VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Obrigado. Obrigado, colega de bancada, minha líder, vereadora Estela Balardin. Vou usar esse tempo dividindo em duas questões. Vou falar de uma missão que nós estamos indo à Brasília, semana que vem, e do tema da educação, uma demanda importante, que eu tenho recebido muitas solicitações, especialmente das mães. Então, na semana que vem, eu e o vereador Calebe Garbin vamos à Brasília para participar da Marcha Nacional dos Vereadores, uma entidade, a União de Vereadores do Brasil, a UVB, está convocando essa marcha. São milhares de vereadores de todo o país que participarão. Governadores, prefeitos das grandes cidades, ministros, o Governo Federal também participará. Então, eu tenho certeza de que vai ser uma troca importante de ações que as Casas Legislativas estarão trocando. Então, nós vamos participar desse momento. E outra ação que nós faremos, e agradeço ao vereador Calebe, que aceitou o convite, eu havia comentado com os colegas vereadores essa intenção que a Mesa tem de fomentar debates com a sociedade. No mês de fevereiro, fomos eu, o vereador Petrini e o vereador Rafael à Brasília, e participamos da Marcha Nacional dos Prefeitos, um encontro também consolidado há muitos anos, em que prefeitos do país todo vão à Brasília e encontram lá informações disponíveis sobre PAC, bancos públicos, sobre os ministérios. E surgiu a ideia de que nós tentássemos replicar, claro que dentro das possibilidades do nosso tamanho, um evento aqui em Caxias, voltado às Câmaras de Vereadores e às prefeituras da região, não só dos 49 municípios, dos 48 da nossa abrangência aqui da Amesne, mas do entorno, Campos de Cima da Serra, Vale, talvez o Planalto, convidando, então, representantes do Governo Federal, especialmente no tema do PAC, para tratar sobre acesso dos projetos do PAC; nós convidarmos o Governo Estadual para falar sobre o Fundo da Reconstrução, o Funrigs, e o acesso a esses recursos, e alguns cases também do que se refere ao Executivo e à Prefeitura; e no tema do Parlamento, nós apresentarmos o trabalho que nós temos realizado aqui na Câmara de Vereadores, seja nos setores, a aquisição dessa nova plataforma, dessa nova plataforma de fluxos legislativos. Então, eu conversei com colegas de vários partidos, recebi aqui o deputado estadual Neri, o deputado Búrigo, conversei com a deputada Denise, vou a Brasília conversar com o deputado Marcon, aqui da nossa cidade. A ideia é congregar a todas as pessoas, os nossos representantes. E vamos, eu e o vereador Calebe... A data, nós pensamos, quebramos a cabeça para pensar, a nossa intenção é que o evento seja, e que ele una vários prefeitos e vereadores. Entendemos que a possibilidade... Que a Câmara não dá conta dessa demanda, então já reservei o UCS Teatro, a ideia é nós fazermos no dia 11 e 12 de setembro, quinta e sexta-feira. E vamos... Ontem conversei com a Paula Ioris, aqui representando o Governo do Estado, vamos convidar o governador também. Tem outro fato que pode acontecer nesse meio tempo, que é a inauguração da materno-infantil do Virvi e a possibilidade da vinda do ministro da Saúde. Então, eu entendo que é no sentido de somar esforços. E nós vamos convidar todos os deputados federais do Rio Grande do Sul. Eu e o deputado Calebe, todos os 29... Eu disse deputado? Estou profetizando, não é? Eu e o colega vereador Calebe Garbin, vamos convidar, porque eu acho que é um momento de união, de convidarmos a todos que queiram vir a Caxias, porque eu entendo que a nossa cidade tem esse potencial. E se há um esforço, por exemplo, para o prefeito de Jaquirana, para o prefeito, enfim, de cidades menores irem até Brasília, por que a gente não pode fazer um evento aqui, gerando turismo para a nossa cidade, mostrando o que nós temos na Câmara de Vereadores? Então, a turma da comunicação está lapidando o nome desse evento, e nós vamos conversar. Eu vou contar também com o apoio de todos vocês vereadores. Porque a ideia é que nós convidemos todos os presidentes e prefeitos das Câmaras de Vereadores aqui do entorno. Então, eu já convido que vocês já conversem com seus pares de partidos, sejam vereadores ou prefeitos, para reforçarmos esse convite. E a Câmara vai disponibilizar estrutura de carro. Já comecem a organizar suas agendas para que nós possamos também fazer esses convites. Acho que Caxias precisa ter esse protagonismo. Conversei, ontem, com o prefeito Adiló, que achou a ideia também oportuna e importante. Então, vamos fazer isso em Brasília. Nós não temos a programação, porque vamos depender do governo do estado, do governo federal, logicamente, do governo municipal. Nós, aqui, as nossas comissões também estarão envolvidas. Mas achei oportuno fazer essa comunicação. Conto com todos vocês para que nós possamos nos organizar e contribuir, porque é um evento importante, é o primeiro do estado. Não há nada parecido. Quem faz isso, em geral, é a Famurs; ou tem um summit em Nova Petrópolis. A ideia é a gente fazer sem custo nenhum para os prefeitos e presidentes das Câmaras e vereadores, porque a intenção é mostrar a potência e aquilo que a gente tem de bom em Caxias. E, ao mesmo tempo, acessar recurso, discutir legislação. Eu acho que um tema muito importante, além dessa possibilidade de recurso, é o tema da saúde, já que ele envolve a região e precisa do compromisso dos prefeitos e das prefeitas. Então, estou comunicando. Estaremos lá semana que vem e, enfim, conversaremos, no retorno, dando um feedback. E os três senadores também, vamos convidar os três senadores para que estejam aqui nesse momento. E concluo a minha fala, não quero usar a Declaração de Líder, no tema da educação. Para falar de uma demanda que tem chegado para mim de forma muito latente, que é a questão da inclusão. Caxias é uma referência no tema da inclusão. Todas as mães e pais que têm filhos autistas, deficientes, altas habilidades, querem matricular seus filhos no município. Especialmente pela facilidade que sempre foi o acesso de cuidadores. Eu entendo, inclusive estava no conselho como presidente, a função do cuidador, vereadora Rose, a senhora que sabe, que é colega da rede, é a higiene, é a alimentação e o deslocamento. A gente sabe que é isso. Entretanto, o número de crianças para o AEE é cada vez maior. O número de diagnósticos de autistas cresce de forma exponencial. E nós precisamos efetivamente de políticas públicas para isso. Eu tenho ido visitar as escolas. Fui visitar três escolas na segunda-feira. E o que os diretores têm me relatado é a dificuldade das comunidades, dos pais, das direções receberem os cuidadores. E isso é inadmissível. Em salas que nós temos três, quatro autistas que precisam. Inclusive, uma escola, pasmem, vereadora Andressa, que está presidindo a sessão, Andressa Marques.
VEREADORA ROSELAINE FRIGERI (PT): Um aparte, vereador.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Uma criança com fralda, utilizando fralda, quinta ou sexta série, e foi negado o cuidador. Eu entendo que, eventualmente, algumas cuidadorias podem não estar fazendo a função para que foram designadas.
VEREADORA DAIANE MELLO (PMDB): Um aparte, vereador.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Eu disse para a secretária, minha amiga, secretária Marta Fattori: “Bom, se nós queremos diminuir o número de cuidadores, eu faço uma proposta para a gestão atual. Por exemplo, que nós criemos a bidocência.” Aí nós podemos reduzir em 70% os cuidadores. Tem vários municípios que trabalham já na lógica de dois professores, de um professor auxiliar. Poderia ser uma alternativa. Agora, simplesmente colocar o pé no freio dos cuidadores, gera uma situação de incerteza e de muita dificuldade. Então, eu tenho uma reunião com a secretária Marta hoje, no final da tarde, sobre outro tema, mas vou reforçar. Isso tem despertado muito descontentamento nos professores, na turma, nos profissionais de AEE, que não conseguem ter o seu trabalho bem adequado em razão disso. Eu vou pedir uma Declaração de Líder da bancada do PT para ceder os apartes no momento oportuno. Vereadora Rose Frigeri.
VEREADORA ROSELAINE FRIGERI (PT): Vereador Lucas, primeiro a questão do dia 11 e 12 de setembro, uma proposta relevante, importante para a nossa região aqui, para a nossa cidade. Então, parabéns por isso. Mas eu queria falar desse tema um pouquinho, porque, coincidentemente ou não, eu acabei de receber um Whats que diz assim: “Nunca, em mais de 30 anos, vi as coisas tão difíceis. Tantos alunos atípicos, com gritos, surtos. E desestrutura toda a escola, porque não tem cuidadores e professores suficientes. A facada na profe foi só a ponta de um iceberg.” Então eu acho que é isso, né? Já falamos várias vezes nisso; mas, enquanto não tiver... Estou até tentando descobrir, não vou colocar de forma muito exposta aqui, mas essa situação, inclusive, da facada, das crianças, dos adolescentes que fizeram isso, quais os encaminhamentos que eles têm? Porque a gente sabe que tem crianças que estão se pedindo encaminhamentos para a monitoria há anos, há anos, e as crianças não recebem. Daqui a pouco, elas têm um surto, elas fazem alguma coisa com um colega, elas fazem alguma coisa com alguém da direção, das professoras. O que acontece? A primeira a ser responsabilizada é a diretora da escola. Isso no limite, né? Mas como bem colocaste, não existe número adequado. Quando foi feita essa lei, tinha redução de alunos em sala de aula, quando precisasse um aluno de atendimento especial. As diretoras ganharam ali, naquela discussão que nós tivemos: “Não, nós vamos colocar câmeras nas salas de aula.” Só que é o seguinte, quem não conhece uma sala de aula vai ver. E vai sobrar para quem? Para as professoras. Então, o que nós precisamos, depois não adianta lamentar e dizer que os estudantes têm que cumprir medida de 10 anos presos ou tem que diminuir a idade penal. Precisa ser responsabilizado, mas quando uma criança está desde os quatro, cinco, 10 anos pedindo, a escola pedindo uma série de atendimentos, e não é feito pelo poder público, quem que tem que ser responsabilizado também? Então acho que é um debate muito importante. Obrigada pela oportunidade.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Obrigado, vereadora Rose.
PRESIDENTA ANDRESSA MARQUES (PCdoB): Segue em Declaração do Líder pelo PT o vereador Lucas Caregnato, da tribuna.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Obrigado. Seu aparte, vereadora Daiane.
VEREADORA DAIANE MELLO (PL): Parabéns, vereador Lucas, pelos dois temas. O primeiro acho que traz o protagonismo de Caxias do Sul em pauta, e eu acredito que é importante isso. Somos parceiros nessa proposta. O segundo é um tema que é muito latente para mim, que é a questão da inclusão. Inclusive, vereador, por tantos pedidos dos pais, por participar de tantas reuniões assim, eu elaborei um pedido de informações, que eu estou protocolando na Câmara, para verificar a questão de cuidadores, monitores, alunos atípicos. Por quê? Porque a gente não tem essas informações. Cada vez que se reúnem essas pessoas para um seminário, para uma palestra, para uma própria reunião, os pais trazem à tona, a todos os momentos, essa questão. Primeiramente a questão da saúde, pela demora do diagnóstico, anos na fila para um neurologista; e a parte da escola, quando se solicita a questão de cuidador e monitor, que já é deficitária, porque ela é para a locomoção e higiene. A gente sabe que os nossos alunos atípicos precisam muito mais do que isso, a gente precisa de outros profissionais também, tanto em sala de aula quanto nos AEEs. Até isso é negado. Então, até os monitores mais simples, os monitores e os cuidadores são negados. Então, é uma preocupação. E eu acredito que vem muito ao encontro da Câmara de Vereadores trazer esse assunto à tona, porque antes a gente tinha... Agora saiu, ontem ou anteontem, um estudo que, agora, é um a cada 31 alunos, uma a cada 31 crianças a questão do espectro autista. Então, ela aumenta cada vez mais o número de alunos. E a gente, nas visitas às escolas, a gente verifica cada sala de aula com quatro alunos, três, quatro alunos. Em escolas com 400 alunos, praticamente 40 estão precisando de um atendimento especial. Então, é um assunto que a gente tem que verificar, sim. E eu estou protocolando esse pedido de informações na Casa para a gente verificar.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Obrigado, vereadora Daiane. Eu não assino, mas certamente é um pedido de informações importante para nós refletirmos sobre essa questão. Seu aparte, vereador Daniel Santos.
VEREADOR DANIEL SANTOS (REPUBLICANOS): Seu vereador Lucas, essa é uma pauta que a gente sempre diz que é uma pauta de todos. Não é uma pauta ideológica, nem de partido A ou B. Eu entrei esse ano e abracei junto essa causa e tenho trabalhado bastante e parabenizo por trazer ela para Casa. Eu estava conversando com a Marta e ela está acompanhando, inclusive, a sua fala e que o senhor falou que tem a reunião hoje e isso não tem nenhuma divergência quanto a isso é importante, ela só pediu para informar que já tem um projeto em andamento, de conclusão, na Secretaria de Educação para ser encaminhado para o RH para ser contratado o segundo professor com a qualificação pedagógica para fazer este atendimento do autismo, das crianças especiais, na sala de aula. Então, essa é uma informação que é importante trazer para Casa, que já está em processo de conclusão esse projeto para ser encaminhado para o RH. Obrigado.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Obrigado, vereador Daniel. Vereador Hiago Morandi.
VEREADOR HIAGO MORANDI (PL): Não, só parabenizar aqui o vereador Lucas, como outros vereadores aqui, sempre estão atentos ao tema da educação no nosso município, parabéns. E reforçar o convite, era para eu ter feito ontem em sessão, acabamos se passando e a gente não fez. Hoje é a nossa audiência pública. Eu conto com todos os vereadores, quem puder participar hoje, vai ser importante para a gente estar cobrando Executivo, os órgãos. Reforçar aquela cobrança é sempre bom. Então, seria isso. Muito obrigado.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Obrigado, vereador Hiago. Eu acho que o vereador Daniel nos traz uma... Eu estou até perplexo, acho que é isso. Mas, de feliz. Se, de fato, a Secretaria Municipal de Educação de Caxias tem um projeto que vai ser analisado pelo RH. O nosso colega aqui, o vereador Edson, sabe, foi secretário, ordenador de despesas, há de se criar o cargo, nós não temos o cargo criado de professor adjunto. Nós precisamos mudar a resolução e o parecer do conselho. Mas, eu fico feliz com o anúncio de que Caxias terá, então, um professor auxiliar para as turmas com crianças de inclusão. E nós cobraremos, isso vem a calhar, do que acontece, principalmente, em cidades pequenas. Temos cidades pequenas que têm professor auxiliar para dar conta disso. Eu fico pensando, eu já citei o meu exemplo, eu saí de sala de aula em 2019, vereador Claudio. A minha formação é História. Como os meus colegas, anos iniciais é do primeiro ao quinto, anos finais do sexto ao nono. Mas vocês pensem em um prof. de História, Geografia, Matemática, Ciências, qualquer um dos componentes curriculares que tem um aluno autista. Ele não tem formação em AEE. Ele tem a formação em História, em Geografia, e ele, necessariamente a escola precisa trabalhar com esses temas. A senhora sabe vereadora Rose, esse professor de anos finais vai ter seis planejamentos porque ele tem que ter um planejamento que dê conta das características de cada um desses alunos de inclusão. Então, é bastante complexa a situação, mas nós precisamos atender. E se, e eu digo à secretária Marta que eu tenho uma relação de amizade e admiração, eu circulo, converso com os diretores, Marta, e a principal reclamação que se tem na rede municipal hoje, além da questão de falta de vagas, é o setor de atendimento educacional especializado. Há muitas reclamações. Esse setor, que historicamente era um setor que atendia bem. Nós, historicamente, em Caxias, e vários colegas foram secretários de educação, e que passaram por esta Casa, nós sempre fomos exemplos na questão do AEE. E hoje nós temos problemas reiterados, inclusive na falta de retorno para as direções das escolas do porquê não os cuidadores. Ainda, se liberar um cuidador para três, quatro estudantes. Sabe o que os diretores têm que fazer e os professores do AEE? Pedir para as crianças virem para a escola só um turno por semana, dois ou três. Que, inclusive, isso é outro problema bastante complexo para resolver: a criança tem que ter a garantia de permanecer na escola, mas condições para isso. Então, eu sei da boa vontade, mas nós temos pais, mães, e principalmente as crianças, bradando por essas políticas. Seu aparte, vereador Claudio.
VEREADOR CLAUDIO LIBARDI (PCdoB): Obrigado pela gentileza, e mais do que isso, a necessidade da distribuição de atividades específicas e a assunção de mais de uma escola por professor da educação especial.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): Mais de um professor.
VEREADOR CLAUDIO LIBARDI (PCdoB): Não, eu falo pela minha tia, porque ela fica responsável por três ou quatro escolas, com alunos de três ou quatro idades diferentes, e tem que fazer apresentação de trabalhos para três ou quatro alunos diferentes, em diferentes escolas. Então, pega desde o Santa Corona até bairros da Zona Sul. Então, é um problema que efetivamente tem que ser atacado. Anteriormente, quando havia matrícula exclusiva, ou disponibilidade exclusiva a uma escola, como ela era anteriormente do Santa Corona, bom, podia atender com maior qualidade, que não é a realidade que está sendo enfrentada hoje. Obrigado pela gentileza, parabéns pelo tema.
VEREADOR LUCAS CAREGNATO (PT): E eu concluo dizendo, nós tivemos aqui uma sessão emotiva, essa Casa lotada, provavelmente o momento que a Câmara recebeu mais pessoas no último período foi o dia do fato ocorrido com os professores e esse assunto calou. Esse assunto calou absolutamente. Nós não falamos mais nada, não ocorreram ações, e eu não falo de ações de curto prazo, mas nós precisamos, ou seja, a comissão de diretores não recebeu o retorno dos seus questionamentos. E enfim, nós precisamos cobrar da gestão, do Poder Executivo, do Ministério Público, do Judiciário, pensar no que nos cabe para que logo mais nós tenhamos outro caso como esse, outro professor sofrendo, seja de violência ou chorando com a questão da sua saúde mental abalada. Muito obrigado pela gentileza de aguardar mais um tempinho para finalizar.