VEREADOR ELÓI FRIZZO (PSB): Senhoras e senhores vereadores, meu vereador, nosso líder do governo, V. Sa. deu azar de ser eu logo em seguida. Porque esse sorteio também deve ter sido tipo o do Facchin, meio manipulado, tem que ser logo depois. Mas, ontem lhe perguntei na nossa reunião de controle orçamentário qual era a sua profissão. O senhor me disse: “Eu sou contador”. Aliás, os contadores têm essa característica de vender ilusões com números, que é o que o senhor tentou fazer aqui, uma manobra ilusionista de achar que todo mundo aqui é tanso. Aliás, eu acho que essa lua do mel do Jornal Pioneiro com o prefeito PG não vai demorar muito, porque, nessa matéria em especial ,deveria haver um destaque muito grande lá assim: “Parte do tal do déficit apresentado refere-se a R$ 304 milhões de um precatório, de um processo da família Magnabosco contra o Município de Caxias do Sul”, que é a parte não controversa da decisão. Os tais dos R$ 304 milhões, cujo precatório o prefeito Alceu recebeu no final do ano retrasado, e lançou no orçamento do ano passado como restos a pagar, de curto prazo, mas com a possibilidade de um empréstimo fictício, por conta de que essa dívida é impagável. A prefeitura literalmente não tem! Seja o PG, seja quem venha depois, ou quem vem antes, não tem como pagar. Por isso que o prefeito Alceu, inclusive pessoalmente, foi várias vezes a Brasília, se contratou, inclusive, um ex-ministro do Supremo Tribunal Federal para fazer a defesa do município nessa ação, vereador Chico Guerra, que eu refuto como um dos maiores escândalos judiciários do Brasil. Eu, quando fiz a faculdade, no início da faculdade de Direito, um professor nosso de Direito Civil sempre nos recomendava uma obra famosa que se chamava: “Por que tenho medo de lobisomem?” E como as coisas acontecem, vereador Rodrigo, no Poder Judiciário, onde as sentenças acontecem sem que a gente consiga explicar – ou consiga explicar. Esse processo da família Magnabosco é uma ação movida a partir da infeliz ideia do então prefeito Mansueto de Castro Serafini Filho, de devolver a área que era de propriedade do Município para a família Magnabosco, em troca de meia dúzia mirreis de indenização que a prefeitura devia à família Magnabosco. Uma dívida que, provavelmente, naqueles anos, representava R$ 10 milhões de hoje, que era executar meia dúzia de obras, vereador Adiló, ao redor dos 55 mil metros quadrados, hoje ocupados pelo Bairro 1º de Maio, as obras que faltavam ali, meia dúzia de metros de calçamento, especialmente... O prefeito, com uma atitude “infeliz”, vamos colocar este infeliz entre aspas, devolveu para a família Magnabosco a área, em troca da dita indenização. Então se nós retirarmos, vereador Chico Guerra, da sua conta, de um saldo de caixa de R$ 414 milhões, e dívidas de R$ 540 milhões, nós retirarmos os R$ 304 milhões da família Magnabosco, teoricamente, vai deve ter um saldo positivo de R$ 178 milhões. Por isso que eu disse aqui que V. Sa. está tentando vender um peixe que não tem, porque essa dívida não dá para se colocar como dívidas de curto prazo para serem pagas até o final do ano, porque não existe a mínima possibilidade de se pagar R$ 304 milhões até o final do ano para a família Magnabosco. Mas eu, coincidência ou não, vereador Chico Guerra, eu tinha separado aqui um artigo da Lei Orgânica lá de 1990, que foi de autoria coletiva até de vários vereadores que tinham um compromisso muito claro com a luta pela habitação, no Art. 18, das disposições transitórias – ainda está na nossa Lei Orgânica:
[...] fica a administração municipal autorizada a promover a desapropriação da área de 57.000 m2 descrita da Lei Municipal nº 1.053, de 3 de fevereiro de 1961, devendo o decreto de declaração de utilidade pública ser baixado no prazo de dois anos, contado da data de publicação desta Lei Orgânica, efetivada a desapropriação referida no caput, a admiração municipal promoverá dentro das possibilidades jurídicas e econômicas o assentamento dos ocupantes na mesmo área.
E o que é essa Lei Municipal 1053, de 3 de fevereiro de 1961, é exatamente a lei onde a família Magnabosco doava para a construção da futura universidade aquela área de 57.000 m2, onde ali, aquele, vereador Gustavo Toigo, que V. Exa. referiu ontem aqui, o Dr. Virvi Ramos, iniciou a construção do prédio da faculdade de medicina, que é a parte aquela que ainda tem lá no Bairro 1° de Maio, uma parte ocupada lá nas vigas de concreto lá, na parte já da próxima ali do Mato Sartori, que ainda está lá. Com o advento da Universidade de Caxias do Sul, toda aquela mobilização que ocorreu quando o governo do estado doou, então, para que a fundação da universidade as áreas da antiga estação experimental e do antigo Colégio Sacre Cour de Marry, a área foi devolvida para o município, foi devolvida para o município e ficou lá a Deus-dará aquela área abandonada quando – e eu me lembro, sou antido, vereador Chico Guerra – isso era em 1977, no dia 1° primeiro de maio, várias famílias ocuparam aquela área. Isso, portanto, há quase 40 anos atrás. Agora, no dia 1° de maio 2017 o Bairro 1° de Maio vai comemorar os 40 anos de existência de aquilo que eles antigamente chamam de favela Magnabosco. Naquela época, vereadora Denise, eu era membro e participava do grupo de jovens lá da minha paróquia, lá do Bairro Cruzeiro, e era membro da coordenação diocesana de juventude; e, por coincidência ou não, estávamos no antigo centro de orientação missionário, em frente ao Hospital Fátima, dirigido na época pelo saudoso padre Orestes Stragliotto, Pe. Oreste que depois saiu de Caxias fazer um trabalho fantástico em São Leopoldo, e, naquele dia, nós estávamos em um curso lá e foi naquele dia que foi ocupada a favela, então, nós, inclusive, estivemos lá prestando solidariedade aos moradores, na medida em que a Prefeitura jogou os seus fiscais e a Brigada para cima dos moradores tentando a desocupação. Então eu posso dizer que acompanhei o nascimento desse bairro durante esses 40 anos que estaremos comemorando no dia 1° de maio. Vereador Chico Guerra, se cumprida a Lei Orgânica, a disposição de uma mobilização fantástica quando a Lei Orgânica foi votada, a Câmara funcionava aqui no prédio da prefeitura, prédio que queimou, mais de 1.000 pessoas desceram o morro, desceram do Bairro 1° de Maio para a frente da prefeitura e foi votado, então, esse artigo, determinando que o prefeito buscasse uma negociação dizendo a desapropriação da área, em razão da devolução. E veja-se que agora, quando começaram-se a se efetivar os cálculos para ver o tamanho da indenização depois desses 40 anos de disputa judicial, os peritos avaliaram os 57.000 m2 em torno de R$ 54 milhões. Se a área fosse adquirida hoje, alguém tivesse o recurso e fosse... (Esgotado o tempo regimental.) Vereador Edi Carlos, me permite uma Declaração de Líder? Obrigado, meu líder. Muito obrigado, presidente. Se alguém fosse botar no mercado essa área ali, em cima, hoje, seria adquirida, avaliação judicial por 54 milhões. Os primeiros cálculos, vereador Chico Guerra, feitos pelos contadores da família Magnabosco chegaram ao valor de mais de 800 milhões. Por isso que a gente diz que a parte não controversa, que essa já está definida e que só será retirada fora se a ação rescisória, encaminhada pelo município de Caxias do Sul, for dar ganho de causa ao município, portanto, aí zera a dívida, mas a parte não controversa, então, é de 304 milhões. E todo esse restante de valor, 100 milhões, 200 milhões, ainda está sendo discutido judicialmente, na questão da execução da sentença. Então, nós temos esse problema pela frente. Agora, nunca é demais a gente resgatar aqui, eu acho que isso vai dar tema para se escrever um livro, uma novela, de como aconteceram, nesses 40 anos, essa execução de parte da família de herdeiros de Raimundo Magnabosco: o que aconteceu no primeiro grau; o que aconteceu no segundo grau; os desembargadores que julgaram a ação em nível de segundo grau serem depois contratados para fazer a defesa, depois de se aposentarem, no escritório – serem contratados para fazer a defesa da família Magnabosco em Brasília –; a ação sendo, por duas oportunidades, mandada, pelos juízes de primeiro grau, ser arquivada, em razão do procedimento ser equivocado na forma como foi encaminhada a ação aqui de reintegração de posse ou reivindicatória. Então, existe, de fato, um processo que os nossos futuros alunos das faculdades de Direito aqui de Caxias do Sul poderão se debruçar e estudar, e acho que vai dar mais uma segunda edição desse livro “Porque tenho medo de lobisomem”, de como as coisas aconteceram e se chegou a essa sentença. Então, vereador Chico Guerra, com todo o respeito que tenho a V. Sa., quero dizer que o prefeito Alceu Barbosa Velho, de forma diligente no ano passado, para poder entregar a prefeitura de Caxias do Sul com saldo em caixa, começou há quase dois anos todo um processo de cancelamento de obras, de corte de reajuste de CCs, tudo o que está se fazendo aí, agora, o prefeito Alceu Barbosa Velho já começou há muito mais tempo. Obras que estavam definidas... Como o grande ginásio que seria construído lá nos Pavilhões da Festa da Uva foi cancelado, que era um grande sonho do prefeito. Então, nesse sentido, não se pode querer descaracterizar tudo que veio atrás por conta de uma nova gestão. E, lamentavelmente, parece que vai se cometer o mesmo erro da administração Sartori, que negava a gestão Pepe Vargas, vereador Rodrigo. Tudo o que foi feito na gestão Pepe Vargas. Foi um grande prefeito, nós temos que reconhecer. E o Sartori também foi um grande prefeito e o Alceu também. Mas se comete esse equívoco de que nada existe antes de 1º de janeiro de 2017. Não existia Prefeitura em Caxias do Sul, não existiam secretários. Eu quero dizer, vereador Chico Guerra, que eu entreguei o Samae no dia... Quando o Moschen assumiu no meu lugar, e agora quando o Moschen saiu, no dia 31 de dezembro, com 74 milhões em caixa. Isso que nós já tínhamos repassado quase 50 milhões à Prefeitura, ajudando no esforço de a Prefeitura saldar suas contas e deixar dinheiro em caixa para o próximo prefeito. O Samae repassou quase 50 milhões para a Prefeitura, por conta dos investimentos que foram feitos pela Prefeitura na represa do Marrecas. Então, a contribuição do Samae para esse saldo positivo é muito grande, e esse esforço aconteceu em todas as secretarias. A Secretaria de Obras, ao final, e a gente pagou o preço político disso, vereador Adiló, os sem números de ruas que haviam sido definidos no Orçamento Comunitário para serem calçadas não foram calçadas. E tinha que ir lá o nosso amigo Dambros ir lá explicar para o povo. “Olha, lamento, não tem dinheiro, não conseguimos comprar mais paralelepípedo, porque não sei o quê e tal”, para exatamente poder entregar a prefeitura com as contas equilibradas no final do ano. Está aqui o Soletti que era o nosso secretário de Obras, à época. Então, se desmerecer tudo que se fez atrás, para esta prefeitura, sabendo que o problema da crise acontecia. E V. Sa. usou a diminuição da arrecadação de impostos fantásticas que aconteceu na cidade com a crise econômica, com o desemprego, e ainda querer achar que houve, para trás, só desgovernos. Pois não, vereador Toigo.
(em aparte)
VEREADOR GUSTAVO TOIGO (PDT): Muito obrigado, vereador Elói. V. Exa. relembra um fato realmente histórico, que foi a ocupação do Bairro 1º de Maio. Essa ação judicial, prejudicial a nossa cidade de Caxias do Sul... Agora o discurso da desconstrução, do desmerecimento, ele é muito perigoso. E não temos que, absolutamente, estar culpando administrações “a”, “b” ou “c”. Caxias do Sul vem há muito tempo se pautando por administradores, por políticos honrados, sérios, todos governaram a seu tempo, fizeram a sua parte em áreas essenciais. Cito os últimos que conheci e convivi mais de perto. Pepe Vargas, Sartori e Alceu Barbosa Velho, que tiveram uma atuação forte nas áreas da saúde, da educação, do saneamento, do abastecimento. Caxias, é lógico, tem as suas necessidades e chegou a hora de governar. Acabou o lero-lero. Chegou a hora de encarar o desafio. Realmente, Caxias do Sul é uma cidade que precisa de seriedade. Agora, esse superávit de 2016, ele existe, vereador Elói, que foi a diferença, a maior, entre a receita e a despesa realizada pelo Município dando um saldo positivo no balanço de 57 milhões. Ou seja, o prefeito Alceu deixou os pagamentos, as dívidas que contraiu, que são permanentes entre obras e investimentos, que são normais ao novo prefeito. Eu não vejo o líder do governo falar aqui dos mais de 33 milhões de dólares que nós deixamos no caixa para tocar o PAI 3, mais 70 km. Nesse meu aparte, mais um minutinho, vereador Elói, o que eu mais gostei, esta semana, foram inclusive as declarações lúcidas do secretário da Fazenda, José Alfredo Duarte. Ele diz nestas palavras: “as dívidas que o prefeito Alceu fez são normais dentro de um processo de continuação da administração pública”. E mais: relata que estão pagando em janeiro contas de outubro, novembro e dezembro, e outras antigas, que são os restos a pagar, e que foi contratado e estão sendo pagos na sua normalidade. Então, o curso está seguindo na normalidade. Não precisamos de nenhum tipo de alarde, de alarme, e, sim, temos que encarar o desafio e governar, porque Caxias... Realmente terminou a época de campanha eleitoral, terminou a campanha de fazer a crítica de olhar para o retrovisor, e, sim, encarar a verdade da administração.
VEREADOR ELÓI FRIZZO (PSB): Veja, vereador Toigo, que ao final do ano passado se estabeleceu aqui uma grande discussão sobre a questão da antecipação do IPTU. E nós dizíamos à época: “Olha, o prefeito, no dia 1º de janeiro ele vai assumir, se ele quiser, ele revoga. Ele revoga o decreto da antecipação do IPTU e bota a possibilidade do desconto até março”. Eu confesso que eu fiquei aguardando, não, é, vereador Edson? O decreto do prefeito, porque ele votou contra aqui. Votou contra como vereador. O decreto do prefeito retornando então o desconto de 15% até março. Isso não aconteceu. Não aconteceu, porque o prefeito Alceu Barbosa Velho teve a preocupação exatamente de deixar dinheiro em caixa para que o atual PG, prefeito gestor, pudesse honrar os pagamentos das férias dos professores e assim por diante. Então, nesse sentido, questões que a gente pode desmascarar aqui esse discurso vazio que o prefeito insiste em fazer. Não saiu do palanque ainda. Continua no palanque e continua ofendendo, lamentavelmente, as pessoas que vieram antes dele, de forma irresponsável. Eu sempre fiz aqui uma discussão na Casa, por exemplo, nessa questão do tratamento de esgoto. Eu dizia que era um absurdo a gestão Sartori-Alceu, querer caracterizar que só houve preocupação com o tratamento de esgoto a partir do momento que o Sartori assumiu. Não! O plano diretor de esgoto foi votado na nossa gestão, governo Pepe Vargas. Iniciaram-se as primeiras duas estações de tratamento. Eu estou dizendo isso por quê? Porque isso representa que, acima de tudo, os prefeitos sabem e devem dar continuidade às boas obras daqueles que os antecederam. Os governos têm que ser... (Esgotado o tempo regimental.) Concluindo, não se pode desmanchar o que os outros fizeram. Então, nesse sentido que eu faço esses reparos, referindo, principalmente, a história de luta dos moradores do Bairro 1º de Maio pelo direito à terra, pelo direito a ter um pedaço de chão para morar. Era isso, senhor presidente. Muito obrigado.