VEREADOR VELOCINO UEZ (PRD): Bom dia, colegas vereadores e vereadoras que não tive oportunidade ainda de cumprimenta-los pessoalmente. Primeiramente, agradecer ao colega Cadore pela acedência do espaço. Eu confesso a vocês, que eu estava ali pensando, talvez, eu precisaria de 2 horas daquilo que eu vivenciei nesses 60 dias. Quando aceitei o desafio e já falei aqui, nesta tribuna, em uma outra oportunidade, que é um trabalho que me atrai por realizações que a gente possa ter dentro da função que a gente exerce, já falei aqui em uma outra oportunidade. E quando me afastei para ser coordenador distrital, o meu objetivo, sim, era ver acontecer. Naquele momento, eu já falei aqui em outras vezes, que todo aquele maquinário que foi adquirido por um financiamento que passou aqui nesta Casa poderia dar a sua contribuição com o tempo e ainda não teria dado. A comunidade caxiense do interior sabe e para aqueles que pensam só no seu umbigo, que esse maquinário chegou no meio do ano passado e que oito meses de chuva, e ali no final do ano, na virada do ano, e dois meses depois, no primeiro momento que eu me tornei coordenador, eu visitei praticamente todas as subprefeituras para ver as mazelas e eu identifiquei, sim, ia levar a conhecimento, agora com o novo concurso, que todas as subprefeituras precisam de reforço humano. Dois, três, quatro, ou talvez, no mínimo dois cada subprefeitura, para compor o grupo de trabalho. Identifiquei sim que 70% das nossas estradas, 4.500 quilômetros temos de estrada em Caxias, estavam em boas condições em dois, dois meses e meio de trabalho porque o tempo teria colaborado. E ao contrário, a roçada, 70% estaria precária e 30% razoável. E os colegas sabem que com a vinda daquelas roçadeiras intensamente elas foram colocadas no trabalho e logo cumprindo uma carga horária de trabalho elas precisam passar pelo processo de revisão, isso tudo no primeiro mês, para que ela pudesse voltar ao trabalho. E a gente fez uma reunião junto à Agrale, com vários membros e teria depois melhorado, isso tudo lá no mês de abril, que quando uma máquina ia para revisão é inadmissível que ela fique lá duas semanas, três, para uma revisão. Eu citei muito lá, eu fui duro e todos se manifestaram, no máximo, três dias. Quando a gente faz uma revisão em um carro sai no dia, três dia e teria melhorado muito isso. Então naquele momento era com esse maquinário, além dessas mazelas, eu gostaria muito de poder fazer vários alargamentos ao longo dos anos no interior, Sandro Fantinel, várias estradas precisam de alargamentos. Então naquele momento, sim, tem a máquina lá, todo mundo conhece do gauchão, no 1° Distrito, um truck, daria para fazer um bom trabalho. Me frustrei, a partir do dia 1° de maio todo mundo viu o que aconteceu, dizem “lá em 41 deu isso.” Eu lembro muito bem o meu pai, quando estava vivo, dizia, Sandro Fantinel, que em 43 foi a maior seca da história, que morreu os matos e pode acontecer de novo. Primeiro deu a enchente e agora pode acontecer de novo. Hoje de manhã estava escutando o Cléo Kuhn, agora se anuncia pouca chuva. Bom, se é para vir chuva desse porte, perdas de vidas como vivenciei, colegas, e a partir desse momento, eu até confesso, hoje de manhã também, quatro e meia da manhã, acordei, a minha cabeça agora acorda esse horário ali… todos os dias antes das sete horas eu estava na Secretaria de Obras. Nós ficávamos ali eu, Soletti e o Ivanor, a equipe de frente para ver o que a gente podia com a reestrutura que a gente tinha. Imaginem vocês, se esse maquinário desse financiamento que passou aqui não estivesse dentro do município... E se tivesse o dobro e mais o dobro... Hoje, colegas, hoje, só em Galópolis eu precisaria... Eu digo “eu” porque foi ali que o meu alicerce... Eu precisaria hoje, em Galópolis, cinco PCs grandes, dois tratores de esteira, no mínimo dois caminhões e algumas retros ainda. Tenho fotos ali de locais. Galópolis teve perda de vidas. Já falei aqui, Vila Cristina, o asfalto que vai para Santa Lúcia do Piauí, 80% dele foi danificado, 80%. Vila Oliva nem se fala. De novo, só em Galópolis tem cinco estradas ainda interditadas. Logo após São Pedro da Terceira Légua, ali a estrada que desce dá lá dos Motter, vereador Bressan. E o senhor vivenciou lá. A ponte dos Pezzi também, que o rio endireitou ela, endireitou ela no sentido quase do rio. Ali a gente trabalhou três dias com uma máquina grande. Tem uma barreira nos fundos, colegas, de cinco hectares. Não existe mais a estrada. Ali foi rasgado com a PC. Precisa de uma retro atrás. Na semana passada, quando chovia, para raspar o barro, a retro nem volta de ré. Ali ainda tem problema. Lá embaixo, na Cátia, do canil, onde ela colocou no Instagram, ali depois vai aparecer, foram necessários, vereador Lucas, 52 trucks de pedras, de ré os motoristas puxando, em torno de 800 metros, para poder recompor a estrada lá, que dá em seis a oito famílias, mais o canil nos fundos, que tem 150 cachorros. Só ali. A ponte lá embaixo, no Piaí, que foi trabalhado quinta, sexta, sábado e domingo, o funcionário Marcos, só em um lado da ponte 800 metros de estrada precisou ser recuperada. Não atingiu um lado. Ainda tem o outro lado, ainda. Ali tem fotos. Ali é lá na Estrada do Vinho. A gente tinha passado ali dias anteriores. O Soletti disse “aqui caiu uma vez”. Caía toda a água na estrada. No dia seguinte, caiu de novo. Teve lugares que a gente levou embora o material que caíam. Hoje, deixava a máquina lá de noite, amanhã voltava lá, tinha tudo de novo. Na Pedro Dambrós, foi feito... Ali é a ponte lá embaixo, na Estrada do Vinho, perto da Vinícola Motter. Então imaginem vocês o drama que eu vivenciei nesse mês de trabalho. No mês de maio, foram três dias de sol só, Juliano Valim. Infelizmente, colegas, a nossa cidade, o nosso município tem muitas pessoas boas; mas tem ainda algumas pessoas que pensam só no seu umbigo. Imaginem, no primeiro dia de sol cobrando um patrolamento, uma melhoria em roda de casa. Eu vivenciei, no celular do prefeito, nove horas da noite, uma pessoa cobrando um asfalto na frente de casa, com tudo que aconteceu. Não que não tenha direito, mas pensar no outro. Vivenciei também, sim, pessoas indo buscar rancho, que não foram atingidas em nada na sua vida. O meu guri já foi umas cinco, seis viagens lá para baixo, Roca Sales e Triunfo. Quando ele começa a me mostrar as imagens lá para baixo, eu digo: “Não, não. Chega, Gabriel.” Então, eu estou fazendo a minha parte onde eu estava e na minha família também. Mas, infelizmente, ainda tem muita gente que pensa só no seu umbigo. Eu vivenciei pré-candidatos tirando proveito de situações para ganhar voto, para chegar aqui dentro. Que caminhada triste essa, colegas. Eu estou no segundo mandato; o Renato tem seis mandatos; o Felipe tem mais. Esse tipo de caminhada não quero para mim. A palavra amigo tem que ser revista. Para que serve, na vida da gente, a palavra amigo? É uma opinião minha, pessoal. Eu digo para vocês, vou citar de novo Galópolis. Se coloquem no lugar dessas pessoas que moram em Galópolis em um dia que chove. Como é que vai dormir? O psicológico dessas pessoas nunca mais vai ser igual. Eu não acompanhei praticamente nada aqui dentro. Até quero agradecer o Felipe pela fala da imigração. Ouvi aqui. Eu não acompanhei, porque eu saía muito cedo de manhã. O que aconteceu aqui dentro. Eu vi uma bela homenagem aquele dia, ouvi o Coral Radize D'Itália aqui. Mas eu trabalhei muito e não me arrependo. Eu comentei hoje amanhã com o vereador Lucas, uma pessoa ainda que te chama de amigo e diz: “Tu abandonou o agricultor, porque tu foi lá na coordenadoria e agora abandonou.” Eu pergunto para essa pessoa: o que tu tem feito para melhorar a vida dessa gente? Ir lá pegar essas pessoas na hora da fraqueza, do medo para poder talvez chegar aqui dentro nesse modelo gente. É uma mágoa que eu carrego dentro de mim. Eu confesso para vocês que eu precisava da Declaração de Líder, senhor presidente. Eu precisava fazer esse desabafo. Eu poderia ficar aqui falando duas horas, olha ali, a ponte lá embaixo que está lá o Marcos que trabalhou todos os dias, um funcionário. Quinta, sexta, sábado e domingo ele conseguiu chegar na ponte, depois precisa fazer aterro, tem que ir material de fora de uma cabeceira. Depois tem todo o outro lado, tem que tombar duas, três vezes o material de dentro do rio para refazer a cabeceira provisória; levou embora tudo. Ali, o rio cresceu em torno de 20 metros, o Piaí.
PRESIDENTE ADRIANO BRESSAN (PP): Em Declaração de Líder, continua então o vereador Velocino Uez, na tribuna.
VEREADOR VELOCINO UEZ (PRD): Então, veja bem, ali é lá embaixo. Agora vai passando, mostra um pouquinho mais, aquele vídeo ali é lá na Cátia do canil, a foto, ali, teve que preencher tudo ali. Então eu me considero muito tranquilo, as redes sociais não me atingem. Eu cheguei aqui nesta Casa, vereador Lucas, trabalhando, e não falando aquilo que a pessoa quer ouvir. Ontem também estava sendo muito cobrado lá naquela estrada que tem cinco hectares.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Declaração de Líder do PL.
VEREADOR VELOCINO UEZ (PRD): Aí eu disse assim para ela: “Tu quer que eu te fale a verdade ou tu quer que eu fale a realidade?” Ontem de noite também, o patrolamento. Gente, precisa de três meses trabalhado para voltar ao patrolamento como era antes. Precisa cinco anos para recuperar aquilo que tínhamos no mês de abril na nossa cidade. Cinco anos, as obras vultuosas de maior porte, não vai consegui, ninguém vai, não importa partido ou quem está ali, quem está lá, quem está lá, mas se não vier dinheiro graúdo de fora sem juros, principalmente aos agricultores que perderam parreirais lá para o lado de São Valentim, Forqueta, olha... E aqui na cidade eu posso dizer, é ruim falar isso, aqui, comparar com o interior, não aconteceu nada se comparar, mas vão sentir no bolso de cada um. Não sobrou nada no interior, é só ir no supermercado. É bonito agora ir lá pagar a alface sete, oito pilha, e não tem? Só sobrou chuchu. Então, quando uma pessoa pensa só no seu umbigo e diz que não está nem aí, eu conversei com pessoas: “Eu não quero ouvir o problema do outro, eu quero que arrume a minha lâmpada na frente da casa.” Uma pessoa ligando todos os dias: “Eu quero a minha lâmpada de volta, eu pago. Eu pago imposto.” Os colegas também devem ouvir muito isso: “Porque eu pago impostos ao Poder Público.” Uma cochada de cascalho na frente da casa atrapalhando e “Ah, não, eu pago imposto.” Então isso é só para algumas pessoas. O nosso povo é muito solidário, muitas doações. Tem também gente doando cesta básica politicamente, que eu vi. Que caminhada infeliz essa, eu posso deixar, eu tenho 62 anos de idade, se é para eu pegar essa caminhada ali para querer tirar proveito ali na frente, não conte comigo, mas eu quero estar ali num futuro próximo para ver. E eu quero agradecer aqueles que conseguirem fazer mágica. É um momento ímpar, é um momento difícil na nossa cidade, mas o bem sempre vencerá o mau. Aí eu lembro, o Felipe falou aqui, os italianos que vieram com nada, e a nossa cidade vai se reerguer. Não é fácil. Aqui tem dois pré-candidatos a prefeito: Scalco e Felipe. A arrecadação caindo, e vai cair muito mais a todos os níveis: município, Estado e país. A mágica, ela não existe, e a vontade de fazer todo mundo tem. Quem é que não quer fazer o melhor? Agora, o que eu vivenciei nesses últimos 30 dias, tanto do bem, como do mal, fica para sempre gravado na minha memória. É uma missão que me atrai, eu já falei aqui, mas não nessas condições. Eu confesso para vocês que eu estou muito cansado, principalmente de ver pessoas... Lá embaixo, o Silvino Coelli, onde a família dele vive, estão ainda sem luz no outro lado. Vivem das batatas, de fazer chimia, de fazer melado e das frutas. E nem está podendo colher ainda. Depois daquela ponte lá, vai ter a outra. Quem pediu primeiro? Cadore
VEREADOR OLMIR CADORE (PSDB): Vereador Velocino, ontem quando o senhor pediu para mim ceder o espaço eu prontamente abri mão porque sabia que o senhor viria hoje aqui trazer a realidade do desastre que aconteceu e que destruiu Caxias do Sul. E o senhor toca muito bem, eu particularmente tenho encaminhado poucas demandas para os secretários – eu digo demandas pequenas – porque eu penso no maior, ou seja, atender as pessoas que estão mais em dificuldades. E é só para registrar, a extensão territorial de Caxias do Sul comparada só com Bento Gonçalves e Farroupilha. Bento tem 274 km²; Farroupilha tem 361 km²; e Caxias do Sul tem 1.652 km². E nós fomos atingidos em toda a extensão, como foi Farroupilha e como foi Bento. Mas é só um ponto importante que tem que ficar registrado, a nossa extensão territorial nos mata porque nós temos que atender a todo o município. Então parabéns pela sua fala, o senhor está trazendo aqui o que presenciou in loco, o desastre e a destruição que Caxias sofreu e nós vamos sofrer indiretamente porque migrantes, pessoas, cidadãos, famílias de outros municípios vão vir para Caxias e vão dificultar a nossa vida.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Um aparte, vereador.
VEREADOR OLMIR CADORE (PSDB): Então parabéns pela fala, importante, um registro que o senhor presenciou e vivenciou. Era isso, meu muito obrigado.
VEREADOR VELOCINO UEZ (PRD): Colega Scalco.
VEREADOR MAURÍCIO SCALCO (PL): Colega Velocino, não está fácil no interior. Eu estive por diversas localidades até ajudando algumas famílias, levando mantimentos a pé, por cinco, seis quilômetros. São barreiras gigantes que caíram, a estrutura de estradas realmente colapsou e tem muito trabalho pela frente. A gente via as patrolas, os funcionários da prefeitura trabalhando praticamente dia e noite, os turnos estendidos.
VEREADOR VELOCINO UEZ (PRD): Dobrou as horas extras.
VEREADOR MAURÍCIO SCALCO (PL): Dobrou os horários, horas extras e não conseguiam dar conta de tanto deslizamento, tanta barreira, tanta estrada que simplesmente cedeu. Os rios subiram muito, as pontes... para chegar nessas pontes aí que o senhor mostra as imagens também é difícil chegar até elas porque tem muitas barreiras que caíram antes. Tem pontes que não tem mais cabeceira e os moradores alguns improvisaram passarelas para poder sair...
VEREADOR VELOCINO UEZ (PRD): Vir a São Pedro.
VEREADOR MAURÍCIO SCALCO (PL): Para sair das suas localidades. Passarelas com duas tábuas de 30, às vezes com alturas de oito, dez metros para poder passar. Mas é sabemos que o trabalho vai ser longo, mas vamos dar a volta e vai dar certo, porque povo trabalhador, o povo do interior, o povo caxiense sabe do seu papel e a gente vai conseguir restabelecer e também melhorar muito a estrutura que existe hoje.
VEREADOR VELOCINO UEZ (PRD): Obrigado, Scalco. Vereador Sandro, depois eu preciso concluir.
VEREADOR SANDRO FANTINEL (PL): Vereador Velocino, obrigado pelo aparte. Em primeiro lugar quero lhe cumprimentar pelo retorno. É muito importante ter uma pessoa com conhecimento que o senhor tem do interior aqui junto com a gente, trazendo essas informações importantes. E eu como vereador de primeiro mandato gostaria de dizer para o senhor que a mesma coisa que lhe choca na questão do rever o amigo eu estou vivenciando hoje. É triste, é muito triste a gente ver o quanto as pessoas na hora “h” dão importância para si mesma e não para os demais. É triste isso aí, mas a gente tem que aprender a conviver com essa triste realidade. Obrigado, vereador.
VEREADOR VELOCINO UEZ (PRD): Colegas, independente de quem seja a próxima administração – não é partido que eu estou discutindo – conte com este vereador se é para contribuir e fazer. E aos pré-candidatos que pretendem estar aqui dentro, é um conselho de uma pessoa que tem 62 anos. Se é para ir lá usar da fraqueza das pessoas, é uma caminhada curta, é uma rua sem saída. Não é para isso que fomos colocados. Deus colocou no mundo o ser humano. Deus perdoa. A natureza, o meio ambiente não perdoa, quem provocou isso foi o ser humano. Antes de julgar o outro faça a seguinte pergunta: no que eu estou contribuindo? E não só querendo tirar proveito da fraqueza para poder chegar ao poder, não conte com este vereador, com este ser humano se for nessa caminhada. Era isso, senhora presidente.