Parla Vox Taquigrafia
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SRA. GLAUCIA HELENA GOMES: Bom dia, excelentíssimo senhor Lucas Caregnato, presidente desta Casa Legislativa; nobres vereadores e vereadoras; presidente da Apae, senhora Bernadete, que está aqui no plenário; senhoras e senhores que nos assistem aqui, nos assistem pelos canais, pelas mídias sociais. É um prazer muito grande estar aqui novamente. Como disse o vereador Edson, não é novidade para mim estar aqui, porque tive o privilégio de, em vários momentos, estar aqui, enquanto presidente do Conselho Municipal de Educação, discutindo sobre políticas públicas na educação para o município de Caxias do Sul. Então, retorno a esse espaço hoje para falar de um novo lugar que tem no estado, que é a Escola Especial Dr. Henrique Ordovás Filho, que é mantida pela Apae de Caxias do Sul. Então, a Apae de Caxias do Sul possui três eixos. Esses eixos são: a assistência social, que cuida do serviço de proteção social, tanto para o usuário quanto para a família; o serviço de educação, que tem a Escola Especial Dr. Henrique Ordovás; o serviço de saúde, que é o serviço de fisioterapia e fonoaudiologia. A Apae de Caxias do Sul sobrevive e se sustenta pela doação da comunidade e das emendas parlamentares. Enfim, é uma entidade filantrópica que presta o serviço na área da pessoa com deficiência. A Escola Dr. Henrique Ordovás foi, então, mantida pela Apae, foi inaugurada em 1962 e atende as pessoas que têm deficiência intelectual, transtorno do espectro autista, paralisia cerebral e outras comorbidades. Como é organizada a escola? Uma das situações que até foi solicitado para que nós viéssemos, porque a comunidade, em geral, não tem a noção de que a Escola Dr. Henrique Ordovás é uma escola, possui autorização de funcionamento e funciona, não paralela a outras escolas comuns, mas ela tem o seu regimento e toda a legislação apropriada que a torna uma escola regular. Nós estamos acostumados a falar de escola regular e escola especial, e este é um conceito que nós temos que rever. Por quê? A escola especial também é uma escola regular. Então, o correto seria a gente dizer escola especial e escola comum. A nossa escola tem o regimento, que foi aprovado pelo Conselho Estadual de Educação, porque nós temos o sistema estadual e o sistema municipal. Instituições de educação que fazem parte do Conselho Municipal são as municipais e as particulares de educação infantil. E as que estão na cidade de Caxias do Sul, que são as escolas particulares e as escolas filantrópicas, quem rege é o sistema estadual; portanto, o Conselho Estadual de educação. Nós tivemos o nosso regimento aprovado, e esse regimento regra, então, que as escolas especiais como um todo podem oferecer apenas anos iniciais do ensino fundamental. Os anos iniciais do ensino fundamental vai do primeiro ao quinto ano. Como nós temos uma escola que respeita o limite e a flexibilização do tempo, esses estudantes fazem três ciclos no ensino fundamental, anos iniciais, que é o primeiro, o segundo e o terceiro ciclo, como vocês podem ver. São agrupados por idade, e cada um desses ciclos corresponde a 2.400 horas. Passado esse tempo, eles vão estar com 15 anos, e aí eles podem ingressar na educação de jovens e adultos, que também são as etapas ainda em anos iniciais. E aí eles ficam até que a gente entenda que a escola tem condições de oferecer um serviço que seja benéfico para ele e para a sua família. A escola possui, de manhã, oito professores, um monitor e os professores especializados. De educação física, movimento, percussão e informática. À tarde, são sete professores, três professores de apoio. Perdão. Em três tardes, um professor de apoio, dois monitores, professores especializados de educação física, movimento, percussão e informática. Ainda compõe o quadro da escola: secretária – 40 horas, coordenadora – 24 horas, diretora – 40 horas, psicóloga – 12 horas, assistente social – 20 horas, e a higienizadora – 40 horas. Espaços da escola. Alguns dos nobres vereadores já tiveram a oportunidade de estar lá e conhecer o espaço. Nós temos um espaço privilegiado, onde é todo adaptado para receber esses alunos que possuem deficiência. As turmas podem ter no máximo 10 alunos, e os espaços que a gente tem para recebê-los são: cinco salas de aula; dessas cinco salas de aula, quatro salas de aulas possuem agora tela interativa. Então, são telões onde eles podem desenvolver a sua aprendizagem, a sua escrita com as telas. Nós temos uma sala adaptada; sala de AVD, que é uma sala de atividades da vida diária, que é uma sala que imita uma casa, que tem cozinha, sala, quarto. É onde os estudantes aprendem a cozinhar, a arrumar a cama, dobrar a roupa, tirar o pó e fazem muita culinária nessa casa, nessa mini casa, que é a sala das atividades diárias. Nós temos também a sala da beleza, que é um mini salão de beleza, que está equipado com torneira para lavatório de cabelo, que tem secador, que tem espelho, que tem a parte de manicure também. Nós temos a sala do movimento, que é uma sala equipada com cama elástica, com rede, com diversas bolas e outros objetos para desenvolver atividades que são ditas do movimento. Que eles ficam com... Vocês sabem, alguns de vocês devem saber que o autista precisa de um espaço que tenha movimento, pela síndrome repetitiva. Então, assim, é uma sala em que eles adoram estar. Nós temos também uma biblioteca e a sala de jogos. Nós temos a sala criativa, que é uma sala de arte e de sucata. Nós temos a sala de informática, que também está equipada com diversos computadores, tablets e uma televisão, também touch, que também pode ser acessada pelos estudantes. Nós temos o cinema. As cadeiras do nosso cinema são cadeiras que a Apae recebeu como doação. São as antigas cadeiras do Cinema Ópera. Então, tem história também muito significativa dentro desse espaço. E nós temos a sala das fantasias, onde tem diversas roupas e fantasias para os estudantes, dependendo da data, se vestirem. Nós temos o pátio com grama e com diversos brinquedos, e desses brinquedos também brinquedos adaptados. Nós temos uma quadra coberta, que fica no meio do espaço da escola. O que nós trabalhamos? Então, a escola trabalha, como todas as outras escolas, nós trabalhamos o currículo baseado na Base Nacional Comum Curricular adaptado conforme as necessidades. Seguimos, por ser justamente uma escola onde o sistema é o sistema estadual, é a Base Nacional Comum Curricular e o Referencial Curricular Gaúcho. Desse material a escola construiu o plano de estudo; do plano de estudo saui o plano de trabalho dos professores, e aí, do plano de trabalho, o dia a dia da sala de aula. Nós também trabalhamos a questão da flexibilização do tempo, conteúdos, forma e de avaliação.
PRESIDENTA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Para concluir, diretora.
SRA. GLAUCIA HELENA GOMES: Quando nós recebemos estudantes que vêm de outras escolas, a gente percebe que as famílias ficam encantadas justamente porque, em outras escolas, não existe essa flexibilização do tempo, nem do conteúdo, nem da forma de avaliação. Os alunos com deficiência que estão incluídos em escolas comuns têm que prestar o mesmo tempo, eles são aprovados automaticamente de um ano para o outro, sem muitas vezes terem adquirido habilidades básicas para a promoção. E a gente recebe muita procura de estudantes que já estão no sétimo, no oitavo ou no nono ano, e que as famílias percebem que essas crianças estão terminando o ensino fundamental e que ainda não sabem nem ler, nem escrever, nem foram socializados entre os colegas. Porque eles passam a maior parte do tempo retirados da sala de aula ou exclusivamente com um monitor ou um cuidador. Então, uma das coisas que encantam as famílias quando chegam lá é essa flexibilização do tempo, do conteúdo e da forma de avaliação. Nós também temos trabalhos com projetos e vivências, que depois vai ficar mais claro aqui, nas fotos. Projetos semestrais. A forma de organização, então, da escola, com as habilidades que são descritas na Base Nacional Comum Curricular e no Referencial Curricular Gaúcho, a gente tem dois projetos no ano, projeto do primeiro semestre e o projeto do segundo semestre. Ano passado, no segundo semestre, nós tivemos um grande projeto, que foi o projeto Gira Mundo. É um movimento que gera a vida e todas as coisas. Então, foi um envolvimento com os 97 alunos que nós temos atualmente matriculados, sendo que a capacidade da escola é para 100 estudantes. Nós tivemos o envolvimento de todos os estudantes trabalhando a questão do movimento, a importância do movimento na formação da vida, na formação dos conceitos, na formação da sociedade, na formação dos valores. Como uma das formas de mostrar essa questão do movimento, um professor adquiriu uma chocadeira, e os alunos passaram, então, fizeram o calendário e começaram a cuidar de todo o processo do nascimento do pintinho. Então, através do calendário, foi conseguido, nós temos alunos que são do interior, trouxeram um ovo, trouxeram três ovos, na verdade, um só que conseguiu se adaptar à chocadeira. Então, a cada passo eles iam visitar, na sala de aula, a chocadeira, e começaram a observar o desenvolvimento desse pintinho. Foi trabalhada a questão da vida e todos os outros conteúdos. Aí o pintinho nasceu, e foi um trabalho que desenvolveu o conceito de movimento. Depois nós tivemos a questão “As Novas Aventuras de Dom Quixote”. Nós seguimos como parâmetro o livro do Uili Bergammin. Esse livro foi muito fácil de trabalhar, porque o Uili Bergammin é um escritor caxiense, de Bento, vive aqui nesta região. E ele, nesse livro, “As Novas Aventuras de Dom Quixote”, ele traz Dom Quixote para a cidade e começa a mostrar como seria e que admiração Dom Quixote teria no mundo de hoje. Então, nós podemos, através da história de Dom Quixote, trabalhar vários conceitos, como: lixo, hospital, escola. E foi um trabalho também muito interessante. Depois tem algumas fotos aqui. Então, aqui, o livro do Dom Quixote, ali eles construindo, o menino lendo. Nós tivemos experiência bem significativa de um estudante que está já na educação de jovens e adultos que disse que, pela primeira vez, ele leu um livro. Do jeitinho dele, mas ele leu um livro. Então, foi uma experiência bem emocionante para a gente ouvir isso. Eles construíram os moinhos, que eu acho que todo mundo, quando fala de Dom Quixote, lembra dos moinhos e da guerra que Dom Quixote fez achando que eram cavaleiros que queriam destruí-lo. Ali nós temos uma cena da praia, que então é um momento em que Uili recebe Dom Quixote e mostra o espaço da praia. Os alunos da educação de jovens e adultos fizeram esquetes, essas esquetes também estão disponíveis no YouTube. Aqui foi o trabalho que era Dom Quixote na floresta. Então, uma professora foi ao redor, no entorno Apae e da escola, e tirou fotos. Os estudantes tiraram fotos do que era a floresta, das árvores, do que tinha, para trabalhar a importância da preservação do meio ambiente, da floresta. E depois eles fizeram essa montagem, esse trabalho. Na finalização do trabalho nós convidamos o Marreta Colono, o Edgar Salvi, que fez uma apresentação especial para nós, então, em um teatro, que se vestiu de Dom Quixote e fez esse teatro envolvendo os estudantes nessa apresentação. No semestre passado, nós trabalhamos Malala Yousafai. Trabalhamos o livro. “Um livro, uma caneta, uma criança, um professor podem mudar o mundo.” Uma história de uma ativista, uma mulher que sofreu um atentado, que foi a mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz e que falava da importância de todas as pessoas terem o direito de estar na escola, de poder aprender. Não só os homens, mas as mulheres também. Eu acho que casa daí com o assunto que nós tivemos anteriormente, que é o direito de as mulheres poderem trabalhar, ter o seu salão de beleza, de poderem se divertir, tomar sua cervejinha com as amigas. Que foi o vídeo maravilhoso que a gente acabou de assistir. Então, Malala também falava disso, da importância de que todos estivessem na escola, porque a educação é que pode transformar o mundo. Aí eles fizeram diversas atividades com a Malala. Foi feito uma Malala que, através dos seus olhos, podiam se enxergar as diferenças. Aí foi feito um painel. Atrás daquele painel preto, então, tem toda a diversidade. Tem o negro, tem o índio, tem o branco, tem o japonês. Através dos olhos da Malala que vê a diferença, que dá para ver ali ao lado. Nós recebemos também um xeique na escola, ele e a sua família, sua esposa e suas filhas, que contou como era viver em um país diferente, sua cultura, o que comiam, como se vestiam e o que falavam. Tivemos uma apresentação de uma peça de teatro feita por uma menina, que ela é aluna da escola, que falou, representou o quarto da Malala, de onde ela via e queria mudar o mundo. Aqui são alguns trabalhos que foram feitos envolvendo a questão da Malala, eles vestidos com as roupas típicas lá do Paquistão, as comidas do Paquistão. E aqui nós temos, então, as vivências. Nós temos na nossa escola, na Apae, nós temos um grupo de coral que se chama Coral Encanto. Nós estamos já preparando os nossos estudantes para outras apresentações agora com a percussão e com o movimento. E tem diversas apresentações. Ali a gente pode ver que nós temos apresentação no Stock Center, que é um parceiro da Apae. Nós temos uma atividade que a gente participou lá no Teatro da UCS também, que fizemos a abertura de uma palestra. Nós temos a participação do nosso coral em uma festa junina, que é a Festa do Leitão, que acontece anualmente e que também reverte os recursos para a Apae. Nós temos os festivais, especialmente na semana da pessoa com deficiência, que está acontecendo, começou dia 21 e vai até o dia 28 de agosto. Então, a gente recebeu e recebe todos os anos o pessoal da Secretaria da Cultura. Nós temos a Neliane, que vocês conhecem, que é a Anita, que fez, então, uma palestra, uma apresentação sobre as vestimentas e sobre a história da Anita. Inclusive, nos brindou com um livro sobre, o “Filho de Anita”. Nós temos ali também a representação, o casal ali representando os italianos, que estamos vivendo os 150 anos da imigração italiana. Temos o nosso dançarino ali, que é o Lelê. Aqui nós recebemos seguidamente visitas. Ali foi uma escola, então, que foi até a Apae e que fez uma atividade com os nossos estudantes. Lá é o pátio. Temos a participação em jogos escolares, tanto em Caxias como em outras cidades. Temos ali uma imagem da caminhada do cortejo que foi feito ano passado, na Semana da Pessoa com Deficiência. Temos aqui a nossa bandeira da Apae e cada um vestido com meias diferentes para... Foi o dia da síndrome de Down.
PRESIDENTE LUCAS CAREGNATO (PT): Para concluir, Glaucia. Para concluir.
SRA. GLAUCIA HELENA GOMES: Para concluir? Meu Deus do céu! Eu achei que estava falando pouco. Temos aqui um costelaço, que o professor Ricardo assou lá nas dependências da Apae, então, para comemoração do Dia do Gaúcho. Aqui nós temos o movimento. Temos uma atividade feita com os alunos do grupo, com água. Temos outras atividades aqui, outros espaços. Aqui o salão de beleza, a sala de AVD, eles cozinhando. Os tablets, a música. Aqui os jogos que a gente participou, das Olimpíadas da Apae. Aqui, então, foi agora, quinta-feira passada? Quinta-feira passada, que nós fizemos, então, a nossa caminhada e já aproveitamos para fazer o movimento, que é em defesa das escolas especializadas. Então, obrigada. Nossa escola está à disposição para os nobres vereadores que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer. A Apae como um todo, com as suas três unidades, está à disposição também. Qualquer outra informação, por gentileza, nos procurem, que vai ser um prazer recebê-los (Palmas).
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