VEREADOR ELÓI FRIZZO (PSB): Senhor presidente, senhoras e senhores vereadores, meu agradecimento ao vereador Edi Carlos...
VEREADOR RAFAEL BUENO (PDT): Uma Declaração de Líder à bancada do PDT, presidente.
VEREADOR ELÓI FRIZZO (PSB): pela cedência do seu espaço, que me propicia, nessa manhã, cumprimentando também os que nos assistem pela TV Câmara, canal 16, e também pelas mídias sociais, dividir com os colegas vereadores e vereadoras a nossa ida, ontem, a Porto Alegre, à DPM, tentando desvendar o imbróglio que estamos metidos por conta do veto total ao projeto de lei complementar que trata do novo Plano Diretor Urbano. Fomos recebidos lá muito bem pela assessoria da DPM, Dra. Míriam, Vivian, perdão – João, obrigado – uma pessoa que detém um conhecimento em direito urbanístico surpreendente, com 28 anos de atuação em Procuradorias de Município, no caso em Porto Alegre, provavelmente, e também atuando já há mais de 15 anos na DPM. E aí, vereador Gustavo Toigo, eu tenho que me render a V. Sa. da primeira discussão que fizemos com relação à possibilidade de, eventualmente, ser acolhido o veto e fomos, pelo menos na minha ótica, convencidos que seria muito ruim partirmos para essa possibilidade. Hoje, à tarde, a convite, partido da reunião que aconteceu lá na CIC, onde estivemos lá colocando um resumo do projeto aprovado, especialmente das questões que não acolhemos na proposta do Executivo e as questões que incorporamos no Plano, a partir dessa reunião acontecida lá na CIC envolvendo sindicatos patronais, membros do Conseplan, foi marcada uma reunião hoje, à tarde, às 14 horas, aqui na Sala Geni Peteffi. Os vereadores que eventualmente gostariam de acompanhar estão convidados. É uma reunião com a nossa comissão, mas, como o assunto interessa toda a Casa, todos os vereadores estão convidados eventualmente a participarem dessa reunião com os representantes do Conseplan. Nós não fizemos distinção, vereador Edson, se os representantes do Executivo que participam do Conseplan quiserem vir serão bem acolhidos sem dúvida nenhuma. Mas, efetivamente, vereador Adiló, não nos resta, na minha lógica, a partir da reunião de ontem, a não ser em nível da comissão, defendermos a derrubada do veto. E fomos aconselhados, vereador Gustavo, efetivamente, se a gente fizer uma peneira, uma análise mais fina do projeto que apresentamos, efetivamente, tem falhas, tem algumas inconsistências que a Dra. Vivian nos recomendou no sentido de que a gente buscasse, tão logo houver a sanção, a publicidade do projeto, apresentar emendas. E por quê? Porque se, vereador Adiló, nós derrubássemos o veto, perdão, acolhêssemos o veto, teria que se reiniciar todo um processo de revisão do Plano Diretor. Portanto, isso representa, no mínimo, mais dois anos. Porque a simples apresentação de emendas não supre o papel do que determina o Estatuto das Cidades de que o Plano Diretor, no máximo até 10 anos, tem que ser revisto. Nós já estouramos isso, nós já estamos em praticamente 12 anos, ultrapassando o que prevê a legislação. Então, nessa reunião, vamos estar reunidos com os representantes do Conseplan no sentido de debatermos alternativas com relação a essa posição equivocada de parte do Executivo, que poderia, com muita tranquilidade, se apontou e disse nos jornais, pela fala da procuradora do Município, 55 inconsistências, no veto foram quantas? Doze. Onze apontadas. Onze ou doze, portanto, na realidade não eram 55, no veto apresentado...
VEREADOR GUSTAVO TOIGO (PDT): Um aparte, vereador Elói?
VEREADOR ELÓI FRIZZO (PSB): ... então essas ditas inconsistências. E que algumas são, simplesmente, a correção de uma palavra. A que eu mais me apego é a que criou, a que fizemos a junção de todas as leis que criou áreas de proteção permanente, APP, e se colocou um título que talvez não fique de acordo, mas aí se forçou uma interpretação do título como se nós tivéssemos uma restrição, colocando uma restrição colocada na Legislação Federal de que trata das áreas de proteção permanente em nível federal. Então, nesse sentido, eu quero deixar bem claro aos colegas vereadores que a partir da postura do executivo de apresentar o veto total ao projeto nos colocou sem dúvida nenhuma em um brete que nos obriga a ter uma posição mais clara sobre que caminho nós vamos tomar. Digo que foi extremamente esclarecedor, o pessoal que estava conosco lá também, acho que saíram convencidos da mesma situação. Então nós temos que ir nos preparando, presidente Cassina, porque, se mantida... E acho que o que queremos fazer com o pessoal do Conseplan de que, em tese, alguém lá, os técnicos, teriam colocado a possibilidade de uma saída negociada com a Câmara. Mas o ideal seria, sem dúvida nenhuma, o prefeito ter apresentado o veto pontual àquilo que ele discorda. Porque, em tese, 90 por cento do projeto que está lá é uma contribuição do executivo agregada ao atual plano diretor. As modificações que foram feitas na Casa se eventualmente o prefeito não concordar, embora, nós achamos com todo respeito que algumas situações que estão para serem resolvidas há anos... E eu cito só uma, vereador Uez, a situação do Moinhos Galópolis. Depois, pensando, vereador Toigo, nós seríamos muito irresponsáveis, eu diria, se a gente, depois de encaminhar a solução do problema, a gente tirasse o tapete desse pessoal. Eu coloco a situação, por exemplo, que é o principal pleito que foi encaminhado em nível de plano diretor, a situação do grande número de imóveis nessa confusão industrial comercial, que é a grande demanda que tem na cidade na medida em que para construir um prédio industrial tu tens 60 por cento de ocupação e, se tu construir um prédio comercial, tu podes utilizar 80 por cento. Só que daí aquele prédio que tu usou os 80 por cento tu não pode botar uma atividade industrial nele. Então é efetivamente uma contradição que o plano diretor resolve e que, lamentavelmente, acolhido o veto nós não vamos buscar solução para esse problema. A nossa contribuição, vereadora Denise, na revisão do plano diretor foi extremamente inovadora. Fizemos seminários aqui, foram quatro seminários, vereador Edson, da Cidade que Queremos; fizemos reuniões públicas, fizemos audiência pública, contribuições de toda a comunidade e aí, efetivamente, seria um pecado a gente retomar o que se iniciou há dois anos. Então, da minha parte, quero colocar isso aos colegas vereadores porque tenho a obrigação de fazer essa, dividir com os senhores e com as senhoras, todos os momentos que a gente passou discutindo esse novo plano diretor. Pois não, vereador Gustavo.
VEREADOR GUSTAVO TOIGO (PDT): Muito obrigado, vereador Elói Frizzo. Importante a sua colocação nesta manhã na tribuna desta Casa. Nós estamos ainda tentando fazer uma leitura do porque o senhor prefeito vetou na integralidade esse belo projeto. A Câmara, talvez porque a Câmara tenho debatido exaustivamente com a sociedade, tenha feito um trabalho de diálogo, poliu, lapidou esse instrumento de planejamento que não é só de um setor. Isso nós precisamos deixar bem claro. Não existe um setor que vai privilegiado com o plano diretor aprovado, é a cidade inteira de Caxias do Sul, pelo trabalho de folego que nós fizemos, pela discussão, essa reflexão, nós temos autonomia, a Lei Orgânica nos dá isso. Perfeitamente essa legislação que foi aprovada é aplicável sim. Nós sabíamos que não seria uma perfeição e que poderíamos nos deparar com alguma situação de um veto pontual. Então eu defendo, vereador Elói, com certeza, ainda devo me debruçar um pouco mais, mas a comissão responsavelmente está fazendo essa análise de que nós devemos sim derrubar o veto para que a legislação entre em vigor pelas 150 emendas e contribuições que foram exaustivamente analisadas. Nós fizemos um trabalho realmente de fôlego, com decisões difíceis de serem tomadas, mas que numa eventualidade inclusive um projeto de lei complementar poderemos inclusive acatar as sugestões mais pontuais que bateram na trave, por exemplo. Então com certeza Vereador Elói, nós devemos analisar isso. Esse instrumento de planejamento é importante, ele é aplicável, deve funcionar e com certeza isso vai premiar o legislativo apresentando a nossa comunidade um plano diretor importante para o desenvolvimento do nosso município. Com certeza vamos analisar melhor isso.
VEREADOR ELÓI FRIZZO (PSB): Em alguns aspectos, obrigado, vereador Toigo, alguns aspectos acho que são importantes a gente dividir aqui com os colegas, tanto os responsáveis lá pela DPM, o Dr. Borba e outros com quem a gente conversou, eles nos colocam claramente: não tem conhecimento. Eles não têm conhecimento de decisão em nível do judiciário que tenha dado liminar, liminarmente a suspensão de um plano diretor. Portanto o anúncio da procuradora do município de que buscará discutir judicialmente a questão do plano diretor através de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade foi colocado pela assessoria jurídica da DPM, que se acontecer, vai ser um fato novo. Um fato novo por conta de que o poder judiciário ele não se imiscui no detalhe da discussão técnica do projeto. É uma decisão que a gente não tem dúvida nenhuma agora de que o substitutivo foi objeto correto utilizado pela câmara.
VEREADOR VELOCINO UEZ (PDT): Um aparte, vereador.
VEREADOR ELÓI FRIZZO (PSB): As decisões já transitadas em julgado que já formaram jurisprudência especialmente em nível do Poder Judiciário do Rio Grande do Sul estabelecem de forma muito clara a questão da iniciativa concorrente tanto da câmara quanto do poder executivo no sentido de votar e ter a iniciativa da discussão do plano diretor. Portanto, se efetivamente existem algumas inconsistências e pelo menos numa eu concordei com a colocação da assessoria da DPM da não necessidade desse período de transição de 180 dias é que o correto é até a publicação, então é uma correção que eventualmente se pode fazer. O ideal seria, vereador Edson, vereadora Paula, que nós fizéssemos isso negociado com o executivo. Apontamos aqui, meu líder do governo, vereador Renato, apontamos aqui essas e essas inconsistências. É possível a gente fazer a correção pontual? Claro que é. Ninguém aqui quer o mal da nossa cidade. Todos queremos o bem da nossa cidade. Então nós temos contribuições ali que foram dadas nas discussões do plano diretor que dialogam diretamente com as demandas da cidade e que, portanto, nós não temos também o direito de ficar protelando essa discussão mais dois anos jogando quem sabe já a discussão da revisão do plano diretor para a próxima legislatura. Seria uma irresponsabilidade muito grande me parece da atual legislatura a gente tomar essa decisão tão temerária. À tarde então estaremos reunidos com os representantes do Conseplan. Nos foi colocado, através da representação do Sinduscon, a possibilidade de se acolher o veto e aí se negociar emendas ao atual plano diretor, mas de parte da Dra. Vivian foi colocado muito claramente. O fato de um vereador, uma comissão apresentar uma emenda ao atual plano diretor não supre a decisão legal determinada pelo Estatuto das Cidades de que no máximo até dez anos tem que acontecer a revisão do plano. Aliás, inclusive a Dra. Vivian, vereadora Denise, nos colocava o seguinte. O ideal mesmo seria que o plano fosse revisto a cada cinco anos porque o Plano Diretor é um instrumento dinâmico, ele dialoga principalmente nesses momentos, presidente Cassina, onde o mundo muda. Nós, algum tempo atrás, em 2007, quando discutimos aqui a revisão do Plano Diretor de 97, não se discutia inovação, não se falava em inovação, não se falava em laboratório vivo, vereadora Denise, situações completamente novas que foram surgindo com o avanço tecnológico, com as modificações que estão acontecendo no mundo. E de outra banda eu acho também muito correta a observação feita pela Dra. Vivian de que nós não somos a Europa, com um acúmulo de dois mil anos do ponto de vista de discussões com relação a organização das cidades. O nosso modelo ainda é o modelo novo, de terceiro mundo, que dialoga com um monte de necessidades, de situações de carências grandes que a cidade tem e que, portanto, o melhor mesmo é a gente discutir em cima da nossa realidade. Você trazer aqui um grande profissional da área de planejamento a nível mundial para nos dar lições de como devemos fazer avenidas de 40 metros, modais de não sei o que, não dialoga com a realidade nossa. Quando se vai fazer um Plano Diretor na nossa cidade tem que trabalhar com aquilo que herdamos lá de cento e poucos anos atrás, aquela planta inicial bem feita do centro da cidade e a confusão que se estabeleceu pelos bairros, na ampliação, loteamentos irregulares, ruas de seis metros, não observando declive, não observando curva de nível, o pessoal procurando resolver tudo na base da dinamite, principalmente nós que estamos aqui em cima basicamente do basalto. Então essas situações que acho que sempre é bom a gente aprender com quem tem um domínio maior do que acontece num Plano Diretor de uma cidade de três mil habitantes a um Plano Diretor de uma cidade de 500 mil habitantes como é a nossa, são realidades completamente distintas. Eu não sei se mais alguém me pediu aparte. Perdão, vereador Uez e vereador Adiló.
VEREADOR VELOCINO UEZ (PDT): Vereador Toigo, no meu entendimento uma irresponsabilidade. Poderia pontuar várias. O senhor questionou Moinhos Galópolis, 300 empregos diretos, o investimento que ele precisa fazer para se manter em Galópolis, mais a questão da BR. Os agricultores, que tanto cobraram a diminuição do Plano Diretor em encostas, muitos estão ali devendo, em dívida ativa, por questões que não foram ouvidas lá atrás, como é que fica? Vai virar o ano de novo, vai vir IPTU de novo? Várias situações. A questão do Alto de Galópolis que está lá dependendo, com a implantação do núcleo urbano, a possibilidade de ônibus entrar lá dentro, a legalização. Então é uma irresponsabilidade da maneira que está aí. Os pavilhões, quantos pavilhões que poderiam se legalizar em busca até, ali, no quesito do alvará? Então questões que o Poder Executivo concordou e produziu junto. Então para mim uma irresponsabilidade dessa forma que foi feita, está penalizando a maioria da comunidade caxiense.
VEREADOR ELÓI FRIZZO (PSB): Obrigado, vereador. Rapidamente, vereador Adiló, temos aí 30 segundos ainda.
VEREADOR ADILÓ DIDOMENICO (PTB): Obrigado, só dizer, vereador Elói, que eu acho que a comissão e V. Exa. estão trabalhando com aquilo que é o correto, pé no chão, tentar, de todas as formas, o diálogo com o Executivo, não foi possível. Dialogaram com a sociedade, discutiram aqui em plenário, o substitutivo foi aprovado por ampla maioria e agora estão tendo o cuidado de levar adiante. Acatar o veto seria uma irresponsabilidade da nossa parte porque a cidade está precisando destravar algumas questões, especialmente essa dos pavilhões construídos para comércio ou indústria... Que eu não venho aqui dar razão para “a” ou “b”, mas nós precisamos resolver esse imbróglio. Obrigado pelo aparte.
VEREADOR ELÓI FRIZZO (PSB): Obrigado, vereador Adiló. Concluo então, presidente Cassina, mais uma vez chamando à responsabilidade, no bom sentido, a liderança do governo, vereador Renato, a comissão, vereador Renato Nunes, a comissão está à disposição de V. Sa. de quantas reuniões forem necessárias fazer com o Executivo, se isso é possível, dada a realidade atual do nosso prefeito, eternamente viajando, mas de tentarmos buscar aí um consenso que, em última análise, não prejudique a nossa comunidade. Era o que queria colocar aos colegas vereadores nessa manhã. Muito obrigado.