive em um momento de intolerância e a gente gostaria de saber como a FAS tem visto esse diagnóstico considerando que também vários são jovens e são pessoas que estão perdendo a vida. Claro que a morte natural também pode ser uma morte natural de frio, ou de doenças que são inclusive vindas da situação de rua. Então a gente perdeu 24 pessoas praticamente em um ano em situação de rua. Então como que a gente pode trabalhar para diminuir, proteger realmente quem mais precisa. É isso, obrigada!
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): Vereador Alberto Meneguzzi.
VEREADOR ALBERTO MENEGUZZI (PSB): Senhor presidente, eu quero primeiro questionar um pouquinho essa convocação porque foi mudada a Lei Orgânica, foi feita uma solicitação de alteração da Lei Orgânica. Nós já tivemos em outros momentos aqui, antes da mudança da Lei Orgânica, secretários que vieram aqui às sete horas da manhã, eles estabeleceram o horário. Acho que a sugestão do vereador Beltrão foi muito produtiva em relação à gente fazer convocação de secretários que vem dentro de uma sessão. Agora, essa convocação talvez a gente tenha que fazer uma regulação dela, porque assim não pode servir para palco eleitoral. Nós temos que se ater no assunto específico. O assunto específico é uma audiência pública, convocada pela Comissão de Direitos Humanos, na qual o vereador Rodrigo Beltrão é o presidente, e sobre um assunto específico. O assunto específico era: morador de rua ou em situação de rua. Como não há uma regulação disso, a diretora – e entenda isso, Rosana, como uma questão... Estou te tratando como alguém revestido do cargo público, não é uma questão pessoal. Como a diretora não explicou na sua explanação inicial aqui por que é que não veio; se recebeu realmente o convite e em que prazo. Então a gente fica aqui ilações e consultas, estamos fazendo consultas aqui sobre vários assuntos e eu não tive ainda a resposta da diretora sobre por que não veio nessa audiência pública? Por que não enviou um representante? Se foi feito o convite ou não foi feito o convite. Qual foi o erro aí? Se foi um erro de comunicação da Casa em relação à FAS ou se foi um erro da FAS. Então talvez a gente tenha que repensar inclusive, regular essa convocação porque caso contrário nós não vamos ficar em um assunto específico, não há uma pergunta específica, há um requerimento genérico. Qualquer pessoa que vier aqui vai falar genericamente e nós vamos fazer consultas com os secretários a respeito dos assuntos genéricos. Então a minha pergunta inicial é por que a senhora não veio? Se houve um erro de comunicação por parte da Câmara em relação à FAS? Se algum servidor foi proibido de vir aqui? Se houvesse outra reunião a respeito desse assunto com o mesmo prazo de convocação se a senhora viria ou não e se a senhora mandaria representante. E se não veio porque não quis não acha isso um erro, já que o seu salário é de R$ 13 mil, R$ 14 mil? Porque assim, eu participo de comissões, de várias comissões e sei do posicionamento de cada um dos vereadores. Sei do posicionamento do vereador Rodrigo, sei da vereadora Denise, sei do posicionamento ideológico de cada um dos vereadores. Eu nunca vi, em dois anos e cinco meses, algum vereador, mesmo que tivesse um posicionamento ideológico diferente do governo, ser deselegante, ser mal-educado em alguma audiência pública aqui. Inclusive os vereadores como presidente, o vereador Rodrigo Beltrão já presidiu aqui audiências muito mais difíceis, muito mais polêmicas do que essa audiência pública de moradores em situação de rua, moradores de rua e sempre manteve o controle e sempre manteve a garantia de quem vem aqui, mesmo que tenha uma posição diferente da plateia, fosse respeitado. Então eu disse isso, quero dizer na sua frente também, Rosana, no dia da comissão eu lamentava a ausência do poder público e não só ausência da FAS, da Guarda Municipal, das secretarias, de outras secretarias, de outros órgãos. Eu lamento que o governo em si não estivesse presente. Se não pudesse ser a FAZ que pudesse ser o secretário de Segurança, se não pudesse ser o secretário de Segurança que viesse algum representante da área da saúde. Especificamente sobre esse assunto é um assunto importante, não importa quem tenha pautado, se foi o vereador Rafael, se foi o vereador Adiló, se foi o vereador Beltrão, se é base do governo, se não é, é importante que o governo estivesse representado numa audiência pública legítima, convocada por uma Câmara de Vereadores que é legítima. Então eu lamento realmente isso, lamento que a convocação seja uma coisa genérica, lamento que eu esteja sendo talvez o último inscrito... Agora a diretora da FAS vai falar e vai acabar essa audiência porque nós não vamos ter o contraponto. Enfim, eu quero deixar isso e talvez seja uma mea-culpa da gente fazer uma regulamentação dessas convocações, caso contrário cada um que a gente convocar nós não temos perguntas específicas, o convocado ao vir aqui vai falar, vai falar e os assuntos que a gente gostaria de perguntar a gente pode perguntar... A Rosana, para mim, pelo menos, sempre foi uma pessoa muito atenciosa, sempre foi uma pessoa que recebeu muito a gabinete e sempre deu as respostas. Eu não vou fazer consulta hoje, a senhora sempre me deu as respostas. Agora, especificamente sobre esse assunto merece realmente uma resposta de porque não esteve... E o vereador Beltrão e outros vereadores já pontuaram que a audiência pública foi muito importante, teve denúncias muito sérias. Não de gente induzida pelo vereador Beltrão ou por qualquer outro vereador, gente do povo que veio numa audiência pública para se fazer... (Esgotado o tempo regimental) Essa denúncia feita por uma catadora de que na região central ela estava sendo proibida de fazer o serviço dela... Trabalha com carteira assinada num estabelecimento e depois completa a renda à noite e foi dito, ela deu o número da viatura, ela deu todas as informações, nessa audiência pública, dizendo que profissionais da área de segurança, especificamente da Brigada Militar, que estava presente na audiência pública, teriam dito para ela: Se tu fosses um homem a gente te dava uma surra. Foi isso que ela disse: Se tu fosses homem a gente te dava uma surra. Simplesmente porque uma trabalhadora estava catando, fazendo esse trabalho dela de complemento de renda num horário que era o horário noturno numa região central. E ela deixou essa dúvida, qual que é? Se existe lei que proíbe isso e quais são as ações. Então quero deixar assim, presidente, desculpa que me alonguei. E entenda isso, Rosana, de uma forma... Te vendo aqui como alguém revestida do serviço público e que recebe recursos públicos que lamento realmente a ausência e gostaria dos seus esclarecimentos se houve realmente algum tipo de desentendimento em relação ao convite e que numa próxima reunião sobre esse, independente de qual vereador, que alguém da prefeitura viesse. Permite só, porque a diretora falou sobre questões regionais, falou de Farroupilha e falou de Vacaria e de outros municípios aqui, as questões regionais são importantes sim porque desemboca aqui, mas é bom lembrar o seguinte, o prefeito Daniel Guerra nunca participou de nenhuma reunião da Amesne, nenhuma reunião da Amesne. Ele se recusa a participar de reuniões da Amesne e essas questões regionais que a senhora pontua, que são importantes, são importantes discutir regionalmente também. Nem encontro com o presidente da Famurs, que é o prefeito de Garibaldi, o prefeito teve, aqui de Caxias do Sul. Eu já estive lá em Garibaldi conversando com o presidente da Famurs. Então quero deixar essas questões pontuadas. Obrigado pela tolerância, obrigado também aos demais servidores da FAS que aqui estão aqui.
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): Vereador Renato Oliveira.
VEREADOR RENATO OLIVEIRA (PCdoB): Saudação a diretora-presidente da FAS, Sra. Rosana. Dizer que eu sinto quando é chamado alguém do Executivo e não vem, ou vem porque é chamado. Eu lembro, nas outras administrações, quando era solicitado alguém, de imediato o secretário fazia questão de vir, porque quem tem mais a esclarecer... Quem ganha com isso é a população. Talvez quem está com a pasta, conduzindo a pasta, pode esclarecer os trabalhos que estão sendo feitos. Eu não vi, por exemplo, a senhora falar sobre o programa Superação. Foi anunciado nos jornais, na imprensa aí que isso... E eu não sei o que é mesmo, do que se trata isso. Agora eu gostaria de saber também, como a senhora falou, da questão habitacional em Caxias. Se é isso mesmo que a senhora falou, que eu entendi, tem estudo. Pelo menos eu fico contente que tenha um estudo. Porque antes nem um rascunho eu não tinha visto falar, até o momento desta administração, se tem algum rascunho sobre habitação. E agora a senhora vem falar sobre isso neste momento. Fico contente quanto a isso. Depois de fechado o Postão, algum tempo...
VEREADOR PAULO PÉRICO (MDB): Presidente, eu peço a palavra.
VEREADOR RENATO OLIVEIRA (PCdoB): As pessoas usavam o Postão, os moradores de rua, usavam o Postão para lavar as mãos, para ir ao banheiro. E agora onde essas pessoas vão? O Acolhe Caxias eu achava que... Quem esteve visitando algumas vezes, era importante, era importante, era importante que... E foi fechado simplesmente. Bom, agora as pessoas vão para o Reolon, vão para o Fátima, vão lá para o Cinquentenário e pronto. Ou encontra alguém e pode baixar o cacete, e pronto. São moradores de rua, é mais fácil fazer isso. Então não é bem isso que... O Pop Rua, quero dizer que passo quase que diariamente ali, principalmente durante a semana, estão lá debaixo de chuva. É só passar ali às 7h30 da manhã. Eles estão sentados na rua, na rua, literalmente na rua, na chuva, e têm que esperar o horário, o horário comercial abrir. Então essas coisas que nos preocupam, porque moradores de rua, esses eventuais moradores de rua. Não são eventuais. Tem moradores de rua, porque só aumenta, é crescente. Mas é crescente por quê? Nós não estamos num país de pobre. É um país que já está se conduzindo para um país de miseráveis. Por quê? Porque este é governo que vem alienado com o governo federal. Então isso, para mim, não é novidade nenhuma, não é novidade nenhuma. Então assim, tratar, como o vereador Meneguzzi falou, por ser do sexo masculino ou feminino baixar o cacete? Bom, para mim não era novidade nenhuma. Porque nessas horas não é olhado. Então algumas coisas, por exemplo... E sobre o Restaurante Comunitário. Porque parece que as pessoas se servem, algumas pessoas se servem no Restaurante Comunitário. Antes eu sabia que se serviam. Moradores de rua, porque não tem mais o Postão para lavar as mãos, nem para lavar as mãos, nem para usar o banheiro, então eles têm que passar, eles que são servidos. Essa discriminação ainda continua? Porque isso é desumano também, isso é uma repressão que fazem. Imagina uma moral que faz a uma pessoa. Uma que vai na frente, se serve; a outra que passa atrás “não, tu vais ser servido”. Por quê? Porque antes usavam, era só ir ao Postão, coisa que diariamente a gente ia. Agora, infelizmente, foi simplesmente fechado e não tem prazo para abrir. Não tem prazo, porque esta gestão não tem compromisso com o social. Se tivesse compromisso com o social o Postão estava aberto para a comunidade dentro do prazo, ou nem fecharia. Fariam uma reforma diferente. Então hoje... Mas infelizmente... As pessoas iam lá, quando iam ao Postão, estavam lá no banheiro, usando o banheiro, lavando as mãos, se higienizando para depois ir ao Restaurante Comunitário. Então, as minhas perguntas. O Acolhe Caxias, tem alguma coisa para fazer na área central para essas pessoas serem atendidas ou tem que sair daí abaixo de chuva ou não? Achar o Bairro Reolon, porque lá é um lugar mais perto, um lugar mais próximo. Porque aqui do Cinquentenário sempre está lotado. Então eram essas as indagações, senhor presidente. Agradeço por a senhora ter vindo. Sei que é por força de lei, mas já sabendo do governo que está aí pela frente, nem por força de lei às vezes não se vem aqui à Casa. Muito obrigado.
PRESIDENTE FLAVIO CASSINA (PTB): Vereador Paulo Périco.
VEREADOR PAULO PÉRICO (MDB): Senhor presidente, senhoras e senhores vereadores. Presidente, Rosana. Uma pergunta muito direta e muito simples. Nós tivemos a abertura da campanha do agasalho, da qual todas as pessoas eram voluntárias aqui na praça: Escoteiros, Brigada Militar, Banco do Vestuário, a CIC também estava ali. E o que eu fiquei admirado é que ninguém do poder publico estava ali na hora da abertura. Isso foi cobrado a mim, que não tenho a responsabilidade, que não viram ninguém da FAS e muito menos o prefeito municipal, que deveria ser o protagonista de estar ali motivando, justamente, a sociedade para fazer, dar início a essa campanha. E hoje o Banco do Vestuário, ele já está infelizmente com apenas 25%, desculpem, 50% já perdeu da arrecadação naquela mobilização que é feita uma vez por mês em todos os mercados. Então qual é o trabalho que a FAS está fazendo? E por que não esteve – não lembro se é uma vez só por mês – por que não esteve lá? E o prefeito municipal também não esteve no dia do lançamento da Campanha do Agasalho, aqui na Praça Dante Alighieri. Obrigado, senhor presidente.