VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Senhor presidente, colegas vereadores, eu peço a TV Câmara que coloque de imediato a minha fala, sem cortes, que foi realizada na sexta-feira. É uma fala que vai ocupar o meu Grande Expediente, mas resume bem aquilo que eu tenho falado sobre a saúde pública. Então quem estiver em casa também pode nos acompanhar, por favor. Essa foi a reunião da Amesne na sexta-feira. (Segue vídeo) Ela veio para UPA de Caxias do Sul, porque é mais rápido para conseguir leitos. Então, o que acontece? As nossas UPAs estão superlotadas. Hoje, tem uma média de 55 pessoas aguardando leitos, ficam 10, 15 dias para aguardar um leito. Quarenta por cento dessas pessoas que procuram as nossas UPAs poderiam ser atendidas nas UBSs, mas não conseguem atendimento. Vocês sabem por quê? Porque não tem médicos, não tem toda estrutura. “Ah, mas por quê? Isso é problema da Secretaria.” Sim, é problema da secretária, mas se a gente conseguisse atender a atenção primária, ter recursos para investir na atenção primária, talvez a gente poderia ampliar a estrutura de hospitais, mas a gente tem que bancar atendimento para municípios da região que agora estão procurando as UPAs, também de uma forma para garantir a sua sobrevivência para ser internado. Enquanto isso, eu conheci uma cidade da região, que não pertence a nossa região aqui, mas que é um evento a UBS, eles vão lá para tomar café, tem TV, tem ar-condicionado. E nas nossas, a gente consegue sequer fazer uma reforma de tapar, às vezes, um buraco de um telhado, não é, prefeito Adiló? Então eu só quero terminar dizendo, secretária Daniele, um dado que eu fiquei assustado aqui, eu contraponho o Waldemar De Carli: 12 milhões foi o valor que nós investimos em 2022 para subsidiar atendimento de municípios das pessoas da região. Prefeito Waldemar, 18% os outros municípios são para média complexidade, somente 18, que é o que o senhor reclamou que o outro... O senhor falou que poderia ser distribuído. Sim. Não sei se tem Flores da Cunha aqui, mas tem o Hospital Fátima lá que está sobrando leito e eles não têm habilitação. A gente poderia encaminhar para lá de fazer essa distribuição, sou favorável. Eu consegui uma emenda de 700 mil, está vindo vans, sou favorável a isso. Agora, o maior gargalo é o que o prefeito de Guaporé – como é o seu nome, desculpa? –, o Valdir falou, é na média e alta complexidade, onde 46% dos atendimentos são para munícipes de Caxias do Sul e 47% para a região. Então Caxias do Sul utiliza menos o atendimento para alta complexidade. Então o maior gargalo hoje que nós temos é a média e alta complexidade e que nenhum município consegue atender, porque precisa ter uma UTI. Então eu só termino essa minha fala dizendo que fico feliz que alguns municípios estão aqui, sinto falta de outros, mas a gente inicia o debate assim, prefeito, a gente entendendo os números. Mas, Eduardo, a secretária não passou um slide, mas eu vou compartilhar depois contigo, depois se alguém puder receber e aqui para vocês saberem todos também, também é um dado preocupante, porque isso aqui é problema do Estado do Rio Grande do Sul. Caxias do Sul está na quarta posição entre as demais localidades do território estadual no de média e alta complexidade. Isso é um problema de todos nós e que nós temos que cobrar do Estado, isso sim, Solange. Só que nós recebemos, proporcionalmente, nós estamos na nona colocação. Vejam bem, Porto Alegre tem uma população estimada de 1.492.000 e recebe do teto MAC 834 milhões; Canoas tem uma população de 349 mil e recebe 157 milhões; Pelotas, 343 mil e 158 milhões; e Caxias do Sul, com 523 milhões, nós recebemos apenas 129 milhões, prefeito. Ou seja, nós receberemos 30 milhões a menos do que Canoas, e ali no final o custo para atender fica em R$ 638,00 por habitante. Então nós estamos recebendo menos do que muitos outros municípios da região proporcionalmente de recursos estaduais, e média e alta complexidade é de responsabilidade do Estado. Não adianta transmitir o problema, o pepino para o governo federal, que é problema Federal também a saúde, mas o Hospital Geral é do Estado, 100% SUS bancado pelo Estado. Agora, querer entregar carta para ministra e querer que ela banque mais lentos... Nós temos é que ajudar os nossos municípios nesse imbróglio todo aqui. Então, obrigado, Eduardo; obrigado, secretária; obrigado, prefeito; e aos prefeitos solidários a esta causa.
VEREADOR ALEXANDRE BORTOLUZ – BORTOLA (PP): Cedo o meu Grande Expediente, presidente, ao vereador Rafael Bueno.
PRESIDENTE ZÉ DAMBRÓS (PSB): Ok.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Obrigado, vereador Bortola, pela cedência do espaço. Essa minha (Falha no áudio.) na íntegra, a minha fala, porque até, hoje eu li o jornal Pioneiro que diz que eu fui de forma grosseira. Não sei em qual parte da minha fala que eu fui grosseiro na minha manifestação, não é? Eu fui bem simpático, bem tranquilo, com dados, com números. Eu não sei da onde que está grosseiro. Não vou fazer o recorte de outras salas que só falaram de currículo e menos de cobrança. Mas o que eu quero dizer, colegas vereadores, é que nós estamos vivendo num momento preocupante, Basso. O senhor que foi secretário em diversos momentos do prefeito Alceu e sabe como que é a saúde, e naquele momento nós vivemos um período, e eu era vereador, vereador Edi Carlos, vereador Felipe Gremelmaier e o vereador Renato Oliveira. Mas aqui tinha o vereador Dambrós que na época era presidente do Orçamento Comunitário, diretor. O prefeito Alceu chamou todos os vereadores e disse o seguinte: “Gente, nós estamos na iminência...”. Isso daí foi em 2014, 2015. “Nós estamos na eminência de fechar leitos. Nós estamos com a corda no pescoço. Nós vamos ter que fechar leitos.” Reuniu todos os vereadores, não importando partido, PT, PCdoB, PDT, todos os partidos, ele nos chamou para uma reunião e depois chamou todos os presidentes de bairro e disse o seguinte: “Vocês querem a construção de áreas de lazer?”. A cada dois dias, a cada três dias eram inauguradas duas ruas, entregue duas ruas calçadas. Ou vocês querem ruas calçadas ou vocês querem ter leitos nos hospitais, que a gente continue bancando? Todos os vereadores, independente de partidos, presidentes de bairro, disseram o seguinte: “Continuem bancando os leitos do Hospital Pompéia e do Hospital Geral”. E aí foram bancados os leitos para a gente continuar salvando vidas. E, similar a este momento, nós estamos vivendo agora. Eu estou muito preocupado, presidente, com o que está vindo para o prefeito Adiló, batendo na porta já, já bateu, mas vai bater mais ainda, com força, e para o próximo prefeito. Esses dias, nós recebemos a visita do diretor da Visate, que já está ajuizado, 92 milhões é a divida que o município tem. Ganho de causa já para Visate, ganho de causa, 92 milhões para a Visate. Já tem o parecer do judiciário, que eles fizeram uma avaliação, o judiciário fez uma avaliação, 92 milhões. Mas nós temos o Magnabosco, nós temos outras situações que se avizinham. E, cada vez mais, nós temos que enxugar o nosso orçamento. Eu defendo que a cultura, que o lazer, são pastas essenciais para as pessoas garantirem vida também, para as pessoas poderem ir a uma orquestra, para as pessoas poderem ir ao parque e ter uma peça de teatro, para as pessoas poderem ter seus momentos de lazer. Vai chegar o momento que o prefeito Adiló, ou o próximo, vai dizer o seguinte: “Olha, nós não vamos poder bancar isso aqui. Nós vamos ter que bancar o quê? Os leitos, os hospitais”. Mas, em contrapartida, o município de Caxias do Sul que deveria no mínimo aplicar 15%, como é obrigatório em todas as cidades do território nacional, nós estamos investindo 26%, 27%. Enquanto os outros municípios da região, eles conseguem aplicar só 15%, comprar van, comprar carro zero, trocar todo ano, para trazer aqui para Hospital Geral, para o Hospital Pompéia, para o Hospital Virvi Ramos. E trazer para as UPAs agora. A novidade que é eles estão vindo trazer para as UPAs. E, quando não consegue o leito de forma imediata na Central de Leitos, eles regulam como a vaga zero, pulando na frente de toda a região, de todo estado inclusive. Só que aí eles conseguem promover Natal Luz, chocolate de Gramado, conseguem promover tudo. Não, gente, eu assim olha, eu fiquei surpreso porque o primeiro a se manifestar foi secretário da Saúde de Gramado. Ele disse: “Olha, nós não temos como ajudar. Não contem com a gente”. Mas, se o primo rico da gente diz que não pode ajudar, tenho até pena de quem realmente não pode ajudar. O prefeito de Guaporé, um senhor, olha, um gentleman, falou ali, disse: “Nós queremos ajudar! Com um pouquinho que a gente tem, vamos fazer o estudo, mas nós queremos ajudar”.
VEREADOR ADRIANO BRESSAN (PTB): Um aparte, vereador.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Então, eu já senti firmeza. Só que ainda, nós já estamos no quinto mês do ano, só falam em fazer reuniões com prefeitos, mas essa reunião nunca acontece. Nós só temos ideias. Nós temos que rabiscar esse documento e bater nas portas dos prefeitos. “Olha quem quer assinar? Quem não quer assinar? Quem quer assinar? Ah, vocês não querem? Então tá! Nós vamos achar um jeito também de atender menos a população de vocês.” Porque o que está acontecendo, gente, vai chegar um momento em que Caxias do Sul não vai conseguir mais investir a não ser em saúde e educação. Porque o orçamento, 50% está destinado, mais de 50% para essas duas áreas.
VEREADOR ELISANDRO FIUZA (REPUBLICANOS): Um aparte.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Seu aparte, vereador Bressan.
VEREADOR ADRIANO BRESSAN (PTB): Obrigado pelo aparte, vereador Rafael. O senhor tocou bem no tema que ontem eu puxei um pouquinho aqui, quando eu estava falando até da UBS do Esplanada. Será que essa reunião foi vista pelos cidadãos, pelo munícipe lá de Gramado? Pela irresponsabilidade desse secretário falar isso? Acho que não. Acho que não! Aí quem paga o preço? É Caxias do Sul. E aqui a comunidade de Caxias que cobra ferrenhamente essa questão do prefeito Adiló. E aí, o de Gramado que ele entra, que nem o senhor tem o entendimento, aqui entra na vaga zero e tal, passa na frente de todo mundo, para eles está se comportando bem a situação, está se comportando bem.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Um aparte se possível, vereador.
VEREADOR ADRIANO BRESSAN (PTB): Agora tu imagina o prefeito de lá, que foi eleito para cuidar da sua comunidade, e é um irresponsável. A partir do momento que ele não vem, como eu falei ontem, não veio para inauguração dos leitos aqui, acho que com medo de ser cobrado. Não vem aqui para as reuniões da Amesne quando diversas vezes foram convocados, e que nem o senhor falou, o problema é esse. Acontece reunião para marcar outra reunião e eles acabam ainda não tendo responsabilidade de vim responder pela sua comunidade. Que bonito quando se elege para representar a comunidade e sequer, na questão de saúde que é onde salva vidas, eles não terem essa capacidade, essa responsabilidade de vir aqui discutir esse problema tão sério. Parabéns, vereador.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Obrigado, vereador Bressan. Olha, eu fico triste, realmente porque era uma reunião de extrema importância mesmo que viessem, vieram poucos prefeitos, cerca de uns 30, representantes entre secretarias de Saúde e prefeitos, mas era um dia chuvoso e estavam presentes muitos... E a Secretaria de Saúde do estado não estar presente? Olhar no olho, cobrar dessas pessoas, ter um rascunho: “Olha, de repente lá no nordeste eles fazem desse jeito. Quem sabe a gente pode fazer aqui?” Mas aí o vereador Edi Carlos, a gente estava conversando ali, até o presente tocou a campainha para gente parar de conversar, estava conversando com Geraldo, diretor ali do Virvi Ramos, e ele... E nós fomos em Brasília, presidente, e está ali o vereador Edi Carlos, o Geraldo já saiu, mas confirmou para nós. Nós temos que repactuar esse dinheiro que vem do estado, que vem do governo federal. Não é o governo federal que a gente tem que bater, a gente tem que ampliar o teto MAC. Isso é uma coisa, mas o teto MAC hoje está vindo para o Rio Grande do Sul. O que está acontecendo... É pouco, é pouquíssimo, mas o que está vindo está sendo mal distribuído entre as quatro regiões. Está vindo mais para Pelotas, mais para Rio Grande, mais para Santa Maria e proporcionalmente mais para Porto Alegre e menos para Caxias do Sul. E isso não pode ser... A ministra dizer: “Olha governador, o senhor, tem que dar para Caxias do Sul”. Ela tem mais coisa para se preocupar em todo o Brasil para dizendo: “Olha governador, secretária da Saúde, a senhora tem dar um pouquinho mais para uma cidade”. Mas não, esse dinheiro vem, o que tá sendo mal distribuído é aqui na cidade. O que foi feito e o presidente, ex-presidente da Comissão de Saúde na legislatura passada, o vereador Renato Oliveira, falou, entregou na carta, foi a cobrança para a gente ter a UPA como receber incentivos municipais, estaduais que somando a gente chega em torno de 9 milhões ao ano. Só do governo federal 500 mil/mês. Nós estamos deixando de receber todo mês 500 mil na UPA Central. Por quê? Porque quando foi reformada a UPA, e que era uma necessidade mesmo, que na época tinha pacientes, eu mostrei um vídeo aqui na época, pacientes internados e caiu o teto com o esgoto em cima da cabeça das pessoas internadas. E aí foi feito uma reforma só que não credenciaram, a época, no governo federal, o governo federal não autorizou para fazer a reforma na UPA e por isso que a gente tem esse imbróglio todo. Mas esperamos que através da nossa deputada Denise, do governo federal, eles sejam sensíveis para refazer uma repactuação. Agora, uma coisa é a UPA, outra coisa é um dinheiro milionário que nós estamos perdendo todo mês e além disso a gente tem que botar dinheiro nosso para suplementar a saúde dos municípios da região e não está resolvendo. Seu aparte, vereador Lucas. E eu peço a Declaração depois.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Obrigado, vereador Rafael. Acho que mais uma vez o senhor toca num assunto que deixa absolutamente todos nós vereadores preocupados e nós estamos falando sobre isso... Nesta legislatura, desde o primeiro dia, o senhor era o presidente da Comissão de Saúde durante dois anos, agora é o vereador Cadore. Mas é uma preocupação de todos os vereadores. Se no governo Alceu o prefeito chamou todos os vereadores e todos tiveram a sensibilidade de os recursos permanecerem direcionados à saúde, penso que nós também. Mas para encaminhar, minha proposta de encaminhamento, eu me centralizo, acho que o senhor é muito assertivo e conhece o tema como poucos, nós precisamos de uma reunião com o governador. E proponho, vereador Dambrós, que o senhor já, mais uma vez, nós tentemos uma agenda com o governador, junto com o prefeito Adiló, todos os vereadores. Acho que tem que disponibilizar um ônibus aí, já que os prefeitos da região lavam as mãos. Porque o que vai acontecer é o seguinte. Com esse frio, daqui 15 dias, 20 dias, nós vamos ter as pessoas começando a morrer nas UPAs, e as pessoas vão cobrar de nós, com toda a razão. Então eu proponho que solicite uma audiência pública, uma reunião em regime de urgência, da prefeitura, do Poder Legislativo, como o governador, com todos os vereadores desta Casa, com o prefeito, secretária Anita, secretária Daniele, sob pena de nós vivermos uma hecatombe, com pessoas morrendo mais ainda, e os prefeitos da região lavando as mãos mais uma vez. Então queria fazer, encaminhar isso como uma proposta urgente, logo, tendo em vista a questão do clima que assola ainda mais o problema da saúde da nossa cidade.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Obrigado, vereador.
PRESIDENTE ZÉ DAMBRÓS (PSB): Segue em Declaração de Líder.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Vereador Fiuza.
VEREADOR ELISANDRO FIUZA (REPUBLICANOS): Obrigado, vereador Rafael. Só para contribuir. Esse objeto de discussão é realmente para que a gente possa encontrar uma solução mais adequada. Mas a nossa preocupação, assistindo ontem a uma reportagem da Record Rio Grande, falando do problema do caos que está acontecendo em Canoas, o Hospital Universitário ainda segue sem poder fazer cirurgias eletivas.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (SEM PARTIDO): Peço um aparte.
VEREADOR ELISANDRO FIUZA (REPUBLICANOS): E o Hospital Nossa Senhora das Graças com problemas de falta de insumos para o atendimento dos munícipes de Canoas. Então você veja a situação de estrangulamento que está acontecendo na saúde de Canoas, tendo um recurso maior ainda do que nós aqui de Caxias do Sul. Então, é algo que se a vizinha, e nós estamos nos antecipando, buscando nos antecipar como forma de solucionar essa situação. Obrigado.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Obrigado, vereador Fiuza. E justamente, o senhor tocou no assunto de hospitais. Eu estive com o bispo segunda-feira e vi um bispo muito preocupado, tenso. Todas as vez que eu estive com ele prontamente, sem eu pedir, ele me deu uma benção. Aquele dia ele não me deu a benção; de tão nervoso acho que ele ficou, esqueceu. Justamente porque ele está saindo de reuniões todos os dias, da Fundação Universidade de Caxias do Sul, que ele está entendendo os números, que lá não são coisas boas, que tem muitos furos provavelmente e que ele vai ter que tentar ajustar. Isso a gente fala do Hospital Geral. Só que ele também tem parcela no conselho gestor do Pompéia. Então hoje a saúde de Caxias do Sul passa pelas mãos do Dom José. Seis mil profissionais da saúde estão nas mãos do bispado. Mas não são só seis mil profissionais, são mais de um milhão e 200 mil pessoas da região dos 48 municípios que vêm para Caxias do Sul serem atendidos pela saúde, pelo SUS. Então é muito preocupante, e nós temos que tratar isso que é o cerne. Mas a gente nunca pode se esquecer, e acho que a gente está invertendo o nosso discurso. Do que a gente está falando é de média e alta complexidade. Eu gostaria de vir aqui falar da atenção primária. Porque, enquanto a gente não falar da atenção primária, a gente está esquecendo do principal, que é proteger as nossas pessoas desde a primeira infância, proteger os nossos idosos, proteger as gestantes, as pessoas que têm comorbidades. Se a gente proteger essas pessoas levando informações com os agentes de endemias, com os agentes de saúde, com os médicos da família, nós vamos evitar que essas pessoas adoeçam, procurem as UPAs e, posteriormente, cirurgias, ficar internado por dois, três meses, fazer tratamentos caros na nossa rede. Se a gente evitar que as pessoas utilizem a média e a alta complexidade vai ser uma economia para os nossos cofres públicos e um retorno para investir em outras áreas. Seu aparte, vereador Scalco.
VEREADOR MAURÍCIO SCALCO (NOVO): Parabéns, vereador Rafael, novamente por tocar no assunto. O sistema de saúde está no colapso já, né? Já passou do colapso quase, né? Eu acho que está na hora mesmo de chegar, reunir com o governador mesmo, porque a repactuação é necessária. Eu peguei os números também de recursos federais. Caxias recebe R$ 248 por pessoa; Porto Alegre é R$559. É o dobro. É impossível. Se Porto Alegre quase não dá conta, imagina Caxias, com a metade do valor? A gente precisa ter uma média, então, entre os municípios. Que todos ganhem parecido ao menos, para a gente poder dar conta de toda a demanda que tem na saúde de Caxias. Eu não sei por que ou qual o cálculo que eles usam para dar metade do valor para a nossa cidade e para as outras cidades o dobro. Eu não consigo entender o porquê. Além disso, a gente atende ainda 49 municípios recebendo a metade? Não... é matemática, não vai fechar a conta e as pessoas vão morrer nos hospitais, vai faltar atendimento. O assunto é seríssimo, eu acho que está na hora de nos reunirmos mesmo com o governador, com as autoridades... Mostrar números, dizer assim: Nós queremos o mesmo valor que as outras cidades recebem. E assim a gente vai conseguir ao menos melhorar um pouco a nossa saúde até que se resolva a nível federal o problema como um todo. Parabéns Rafael por ter tocado no assunto.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Obrigado, vereador. Mas eu quero só voltar um pouquinho a história. O vereador Felipe, na época que o governador Sartori estava... então isso aqui não um problema de hoje, é um problema antigo dessa questão da má distribuição. Aí nós fomos procurados, vereador Renato Oliveira, na época presidente da Comissão de Saúde, dos hospitais aqui da nossa cidade que estavam recebendo... estavam em colapso os hospitais, estavam em crise, não estavam recebendo recursos e tal. Então naquele momento nós conseguimos uma agenda com o Burigo e com o Gabardo, que ele era o secretário do Estado, e conseguimos um incremento, mas para onde? Para os hospitais. Não adianta depositar dinheiro nos hospitais para tapar o furo deles. Nós temos que ajudar a prefeitura de Caxias do Sul para ela administrar a saúde dentro de Caxias e repactuar porque enquanto a gente só ficar dando emendas parlamentares para hospitais a gente vai estar se esquecendo que quem faz a gestão da média e alta complexidade da região é a prefeitura de Caxias do Sul. Esse pepino está na mesa do prefeito Adiló, ele tem que bater na mesa, dar um soco, e cobrar de forma enérgica dos municípios da região. Tirar do processo de ideias, mas começar a já colocar num rascunho e bater na porta dos prefeitos da região. Claro, com o governo do estado. Chega de audiência online, nós precisamos de forma presencial. Seu aparte, vereador.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (SEM PARTIDO): Vereador Rafael, parabéns pelo tema, para a pauta que o senhor está trazendo. Quero lhe parabenizar principalmente pela fala que o senhor teve naquela reunião que a gente viu aqui, pela coragem, é isso que a gente precisa, marcar posição, dizer o que a gente defende, o que a gente não defende. A minha fala é curta, eu queria dizer que concordo com a fala do vereador Lucas da gente reunir todos os vereadores e organizar uma reunião com o governador do estado para decidir esse tipo coisa. Eu vejo ali na frente a possibilidade também desta Casa unida, como sempre o vereador Edi Carlos diz, que se a gente estivéssemos todos juntos a gente conseguiria fazer muito mais coisas. Seria a questão até de nos reunirmos com as bancadas do Legislativo estadual para ver a possibilidade de fazer algum tipo de mudança, eu não sei se isso é possível, mas a ideia seria válida, na lei estadual para que os municípios que dependem de Caxias do Sul tenham que contribuir pelo menos com um tanto por cento do que arrecadam sobre a saúde para com Caxias do Sul. Eu acho que essa seria a saída primordial da nossa situação. Obrigado, vereador.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Obrigado, vereador. Vereadora Rose.
VEREADORA ROSELAINE FRIGERI (PT): Vereador Rafael, eu acho sempre importante trazer esse assunto da saúde. Acho importante esse reforço da questão da saúde primária, do atendimento à saúde ali na base porque realmente isso a gente fala, tem muitas coisas que poderiam ser evitadas, tanto de chegar na UPA como no Hospital Geral, se tivesse o atendimento à saúde primária. Mas eu também queria ponderar uma questão, algum tempo eu fiz parte do Cerest/Serra, que é o que faz o tratamento na saúde do trabalhador. E agora eu recebi uma notícia e acho que todo mundo já está... a JBS lá de Ana Rech está em greve, os funcionários, 80 funcionários, paralisaram hoje de manhã por falta de atendimento na própria enfermaria da JBS. Ontem faleceu um rapaz de 36, 34 anos, que estava quatro dias trabalhando ali, por falta de atendimento na enfermagem. Eles não têm atendimento. Qual é a lógica? A pessoa passa mal, outro dia se tu está com frio volta a trabalhar ou tu leva para uma UBS. Então acho que as empresas privadas de grande porte que tem o compromisso também com o atendimento à saúde do trabalhador também tem que ser chamada essa responsabilidade. Obrigada.
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Meus quinze segundos finais, por favor, me mostra um videozinho aqui, que esse vídeo a gente não pode deixar esquecer, cair no esquecimento. Por favor, TV Câmara. (Segue vídeo) Está sem áudio, mas este vídeo foi feito pela equipe do vereador Bressan na inauguração fake do Hospital Geral, onde tinha os seguranças que não deixavam as pessoas subirem até... adentrar nos leitos, nos blocos. Por isso que eu digo, parece aquela vez da Dilma, vereadora... Eu me lembro da presidente Dilma que veio inaugurar o Minha Casa, Minha Vida, lá no Campos da Serra, que mobiliaram a casa das pessoas, vereador Renato, de uma família lá. A mulher feliz da vida, foi entrar dentro da casa e já não tinha mais os móveis. (Risos) Era só uma inauguração fake, foi mais ou menos essa do Hospital Geral. (Risos) A coitada da família lá bem esperançosa. (Risos) Foi mais ou menos isso. Obrigado.